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quinta-feira, abril 26, 2018

«Depois da chuva o Sol -- a graça.» Sebastião da Gama, «Poesia depois da chuva», Pelo Sonho É que Vamos (póst., 1953)

«Palavras, substância, ideia, / persistentes e danosos vermes / da memória, em várias chamas / variamente ardendo, com sôfrega / raiva vos devoro.» Rui Knopfli, «Tradição», O Corpo de Athena (1984)

«O amor, a própria morte nos aumenta / Sua luz obscura -- que nos alimenta.» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

quarta-feira, abril 18, 2018

«Como tudo o que é puro / De raiz / O que os pássaros dizem / Não se traduz». Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

«Blocos de gelo perpassavam / Sob os teus olhos distraídos, / Enquanto os meus, calmos, choravam / Os portos nunca mais volvidos.» Carlos Queirós, «Cruzeiro do Norte», Desaparecido (1935)

«...Ou será tudo loucura, / Literatura / Fogo-fátuo, solidão / E eu não viverei, senão / No metro e meio de mim?...» José Régio, «Nocturno», As Encruzilhadas de Deus (1936)

terça-feira, abril 10, 2018

«Sol Branco / Imperador fraterno / Do azul muito ténue» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

«Não peças palavras: / É voz o vento e o seu perdido rumo.» Alexandre Dáskalos, Poesia (póstumo,1961)

«Mal empregado privilégio, a fala, / Que traduz a verdade em que pensamos, / As palavras gastando em ocultá-la!» Carlos Queirós, «Clamavi ad te», Desaparecido (1935)

quinta-feira, março 22, 2018

«Podes tu, que apenas chegas e tudo ignoras / das traiçoeiras dificuldades experimentadas / nos lameiros que atolam o percurso / antes da pirâmide, proferir a primeira // palavra, como quem percute em festa / o cristal novo do sino alvissareiro.» Rui Knopfli, «Notas para a regulamentação do discurso próprio -- 1.»,  O Corpo de Athena (1984)


«Flor é esta entre os lábios / Rosa vermelha de cio», António Jacinto, «Lutchinha», Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985)


«A palaciana / Casa / Do Sul / Destruída / Pelos bárbaros», Alberto de Lacerda, «611 West 17th -- Austin»Átrio (1997)

quarta-feira, março 14, 2018

«Como aquelas taças pesavam / Quando vazias até nós vieram... / Depois ficaram quase esvoaçantes / mal o vinho dentro lhes puseram:» Abu al-Abdari / Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe (1987)

«E ficava por vezes assim // Encantado» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

«O verbo hesitar / lhe empresta o tónus correcto, no silêncio / respira, a sombra lhe dá corpo.» Rui Knopfli, «Notas para a regulamentação do discurso próprio -- 1.»,  O Corpo de Athena (1984) 

segunda-feira, março 30, 2015

A posteridade de H. H.

Não me refiro à posteridade literária, como é óbvio, à perenidade da obra, ao lugar que ela ocupa na poesia. Se tivesse de fazer o difícil exercício de congeminar uma lista com meia dúzia de nomes dos, para mim, maiores poetas da segunda metade do século XX, Herberto Helder faria parte dela, com Alberto de Lacerda, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Rui Knopfli e Ruy Belo -- e teria de deixar de fora muitos que me assombram..
A posteridade a que me refiro é outra, a patrimonial e identitária. Percebo perfeitamente o apelo do seu filho, Daniel Oliveira, para que não desatem os poderes públicos ou particulares a homenagear o poeta, com nomes de rua, estátuas e bustos, etc. Guardado porém o decoro temporal necessário para não violentar quer a memória de Helberto Helder, quer a legítima vontade dos seus descendentes, não creio que ele tenha possibilidade de ser acatado.
Os grande autores não se pertencem, é uma banalidade escrevê-lo. E se cada cada vez menos se pertencem em vida (é ver a poesia de HH espalhada por blogues e pelas "redes sociais"), muito menos depois de ela findar. E ainda bem que assim é. Não há como não preservar e assinalar, por exemplo, a casa onde o poeta nasceu e aquela em que morreu (a Rua do Mercado, nº 7, em Cascais). E quem diz estes vestígios palpáveis da memória dele (e, de há muito, nossa), diz outras manifestações inevitáveis que a comunidade imperiosamente não pode deixar de promover.
Como pedir à Madeira que deixe o seu maior poeta entregue apenas aos seus livros? É, entre outras, uma questão de sobrevivência da própria comunidade.

terça-feira, setembro 26, 2006

A cidade prosegue / Cada vez mais lenta / Em direcção à noite
Alberto de Lacerda

terça-feira, agosto 15, 2006

Palavras / Quase todas a mais
Alberto de Lacerda

domingo, junho 18, 2006

Ferido de inocência desde sempre
Alberto de Lacerda

terça-feira, dezembro 27, 2005

Antologia Improvável #88 - Alberto de Lacerda (4)

APARIÇÃO

Tem sobre a música certas vantagens
E nunca me dirigiu a palavra

Tem os dedos longos
Os olhos rasgados
Um perfil que transformou a sala onde eu estava
E nunca me dirigiu a palavra

Tem os cabelos louros
Angelicamente revoltos
E nunca me dirigiu a palavra

Tem dezoito anos
Ou dezassete anos
E nunca me dirigiu a palavra

Tem um olhar profundo e natural
De rio sem grandes acidentes
Tem o olhar directo
E nunca me dirigiu a palavra

Tem os gestos mais belos que eu sonhei
Antes de ver os seus gestos
Tem a graça da luz de Maio
Tem qualquer coisa de Maio que a Primavera esqueceu
Tem os ossos do rosto cinzelados
Duma forma que teria perturbado
Fídias e perturba certamente
Todos os dias o ar a luz a noite e o dia
E nunca me dirigiu a palavra

Agita quando anda
Os mantos do invisível
E nunca me dirigiu a palavra

Tem uma voz incomparável
Tem uma doçura de ave no olhar
E nunca lhe dirigirei uma palavra

25.5.62
Oferenda-I

quinta-feira, outubro 27, 2005

Antologia Improvável #68 - Alberto de Lacerda (3)

Na rua desde há muito bem amada
As árvores estão carregadas de flores
E o chão
Onde vão caindo luminosas

O azul é ténue sereníssimo envolvente

Algo sugere
Que a tarde azul e ouro
É um porto seguro

O dia faz sentido finalmente

Enseada
Do coração
Londres
11 de Maio 99


Horizonte

quarta-feira, agosto 03, 2005

Antologia Improvável #37 - Alberto de Lacerda (2)

CANÇÃO DO VELADO DESESPERO

Não saiba a luz trazer de longe
Os meus fantasmas um por um
Não bem remorsos mas destroços
Mas interrupções da vida viva

Não saiba a luz trazer da morte
O que matei dentro de mim
O fio fino mas possante
Que me afastou do paraíso

Meus braços cegos como Eros
Ninguém os venha complicar
A solidão tenha a coragem
De nunca mais me abandonar


22-10-1964
Oferenda II

domingo, julho 10, 2005

Antologia improvável #28 - Alberto de Lacerda

Café

Espiral de energia

Explosão silenciosa
Do prazer

Yèvre-le-Châtel
26 de Junho 90
Átrio