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sábado, outubro 14, 2017

a entrevista de José Sócrates

Acabei de vê-la há pouco, depois de vir do cinema. Um filme que está aí a passar sobre o Django Reinhardt (um papelaço de Reda Kateb). Recomendo.

E então que vi eu? Um combate desigual, em que o animal feroz desfez o jornalista. Não deve ser fácil entrevistar Sócrates, mas também não estou a ver em televisão um profissional com suficiente arcaboiço para, com firme serenidade e correcção, não se deixar intimidar, nem por Sócrates nem pela opinião pública e pela opinião publicada. O nosso homem, com medo do que viessem a dizer dele cá fora, pôs-se com apartes e observações sonsas, que quase fez lembrar aquele pateta que uma vez o confrontou no Telejornal, no espaço de comentário que o antigo primeiro-ministro tinha, como se estivesse ali a debater de igual para igual. De qualquer modo, a RTP prestou um serviço público, e é para isso que ela serve.

Quanto à substância, dificilmente a entrevista poderia ter corrido melhor a Sócrates. Pelo que vi, e com os dados que tenho, que são os de toda a gente, desmontou praticamente tudo: do andar em Paris à questão do primo, a goldenshare da PT e o conluio com o BES, a história do tgv e a outra de Vale de Lobo. A história do quadro do Júlio Pomar foi cómica.E mesmo a questão mais bizarra dos empréstimos em numerário, desembaraçou-se bem da coisa, trazendo o amigo à liça. Cabe a este confirmar ou infirmar Sócrates. Se confirmar, como possivelmente o fará, depois como é? Ah, e se o melhor que têm é a declaração do gajo que está em Angola e que não podia vir a Portugal para não ser preso e afinal veio para fazer o jeito ao MP, esqueçam -- é a palavra de um contra a de outro. E não me parece que a palavra do tal Bataglia tenha uma cotação particularmente alta. (E por favor: não se diz 'Bataguelia', mas 'Batalhia').

O jornalista estava mal preparado? Não, pelo contrário. Voltou-me a ideia fundamentada de que o trabalho do Ministério Público é uma borrada monumental. E se Sócrates, que não é jurista, conseguiu instalar pelo menos fortes dúvidas sobre o trabalho do MP, o que não farão as raposas velhas da barra dos tribunais?

sexta-feira, agosto 01, 2014

...e para Tony Iommi, Django Reinhardt.

Ainda no mesmo inquérito (Classic Rock #2000, "Heroes & Villains", Agosto 2014), o guitarrista dos Black Sabbath, depois de referir Buddy Holly e os Shadows como os que mais o cativaram na juventude, alude ao acidente de trabalho que lhe levou duas falangetas da mão direita, amputação que, sendo canhoto, lhe trazia problemas acrescidos ao tocar. Então, alguém lhe falou e ofereceu um disco do soberbo Django Reinhardt, belga de etnia cigana, o grande swinger da guitarra jazz. E foi graças a essa inspiração e exemplo que temos ainda actuante (embora lutando contra doença grave) um dos maiores riffers da guitarra rock.


quinta-feira, maio 19, 2011

revisitação - Barney Kessel

Barney Kessel, «Autumn Leaves». A guitarra é, para mim, um instrumento ingrato e desengraçado no jazz (Django Reinhardt à parte). Mas este Kessel ouve-se muito bem.