29 de agosto de 2019

Colecção Novela Gráfica (5ª série) #9: Como uma Luva de Veludo Forjada em Ferro

Chega hoje às bancas o nono volume da 5ª série da colecção Novelas Gráficas, editada pela Levoir em parceria com o jornal Público. O título escolhido, Como uma Luva de Veludo Forjada em Ferro, de Daniel Clowes foi publicado originalmente em dez partes (de 1989 a 1993) na revista Eightball.

O autor, nascido em Chicago, estudante de arte no Pratt Institute de Brooklyn, em Nova Iorque, é vencedor de inúmeros prémios, incluindo mais de uma dúzia de Harveys, os prémios profissionais dos comics, e seis Eisners, o galardão máximo da BD americana. É também vencedor de um prémio literário PEN. Estreou-se como caricaturista com uma história na revista Love & Rockets (de Jaime e Gilbert Hernandez). Actualmente é um dos nomes mais significativos dos comics alternativos norte-americanos. A atmosfera noir das suas histórias tem influenciado uma geração de cartunistas e artistas gráficos. Conhecido no nosso país pelas suas obras mais realistas, como Mundo Fantasma, os leitores portugueses irão descobrir aqui um dos seus mais estranhos e surreais livros.

Tendo já sido descrita como “uma assustadora jornada de loucura”, esta novela é, na verdade, uma história policial cheia de reviravoltas narrativas, muitos toques grotescos e momentos de puro horror. Ao assistir a um estranho filme, com o título Como uma Luva de Veludo Forjada em Ferro, no final do filme o jovem Clay Loudermilk reconhece na protagonista, a actriz Barbara Allen, a figura da sua ex-esposa desaparecida alguns anos antes.

Decidido a encontrá-la, consulta um guru que tem todas as respostas e atende as pessoas na casa de banho do cinema porno, que lhe diz que o filme pertence à produtora Interesting Productions do Dr. Wilde situada numa cidade próxima, Gooseneck Hollow.

Decidido a encontrá-la, Clay ruma à cidade onde o filme foi produzido. Pelo caminho encontra gente estranha, entre freaks, extra-terrrestres ou uma seita feminista violenta liderada por um homem, entre outras. Como uma Luva de Veludo Forjada em Ferro não é uma obra fácil e, provavelmente, não agradará a todos, mas é uma experiência que deve ser provada nem que seja para poderem apreciar a forma como o autor conseguiu expor artisticamente a perturbação humana.

Colecção Novela Gráfica (5ª série) #9: Como uma Luva de Veludo Forjada em Ferro, Daniel Clowes, Levoir, 144 pp., p&b, capa dura, 10,90€

28 de agosto de 2019

Paolo Ongaro - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(Itália) Mestre, 22 de Junho de 1946

Estreia-se na BD aos 17 anos, em 1964, ao pintar as pranchas feitas a lápis por Vladimiro Missaglia; escrevendo, neste primeiro período, uma história que será publicada por um semanário milanês. No final da década de 1970, começa a colaborar com vários editores, como Gino Sansoni, para quem  realiza algumas histórias publicadas na revista Horror.
A partir de 1970, inicia uma colaboração assídua com várias revistas como L'Intrepido e Il Monello. De 1971 a 1973, colabora com no estúdio IF, realizando várias histórias para outras revistas como Diabolik, Il Giornalino, Corriere dei ragazzi, bem como SuperGulp! (1975) e a Storia d'Italia, uma série de BD de Enzo Biagi (1978) para a Mondadori. Com Biagi, colabora, em 1989, para a revista Second World War. Na segunda metade da década de 1970, colabora com a revista Tarzan, e realiza histórias de guerra para a editora britânica Fleetway, enquanto que para o Corrier Boy cria L'Immortale.
Na década de 1980. realiza histórias de desporto para o Gazzettino dello Sport e para o Guerin Sportivo, criando a série Azzurro com biografias de grandes futebolistas italianos, A História dos Jogos Olímpicos (reimpresso em volume por Mondadori em 1996) e o Giallo della Fórmula. 
Para a editora francesa Larousse desenha as séries A Descoberta do Mundo e História do Far West, bem como histórias para as revistas L'Écho des Savanes e Pif. A partir de 1986, começa a desenhar histórias para a Mickey Mouse. Igualmente para a Disney, faz as brochuras "Speciale Magia" com o mágico Silvan. No final da década de 1980, regressa à BD com Xenio e Rally, duas séries que aparecem na revista L'Intrepido. Para a Lanciostory, desenha a série Old America, baseada em textos de Andrea Mantelli. No início da década de 1990, junta-se à equipa da série Martin Mystère, iniciando uma longa colaboração com a Bonelli. Desde 2010, edita uma revista de BD, Rici e Flay para o Centro de Reciclagem de Vedelago, com o objectivo de aumentar a consciencialização dos jovens sobre a reciclagem. Em 2012, lança Caravaggio, uma série de BD publicada na revista Skorpio, com textos de Roberto Recchioni e Giulio Antonio Gualtieri.
Além da actividade de banda desenhada, Ongaro actua como pintor e ilustrador profissional,  colaborando em publicidade e comunicação. Está continuamente envolvido em colaborações como ilustrador e artista de capa de revistas para a Mondadori, Corriere della Sera-Rizzoli, Ed. Paoline, Fabbri, e jornais como Il Gazzettino, Il Giorno, Corriere dello Sport, Il Resto del Carlino, Tuttosport, La Nazione

Séries publicadas em Portugal:

[actualizado em 28.08.2019]

Homem-Cão e o Supergatinho

O Homem-Cão, o mais novo herói de Dav Pilkey, criador do Capitão Cuecas, está de volta – e desta vez vem acompanhado! O heróico cão com um verdadeiro faro para a justiça dispõe agora de um ajudante felino peludo e juntos vão ter um mistério para farejar! Quando uma nova ama chega e uma estrela de cinema glamorosa desaparece, cabe ao Homem-Cão e o Supergatinho salvarem o dia! Irão os nossos heróis manter-se na pista certa ou irá Petey, o gato mais malvado do mundo, despistá-los?

Homem-Cão e o Supergatinho, Dav Pilkey, Marcador, 256 pp., cor, capa flexível, 13,90€

27 de agosto de 2019

Guido Buzelli - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(Itália) Roma, 27 de Julho de 1927 – 25 de Janeiro de 1992

Frequenta a Academia de São Lucas e, inicialmente, decide seguir os passos de seu pai, a pintura. Contudo, entra na oficina de Rino Albertarelli, um dos principais artistas de fumetti italianos da época, estreando-se na década de 1950 na revista Zorro. Paralelamente, produz capas para revistas da editora Fratelli Spada. Outras bandas desenhadas de Buzzelli da época incluem Susan Bill, Alex l'eroe dello spazio, Bill dei Marines, Bambola e Dray Tigre.
Mais tarde, muda-se para Espanha e depois para Inglaterra, onde produz a tira Angélique para o Daily Mirror. Após o seu retorno a Itália e o seu casamento com Grazia de Stefani (1960), dedica-se à pintura. Mas regressa à BD com um projecto pessoal, La rivolta dei racchi (1966), uma história de fantasia contendo uma metáfora sarcástica da luta de classes; o trabalho seria publicado apenas em 1970 em França, na revista Charlie Hebdo. É logo considerado como um dos artistas de BD mais elogiados em França e, mais tarde, também em Itália, com outras histórias como I Labirinti (1970), Zil Zelub (1972), Annalisa e il diavolo (1973), L'intervista (1975), L'Agnone (1977), La guerra videologica (1978), todas misturando temas sociais com atmosferas fantásticas e oníricas.
Em 1973, recebe o prémio Yellow Kid como melhor ilustrador e autor no Festival de Lucca, seguido em 1979 pelo equivalente francês, o Crayon d'Or. Começa a colaborar em revistas e jornais como Linus, Alter Linus, Paese Sera, Il Messaggero, L'Espresso, L'Eternauta, Psico, Corriere dei Ragazzi, Arte em Quadrinhos, Playmen, Menelik, L'Unità e, em França, Pilote, Métal Hurlant, À Suivre, Circo, Le Monde, Fluide Glacial e outros. Sob o pseudónimo de Blotz, cria várias ilustrações eróticas publicadas em França no Charlie Mensuel, bem como nas coleções Démons e Buzzelliades.
Em 1976, Buzzelli ilustrou L'uomo del Bengala para a Sergio Bonelli Editore; para a mesma editora, desenha o primeiro volume gigante de Tex Special, escrito por Claudio Nizzi (1985). Na década de 1980, colabora com a televisão italiana e é professor no Instituto Europeu de Design.

Séries publicadas em Portugal:
Ayesha, Descoberta do Mundo (A), Robin dos Bosques, Zorro

One-shots publicados em Portugal:
  • Johnny, o rei da selva, Zorro #74 a #81
  • Zil Zelub (Zil Zelub), 1972, Álbum Editorial Presença [1973]
  • Ressurreição (Resurrezione), Buzzelli e Grazia de Stefani, O Mosquito (5ª série) #7
[actualizado em 27.08.2019]


Enric Sió - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Enric Sió i Guardiola 
Argumentista, Desenhador
(Espanha) Badalona, 5 de Abril de 1942 - Barcelona, 2 de Novembro de 1998

Além de se dedicar à BD, Sió também se notabiliza como fotógrafo e publicitário. Junto com outros autores da mesma geração, como Josep María Beá (1942), Luis García (1946), Felipe Hernández Cava (1953), Carlos Giménez (1941), Fernando Fernández (1940) e Adolfo Usero (1941) participam na chamada renovação da BD espanhola, intitulados como o grupo de estilo «pictórico».

Séries publicadas em Portugal:

[actualizado em 27.08.2019]

Dino Battaglia - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, argumentista
(Itália) Veneza, 1 de Agosto de 1923 - Milão, 4 de Outubro de 1983

Estreia-se em 1946, co-fundador e produtor de trabalhos para a revista italiana Asso di Picche, onde desenha algumas páginas da série Junglemen. Nesta revista, trabalha com outros artistas venezianos, como Hugo Pratt e Alberto Ongaro. Quando, em 1948, a Asso di Picche encerra, o Grupo Veneziano (como se tornaram conhecidos) muda-se para a Argentina para trabalhar para o editor italiano Cesar Civita. Contudo, Battaglia fica em Itália, optando pelo casamento, aproveitando para desenhar a tira do pirata Capitan Caribe, escrita por Ongaro e publicada na revista Frontera de Héctor Germán Oesterheld, além de outras pranchas como Cowboy Kid para a revista Salgari.
Em 1950, Battaglia muda-se para Milão, onde trabalha para a Pecos Bill de Mondadori e para Il Vittorioso. Entre 1952 e 1953, cria Mark Fury para a revista Intrepido. A série é traduzida e republicada no Junior Express entre 1955 e 1956, introduzindo Battaglia no mercado britânico. Em 1959, inicia uma colaboração com a editora inglesa Fleetway, através do estúdio Roy D'Ami, sediado em Milão, produzindo vários contos para o Top Spot, o Knockout, o Thriller Picture Library e o Look and Learn.
Em 1960, Battaglia produz uma série de adaptações de contos de fadas e romances clássicos para o Il Corriere dei Piccoli e o Il Corriere dei Ragazzi. Em 1965, desenha I Cinque della Selena, uma série de ficção científica escrita por Mino Milani.
Em 1967, a revista Sgt. Kirk publica uma adaptação de Moby Dick, uma obra que marca a maturidade artística de Battaglia, com os seus desenhos a alcançaram um estilo único e distinto que caracterizará as suas produções posteriores. A partir de então, Battaglia concentra-se em adaptações de romancistas clássicos como Poe, H. Lovecraft, Stevenson, Maupassant e Hoffmann, ilustrando vários contos góticos desses escritores para a revista Linus, ganhando o título de Mestre das Trevas.
Durante a década de 1970, Battaglia produz uma série de obras religiosas para Il Messaggero dei Ragazzi e Il Giornalino, incluindo as biografias de Antonio da Padova e Frate Francesco, bem como uma adaptação de sátiras clássicas, como Till Eulenspiegel (1975) e Gargantua e Pantagruel de Rabelais (1979). No final da década de 1970, começa a trabalhar para o editor Bonelli, produzindo L'Uomo della Legione e L'Uomo del New England para a série Un uomo un'avventura.
Em 1982, cria a sua única série original, L'Ispettore Coke para a editora Isola Trovata, apresentando um detective da Scotland Yard que enfrenta casos estranhos em histórias ambientadas no início do século XX. São publicados apenas dois álbuns, Eu Delitti della Fenice e La Mummia, em consequência da inesperada morte de Battaglia em 1983.

Séries publicadas em Portugal:
Capitão Caribe, Descoberta do Mundo (A), Dogfight Dixon, Robin dos Bosques

One-shots publicados em Portugal:
  • O tesouro do Castelão, Álbum do Cavaleiro Andante #63
  • A pena branca, Cavaleiro Andante #407 a #425
  • Aventura na Ásia, Ciclone #60
  • Operação KMS, Ciclone #332
  • Um tiro de pistola, Jacto #6 a #8
  • Iwo Jima!, Jacto #9 a #10
  • O jogador e a morte (Il giocatore e la morte), Battaglia e P. Meerimée, Jacto #11 a #12
  • A cidade perdida (La città perduta), Battaglia e Ernesto Ventura, Jacto #13 
  • Um pequeno rei, Quadradinhos (2ª série) #1 a #13
  • Duelo no ar, Battaglia e Ernesto Ventura, Jacto #14 a #15
  • A terrível Paris-Madrid, Battaglia e Ernesto Ventura, Jacto #16
  • Os canhões de Paris, Jacto #19 a #20
  • A revolta dos Cipaios, Jacto #33 a #34
  • A flecha negra, Jacto #44 a #45
  • Gulliver em Lilliput, Jacto #62 a #69
  • A ponte de Remagen, Jacto #66 a #67
  • A tomada do fortim, Jacto #70 a #71
  • Hamlet de William Shakeaspeare, Jacto #77 
  • O homem da Legião (L'uomo della legione), Boletim do CPBD #122
  • Dois amigos (Due amici), Fandaventuras de Maio de 2018
  • Saint Antoine (Saint Antoine), Fandaventuras de Maio de 2018
  • A Aventura de Walter Schnaffs (L’avventura di Walter Schnaffs), Fandaventuras de Maio de 2018
[actualizado em 27.08.2019]



26 de agosto de 2019

José Bielsa - Ensaio de quadriculografia portuguesa

Desenhador, Argumentista
(Espanha) Madrid, 1931

Antes de se dedicar à BD, estuda cerâmica. Faz a sua estreia em várias revistas, como Chicos, El Coyote e Florita. Em 1955, é contratado pela World Press e, mais tarde, pela Édifrance, onde trabalha em Les Grands Noms de l'Histoire de France para a revista Pistolin (com textos de Jean-Michel Charlier) e Les Belles Histoires de l'Oncle Paul '(com textos de Octave Joly) na revista Spirou. Em 1956, assume a série Tom et Nelly, criada por Albert Uderzo. Em 1958, Bielsa torna-se editor da Bruguera, onde dirige a agência Creações Editoriales, trabalhando para várias agências de imprensa de França e de Inglaterra. As suas colaborações para o mercado britânico incluiem contribuições para a Amalgamated Press Cowboy Comics Library  no final da década de 1950 e início da de 1960. Em 1963, ingressa na revista Pilote, onde realiza as séries Bill Norton, Yves Mallard, e Les Mange-Bitume (textos de Jacques Lob). Entre 1971 e 1973, trabalha para a revista espanhola Trinca; em 1974-75, colabora com Truchaud em Joe Fast para a Lucky Luke Magazine. Nos dez anos seguintes, Bielsa colabora com a editora Larousse e em várias colecções e álbuns de L'Histoire de France em Bandes Dessinées. Também na década de 1970 colabora com o argumentista Víctor Mora na série Supernova da editora Bruguera. Seguidamente, limita o seu trabalho ao mercado espanhol, criando a série Leyendas para a revista Rumbo Sur. Desde meados da década de 1980, José Bielsa dedica-se integralmente à pintura.

Séries publicadas em Portugal:

One-shots publicados em Portugal:
  • Fim de semana no campo, Diabrete #702 a #707
  • Balada do Natal, Nº Especial do Cavaleiro Andante do Natal de 1955
  • Aventura na Ásia, Bielsa e Sarabia, Tigre (1ª série) #60
  • O rali dos cinco continentes, Bielsa e Fernando Sesen, Jacto #16 a #29
  • Peripécias de Pirulo, Jornal do Cuto #168
[actualizado em 26.08.2019]