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quinta-feira, novembro 27, 2014

sandes místicas

«Sim, mas a máquina a vapor é capaz de fazer isto?» Folheando uma revista de consultório -- um consultório especial, como desde logo somos informados --, o narrador depara-se com uma curiosidade que lhe mudaria a vida, uma revelação, no sentido místico da coisa: "A sanduíche foi inventada pelo Conde de Sanduíche." Essa invenção, com efeitos momentosos no quotidiano da história da humanidade, e o seu inventor, tornaram-se-lhe obsessivos. De tal modo que empreendeu uma biografia do aristocrata britânico, apresentando-nos uma cronologia sucinta, com particular enfoque no processo criativo do que viria a desembocar na prosaica sandes. Essa cronologia é hilariante, como se calcula, e revela não apenas o humor culto e irónico de Allen -- os tiques pretensiosos de determinados tipos sociais de classe média alta e cultivada são constantemente trazidos ao leitor, como de resto acontece em muitos dos seus filmes --, mas demonstram também a enorme cultura do autor, que dela faz uso desabusado, para nosso deleite quase perverso.

início: «Desfolhava eu uma revista enquanto esperava que o meu beagle Joseph K. saísse da sua sessão habitual de cinquenta minutos às terças-feiras com um analista de Park Avenue -- um veterinário junguiano que, a cinquenta dólares a sessão, trabalha corajosamente para o convencer que a papada não é uma desvantagem social -- quando topei com uma frase que captou a minha atenção como se fosse um aviso de um cheque sem cobertura.»

um parágrafo: «1750: Na Primavera exibe e demonstra três fatias consecutivas de presunto empilhadas umas sobre as outras; isto desperta algum interesse, sobretudo em círculos intelectuais, mas o público em geral permanece indiferente. Três fatias de pão umas por cima das outras aumentam-lhe a reputação e, apesar de a maturidade do estilo não ser ainda evidente, é convidado por Voltaire.»

Woody Allen,  Para Acabar de Vez com a Cultura (ed. original, 1966), tradução de Jorge Leitão Ramos,  4.ª edição, Amadora, Livraria Bertrand, 1981, pp. 37-42.

sábado, setembro 10, 2011

Dicionário

Agostinho de Hipona Agostinho agrada-me mais do que todos os outros. Ensinou uma doutrina pura e, como é próprio da humildade cristã, submeteu os seus livros à sagrada Escritura... Foi o primeiro Doutor da Igreja que abordou o tema do pecado original... Agostinho está completamente de acordo comigo. Martinho Lutero // Santo Agostinho foi o primeiro a acreditar nesta estranha ideia [o pecado original] digna da mente apaixonada e romanesca de um Africano devasso e arrependido, maniqueísta e cristão, indulgente e perseguidor, que passou a vida a contradizer-se a si próprio. Voltaire // Os problemas, emsmo os mais elevados, referiu-os sempre ao próprio eu, interiorizou a teologia, fundiu o pensamento abstracto no cadinho do seu coração, elevou-se até ao firmamento da ideologia, mas com asas de fogo... Em virtude deste apelo á experiência interior do indivíduo, tanto como pela sua inquietação apaixonada, pode dizer-se, com as necessárias reservas, que é ele o primeiro romântico do Ocidente, o primeiro homem moderno. Giovanni Papini

terça-feira, maio 31, 2011

Qui n'a pas l'esprit de son âge, / De son âge a tout le malheur.
Voltaire

sábado, novembro 12, 2005

Figuras de estilo #13 - Alberto Osório de Vasconcelos

O seu testamento é glorioso. Deixou-nos um famoso legado, composto de obras primas. 'Mérope' e 'Catão', reminiscências de Voltaire, temperadas pelo génio peculiar do autor; o 'Parnaso Lusitano', modelo de selecção; a 'D. Branca', episódio épico incomparável; 'Camões', elegia sublime; o 'Romanceiro', repositório de esplendores sem reproches; as 'Viagens na minha terra', desespero de folhetinistas e romancistas; 'Um Auto de Gil Vicente', áureo reflexo de uma época memorável; o 'Alfageme', tão português, tão nosso, que nos obriga a cantar com Froilão e a combater com Nun'Álvares; o 'Frei Luís de Sousa', drama de primeira ordem, modelo eterno do género; o 'Arco de Sant'Ana', tão cheio de alusões finíssimas; e, aos cinquenta anos, admirai berberes, curvai-vos moçárabes, batei nos peitos rapazes-velhos, aos cinquenta anos Garrett, sempre juvenil, escreveu de um jacto as 'Folhas caídas'!
Garrett, Castilho, Herculano e a Escola Coimbrã