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sábado, fevereiro 20, 2016

Umberto Eco


Que dizer, quando morre um tipo destes? Um dos maîtres à penser do mundo ocidental, da Europa culta e cosmopolita, que dissertava sobre a patrística medieval ou uma prancha de Milton Caniff. Aliás, era um bedéfilo requintado: Milton Caniff? É muito bom... E Schulz e o seu Charlie Brown, idem.. Já era um grande nome da Semiótica quando entrou, com estrondo, no romance -- O Nome da Rosa, tenho-o autografado por si, numa sessão na Bertrand do Chiado --, livro com homenagens a Borges e a Connan Doyle, e a Guilherme d'Ockham. Na última fase do Diário de Lisboa, dirigido por Mário Mesquita e Diana Andringa, aí por 1990, acompanhava com gula as crónicas semanais de que o jornal tinha o exclusivo para o nosso país; tenho até alguns recortes.
Não me apetece nada ser apocalíptico, e escrever que Eco morre num tempo crepuscular. Rle não merece.
 O último livro que lhe li foi este

terça-feira, agosto 19, 2014

aprender a ler

O autor não é apenas professor de Literatura (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), como tem a particularidade de gostar dela, a Literatura -- o que nem sempre sucede --, e, o que é mais, sabe transmitir pedagogicamente essa paixão.
Estas Notas de Rodapé serão tal, na sua designação humilde, se nos reportarmos ao seu objecto: a grande literatura -- brasileira, principalmente, mas também portuguesa e de além-língua. Borges, Calvino e Eco, por exemplo, são abundantemente citados ao longo do livro, muitas vezes em epígrafes. Acontece que estas crónicas, publicadas na imprensa, foram escritas com o gosto de comunicar com os alunos e todos quantos pretendem aventurar-se no bosque da ficção. E, nesse aspecto, é excelente para aqueles leitores menos experientes, perdidos nos labirintos do mercado, nivelando ou soterrando os clássicos de ontem e de hoje na avalanche da subliteratura parida a esmo pela indústria editorial.
"Devaneios de um leitor solitário", subtitula Tôrres Freire o seu livro, desta forma despretensiosa e aparentemente leve, fazendo pontes para a História ou o Cinema, conduzindo sabiamente e dando ferramentas ao leitor interessado em distinguir o trigo do joio. Quase todos os Grandes brasileiros estão lá; e enquanto leitor português apreciei os textos consagrados a Fernando Pessoa, Ferreira de Castro, José Saramago e António Lobo Antunes. 

 José Alonso Tôrres Freire,  Notas de Rodapé -- Devaneios de um Leitor Solitário, Campo Grande, 2014.

sexta-feira, março 01, 2013

sobre O QUE DIZ MOLERO


Grande literatura é isto:  domínio da palavra a benefício da narrativa, espessa, sumarenta, cheia de coisas a dizer e de indícios doutras que ficam por enunciar. Estórias e estorietas, há muito quem conte, alguns até reputados de bons escritores; mas O que Diz Molero (1977) é a história, narrada de forma múltipla, dum escritor de obra escassa, sete títulos, três dos quais sob o pseudónimo Dennis McShade.
Li-o por volta de 1983, e voltei agora a ele, no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. Por esse então, final da adolescência, apesar de muitas referências me escaparem -- que não as da BD (Dinis Machado terá sido o único escritor português a ter aposto numa obra literária os nomes de Zig e Puce...) ou as dos Westerns de John Ford; é um livro cheio de cinema (até na prosa) e quadradinhos --, havia também uma memória que me era familiar: o imaginário lisboeta das décadas de 1930-1940, que me foi transmitido pelo meu pai, da mesma geração do autor: as figuras populares, suas alcunhas e seus maneirismos; a Guerra Civil de Espanha e a II Guerra Mundial, o modo como eram ansiosamente seguidas e as próprias implicações sociais e políticas desses dois cataclismos entre nós; o cinema de Hollywood e os filmes em 31 partes do Flash Gordon; os comics americanos, Dick Tracy e Mandrake, os combates de boxe... Referências pulp e eruditas, de Camilo Pessanha a Jorge Luis Borges, fluindo naturalmente, porque reflexo da vida e da vivência.  Não sei se algum vez um livro me deu tanto prazer a reler.
A verdade é que em que O que Diz Molero a prosa é rigorosamente vigiada e calibrada, tão fundamental quanto o inventário da infância se presta  a todas as derrapagens do sentimentalismo : não há lamechice, mas ternura, um humor terno e nunca boçal.
Nota aos jovens leitores: tem até vampiros... -- não daqueles de ecrã, que ocupam os escaparates dos híperes, mas o tenebroso "Vampiro Humano", tenebroso para o rapaz(o protagonista do romance, ou um dos protagonistas) e para os seus amigos de correrias e partida pelo Bairro.

terça-feira, agosto 23, 2011

caracteres móveis - Jorge Luis Borges

Não há poeta, por medíocre que seja, que não tenha escrito o melhor verso da literatura, mas também os mais infelizes. A beleza não é privilégio de uns quantos nomes ilustres.
Os Conjurados
(tradução de Maria da Piedade Ferreira e Salvato Teles de Meneses)

quarta-feira, junho 22, 2005

Caracteres móveis #21 - Jorge Luis Borges

Ler, para já, é uma actividade posterior à de escrever: mais resignada, mais cortês, mais intelectual.
História Universal da Infâmia
(tradução de José Bento)

Borges

Posted by Hello

Bor-rrés

E há aqueles irritantes que pronunciam Ror-rrê Luíce Bor-rrés...