impressões de um geólogo amante de livros e música erudita que vive numa ilha vulcânica bela e cosmopolita
domingo, 10 de agosto de 2008
ESTOU ALI NA FESTA, VOLTO MAIS TARDE
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
O FAIAL CORTADO À FACA IV- Falhas da Espalamaca e do Facho
Na sua zona mais litoral, esta estrutura apresenta uma grande imponência na paisagem, e os dois degraus dão uma aparência de suavisar a inclinação para norte destas duas escarpas de falha sobrepostas. Junto ao litoral encontra-se a Praia do Almoxarife que dá o nome à freguesia mostrada na foto e já no mar situa-se a zona de desgaseificação submarina cujo vídeo de Marco Santos foi aqui mostrado em Agosto, já no extremo da foto vê-se parte da costa a ilha do Pico.
Depois do segundo degrau deixar de ser visível mais para o interior da ilha sobre a vertente norte, a falha do Facho marca de forma abrupta a paisagem e a zona é uma das que parece cortada à faca, sinal de que estamos perante uma falha que sofreu rupturas geológicas recentes, onde a erosão pouco afectou a cicatriz e um indicador de ser uma estrutura geológica potenciamente geradora de sismos.
Agora do topo da Lomba da Espalamaca, na zona do Miradouro da Horta, os dois degraus são muito evidentes... ao fundo as vertentes do vulcão da Caldeira e a localidade de Chão Frio, parte integrante da freguesia da Praia do Almoxarife.
Para quem teve dificuldade em distinguir os dois degraus, na foto acima, o degrau inferior, formado pela escarpa da falha do Facho, está grosseiramente indicado por traços a vermelho, enquanto a escarpa da falha da Espalamaca está indicada a rosa. O ponto amarelo corresponde ao local da foto abaixo.
Na foto imediatamente acima, está indicado a rosa o topo da escarpa da Espalamaca. A vermelho a vertente abrupta e muito inclinada para norte da falha do Facho. A amarelo mostra-se vertente suave para sul resultante do relevo natural não afectado pelos dois acidentes tectónicos descritos neste post.segunda-feira, 27 de agosto de 2007
DESGASEIFICAÇÃO VULCÂNICA SUBMARINA? - Ponta da Espalamaca Faial
EXPLICAÇÃO DO VÍDEO ABAIXO
O magma, além da sua fracção líquida mais ou menos viscosa, possui uma fracção gasosa muito importante, a qual é mesmo um dos principais motores das erupções.
Em virtude de microfissuras nas rochas, os gases vulcânicos tendem a ascender até à superfície da Terra, sendo esta desgaseificação mais evidente em pontos onde a saída dos gases é concentrada como nas fumarolas (predomínio da água), sulfataras (enxofre) e mofetas (dióxido de carbono = CO2).
Menos conhecida da população é a libertação de gases difusa através do solo, cujas quantidades, variações espaciais e temporais podem ser medidas com equipamentos próprios, bem como interpretadas geologicamente.
Na última década de 90 acompanhei, num semirígido, o Prof. José Madeira, da Faculdade de Ciências da UL, num reconhecimento da geologia costeira do Faial, tendo então verificado da existência de um local na Ponta da Espalamaca onde saía grande quantidade de bolhas do fundo do mar.
Em 2002 o tema da minha tese, de que resultou um mapa colocado no post "Faial cortado à faca" teve como base um extensa cobertura geográfica sobre a desgaseificação difusa de CO2 na zona leste do Faial, não encontrei na área da Espalamaca manchas de libertação de CO2 anómalas.
Em 2007 foi muito noticiado o facto de se ter detectado uma emissão de CO2 dentro de uma casa situada na Praia do Almoxarife, sobre a escarpa de uma falha geológica. Acompanhei parte do processo, coordenado pelo CVARG, onde foi confirmada a situação, que levou ao realojamento da família num outro local.
Em conversa sobre este tema com o meu colega Marco Aurélio Robalo Santos, biólogo marinho, na semana passada, este confirmou a mancha de libertação de bolhas submarina junto à Ponta da Espalamaca, próximo da casa mencionada, mostrou-me inclusivé o filme que efectuara em apneia, no ano de 2005 e o mesmo foi colocado no post para todos constatarem o fenómeno.
Não foram feitas análises, não confirmo que seja CO2 (até porque vejo muitos peixes por perto), mas a falha geológica está na zona, a desgaseificação foi detectada numa casa em terra... fica o trabalho para mais geólogos trabalharem e confirmarem o que ali se passa, pois existe outro local na área embora com menos intensidade de bolhas
Comparado com a zona de emissão submarina na Queimada (ilha de S. Jorge) de onde já colhi amostras e rica em CO2, esta zona é duma intensidade fenomenal, senão vejam e impressionem-se com o filme do Marco Santos!