22 de maio de 2019

El Cid

Mais imponente do que a Avenida de Portugal é, e justificadamente, a Avenida El Cid. Porquê justificadamente? El Cid é um dos grandes heróis míticos de Espanha, um dos guerreiros lendários dos tempos da Reconquista que, como se sabe, tomou mais tempo aos espanhóis do que aos portugueses, sobretudo aqui na Andaluzia, palavra ainda muito árabe que se refere a Al Andaluz, a Ibéria muçulmana.
Quando eu era pequena dava na televisão uma série infanto-juvenil chamada "Rui, o Pequeno Cid", ainda me lembro da canção do genérico. Era sobre a vida do Cid enquanto criança e de como, nesses infantes tempos, já era um herói pelejador contra mouros e quaisquer inimigos do Bem. Na verdade, o Cid real chamava, não Rui, mas Rodrigo Díaz de Vivar. Terá nascido em Burgos em 1043 e morrido ao Sul, nos territórios da então fronteira moura, em Valência em 1099. Cid, vem da palavra árabe "sidi" que significa "senhor". Curioso como os inimigos o apelidaram em reconhecimento da valentia. Lendas àparte, e não obstante a sua vida ter episódios dignos e outros tenebrosos, o certo é que deparar-me aqui com a Avenida El Cid me acorda todo um imaginário. Liga-me à infância, ao meu gosto por História Medieval, aos primórdios da criação destes dois países ibéricos e lembra-me, também, que estou numa cidade monumental que venho revisitar com olhos de primeira vez.

18 de maio de 2019

Portugal em Espanha

Como Portugal só tem um vizinho, quando tenho a sorte de ter uns diazinhos para mim, o caminho natural é Espanha (quando não me decido em favor da eterna paixão pelo Alentejo). Desta vez, sigo o rumo da Andaluzia que, a meu ver, é das regiões que melhor encarna o estereótipo do salero espanhol. E, claro, Andaluzia na quadra pascal é toda uma experiência.
Começo por Sevilha. Uma revisitação e a primeira vez que lá vou sem ser pela torreira do Verão. O céu está maravilhoso. A temperatura quente mas suportável. a manhã é gloriosa e, mal saio do hotel, faço a pé as avenidas que levam até ao casco histórico da cidade. No caminho, o encontro inesperado com a lembrança de casa. Chama-se avenida de Portugal e eu fico contente por não nos ser dada uma rua mas toda uma avenida. Viva a Ibéria!

15 de maio de 2019

Nada como a Natureza

Nada como a pujante Natureza em flor para me abstrair da raiva dos últimos dias. Aqui uma árvore florida em plena Sevilha já fervendo de calor.

12 de maio de 2019

E agora não sou estrangeira nem portuguesa

Esta foi uma semana de estranhezas. Primeiro, excluíram-me de um concurso para cidadãos portugueses porque eu não nasci em Portugal, apesar de ser portuguesa (até fui à Constituição ver os artigos violados por semelhante parvoíce: são vários). Agora, já que não me aceitam como portuguesa, fui tentar ser incluída num concurso para portugueses residentes no estrangeiro OU luso-descendentes. Pensei que, como nascida no estrangeiro seria luso-descendente. Afinal, também não posso participar nesse concurso porque resido em Portugal.
Alguém me diz que raio de cidadã eu sou perante este país que, por acaso, é o meu? 

8 de maio de 2019

São os portugueses que me fazem estrangeira

Estou lívida! Acabo de ser excluída de um concurso para cidadãos portugueses porque, por acaso, nasci fora de Portugal. Tendo, unica e exclusivamente, cidadania e nacionalidade portuguesas, mas, como não nasci cá, consideram-me estrangeira. Estou como se imagina que estou. Porque é que neste país, tudo o que faço ou sou tem de se submeter à circunstância do meu nascimento? Caramba!

5 de maio de 2019

Mães

Tenho uma sorte incrível. Há três mães na minha vida e isso é excepcional.
Há a Mãe, essa Tudo.
Há a minha irmã que vejo tão orgulhosamente mãe.
E há uma mãe que me adoptou em amor.
As mães são, inequivocamente, o melhor do mundo.

1 de maio de 2019

Das coisas que se vêem no campo

Salva selvagem sempre me traz à memória recordações felizes de infância. Colho uma folha e cheiro, imediatamente transportada a um Tempo sem tempo. Sinto o macio penugento da folha e tudo é lembrança.