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sábado, abril 21, 2018

«Encostava o cálice à boca bem aberta, imobilizava-o um momento e de seguida, num golpe brusco, atirava o brandy à garganta.» Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva (1953)

«Amou, perdeu-se, e morreu amando.» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)

«Ando aqui a ganhar a morte.» Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar (2013)


quarta-feira, maio 31, 2017

começar

Entre o estilo jocoso do Álvaro do Carvalhal e o tom épico de Ana Margarida de Carvalho, a escrita essencial do Raul Brandão, como só ele.

Em tempo: Título preferido: Que Importa (...), um verso de José Afonso.

1866 - «Disse a crítica pela boca de Boileau: / Rien n'est beau que le vraie, / e não tardou que as fábulas, arabescos exóticos e exageros, oriundos principalmente de tempos heróicos, perdessem toda a soberania dantes exercida na ampla esfera das boas-letras.» Álvaro do Carvalhal, Os Canibais

1906 - «Vem o Inverno e os montes pedregosos, as árvores despidas, a natureza inteira envolve-se numa grande nuvem húmida que tudo abala e penetra.» Raul Brandão, Os Pobres

2013 - «Tersa gente esta, de almas baldias, vontades torcidas pelo frio que aperta, amolecidas pelo sol que expande.» Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar 

domingo, fevereiro 08, 2015

QUE IMPORTA A FÚRIA DO MAR, de Ana Margarida de Carvalho

Romance de estreia, não parecendo tal, tal é o domínio da técnica romanesca demonstrado. Piscadelas de olho ao leitor, mais ou menos dissimuladas, um encorpado volume de referências literárias. personagens que ficam na memória -- que mais se pode pedir a um romance? Sem espanto, a atribuição do Grande Prémio de Romance e Novela da APE/2014.

sete palmos dela

«Rogávamos-Lhe o céu, ambicionávamos-Lhe a terra. Não a leveza dela em cima de caixão, que esses póstumos torrões não aconchegam, mas afrontam quem nunca teve terra em vida à mão de semear, e agora conquistava sete palmos dela, abençoada, quando os dedos gélidos e descarnados repousavam, entrelaçados, sobre o peito. Inúteis até para arrancar raízes. Tanta terra no mundo para morrer, tão pouca para viver.»

Ana Margarida de Carvalho, Que Importa a Fúria do Mar (2013)