Silêncio, o último de Scorsese -- desde sempre o meu realizador preferido --, é um filme muito inteligente na forma como aborda o choque cultural decorrente do proselitismo religioso, neste caso católico e cristão. Não li o livro de Shusako Endo, daí que não saiba em que medida esse mérito será mais ou menos repartido por romancista e cineasta.
Filme cheio de piedade pelos crentes na nova fé, perseguidos pelo Estado, mostra bem como o espalhar da fé nas terras de missão podendo ter um ímpeto individual de altruísmo, rapidamente degenerara em lutas com o poder, e pelo poder. Daí que a frase-chave do filme, para mim seja a que o inquisidor lança ao jesuíta Rodrigues: «O preço da vossa [dos missionários] glória é o seu [dos cristãos japoneses] sofrimento.» E o diálogo tenso entre o padre que apostatou e aquele que quisera ir ao Japão para o salvar, física e/ou espiritualmente, é o grande momento do filme.
Claro que, mesmo numa perspectiva histórica, não podemos esquecer que nessa mesma altura, deste lado do globo, os cristãos infligiam tormentos semelhantes aos cristãos-novos, sempre suspeitos de judaizarem secretamente.
Claro que, mesmo numa perspectiva histórica, não podemos esquecer que nessa mesma altura, deste lado do globo, os cristãos infligiam tormentos semelhantes aos cristãos-novos, sempre suspeitos de judaizarem secretamente.
















































