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quarta-feira, junho 07, 2006

Antologia Improvável #137 - Ed. Bramão de Almeida (2)

AMOR-METEORO

Encontrei-a no cais, ao embarcar,
E, após um curto olhar retribuído,
Tão preso me senti, tão seduzido,
Que até como isto foi nem sei contar.

Só sei que agradeceu o meu olhar
Com outro mais gentil e enternecido,
E que fiquei em terra possuído
De um ódio torvo e estranho contra o mar.

Não mais em minha face inconsolável
Demorará seus olhos de veludo!
Não mais aquele instante inolvidável!

Um protesto de amor ardente e mudo,
Um sorriso, uma dor incomportável,
Um triste volver de olhos... e foi tudo.

Maré Alta

domingo, maio 07, 2006

Antologia Improvável #129 - Ed. Bramão de Almeida

CARNAVAL

Batalhas de «confetti» e serpentinas,
Por vezes, uma flor, avaramente,
Bisnagas a esguichar constantemente,
No ar, o som de quatro mil buzinas.

Zé-Pereiras, palhaços, ovarinas,
Vénus de saia rota e olhar doente,
Cavalos com guizeiras, muita gente,
Garotos, paspalhões pelas esquinas.

À meia-noite, bailes, serenatas,
Visitas às tabernas volta e meia,
Exibições burlescas, bambochatas,

Pós de goma e tremoços à mancheia,
Vinhos, amor, ciúmes, zaragatas,
De madrugada tudo na cadeia.

Sonetos