Mostrar mensagens com a etiqueta Rocha Martins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rocha Martins. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, março 27, 2015

travo camiliano

«As tavolagens conheciam-no mais do que os indivíduos espancados no mistério das noites, pois a capa negra e o sombreiro desabado lhe ocultavam o rosto e os olhos fascinadores das atraídas. Jogava como um perdido, desde as tabernas das Portas do Mar, onde a maruja disputava as moedas baixas com as pontas das facas, até às partidas íntimas dalgum fidalgo em termos de se divertir ganhando ao plebeu o oiro cujas origens não se rebuscam, pois é sempre nobre pelas efígies que consagram.»

Rocha Martins, O Drama de Santa Engrácia (s.d.)

domingo, janeiro 18, 2015

um libertino de seiscentos

«Fazia gala nos amores variados; as graças femininas atraíam a sua carne, morena e moça, sem querer saber da qualidade das damas requestadas. Mancebas ou forras, rapariguitas pobres ou burguezinhas, todas serviam ao derriçador que, em vaidade intensa de gabarola, assentava num livro os nomes e as qualidades das rendidas, entre as quais não seria difícil topar o dalguma monja ou dona de jerarquia, arpoada pelas galantarias do namoradeiro.»

Rocha Martins, O Drama de Santa Engrácia (s.d.)

quinta-feira, maio 29, 2014

falou o Rocha

As circunstâncias rocambolescas da Coroa portuguesa depois da morte de D. João VI (1826), com D. Miguel no exílio, regência da infanta Isabel Maria, império de D. Pedro no Brasil, entourage da rainha viúva Carlota Joaquina... uf!, e o povo de Lisboa, bem guardado, mas na expectativa... 
A circunstância de não se fazer hoje historiografia assim, tão colada ao conjuntural, mesmo quando a pequena história possa espoletar os efeitos mais momentosos e inesperados, a verdade é que o acontecimento, o facto -- ou a percepção que dele possamos ter -- não pode nem deve ser ignorado, nem o papel do indivíduo pode ser subestimado, pesem todas a condicionantes.
Rocha Martins é um excelente exemplo. Os grossos volumes sobre o fim da monarquia são interessantíssimos e até essenciais para se comprovar a temperatura política do tempo. Monárquico liberal, opositor activo ao Estado Novo, estes escritos tinham também um objectivo cívico e político. Repare-se no antetítulo, "Liberdade Portuguesa"; tal como o explicit, nada inocente:  «A Liberdade [com maiúscula...] estava implantada. Cabia aos seus adeptos defender o estatuto que D. Pedro IV outorgara, mas praticando as virtudes que exigem as doutrinas dos homens livres: o respeito pela opiniões alheias, dentro da Lei, e sem ofensa das que professamos. / Só assim existirá o verdadeiro equilíbrio do espírito democrático e liberal.»
Rocha Martins, A Carta Constitucional (s.d.)

terça-feira, junho 14, 2005

Fritura de Miolos

Era o título da secção de charadas da histórica revista ABC, publicada todas as semanas por Rocha Martins e Carlos Ferrão, nos anos vinte do século passado...