Mostrar mensagens com a etiqueta Júlio Pomar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Júlio Pomar. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, maio 22, 2018

sábado, outubro 14, 2017

a entrevista de José Sócrates

Acabei de vê-la há pouco, depois de vir do cinema. Um filme que está aí a passar sobre o Django Reinhardt (um papelaço de Reda Kateb). Recomendo.

E então que vi eu? Um combate desigual, em que o animal feroz desfez o jornalista. Não deve ser fácil entrevistar Sócrates, mas também não estou a ver em televisão um profissional com suficiente arcaboiço para, com firme serenidade e correcção, não se deixar intimidar, nem por Sócrates nem pela opinião pública e pela opinião publicada. O nosso homem, com medo do que viessem a dizer dele cá fora, pôs-se com apartes e observações sonsas, que quase fez lembrar aquele pateta que uma vez o confrontou no Telejornal, no espaço de comentário que o antigo primeiro-ministro tinha, como se estivesse ali a debater de igual para igual. De qualquer modo, a RTP prestou um serviço público, e é para isso que ela serve.

Quanto à substância, dificilmente a entrevista poderia ter corrido melhor a Sócrates. Pelo que vi, e com os dados que tenho, que são os de toda a gente, desmontou praticamente tudo: do andar em Paris à questão do primo, a goldenshare da PT e o conluio com o BES, a história do tgv e a outra de Vale de Lobo. A história do quadro do Júlio Pomar foi cómica.E mesmo a questão mais bizarra dos empréstimos em numerário, desembaraçou-se bem da coisa, trazendo o amigo à liça. Cabe a este confirmar ou infirmar Sócrates. Se confirmar, como possivelmente o fará, depois como é? Ah, e se o melhor que têm é a declaração do gajo que está em Angola e que não podia vir a Portugal para não ser preso e afinal veio para fazer o jeito ao MP, esqueçam -- é a palavra de um contra a de outro. E não me parece que a palavra do tal Bataglia tenha uma cotação particularmente alta. (E por favor: não se diz 'Bataguelia', mas 'Batalhia').

O jornalista estava mal preparado? Não, pelo contrário. Voltou-me a ideia fundamentada de que o trabalho do Ministério Público é uma borrada monumental. E se Sócrates, que não é jurista, conseguiu instalar pelo menos fortes dúvidas sobre o trabalho do MP, o que não farão as raposas velhas da barra dos tribunais?

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

microleituras

Sidónio Muralha é um dos nomes inaugurais da poesia neo-realista(Beco, 1941), autor do «Novo Cancioneiro» (Passagem de Nível, 1942),celebrado autor de muitos e bons livros para crianças, entre os quais Bichos, Bichinhos e Bicharocos (1950), Todas as Crianças da Terra (1978) e O Rouxinol e a Sua Namorada, 1983 -- maravilhosamente ilustrados por Júlio Pomar, o primeiro, e Fernando Lemos. Na década de 1950 sai do país e vai, na companhia de Alexandre Cabral, o futuro grande camilianista, para o então Congo Belga, emigrando mais tarde para o Brasil, onde virá a falecer, em Curitiba.
Os poemas mais interessantes desta colectânea são os que abordam a mágoa da longa ausência deste poeta lisboeta nascido na Madragoa e que soube ser um autor para todas as crianças da terra, tendo no Brasil um país que enquanto tal também o adoptou.

Deixo um dos meus preferidos, o primeiro dos «Dois Sonetos do Difícil Retorno»

Se fores a Portugal um dia, se
pisares aquele chão, diz-lhe que aguarde
o difícil retorno deste que
nunca pensou voltar assim tão tarde.

Mas houve temporais e lutas e
se a batalha foi ganha sem alarde,
nunca foi sem alarde a raiva de
um inimigo oculto, hostil, cobarde.

Atravessei os mares e os continentes,
conheci outras línguas, outras gentes,
mas a minha poesia é lá que vive.

É lá que sou poeta e na verdade
a minha volta é só formalidade.

-- Voltar não voltarei. Sempre lá estive.

ficha:
título: 26 Sonetos
autor: Sidónio Muralha
colecção: «Horizonte Poesia» #7
editora: Livros Horizonte
local: Lisboa
ano:1979
texto contracapa: José Manuel Mendes
págs.: 30
impressão: Tip. Minerva do Comércio, Lisboa

(também aqui)

sexta-feira, setembro 06, 2013

VISITA À MÃE

Tiro do último JL este extraordinário Visita à Mãe, de João Abel Manta.
A mãe era a pintora Clementina Carneiro de Moura, a mesma que aparece no esplêndido Jogo de Damas, do seu marido, Abel Manta. Todos estes Mantas, mais a filha do primeiro e neta dos segundo, Isabel Manta, estarão em exposição, a partir do dia 13, no Centro Cultural de Cascais.

Extraio, também, um fragmento das declarações de Júlio Pomar, a propósito desta notável família: «Dentro da Lisboa culta da altura, a família Manta tinha uma posição de destaque. [...] É difícil transmitir hoje o que foi o Estado Novo. Portugal era um país extremamente fechado, com uma vida cultural clandestina, e dentro deste clima havia 'ilhas? que mantinham uma posição acima dessa linha muito baixa. A família Manta era uma dessas 'ilhas'.»

sábado, agosto 03, 2013

acordes nocturnos

José Mário Branco, Resistir É Vencer (2004)
capa: Resistência (1946), de Júlio Pomar

quarta-feira, junho 01, 2011

porque não voto no PCP / CDU

Não vale a pena, francamente, gastar muito latim com o PCP. Ideologicamente firme, com a firmeza de uma seita,  a sua perversão doutrinária, para quem tivesse dúvidas quanto à teoria, já foi demonstrada na prática, através de todas as uniões soviéticas, chinas, albânias, cubas e coreias do norte deste mundo. O marxismo-leninismo faz-me lembrar a santa madre igreja e a sua inquisição, quando impunha a fogueira como penitência; neste caso, em nome de um horizonte social beatífico, foram impostos os regimes mais repressivos e tirânicos que o século XX conheceu, com excepção do nazismo (nada se compara com o nazismo). Como disse o Júlio Pomar quando acompanhou Soares em visita à URSS: "ver para descrer". Mas nem é necessário ir ver: basta ler, do pensamento e prática intolerantes de Marx, ao Avante! do mês passado, a propósito da questão síria; ou, se quiserem, ler o Orwell, o Koestler, o Soljenitsine... Não mudaram, não querem mudar. Estão no seu direito; mas numa sociedade livre serão sempre residuais.

sexta-feira, novembro 10, 2006

domingo, novembro 05, 2006

estampa LXXVIII

Júlio Pomar, Café
Colecção Manuel de Brito, Lisboa

segunda-feira, maio 01, 2006

Ir estando

Anuncio-me com outro blogue.
Júlio Pomar, Ferreira de Castro
Museu Ferreira de Castro, Sintra

terça-feira, fevereiro 14, 2006

estampa XIV

Júlio Pomar, Almoço do Trolha
Colecção particular, Lisboa