Já não sei regressar.
A mão que ampara, também puxa e prende,
escondendo a poesia aos pássaros.
Nos dias que ensaio o voo, preparo o cenário.
Um céu azul, desbotado, pende de uma gaiola dourada.
Cinco ou seis gatos pardos, sentados em poltronas gigantes,
fingem que aplaudem. Aguardam.
Eu abro os braços e todo o meu corpo é uma cruz.
Quanta beleza transpira em cima do palco onde me vês?
A dor é um poema, que se enrola à ferrugem das grades.
E eu já não sei regressar, meu bem.
Asas batem e batem , cansadas, em frente a um chão de gatos...
Sónia M
Imagem, Noell Oszvald








