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terça-feira, setembro 26, 2017

antes que passe

Sobre a Alemanha, só me apetece reter que, na campanha eleitoral, Angela Merkel disse que não só se não arrependia da posição que tomou em relação aos refugiados  (REFUGIADOS) sírios, como voltaria a fazer o mesmo. 

sexta-feira, outubro 21, 2016

Rússia, Síria, Iraque, Ucrânia, UE, Estados Unidos, Estado Islâmico: histórias da carochinha com gente dentro.

Donald Tusk -- um dirigente polaco aceitável, o que não é comum -- diz que A estratégia da Rússia é enfraquecer a UE. Como Tusk não é propriamente um político mentecapto -- embora eles andem aí -- esta declaração de absoluta fraqueza é mais um dos muitos exemplos de como a UE não precisa do contributo de nenhum inimigo externo para se enfraquecer.
Para começar, a UE está moribunda. A política agressiva da Alemanha debilitou-a drasticamente; e o Brexit foi o seu golpe de misericórdia. A partir de agora, ninguém acredita na União Europeia, infelizmente. O seu comportamento miserável em relação à Grécia, a tentativa de tutela sobre Portugal, a estranha tolerância em face do Grupo de Visegrad -- coio de países com governos fascizantes e malsãos --, torna evidente que a União Europeia escusa de procurar as culpas em Putin. A não ser que seja mais um frete à sempre inteligente política externa dos Estados Unidos, a que a Europa -- por vezes justificadamente, em especial no tempo da Guerra Fria -- nunca deixou de se prestar.
Vejamos: a Rússia é um país imperial; os Estados Unidos, idem; a Alemanha pretende voltar a sê-lo, acobertada convenientemente pelos outros países da União Europeia. Papel a que a Inglaterra não se quis prestar -- e bem, infelizmente para nós, países periféricos --; e  que a França pensa que pode driblar, com a manha do manhoso Hollande. É claro que não vai driblar nada, e que mais cedo ou mais tarde, irá bater com a porta: ou porque Hollande achará insustentável para a sua posição política; ou porque Le Pen tratará de fazer os estragos necessários. É uma questão de tempo, e vai acabar mal.
No meio disto tudo, uma propaganda agressiva contra a Rússia (Síria, Ucrânia) manejada pelos americanos e tendo como alvo as massas ignaras do facebook -- propaganda que faz muito lembrar a usada na fragmentação da Iugoslávia, fortemente induzida pelas Alemanha, Áustria e Vaticano.
A pressão sobre a Rússia não tem nada que ver com direitos humanos nem com as crianças de Alepo, para os quais as potências (ao contrários da sua opinião-pública) se estão nas tintas, mas sim -- como é óbvio e qualquer pessoas com um mínimo de conhecimento de geopolítica sabe, com os equilíbrios e áreas de influência.
O hagiógrafo de Salazar, Franco Nogueira, glosando ao invés o seu orago, dizia, e bem, que "em política internacional, o que parece não é". Portanto, bem podem acenar com as vítimas de Alepo, e com os misteriosos capacetes brancos e com todas as tragédias (veremos como será agora em Mossul), que a Rússia não vai largar os seus pontos estratégicos no Médio Oriente, incluindo a única base naval que tem no Mediterrâneo.
O resto, são histórias da carochinha, povoadas por punhados de bandidos e milhares de inocentes de carne e osso, que sofrem os embates da História -- como milhões de seres humanos antes deles.

Em tempo - por entre as cortinas de fumo, é impecável a posição do governo português, expressa por António Costa.

segunda-feira, setembro 05, 2016

Ficar no Euro, para quê?

Fui um entusiasta do Euro, tal como me considero um europeísta. Sendo economicamente iletrado, e considerando sempre o primado da política, achei, ingenuamente, que com a moeda única entraríamos numa nova fase da integração europeia, cada vez mais confederal.
A realidade, porém, está a pôr em causa toda essa visão, mais ou menos idílica que perfilhei -- como, de resto, a própria ideia de União Europeia, que nunca esteve tão em crise como hoje se verifica, com todos os perigos e retrocessos inerentes.
O enunciar da questão política, em face do Euro, é simples, na sua complexidade extrema... Como diz Stiglitz, e como o disseram João Ferreira do Amaral e outros, desde o início, Portugal não tem economia para sobreviver num contexto de  Europa alemã. Ora esta existe e exerce-se porque a Alemanha e satélites impõem esta política económica, independentemente -- tem-no demonstrado -- dos cataclismos políticos que origina por essa Europa fora.
Se a nossa economia está "condenada" dentro do Euro, e se a potência económica hegemónica na UE não quer cuidar do que na UE se está a desmoronar, ficar no Euro, para quê?... Para estagnarmos economicamente, sem instrumentos essenciais para inflectir o caminho de degradação? E em nome de quê? Da política europeia que é, na verdade, uma política alemã ciosa dos seus bons resultados? A não ser que queiramos ser uma população exportadora de cérebros, formados, aqui; subsidiados mais ou menos vegetantes; empregados de mesa, servindo, com profissionalismo, os reformados da Europa do norte.

P.S. - Não quero dizer que a União Europeia não seja algo por que valha a pena lutar -- e muito. Mas, infelizmente, os seus dirigentes já deram mais do que prova de ausência de reacção (ou reacção desrazoável e/ou timorata), que, oxalá me engane, será fatal: Grécia, refugiados de guerra, derivas xenófobas e racistas em países da Europa Central.
Quem poderá ainda acreditar nisto?... 

quinta-feira, julho 16, 2015

União Europeia: back to the drawingboard

A interessantíssima entrevista de Varoufakis ao New Statesman, publicada hoje pelo  Diário de Notícias,  é demonstrativa da toxicidade do Eurogrupo dentro da União Europeia. Não sei se esta ainda recuperará dos danos que lhe foram causados.
A moeda única, pelo menos, está ferida de morte, segundo alguns observadores; quanto ao resto, que é o mais importante, a união política propriamente dita, tudo está mais frágil. Passou-se paulatinamente da cooperação para a desconfiança e o ressentimento. O espírito europeu está moribundo.
Como me parece difícil que as instituições se auto-regenerem, a não ser através de abalos fortes, talvez seja preciso acabar com o Euro (ou repensá-lo profundamente) para que a União Europeia se salve. A evolução da Grécia será determinante, assim como o referendo em Inglaterra sobre a continuidade da sua permanência na UE.
Politicamente, o euro seria uma das coberturas desse edifício que vemos como União Europeia; mas, como muitos têm apontado, e desde há bastante tempo, uma união monetária sem uma união política do tipo federal não funciona. Nas últimas semanas, o tal espírito europeu foi cilindrado; se ele poderá ser ainda reactivado, essa é que é a questão. Porque, ao contrário do que a prática dos eurocratas demonstra, é a política que prevalece sobre tudo, e o tratamento humilhante que foi dado aos governantes gregos e, através deles ao seu povo, talvez em vez de amedrontar franceses, espanhóis, italianos, lhes acicate a repulsa por este domínio frio da Alemanha.  Mas enquanto forem partidos como o Syriza ou o Podemos a ganhar, a situação ainda será gerível e civilizada; chegando a vez da Frente Nacional, au revoir União Europeia. 

quarta-feira, julho 08, 2015

o homem do momento

Teve graça ver Guy Verhofstad a increpar Tsipras pela ausência de reformas na Grécia, as isenções da Igreja Ortodoxa, dos armadores, das forças armadas, tudo sectores caros ao primeiro-ministro grego. Em contrapartida, Tsipras lembrou ao Parlamento Europeu, respondendo a um deputado alemão do PPE, que a Alemanha, arrasada depois de duas guerras mundiais que provocou, com milhões de mortos, foi objecto da proclamada solidariedade europeia com o perdão de 60% da dívida alemã e adopção de políticas de estímulo ao crescimento alemão. Um directo seco, o alemão nem tugiu...

quinta-feira, julho 02, 2015

E se ganhar o 'Não', a UE faz o quê?...

Falemos de escolhas racionais, e não de dignidade, patriotismo, orgulho nacional, cultura -- coisas que não entram nas equações dos contabilistas e merceeiros ignorantes e pífios que têm dirigido a União Europeia. (Embora eu não seja nacionalista, credo!, sempre tem mais dignidade um sentimento nacional de revolta e indignação do que a apatia do rebanho a caminho do matadouro, como gostariam os eurocratas.)
O cidadão grego que se pronunciará no referendo de Domingo e queira tomar uma decisão racional, procurando retirar o país do impasse sem capitular diante das pressões (ou chantagem) dos credores / UE, terá como alternativa:
1) votar 'sim' e ter a esperança que a UE, com o susto que apanhou resolva tratar da questão politicamente. Mas na UE, e em especial no Eurogrupo, já se sabe que quem manda é a Alemanha, cuja linha tem condicionado todo o processo. O único país capaz de enfrentar a Alemanha é a Inglaterra, que nem pertence ao Euro; as duas outras potências políticas e económicas ou estão subalternizadas (a ridícula França) ou estão a ver se passam por entre os pingos da chuva, em face dos seus próprios constrangimentos internos (Itália).
2) Votar 'não' e esperar que a UE acorde e, em face do golpe profundo no adulterado projecto europeu que ela representa, os dirigentes se consciencializem que tudo tem de ser repensado. O que, com eleitorados envenenados contra a Europa do Sul, como o alemão o holandês ou o finlandês, será mais difícil a cada dia que passa. Não há, porém, outra alternativa à sobrevivência da UE como projecto. Até porque, ao contrário do que dizerm para aí uns tontinhos, a ideia da Grécia como vacina só servirá para criar mais desconfiança no conjunto dos cidadãos europeus.
Não será bonito, de Bruxelas, olhar para o sudeste da União ('união', repare-se), e vê-lo a arder. 

sexta-feira, junho 26, 2015

o referendo na Grécia

Desde a eleição do Syriza que estava à espera deste desfecho: em face da chantagem e da inépcia, Tsipras vai colher a legitimidade à fonte da soberania. O referendo decidirá se o povo grego aceita ou não as condições que lhe são impostas. Se aceitar, deve preparar-se para sofrer; se não aceitar, também. O problema é que se o "não" vencer será uma derrota política, não sei se fatal, para a União Europeia -- um projecto de paz e prosperidade tornado tóxico pela subserviência e exposição aos mercados, reflexo também da sua fraqueza política como união, cada vez mais entregue nas mãos e no interesse de um único país, a Alemanha. A política desgraçada no processo da Ucrânia aí está para o demonstrar. 

segunda-feira, março 09, 2015

o que chamaremos às calinadas do Junker? "junkerismos"?, "junkeradas"?...

Lê-se por aí que o bonacheirão Juncker idealiza um exército europeu, por forma a mostrar à Rússia que a "Europa" não brinca quando se trata de defender os seus princípios. Ora, a "Europa" pelo menos desde Jacques Delors que deixou de ter princípios; tem, ao invés, burocratas e financeiros a granel. 
O inefável Juncker, que diz uma coisa e o seu contrário em menos tempo do que a Terra demora a girar à volta do Sol, crê no absurdo de que qualquer país, com política externa e políticos dignos desse nome, iriam pôr-se, angelicos, debaixo da asa da Alemanha -- a mesma Alemanha que está a arranjar um trinta-e-um à "Europa", da qual se serve para disputar vantagens geopolíticas com a Rússia -- a mesma Alemanha que, dominando a União Europeia a terá já destruído.
Não sei se deva dar razão ao circunspecto comentador da "Quadratura do Círculo", quando aludiu aos entusiasmos pós-prandiais do divertido luxemburguês.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Tsipras: os que se erguem e os que se vergam

Ontem, Tsipras dizia a Shaüble, no parlamento grego, que não devia ter pena dos que se erguem (os gregos), mas dos que se vergam (ele não disse quem, mas a carapuça era para nós). Schaüble respondeu hoje, exibindo uma ministra das finanças de Portugal que faz tudo como a Alemanha gosta, e manda. Que vergonha, que vergonha...
Entretanto, Cavaco volta a puxar do porta-moedas e mostra como nós temos ajudado tanto os gregos. Miséria, miséria...

segunda-feira, março 17, 2014

Oiçam lá o Gorbachev, e calem-se

Se há coisa que me parece, é que, no que respeita à Crimeia, a opinião pública não se está a deixar intoxicar pela fariseísmo do costume dos EUA e da Alemanha, acolitada tristemente pela maioria dos países da UE (Inglaterra à parte, porque a Inglaterra não se submete à pata alemã). E pouco importa que um dos seus heróis (e meu também),  Gorbachev, exprima o que qualquer russo de bom senso pensa.
Mas bom senso é coisa que não abunda pela UE, ao contrário da estupidez e da cobardia (como se tem visto no seu processo de autodestruição); e nunca abundou no Departamento de Estado dos americanos tranquilos, porque, patetas, pensam (?) que a Rússia é Portugal, que come e cala. Putin deve estar aterrorizado com a Merkel e o Hollande tout-le-monde.

terça-feira, abril 16, 2013

a propósito do Prós e Contras de ontem

Faço lá ideia se devemos sair do Euro ou nele ficar, nesta União Europeia tràgicamente em pré-coma! A estratégia parece ser: esperar pelas eleições alemãs. Mas não sei se com os estragos que a Alemanha, em conluio com holandas e finlândias -- e em conluio com a fraqueza dos governos do Sul da Europa (Portugal, França e Grécia; Espanha tem sido outra coisa, até quando?...; a Itália, desgovernada, até quando?...) -- conluios da arrogância com a incompetência -- não sei quanto custará politicamente, à Alemanha e aos restantes países da União, restaurar a confiança neste projecto único.
Entretanto, no «Prós e Contras» de ontem pareceu-me que os campos estiveram claramente em extrema oposição. Assim deve ser, a benefício da clareza, mas sem maniqueísmos. Ideologia nos dois lados, mas objectividade apenas num; no outro (e espero não estar eu agora a sacrificar a Mani...), a cegueira ou -- sendo menos benigno -- a preocupação com a bolsa, própria & dos amigos.

segunda-feira, abril 08, 2013

mostrar músculo à Alemanha (para benefício da própria Alemanha)

Sustenta-se, a propósito da II Guerra Mundial, que a fraqueza das lideranças francesa e inglesa, que se revelou logo a partir do rearmamento alemão, ainda na primeira metadeda década de 1930, contribuiu grandemente para a escalada bélica de Hitler, com os conhecidos sucessos decorrentes. Estamos, evidentemente, no domínio da especulação contrafactual, mas parece não haver grandes dúvidas quanto aos malefícios da tibieza anglo-francesa.

Na situação actual, por enquanto ainda muito longe dos transes de então, sinto desenhar-se um fenómeno idêntico: hegemonia bélico-monetarista alemã; inaudita fraqueza francesa; aparente alheamento inglês (não sei se o périplo que Cameron está a fazer por capitais europeias sinalizarão o contrário, espero que sim...).

O que me parece é que se tudo correr mal -- e os ingredientes para que tudo corra mal estão aí --, se a UE se desagregar, os historiadores & comentadores do futuro não deixarão de assinalar a fraqueza da Europa (em particular da Europa Mediterrânica), a clamorosa estupidez e cobardia das lideranças que a ela lhe coube.

Os próximos meses serão decisivos.

segunda-feira, março 25, 2013

Nós e a Europa

     Seria importante, agora mais do que nunca, que tomássemos para nós, e sem esperarmos pelos outros, o desafio de pôr a Europa nos eixos. Sem esperarmos pelos outros, porque os outros nada farão por nós -- como nós nada faremos por eles. É assim, o egoísmo dos estados...
     Há um presidente da Comissão Europeia português submisso aos ditames da Alemanha, coadjuvada por holandas outras finlândias. Há um presidente da República apagado que desde o início da crise que nos assola deveria ter chamado a si uma acção diplomática activa e proactiva nas diversas chancelarias europeias (de preferência com colaboração do Governo; dispensando-a, se houvesse obstáculos), em vez de limitar-se a visitas de charme à Finlândia, e que ainda está a tempo de o fazer, se quiser justificar a própria existência e terminar o seu mandato fazendo esquecer que é o pior presidente que conheceu a III República, e cuja acção, com raras se excepções, se caracterizou ora pela baixa política ora pela mais embaraçosa irrelevância. Há um Executivo servil que, em estado de calamidade económica e social, deveria evitar a postura de governo de principado decorativo ou de república desestruturada do antigo bloco soviético e assumir-se como um dos estados mais antigos da Europa, contribuinte líquido cultural para este continente, e orgulhoso desses pergaminhos -- como aliás, o negregado Sócrates fez questão de dizer ao lado da chancelerina Merkel.
      Nunca como agora foi tão importante a CPLP e a nossa situação nela, porque dela depende a afirmação do nosso peso na Europa -- influência que teríamos se a soubéssemos potenciar.
    Todos quantos me conhecem sabem que nada tenho de nacionalista, que sou europeísta, que sou federalista. Mas, como cidadão português, em primeiro lugar, não posso tolerar estas atitudes germânicas e afins e a mansidão portuguesa, não apenas em nome de todos os nossos séculos de história e cultura, mas em nome da democracia e da própria ideia de Europa, pervertida pelo abuso alemão e pela fraqueza dos governos da Europa do Sul.

segunda-feira, março 11, 2013

Os demónios de Juncker

Jean-Claude Juncker à Der Spiegel: «os demónios não desapareceram, estão apenas adormecidos».  Refere-se o PM luxemburguês a uma futura guerra europeia. Nós sabemos; ele também e os líderes alemães e outros, também. 
Não me apetece nada fazer previsões negras. Se esta farsa europeia continuar, não tenho dúvidas de que as coisas vão ficar feias. A Alemanha será sempre quem terá mais a perder, partindo-se em pequeninos, outra vez, quiçá regressando aos principados...