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quarta-feira, 18 de junho de 2008

PEDRA-POMES: a espuma traquítica

Como disse, os magmas traquíticos, por serem muito viscosos, são expelidos dos vulcões, frequentemente, de forma explosiva, gerando-se então colunas de material ejectado, por vezes, com várias dezenas de quilómetros de altura: coluna eruptiva.
Estas explosões resultam do facto da viscosidade do magma traquítico impedir a libertação dos gases dissolvidos suavemente. Quando a pressão destes se torna muito elevada consegue romper as rochas que estão por cima e dá-se a intensa libertação do líquido misturado com gases, tal como numa garrafa de champanhe ou de gasosa quando se tira a rolha após a agitação do líquido.

Coluna eruptiva no vulcão Pinatubo (fonte: Wikipédia)

Os fragmentos de magma projectados na coluna eruptiva, piroclastos (grãos de fogo) depois, por gravidade, voltam a cair em torno do vulcão, atingindo distâncias maiores ou menores em função da dimensão dos grãos, da altura alcançada e da força dos ventos no momento. Formam-se espessos depósitos em camada destes piroclastos muito porosos, pouco densos (boiam na água), normalmente de cor clara e designados por Pedra-pomes.

Depósitos de pedra-pomes associados às explosões da Caldeira do Faial

Assim, um magma traquítico que sai de um vulcão tranquilamente forma escoada de lavas traquíticas, como as utilizadas na construção da Matriz da Horta, o mesmo material expelido explosivamente tem o aspecto (textura e estrutura) de uma rocha tão diferente que passa a ser conhecido pelo nome de pedra-pomes.

Pormenor de pedra-pomes no Faial, o círculo claro serve de escala, moeda de 1 euro.

A pedra-pomes, por norma é muito friável e esmagável, devido à sua porosidade, por isso, não era utilizada directamente na construção civil. Todavia devido à sua elevada quantidade de sílica pode tomar o nome comercial de pozolana, ser moída e misturada com calcário no fabrico de cimento. Situação que acontece na produção do cimento açoriano, que importa a componente calcária já tratada do Continente (clinquer) e é misturada com pozolanas das ilhas.

Pedra-pomes coberta de líquenes e musgos devido à humidade, o que lhe altera a cor superficial.

Também devido à baixa densidade da pedra-pomes existem experiências de utilizar esta rocha no fabrico de alguns tipos de tijolos muito leves, que reduzem o risco de danos pessoais em caso de desmoronamento provocado por sismo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

HISTÓRIA GEOLÓGICA DO FAIAL V - Formação da Caldeira

Eis como nasceu uma das estruturas mais belas do Faial!
Provavelmente ainda com erupções vulcânicas pertencentes à Formação de Almoxarife, eis que há cerca de 16.000 anos o Vulcão Poligenético dos Cedros reentrou em erupção, de uma forma altamente explosiva e durante os últimos milhares de anos parece ter repetido estas de fúrias pelo menos 14 vezes.
Algumas destas explosões foram tão intensas que expulsavam da cratera fragmentos de magma a grande temperatura que ao cairem cobriram grandes extensões do Faial com pedra-pomes. Uma rocha granular, normalmente clara, cujos grãos são muito porosos e flutuam na água (foto imediatamente acima e abaixo).
Outras vezes as explosões tiveram tanta energia que pulverizavam o próprio magma expelido da cratera e que se depositou em muitos lugares da ilha como um pó a que os geólogos chamam de cinza vulcânica.
Há cerca de mil anos as explosões fizeram escoar núvens de gotícolas de magma sobre muitos vales da ilha, com destaque para os Cedros - Ribeira Funda, Pedro Miguel - Praia do Almoxarife e Flamengos.As gotículas e lava nos vales denominadas de núvens ardente cobriram a floresta de então com dezenas de metros de cinza, pedra-pomes e areia, deixando no sei interior troncos de árvores queimados, uma espécie de carvão natural e que ainda hoje parece actual. À rocha assim formada os geólogos chamam ignimbrito e a sua origem podem destruir cidades inteiras em segundos, como São Pedro da Martinica e Plymouth respectivamente no início e final do século passado.
Como resultado destas explosões o centro do vulcão foi desmantelado e a cratera alargou-se e transformou-se numa estrutura de beleza impar, cujo nome técnico e popular se estendeu para além dos Açores - CALDEIRA - assim nasceu a Caldeira do Faial! (clique para ampliar)
Desde então, talvez pouco antes dos portugueses pisarem o Faial pela primeiroa vez, uma pequena erupção ocorreu no seu interior e formou-se um cone vulcânico na base da Caldeira, provavelmente sinal de um outro vulcanismo que já estava igualmente a nascer no Faial.
Na noite de 12 para 13 de Maio de 1958 uma pequena explosão no fundo da Caldeira cobriu o seu interior de uma fina camada de cinza... talvez para nos lembrar que o Vulcão dos Cedros e que nós faialenses chamamos de Vulcão da Caldeira pode estar a dormir, mas não morto.

Curiosamente a pedra-pomes destas explosões por vezes chegaram à ilha de São Jorge, transportadas pelo vento, mas parece que a nossa ilha irmã do Pico nunca foi tocada por estas fúrias, talvez sinal da fraternidade destas duas ilhas que geologicamente parecem siamesas.
Apesar de tudo os faialenses devem saber que o início de uma erupção é sempre vigiado pelo Centro de Vulcanologia e por isso podem dormir descansados que alguém vigia o vulcão 24 horas por dia...
A tese de doutoramento de PACHECO, J. (2001) – "Processos associados ao desenvolvimento de erupções vulcânicas hidromagmáticas explosivas na ilha do Faial e sua interpretação numa perspectiva de avaliação do hazard e minimização do risco"... é uma das fontes deste e de outros posts deste blog.