Mostrar mensagens com a etiqueta Donald Trump. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Donald Trump. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, janeiro 02, 2019

o mistério Bolsonaro

Como todos os portugueses, e talvez muitos brasileiros, só ouvi falar no Bolsonaro quando o homem produziu aquela lamentável declaração de voto nesse mau carnaval que foi o golpe de destituição da Dilma Rousseff, aliás uma mácula que o acompanhará sempre, pelo menos enquanto não se retratar. Algo, já agora, pelo qual a sua mui cristã mulher, Michelle Bolsonaro -- com uma certa piada, devo dizê-lo com frontalidade -- deveria velar, pois duvido que o Senhor Jesus tenha achado graça à tirada. A alma em risco.
O grande mistério Bolsonaro, para mim, que vejo de fora, não é a sua eleição -- quem já viu Trump, viu tudo --, mas a sobrevivência política durante quase trinta anos dum gajo que, pelos vistos, não fazia nada no parlamento, inscrito num partidículo cujo nome ainda não consegui fixar.
(Saltar daqui para a incompetência das esquerdas, que parece ter sido vasta, é outro assunto.)

quarta-feira, julho 18, 2018

cacarejos sobre a cimeira Putin-Trump

No meio do cacarejar geral, ainda não li ou ouvi nada a respeito da declaração de Putin e Trump sobre a necessidade da defesa do estado de Israel. Declaração que se conjuga  com a questão da Palestina e, mais premente ainda, o problema do Irão. Putin poderá ser essencial para travar os ímpetos belicistas da administração americana e do seu instável presidente e do governo de Netanyahu, pois é no Médio Oriente que se joga a segurança mundial, muito mais do que nas Coreias. Enfim, coisas de somenos; o que interessa é o folclore do Trump e a nada inocente diabolização do Putin, mais do que suficiente para desviar as atenções do essencial.

sábado, abril 14, 2018

Mas o Macron já mostrou as provas que diz ter do ataque químico perpetrado por Assad?

Espera-se que o faça amanhã, quando se dirigir ao povo francês, caso contrário junta-se, em estofo e credibilidade, à parelha composta pelo doido varrido do Trump e da aldrabona relapsa e contumaz May. Para nós, portugueses, já trouxe à memória um certo Zèmanel, o tal que viu as provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque.

Suspeito que Macron não vá mostrar nada, pois hoje assistimos a mais uma fantochada encenada, também com a colaboração ou aquiescência dos russos. A pressa era tanta, que nem puderam esperar pela missão de fiscalização das Nações Unidas (parece que irá amanhã para o terreno...), não fosse aparecer mais um Hans Blixen, o sueco que liderava a equipa da ONU no Iraque, para que não se recorde.

Tratando-se duma farsa, custa menos a figura de cu-prò-ar do governo português, e cai mais no ridículo o tom enfatuadamente marcial de Marcelo, hoje, com os antigos combatentes -- gente, aliás, que o estado português trata miseravelmente, sempre de acordo com os nossos baixos padrões de conselheiros acácios e de cu-prò-ar.

p.s.- estava a ouvir um palerma a comentar no Telejornal. Que riqueza de análise, que sumo, dando por certas, claro, as tais acusações. Talvez tenha acesso directo ao Macron. Claro que desliguei a criatura e vim aqui escrever isto, ansioso por passar a coisas mais sérias.

em tempo: não sei se os russos vão retaliar. Se calhar vão também fazer de conta. Façam o que fizerem, só espero que não caiam em cima dos curdos, que tanto jeito nos deram contra o Daesh, parece que (oxalá me engane) abandonados à sua sina.

terça-feira, abril 10, 2018

à mercê dos lacraus

As forças subterrâneas apostadas na deterioração das relações entre Estados Unidos e Rússia estão a ganhar a parada.  Derrotada a mulherzinha que era o seu peão nesta táctica de embolsar proventos -- Hillary Clinton, com uma postura claramente confrontacional --, sai-lhes Trump, um cromo acossado internamente. Paulatinamente, estão a conseguir levar a água ao seu moinho.


Só se fosse um maquiavélico com tendências suicidas -- fórmula contraditória --, Assad, com o controlo militar absoluto, cometeria a estupidez de lançar um ataque com armas químicas contra um alvo confinado e  impossibilitado de sair do buraco onde se meteu, sem outra saída a não a escalada e alastramento do conflito...


Tenho a convicção, desde o primeiro ataque com essas armas, ainda no tempo de Obama, que tal foi, e é, perpetrado, ou de dentro (a chamada oposição síria está infestada pelo fundamentalismo islâmico, -- é ouvi-los com o alahu-aqbar), ou de fora (israelitas e/ou sauditas) -- ou dentro e fora.


Os lacraus que puxam os cordelinhos não hesitam, mesmo com o risco de, no final, também eles perecerem -- está na sua natureza.


No meio de tudo isto, duas indignidades maiores: as vítimas dos ataques químicos, carne para canhão literal, sacrificadas à guerra de propaganda e contrainformação, e a inominável traição aos curdos.


 

terça-feira, março 27, 2018

pulhítica externa

Diga-se que até estou admirado com o nosso governo, com uma atitude própria, se bem que alinhada com os aliados -- como parece que não podia deixar de ser --, no que concerne a mais esta estória mal contada. 
Mesmo que tenham sido os russos, ninguém acredita piamente nos aldrabões deste lado: ontem eram as interferências do Kremlin nas eleições americanas, que afinal parece que provêm dum consórcio anglo-americano; hoje é a putéfia que espancava o Trump nas nalgas, já multimilionária à custa deste franjinhas que anda sempre metido em sarilhos e para o qual já não há cu que aguente.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

tempo de misérias

daqui
1.ª miséria: a tentativa da plutocracia brasileira de afastar Lula das próximas presidenciais: o estado à mercê de dirigentes desidratados de ética (a começar pela caricatura de presidente), dos cleptocratas (com os media ao seu serviço), das seitas religiosas (pontificando a benemérita iurd), juízes inchados. Se eu fosse um autoritário, diria que o Brasil, a quatro anos do bicentenário como estado independente, precisava dum Fidel para pôr os temers, os cunhas, os edires e demais zoo em campos de reeducação (pelo menos salvava-se a música...) Como não desejo para os outros o que não quero para mim, resta-me sonhar com a revolução aparentemente impossível.

2.ª miséria: Operação Fizz. Como pode a política externa portuguesa estar à mercê de um qualquer juiz ou magistrado? Um país com 890 anos de história como Portugal (Batalha de São Mamede, 24 de Junho de 1128) não pode estar à mercê de amadores, que de política externa não alcançam um boi. E seria fácil legislar, salvaguardando a diplomacia portuguesa e a independência dos tribunais. Até eu, que não sou jurista, sei como se faz.

3.ª miséria: o ataque turco aos curdos, na Síria. Trump do lado certo, neste particular e desta vez -- nem ele deve saber como ou porquê.

pequenas misérias: perseguições fascistoides a Woody Allen (uma recorrência, basta lembrar Polanski); outra miséria, com flausina, que não vi e não gostei, dá pelo nome de 'supernanny', ou lá o que é. O espaço público me(r)diático, veículo de toda e qualquer badalhoquice. Único critério: encher os bolsos a accionistas & outros lenocinas. Assim tipo CTT: quem vier atrás que feche a porta e apague a luz.     

terça-feira, maio 23, 2017

o pior e o melhor na peregrinação do Trump (até agora)

O pior: na meca do terrorismo, e sem vergonha, ataca o Irão, que ao pé da Arábia Saudita é um baluarte da democracia.
O melhor: mulher e filha em cabelo, no reino de Salmão; o epíteto loosers, aplicado aos indigentes que se fazem explodir. Tem razão o Trump: chamar-lhes monstros, assassinos ou coisa parecida, são medalhas para eles; falhados quadra melhor com a natureza dejectória destas subcriaturas.  

domingo, abril 09, 2017

as linhas vermelhas de Obama, a falta de linha de Trump, do sr. Bernardo Pires de Lima e do sr. José Cutileiro

Estou convencido de que a inacção de Barack Obama relativamente ao ataque químico ocorrido na Síria há uns anos se deveu às fundadas dúvidas sobre a autoria dessas acções, como qualquer pessoa intelectualmente decente e honesta, que não esteja directa ou indirectamente no teatro de guerra. E o mesmo se passa agora, como diz Tulsi Gabbard, mulher aliás admirável
Trump, que não é decente nem honesto e, intelectualmente, é duvidoso que seja alguma coisa, ensaiou a fita dos últimos dia na Síria. Está no papel dele, assim como Putin no seu. 
Nada disto é estranho; pelo contrário, é velho e revelho, e perigoso na medida em que pode haver sempre algo que corra mal nesta aparente encenação bélica.

Agora, insuportável, insuportável é ler e ouvir alguns especialistas, como me tem sucedido (ainda há pouco na rádio) a darem os ataques químicos como realizados pelo lado de Assad, quando não têm nenhuma prova, nem sequer a evidência, de que tenha sido assim. 
É o caso de Bernardo Pires de Lima, uma Hillary Clinton de trazer (cá) por casa, ou do aposentado embaixador José Cutileiro, com uma posição anti-russa que parece patológica. 
Todos podemos ter as nossas opiniões, preocupações, simpatias e antipatias -- o que não é admissível é que comentadores apresentados com o selo de garantia académica, como Lima, não passem de câmara de eco do bruaá mediático-propagandístico. 

No programa «Visão Global», da Antena 1, diz este senhor qualquer coisa como: 'O ataque químico perpetrado pelo presidente Assad'..., etc.; assim como o de há cerca de três anos, que originou as tais linhas vermelhas de Obama. Como raio sabe ele? Pois não sabe!, porque os únicos a sabê-lo são os beligerantes. Lima tem a obrigação de saber que nestes conflitos as partes chegam a provocar ataques no seu lado, para comprometer o inimigo. É maquiavélico, mas é vulgar. Se não sabe, é incompetente para ser comentador na rádio pública; como não acredito que o não saiba, é pior.

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

a trolha na Ucrânia, a lata do Boris Johnson e a resposta que só Trump poderia dar a um jornalista pacóvio

O Boris Johnson, um beto para o qual se necessita de paciência extrema, vem à reunião da UE perorar sobre a Rússia, liderada pelo killer do Putin, e os líderes europeus fazem as habituais figuras de estúpidos. Líderes europeus que contam, note-se; porque os que até agora quase não contam, como António Costa, podem ter as posições sensatas e inteligentes que quiserem, porque lhes é igual ao litro. Merkel faz que não houve, Hollande, sempre imbecil, sente-se amparado na sua imbecilidade, Mogherini cacareja parvoíces -- e todos fazem boa cara à impertinência dos ingleses, em vez de os mandarem calar, por ausência total de legitimidade para exigir, dar, sequer aconselhar o que quer que seja na UE.
Não, isto está lindo. Não acompanho apenas a ralé de boa parte dos prostitutos & avençados do jornalismo económico, parvos por concordarem com o Xi Jinping na defesa dos mercados. Não, pá. O Trump, apesar dos balbucios, também diz coisas certas. Vejam como ele entalou o pacóvio da Fox News, que, ao falar de Putin, acrescentou: «É um assassino. Ele é um assassino!» E só o Trump, no gozo de toda a impunidade que lhe dá 1) o Poder, 2) o dinheiro próprio, 3) o apoio das massas, poderia ter respondido: «Então e nós? Somos ou não somos uns grandes filhos da puta?!»
Brilhante.

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

O Trump a entrar nos eixos

Enfim, ainda estou para ver, dada a natureza da personagem. No entanto, um avisozinho a Israel, contra a extensão dos colonatos, não para solucionar o problema, mas para dar a ideia de alguma imparcialidade, aliás impossível no actual contexto internacional. Só que aquele problema não é regional, por isso os EUA vão procurando ganhar tempo. Tem sido essa a sua política para a região.
Por outro lado, acabamos de assistir à condenação da política russa na Ucrânia, por parte da embaixadora americana na ONU. Das duas uma: ou Trump já está devidamente enquadrado pelo complexo militar-industrial, que é o que determina em boa parte a geopolítica dos EUA, ou tratou-se de declarações para europeu ouvir e aquietar.

domingo, janeiro 29, 2017

América: o desfile dos horrores

Sem contar com Obama, acho que tenho de recuar a Jimmy Carter para encontrar um presidente decente dos Estados Unidos. Reagan, foi aquela desgraça do reaganomics e o presidente que empurrou os Sandinistas para os braços da URSS, porque aquela testa não concebia outra coisa senão apoiar um ditador anticomunista, mesmo que fosse um ladrão reles e sanguinário. O colapso da União Soviética, esgotada e com pés de barro, era uma questão de tempo, como se viu, quando tudo se esfumou. Bush pai, embora tenha conseguido formar uma coligação de grande significado para reverter a invasão do Koweit por Saddam Hussein, internamente, foi uma anedota. Clinton, com aquele ar de vitelo mas desmamado, além de idiotices como a criação do Kosovo, temos de agradecer-lhe a desregulação do sector bancário de retalho, que viria a descambar na crise de 2008. Uma vergonha. De W., nem vale a pena falar. Trump ainda agora começou; não sei como irá acabar, se irá acabar.  Mas se acabar antes do termo do mandato, significa que, a substituí-lo, ficará aquela aberração do tea party, chamado Pence, tão do agrado do Bible Belt e do Ku-Klux-Klan, talvez ainda mais perigoso. Trump não tem ideologia, é um vendedor de banha-da-cobra, e defenderá tudo e o seu contrário, como é seu hábito. O outro talvez já fie mais fininho. 
Por outro lado, a reacção popular, dos presidentes de câmara e governadores da América civilizada, dos magistrados, são um sinal de esperança. 

segunda-feira, janeiro 16, 2017

o que vai na cabeça de Trump

Não faço a mínima ideia. E ele, se calhar, também não. Impante do pragmatismo solerte que lhe deu a invejável aura cor-de-laranja do homem de sucesso tão do agrado dos basbaques das business schools cá da parvónia, em relação à União Europeia, continua na senda da campanha eleitoral.
A UE, ainda hoje desconsiderada em entrevista ao Times, é um concorrente agonizante que ousou engendrar uma moeda que concorre com o dólar. Não precisa do Trump para dar cabo de si própria, porque vai no bom caminho.
A NATO é um caso mais interessante. Parece que o eleito disse tratar-se de uma organização obsoleta, no que concorda com a aproximação à Rússia. Se se trata de bluff de casino para obrigar os europeus a alargar os cordões à bolsa, está bem visto. Veja-se a neofascistóide da primeira-ministra polaca, de braços abertos às tropas americanas deslocadas para a fronteira leste, mandadas por Obama, e que no fim-de-semana serão chamadas de volta às bases... Mas pode ser outra coisa: pode ser que Trump esteja genuinamente convencido, como parece estar, de que vivemos um período de guerra de civilizações, e que os russos, cristãos ortodoxos -- e de que maneira! --, são aliados naturais contra a barbárie islamita e, talvez na sua cabeça, contra o perigo amarelo. Neste caso, porém , já não me parece que os russos estejam assim tão interessados...
As próximas semanas vão ser interessantíssimas. Mas eu não acredito, por enquanto, que ele se atreva a acabar com a NATO, (ainda) não tem força para isso, se é o que quer fazer, o que também não me parece líquido.Aí sim, já veria alguns motivos de preocupação para os estados bálticos, e não só. 

quarta-feira, janeiro 11, 2017

chuva dourada

Esta perversão sexual que os serviços secreto russos terão arranjado ao Trump, segundo os seviços secretos americanos, não pagava para vê-la. Não por ser puritano, oh, não! Como diz o fado, perversões quem as não tem?; nem por a chuva dourada não fazer parte do rol das que me entusiasmam francamente, mas simplesmente porque me cheira -- aliás toda esta historieta dos hackers russos, pobres EUA, nas mãos de Putin... -- (cheira-me) que deve ter uma base semelhante à das armas de destruição maciça, que o Saddam tinha, como todos vimos.

sexta-feira, dezembro 30, 2016

o enigma Obama

Ainda não descortinei a estratégia de Obama, a dias de abandonar a Casa Branca: o arrufo com Netanyahu, depois de dois mandatos de passividade e até de humilhação; o coroar das tensões com a Rússia, com a expulsão de diplomatas, já respondido na mesma moeda. Quer condicionar Trump?  Mas não está em condições de o fazer.Há uma coisa que confrange: este lento e dir-se-ia inglório agonizar de uma administração liderada por um homem superior, que parece capturado por outros poderes. Guantanamo aí está para levantar as maiores dúvidas acerca do raio de acção do ainda presidente americano: o mesmo que tendo assistido em directo ao abate de Bin Laden, se mostra incapaz de cumprir uma promessa eleitoral, repetida na segunda campanha, de mandar encerrar aquela prisão.

terça-feira, novembro 22, 2016

Tulsi Gabbard

... e de repente, uma visão. Tulsi Gabbard, congressita democrata, apoiante de Bernie Sanders, veterana da Guerra do Iraque e surfista, encontra-se com Trump. Não por ter passado a achar que este é aproveitável em várias matérias, mas porque numa questão fundamental, ela percebe que 1) o inimigo é o radicalismo islâmico; e 2) que a escalada com a Rússia não traz nada de bom. Vale a pena ler o seu comunicado. 
Oh, les beaux esprits (não ela e o Trump, claro, mas ela e eu)...

segunda-feira, novembro 14, 2016

que União?


O texto de Jorge Sampaio sobre a UE, publicado no Público de hoje é um grito lancinante sobre o estado moribundo daquela. Pese todo o voluntarismo optimista de puro bom senso que demonstra, a crua realidade duma União virada para os particularismos nacionais, que, receio bem, provocará a sua destruição Daí a "impotência decisória" de que fala Sampaio:


Se já era difícil a União Europeia ter uma política externa comum, no tempo em que tudo parecia um conto de fadas, hoje é impossível que tal aconteça, em face das divisões internas, e da assunção já clara dos interesses de cada país, tantas vezes não coincidentes e contraditórios.


Aa palavras não podiam ser mais sábias, porém, quando se humilhou desnecessariamente a Grécia e, em certa medida, também Portugal; quando se depara com a existência no seio da UE, de grupos como o de Visegrad, albergando governos incivilizados, como os da Hungria ou da Polónia, sem que sejam chamados à pedra, como é possível sequer falar de uma "identidade partilhada", quanto mais tentar  o seu fortalecimento? Que afinidades entre governos como o português, o grego ou o italiano e os congéneres racistas, xenófobos, quando não pró-fascistoides das hungrias e das polónias? -- só para falarmos nos casos extremos, e deixando de fora, por enquanto, finlândias e holandas...


O que se passa com a Rússia é demasiado mau para ser verdade, arrastando-nos para uma lógica confrontacional que nada tem que ver com os interesses europeus, e muito menos portugueses. Até porque a lógica do confronto, se pretende meter medo à Rússia só a vai acicatar, isolando-a dos parceiros ocidentais, com quem tem as maiores afinidades civilizacionais. Crer, como aparentemente sucedia com Clinton, que fazer peito a Putin seria aceitável do ponto de vista estratégico, é duma temeridade sem nome, para além de ter uma eficácia perto de zero. Os russos já fizeram questão de lembrar, ainda durante a campanha presidencial americana, que não recebem ordens do Estados Unidos -- aliás, uma boa indirecta para alguns governos europeus; e, por outro lado, quase dá vontade de rir, quando em face do desafio de alguns governos ocidentais, a Rússia se reúne em cimeira com a China e a Índia (o Brasil e a África do Sul, potências regionais, são dois penduricalhos para enfeitar). Espero que o negregado Trump entre rapidamente em distensão com Putin (e, já agora, que rasgue, mesmo que pelos maus motivos, o clandestino Tratado de Comércio Transatlântico, que os Estados Unidos andaram a preparar com os burocratas e homúnculos políticos europeus, nas costas dos cidadãos.

O texto do antigo PR, não é, de modo nenhum optimista. É um alerta importante, que corre o risco de chegar demasiado tarde (embora nunca seja tarde para o bom senso) -- a não ser que em postos-chave como a Alemanha, a França, a Itália (a Inglaterra já disse adeus, não é?...) e vários países de pequena ou média dimensão, como Portugal, repensem e reajam, como defende Sampaio, que, no entanto, acaba, a meu ver, por entrar em contradição, quando sustenta que, as "alteraç[ões] dos equilíbrios geopolítico-estratégicos exigir[ão] reflexão aprofundada do nosso lado, realinhamentos e reposicionamentos diplomáticos e de política externa que convém prepararmos atempadamente."

Sendo assim, que União?...

quarta-feira, novembro 09, 2016

eleições americanas: o boi e a tontinha (conjecturas)

Vou para a cama, com a sensação de que o boi do Trump ainda pode ganhar isto. Se fosse n-americano, talvez votasse num terceiro candidato, eventualmente Jill Stein; ou talvez em Hillary, aterrorizado. Mas como sou europeu, medomedo, tenho é desta tontinha, que parece querer afrontar a Rússia (com os europeus a fazerem o papel de idiotas úteis). O que será o neo-isolacionismo americano, pretensamente defendido por Trump, é para mim um mistério. E, se calhar, para ele também.

domingo, novembro 06, 2016

no LEFFest (1)

Vai ser um mau ano de festival, para mim, Pelas minhas contas, só poderei assistir a sete sessões, cerca de um terço do que é costume.
Mantenho-me fiel ao meu Estoril. Lisboa, para mim, é longe, e o CascaiShopping, com seu pipocar, não é opção. Se ainda fosse o Cinema da Villa, como sucedeu na primeira edição... Tenho pena que o Centro de Congressos já não seja utilizado, com condições ideais para o festival, malgrado o desconforto das cadeiras. O Casino, apesar dos esforços para manter aquilo aceitavelmente clean, desde que o Stanley Ho fez dele um casino à Macau, deixou-me de ser frequentável. Os moralistas hipócritas do Estado Novo, ao menos tinham o bom gosto de impedir que quem lá fosse ao cinema ou a uma exposição, topasse com criaturas de gosto duvidoso debruçadas sobre uma mesa de jogo ou se empoleiradas numa slot machine. Sempre apreciei o recato dos vícios privados, e não esta badalhoquice parola que vai das casas dos degredos ao facebook, passando pelas bancas de casino, Estas, em particular, irritam-me especialmente, talvez por não ser obrigado a frequentar as outras. Lá nisso, o velho Salazar, sacristão do caralho, obrigava o estabelecimento do Teodoro dos Santos a ter uns vidros foscos, para que os putos como eu, não fossem desviados -- embora soubesse muito bem que por detrás daquelas cortinas púdicas, havia as 'máquinas' (ouvia-lhes o barulho) e que no «Wonder Bar», ou lá o que era, havia umas miúdas que mostravam as maminhas -- ou seja, o Paraíso.
Bom, mas todos os anos é a mesma cena, e eu venho para aqui carpir e vociferar; mas vale bem a pena ir ao Casino para assistir aos filmes do LEFFest.
Estreio-me com Gato Preto, Gato Branco (1998), de Emir Kusturika, da retrospectiva que o festival lhe dedica. Dizer de EK que ele é o Fellini dos Balcãs, talvez seja demasiado fácil, para um tipo que tem Ivo Andrić como uma das suas principais referências, e pretende fazer a síntese de Bruce Lee e Ingmar Bergman (texto no catálogo, muito bom, mas falta-lhe o índice, caraças), Todo aquele nonsense, não é nada se pensarmos que o cineasta que se considerava a si próprio de nacionalidade iugoslava (nasceu em Sarajevo) assistiu impotente àquela farsa balcânica.


Seguiu-se um bitoque no «Jackpot», tenro e generosamente demolhado, servido por aquele pessoal atencioso e eficientíssimo. Com este calor de Novembro, não tive coragem de mandar vir a deliciosa sopa de feijão. Creio, mesmo, que, para além do cinema, a existência do Casino só interessa porque permite ao «Jackpot» continuar a funcionar bem, pois de lá virá uma boa parte da clientela.
Fecho o dia com um filme em competição, American Honey (2016), da inglesa Andrea Arnold. É um filme realista, retrato duma América feia e trashy, aquela que está a votar em Donald Trump, digo eu, que sou um bocado preconceituoso. Interessante, mas não me entusiasmou. Gostei da forma como a realizadora capta e valoriza Sasha Lane.
Amanhã haverá mais, se Deus quiser.

segunda-feira, março 07, 2016

JornaL

Sócrates e Lula. Foi o Lena, a Quinta do Lago, agora é o Lava Jato. Não têm nada, limitam-se a mandar estas escarretas para a imprensa. No fim, vamos todos ficar com a nossa convicção íntima, ou sem convicção nenhuma. No entretanto, prendeu-se um ex-pm, para depois o soltar, por imposição da lei. O que é que isso interessa, perguntam aqueles que não têm vagar para estas minudências. 
Eutanásia. Depois da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, um médico reputado afirma, de viva voz, que se pratica eutanásia nos hospitais. A este desassombrado encarar de frente de um tema melindrosíssimo, a primeira reacção pavloviana duma sociedade que não é para levar a sério: inquéritos, processos e o diabo a sete. Seria de rir.
Primárias americanas. Um velhaco, tacticamente transmutado em palhaço (Trump), um beato e aldrabão (o Cruz do tea Party), uma oportunista (Hillary), um tipo decente (Sanders), que ficará pelo caminho. Torcerei pela menos nociva.
Anedota. "El Chapo" sofre horrores com a sua detenção. Parece que não deixam o homem pregar olho. O traficante, porém, é de fibra, e manda o advogado fazer greve de fome à porta da prisão.
Turquia. Durante anos defendi a sua entrada na UE, acauteladas questões como a dos curdos. Hoje, estou quase a defender a saída de Portugal da mesma UE... Já temos os húngaros, os polacos e os eslovacos, gente ao lado da qual não me sinto bem.
A propósito. Robert Fico, o primeiro-ministro eslovaco que se diz social-democrata, parece ter feito uma campanha eleitoral de boçal xenofobia. Perdeu a maioria, para a extrema-direita, é verdade, mas foi bem feito.
Herberto Helder. A Cornucópia homenageou-o (!), numa sessão de leitura de poemas. Agora, depois de morto, já pode ser? Falta-me a paciência.