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quarta-feira, maio 22, 2019

«Olhava lá do alto daquele combro / a melodia, / tão merencória na infância, ata- / viada de fitinhas no chapéu de palha» António Barahona, Noite do Meu Inverno (2001)

«Ontem entrei numa baiuca infame, / Numa taberna de bandidos reles -- / Pois que eu desci às espirais misérrimas / Do Lameiro de Job!...»  in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Trago palavras como bofetadas / e é inútil mandarem-me calar / porque a minha canção não fica no papel.» Manuel Alegre, Praça da Canção (1965) 

quarta-feira, maio 15, 2019

vozes da biblioteca

«O corpo a corpo do espaço e da escultura» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Roma», Musa (1994)

«Tombo de joelhos no ruído da madeira, espero a boca acossada mordendo a minha nuca.» Ana Marques Gastão, «nuca», Lápis Mínimo (2008) / Leya Poemas (2009)

«E a vida vai tecendo laços / Quase impossíveis de romper: / Tudo o que amamos são pedaços / Vivos do próprio ser.» Manuel Bandeira, A Cinza das Horas (1917) / Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

sexta-feira, maio 10, 2019

vozes da biblioteca

«-- dentro do poço, com sua febre; dentro da horta, sem ter seu curso; na longa espera de sua demora / Pedro Venâncio selava o selo de ser intruso no vão comércio de seu disfarce.» Mário Chamie, «Pedro Venâncio», Antologia da Novíssima Poesia Brasileira (ed. Gramiro de Matos e Manuel de Seabra, s.d.).

«eram belas as túnicas de argel e as velhas botas espanholas que te / dera o último amante.» José Agostinho Baptista, Deste Lado Onde (1976)

«Nós, os preguiçosos, dados ao sonho / Incomportável de uma ferida / Nas sociedades de consumo, somos / Aqueles que se lembraram das canções / Perdidas na falência dos campos.» Rui Almeida, Muito, Menos (2016) 

sábado, abril 27, 2019

vozes da biblioteca

«A vila, cercada de seus muros e torres.» Mário Avelar, Seduções do Infante (1995)

«Agradeciam quando eram os filhos das outras a morrer, / não os delas, mesmo que os filhos das outras / tivessem sido assassinados pelos seus próprios filhos.» Ana Luísa Amaral, Escuro (2014)

«E tudo se resumiu à evidência do pó.» José Agostinho Baptista, Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)

quinta-feira, abril 11, 2019

vozes da biblioteca

«A terra aguardava em / silêncio a chegada / das betoneiras, dos patos / bravos.» Mário Avelar, Cidades de Refúgio (1991)

«Como é maravilhoso o amor / (o amor e outros produtos).» Carlos Drummond de Andrade, Brejo das Almas (1934)

«Do lixo da esquina partiu / o último vôo da varejeira / contra um século convulsivo.» Carlito Azevedo, Sob a Noite Física (1996)

terça-feira, abril 02, 2019

vozes da biblioteca

«Falamos das cidades / dos homens que de tão sós / as despovoam» Sebastião Alba, «As casas constroem-se de sombra», A Noite Dividida (1993)

«Faz frio, muito frio... / E a ironia das pernas das costureirinhas / Parecidas com bailarinas...» Mário de Andrade, «Paisagem N.º 1», Paulicéia Desvairada (1922) / Os Melhores Poemas de Mário de Andrade (ed. Gilda de Mello e Souza, 1988)

«Não te mudei o nome nem a face / nem permiti que nada transformasse / minha imagem de ti em forma de arte.»  Mário António, «Soneto», Amor (1960)

domingo, março 10, 2019

vozes da biblioteca

«Ao tempo estão sujeitas as palavras: / umas se fazem velhas, outras nascem; / assim vemos a fértil Primavera / encher de folhas ao robusto tronco, / a quem despiu o Inverno desabrido.» Pedro António Correia Garção, Obras Poéticas (póst., 1778) / M. Rodrigues Lapa, Poetas do Século XVIII

«Onde -- ondas -- mais belos cavalos / Do que estes ondas que vós sois» Sophia de Mello Breyner Andresen, Musa (1994)

«Poema num comboio / percorrendo todos os versos / fragorosamente // acordo / da emoção nos trilhos / pela noite continental» Sebastião Alba, «Em viagem», A Noite Dividida (1996)

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

vozes da biblioteca

«Dedico este poema aos foragidos, / Àqueles que saem à noite e não voltam, / Aos animais que ninguém pode domesticar, / Aos objectos que se partem / Sem que ninguém os toque.» José Pascoal, «Dedicatória», Sob Este Título (2017)

«Imagina o que serás amanhã, daqui / A seis meses, ao fim de um século, não / Gastes o instante: o agora é nunca. [...]» Rui Almeida, Muito, Menos (2016)

«Noite, / noite velha / nos caminhos.» Eugénio de Andrade, «Nocturno», Primeiros Poemas

domingo, fevereiro 17, 2019

vozes da biblioteca

«Em cima da cômoda / uma lata, dois jarros, alguns objetos / entre eles três antigas estampas» Francisco Alvim, «Luz», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

«Era Setembro e não pensei / que os homens não cantavam lá nas verdes vinhas / da minha pátria onde a vindima é triste.» Manuel Alegre, «Do poeta ao seu povo», Praça da Canção (1965)

«O poeta ia bêbedo no bonde.» Carlos Drummond de Andrade, Brejo das Almas (1934)

domingo, fevereiro 03, 2019

vozes da biblioteca

«Em pequenino ponto desse corpo, / a fonte, o fogo, o mel se concentraram.» Carlos Drummond de Andrade, «Amor -- pois que é palavra essencial», O Amor Natural (póst., 1992)

«Secretas vêm, cheias de memória» Eugénio de Andrade, «As palavras«, Doze Poemas (1995)

«Só bens me dê o céu! eu tenho provas / Que não há bem que pague o desta vida.» Afonso Duarte, Rosas e cantigas», Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira (2010)

quinta-feira, janeiro 17, 2019

VOZES DA BIBLIOTECA

«É muito bonito o meu amigo de agora; tem o mais belo pêlo da floresta, / e olhos onde brilha, em noite escura, / o faiscar do gelo nas alturas.» António Franco Alexandre, Aracne (2004)

«Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.» Carlos Drummond de Andrade, «Poema de sete faces», Alguma Poesia (1930) / 65 Anos de Poesia, edição de Arnaldo Saraiva (1998)

«Sim, é pai, mas -- a crença no-lo ensina: / Se viu morrer Jesus, quando homem feito, / Nunca teve uma filha pequenina!...» Afonso Celso, Poesias Escolhidas (1902) / Evaristo Pontes dos Santos, Antologia Portuguesa e Brasileira (1974)

terça-feira, janeiro 08, 2019

vozes da biblioteca

«Cada dia / promete o infinito em meia dúzia / de palavras -- o amor, / a vida, o tempo, a morte, a esperança, / o coração.» Fernando Pinto do Amaral, «Palavras», Pena Suspensa (2004)

«Não sabiam, / porque viviam no centro do seu tempo, / e o centro do tempo não sabe nunca o que lhe irá ser percurso, / como um rio que corre não conhece a sua foz, / só as margens por que passa e o iluminam, ou ensombram.» Ana Luísa Amaral, «Entre mitos: ou parábola», Escuro (2014)

«sim, Ana / morreremos loucos / mas / esta noite / dormiremos / juntos» Ademir Assunção, «5 dias para morrer», Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (2002) (edição de Claudio Daniel e Frederico Barbosa)

sábado, dezembro 29, 2018

vozes da biblioteca

«Por um brinde ao amor passado, / Ficou de pranto alagado / O vestido de noivado / Da rainha de Kachmir.» Gomes Leal, [«A Rainha de Kachmir»], in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Qual o instante / em que o verão se transforma no outono / se o arrepio da noite quando chega / parece ainda um luminoso dia?» Fernando Pinto do Amaral, «Naufrágio», A Luz da Madrugada (2007)

«Quando chegava o mês de Maio, eu abria a janela e ficava bêbado desse cheiro a fogueiras, carroças e ciganos.» Manuel Alegre, «Rosas vermelhas», Praça da Canção (1965)

terça-feira, dezembro 18, 2018

vozes da biblioteca

«Encheu de pranto o vestido, / Encheu de pranto os anéis... / E, sem soltar um gemido, / Chorou, num pranto sumido, / O seu passado perdido, / Os seus amores tão fiéis!...» Gomes Leal, «[A rainha de Kachmir], in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Nesse tempo o Sol nascia exactamente no meu quarto.» Manuel Alegre, «Rosas vermelhas», Praça da Canção (1965)

«"Quase e só quase, é a nossa condição -- quase outros somos não o sendo, e quase como nós o foram outros, e sempre nós e outrem, outrem e nós, nos fomos contando pela vida os números impossíveis de contar.» Pedro Alvim, «Quase», Os Jogadores de Xadrez (1986)


domingo, dezembro 02, 2018

vozes da biblioteca

«Foi isto ontem à noite, / este esplendor no escuro e antes de dormir» Ana Luísa Amaral, «Das mais puras memórias: ou de lumes», Escuro (2014)

«Lá fora // -- um frio só / de rua fria.» Pedro Alvim, «Dia 1», A Esfera dos Dias (1985)

«Pegou no copo, com graça, / E brindou, em língua estranha...» Gomes Leal [A Rainha de Kachmir], in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

terça-feira, novembro 13, 2018

vozes da biblioteca

«Isto no Ribatejo, e principalmente na Borda d'Água, o ter feito frente a um toiro é de muito mais estimação que ter fidalgo ou doutor na família.»  Alves Redol, Fanga (1943)

«O acaso / não os favorece»  Adília Lopes, «Os namorados pobres», Dobra (2009) / Resumo -- A Poesia em 2009 (2010)

«Os banhos de mar, que a Medicina empiricamente me aconselha, estorvam-me o maior número de outras ocupações: -- verdade é, que das mais gratas ao coração, já tenho cedido a beneplácito de uma espécie de sezão moral que me apoquenta.»  Camilo Castelo Branco, carta a José Barbosa e Silva, 10 de Julho de 1849, Alexandre Cabral, Correspondência de Camilo Castelo Branco com os Irmãos Barbpsa e Silva, vol. I (1984) 


quarta-feira, novembro 07, 2018

vozes da biblioteca

«Do lado oposto à cidade a estrada descrevia uma curva ao longo de muros cerrados, onde os grilos pareciam, de Verão, o queixume da ilha abafada e em que pairava agora um pasmo solto de tudo, menos do mar.» Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (1944)

«Fala-me de outra / Coisa, de não haver pão ou coragem / Para o partilhar.» Rui Almeida, Muito, Menos (2016)

«O vento e o marulho do Oceano fundiam-se num rosnar cavo e profundo.» Romeu Correia, Calamento (1950)

segunda-feira, outubro 15, 2018

«Atmosfera pesada, nuvens cor de chumbo em barras pelo céu; e cada lufada de vento que sopra sem um suspiro sequer nas folhas do arvoredo cresta-me a cara como o hálito dum forno, e longamente parece rarefazer, no ar, o oxigénio indispensável à função dos meus pulmões.» Fialho de Almeida, «Alexandre Herculano», Figuras de Destaque (póstumo, 1923)

«Assim como o tempo passa / já posso ser o que sou / breve chuvisco de tarde / nublado pela manhã / sol em neve declinado / seco mar fresca aridez» António Franco Alexandre, «Poema simples», Uma Fábula (2001)

«Outubro cantava, em surdina a sua canção marinha.», Augusto de Castro, «Mestre Outono, pintor»,  Mestre Outono, Pintor (1957)

domingo, outubro 07, 2018

«E ouvi um jipe que rolava na picada / um jipe sem sentido / na última viagem de Portugal.» Manuel Alegre, «À sombra das árvores milenares», Doze Naus (2007)

«Parecia o Céu estrelado, / Ou a visão dum "fakir" / O vestido de noivado / Da rainha de Kachmir.» Gomes Leal, «[A rainha de Kachmir], in Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Portuguesa (1985)

«Quando descer à teia derradeira / não se verá no mundo alteração, ou só / talvez alguma mosca mais contente.» António Franco Alexandre, Aracne (2004) 

sábado, setembro 22, 2018

«A pasta dos desenhos a mesa de uma única gaveta / cartas cordéis rasgadas fotografias.» João Miguel Fernandes Jorge, O Regresso dos Remadores (1982)

«Dentro de mim é Som: o eco longo / de uma nota sem fim e sem começo.» Sebastião da Gama, «Harpa», Serra-Mãe (1942)

«O poema nasce da atenção / ao esplendor / das ínfimas coisas: a porta / branca, um cântaro vermelho / a luz excessiva do estio.» Fernando Jorge Fabião, Nascente da Sede (2000)