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segunda-feira, julho 03, 2006

Antologia Improvável #143 - Armando Cortes-Rodrigues

(SONETILHO 3.º. DE VIOLANTE DE CISNEIROS)

Quando a paisagem recolhe
Seus olhos, na tarde calma,
É como alguém que se olhe
Com olhos de alma p'ra alma.

Se a paisagem esmorece,
Fechando os olhos doridos,
É como alguém que perdesse
A noção dos seus sentidos.

Não vê... não ouve... não fala...
Paisagem de si ausente,
Fico-me ausente de olhá-la.

Caminho! Noite cerrada!
Sou a Paisagem de ausente
Toda em mim transfigurada.

Cantares da Noite / Líricas Portuguesas, 2ª. Série
(edição de Cabral do Nascimento)

Armando (Violante de Cisneiros) Cortes-Rodrigues

domingo, junho 11, 2006

Correspondências #48 - Fernando Pessoa a Armando Cortes-Rodrigues

28-6-1914

Irmão em Além!
Eu vos saúdo e vos peço que amanhã, entre o soar duplo das duas e o soar simples das duas e mais metade de uma hora, surjais com a vossa presença carnal -- sem prolongamento gesticulante de bengala agressiva -- à vil cova ou jazigo de inutilidades e propósitos artísticos que dá pelo nome humando de «Brasileira do Rossio». Da vossa tese vos falarei, insciente ainda se então pronta, mas pronta de certo, se não a essa, ora marcada, hora, ao cair lento e morno do crepúsculo de amanhã. Não vos aflijais! Os deuses têm tempo para tudo. E no dia 30 entregareis, se antes o Destino a não telegrafar de pronta.
Guarde-vos Deus; e que a futura Divindade Tutelar das Estranhezas Irritantes vos assente à sua mão direita.
Fernando Pessoa
Cartas a Armando Cortes-Rodrigues
(edição de Joel Serrão)

Armando Cortes-Rodrigues