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domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Férias: Pompeia - A cidade luxuosa soterrada pelo Vesúvio


Hoje é o dia que dediquei à visita da cidade de Pompeia que a erupção do Vesúvio no ano de 79 DC soterrou  completamente e está hoje a ser exposta através de escavações arquelógicas que mostram aos visitantes a dimensão, a riqueza e o estilo de vida desta povoação de luxo, onde muitos romanos ricos vinham então passar períodos de repouso tal como hoje o fazem em muitas estâncias de férias.
Desta erupção resultou um texto com uma descrição de grande pormenor feita por um observador atento: o filósofo Plínio o jovem; Plínio o Velho, seu tio, foi então uma das vítimas do Vesúvio, o que permitiu aos geólogos saberem com grande pormenor o evoluir dos acontecimentos  e caracterizar o estilo eruptivo com um nome em honra deste sábio: Atividade Eruptiva do Tipo Pliniano, uma das mais perigosas pelas explosões que tem associadas e projeção de piroclastos quer sob a forma de queda de pedra-pomes ou de cinzas, quer sob a forma de escoadas piroclásticas de grande velocidade dos mesmos materiais capazes de soterrar vastas zonas, em Pompeia muitas das vítimas vaporizaram-se pelo calor, mas deixaram os moldes na cinza vulcânica e são hoje um dos elementos observáveis na estação arqueológica que é Património da Humanidade
Recordo que no Faial a formação da Caldeira resultou de uma erupção do tipo Pliniano que descrevi neste post no tempo em que este blogue dedicava grande parte da sua temática à Geologia.
Para esta cidade em concreto, fica abaixo um filme das suas últimas 24h e dá para perceber não só a erupção que num dia destruiu Pompeia, como compreender o facto de a mesma ter ficado perdida até ao século XVIII, quando ocasionalmente foi redescoberta.



Se não visualizar o vídeo no post, observe no Youtube aqui
Espero ter possibilidade de ainda postar fotografias do que observei no terreno nestas férias em Pompeia.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Férias: Nápoles Campânia - Primeiras Impressões


Após um primeiro impacto de a cidade me ter recebido sujíssima ontem, durante a noite Nápoles limpou-se e hoje tem sido uma surpresa agradável.


Famosa pelo seu Bairro Espanhol, um género de Bairro Alto, mas muito mais extenso, abundam ruas estreitas, lambretas, roupa a secar, portas despudoradamente abertas para a moradias do rés-do-chão.


Espaço de venda de tudo espalham-se pelas ruelas e o trânsito é do desenrasca, sinais e peões são objetos a contornar com perícia, mesmo assim parecem evitar chocar com as pessoas, mas passeios e tudo mais são espaços a transitar e passadeiras e semáforos são decoração a ignorar.


Monumentos não abundam, Castel Nuovo, Palácio Real, Duomo com o tesouro de São Januário e o seu sanguem que liquefaz-se em dias específicos e o interior luxuoso de Jesus Novo, quase esgotam uma cidade densamente povoada, barulhenta e castiça tem um ambiente muito diferente da luxuosa Milão ou da monumental Roma e Florença, mas vale a pena a visita.


Ainda houve tempo para sair de Nápoles e visitar Herculano, soterrada por escoadas piroclásticas que preservaram muitas casas na erupção do ano 79 do Vesúvio, vendo-se ainda tetos, madeiras e até uma fornada de pão fossilizados.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Férias: Campânia e Nápoles - na rota dos vulcões

Nápoles com o Vesúvio ao fundo - imagem Wikipédia

Estou de férias e novamente a minha opção de viagens recaiu na Itália, desta vez uma visita ao sul de Itália: Nápoles, a cidade à sombra do vulcão Vesúvio, capital de reino durante séculos, com um património histórico rico e famosa pelo seu ar latino, bairros populares de aspeto decadente e baía aberta ao Mediterrâneo.
Todavia, desta vez  a escolha privilegiou o património natural dos vulcões e dos seus perigos: Vesúvio que ameaça Nápoles e sobretudo pretendo visitar Pompeia, a cidade soterrada por uma erupção no ano 79 DC e hoje um local arqueológico de excelência e Património da Humanidade da Unesco; a cidade de Pozzuoli, situada dentro de uma cratera do supervulcão ativo Campi Flegrei e o conjunto de fumarolas de Solfatara pertença deste mesmo complexo vulcânico.
Se as condições o permitirem uma viagem pela costa Amalfitana da província de Salerno, debruçada sobre o mar Tirreno e também património da humanidade.
À medida que tiver tempo e internet disponível, espero atualizar os posts agendados sobre estes locais.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

"O livro de Jón" de Ófeigur Sigurdsson


"O livro de Jón", do Islandês Ófeigur Sigurdsson, é um romance epistolar constituído por mais de duas dezenas de cartas escritas por Jón à sua mulher durante o período da erupção do vulcão Katla de 1755 (a maior que há memória nesta ilha desde o povoamento e que teve um impacte climático planetário) e enquanto se encontrava refugiado numa gruta a sudeste deste, por um motivo pessoal e anterior à catástrofe, no local onde não só construiu a sua habitação, como inclusive um hospital e acolheu alguns dos maiores cientistas e pensadores daquele povo naquela época.
Apesar de ser uma obra ficcional, grande número das personagens, incluindo Jón, tiveram existência real e o autor aproveita este estilo não só para descrever muitos dos problemas sociais, económicos e políticos da Islândia de então, como mostrar a mentalidade, usos e costumes deste povo insular e ainda fazer uma descrição literária da erupção do Katla e dos seus efeitos catastróficos, inclusive responsabilizando-a do terramoto de Lisboa igualmente descrito com grande força. Contudo a obra mistura realidade, sonhos e uma natureza que por vezes é mágica.
A escrita é acessível, muito poética, sentimental e o romance é pequeno, embora por vezes os parágrafos seja extensos, só não temos o eco das cartas na mulher amada, nem se vem a saber se de facto estas chegaram à destinatária. Gostei da obra e recomendo, até pela descrição da erupção, sobretudo das enxurradas glaciares resultantes do contacto do magma quente com a calote de gelo que cobre a ilha nesta zona, originando assim os "jökullhlaups", vivamente descritos no livro.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Centro de Vulcanologia dos Açores entre os melhores

É sempre com orgulho que ouço falar bem deste Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, com o qual tenho a honra de colaborar, com quem já desenvolvi trabalhos e conheço investigadores que além de grandes homens das ciências da Terra são meus colegas, amigos e formadores na área dos Riscos Geológicos.

 

 Parabéns!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

ETNA REENTRA EM ACTIVIDADE

O Etna reentrou hoje em erupção, um dos vulcões mais activos do mundo e onde eu assisti a actividade quando me encontrava próximo do seu topo junto a uma das suas bocas que "decidiu" mostrar a sua capacidade de me assustar em 2001.
Para saber mais desta erupção consultar este link (em inglês)

domingo, 13 de março de 2011

Japão: sismo reactiva o vulcão Shinmoedake?

Num repente parece que todas os grandes riscos geológicos se abatem sobre o país do Sol Nascente, hoje na ilha Kyushu, a mais a sul das quatro maiores ilhas Japonesas, recomeçou a erupção do Shinmoedake, este vulcão já estivera em actividade no mês passado de Janeiro e estava calmo desde o final de Fevereiro.


O Vulcão Shinmoedake em Janeiro passado

Embora distante de Sendai, o epicentro do terramoto do dia 11, a verdade é que um grande sismo pode desencadear a reactivação de um vulcão activo, isto por várias razões:
1 - A vibração sísmica pode agregar (coalescência) as bolhas dos gases dissolvidos na câmara magmática, o que aumenta a pressão para uma explosão vulcânica (é o agitar duma garrafa de bebida com gás, favorece a saída de espuma se não estiver bem rolhada);
2 - A vibração pode provocar correntes convectivas dentro da câmara magmática (fornece energia, tal como o calor na sopa dentro de um tacho);
3 - O sismo pode abrir fissuras no aparelho vulcânico, originando uma conduta por onde o magma pode sair (é o destapar a garrafa sobre pressão, o líquido gaseificado jorra);
4 - O sismo pode provocar escorregamentos das paredes de um cone vulcânico, tal reduz a espessura de rochas e a pressão que continha o magma em profundidade (é o adelgaçar as paredes da garrafa cheia de um líquido com gás, esta pode explodir pela zona fragilizada).

Assim, não se pode dizer que o Shimoedake entrou em erupção devido ao terramoto, mas não se pode dizer que não haja uma relação causa - efeito, até porque o vulcão tinha estado instável há muito tempo e pode ter sofrido mais uma perturbação na sequência da actividade sísmica no arquipélago.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Freguesias rurais do Faial 10 - CAPELO

O Capelo é a freguesia rural onde ocorreu o evento mais conhecido do Faial: o Vulcão dos Capelinhos, sem dúvida a maior atracção turística e científica desta ilha, mas à sombra da catástrofe de 1957/58 esta povoação colhe hoje importantes benefícios e que é o maior pólo de atracção turística da localidade e desta parcela dos Açores.

Situada na extremidade mais ocidental do Faial, estendendo-se sobretudo numa encosta virada a sul, mas ocupando uma pequena franja exposta a norte separada por um alinhamento de pequenos cones vulcânicos, o Capelo é a maior freguesia do Faial em área (25,93 km2) e uma das menos populosas da ilha (perto de 500 habitantes), consequência da erupção ocorrida em meados do século XX, que conduziu a uma forte emigração dos seus residentes então sinistrados daquela catástrofe.

Devido a situar-se na zona de formação mais recente da ilha, afectada por duas erupções históricas, a primeira em 1672, esta freguesia não possui grandes extensões de terrenos com boa aptidão agrícola a baixa altitude, uma grande parte da sua área é ocupada por solos imaturas, mas onde se desenvolve vastas áreas florestadas, tornando-a numa das zonas mais arborizadas do Faial.

Apesar destas condicionantes, o Capelo possui zonas de grande beleza paisagística que permitem a existência de importantes trilhos pedonais e uma estância com águas termais no Varadouro, onde também se encontra uma zona balnear que permite mergulhar em águas azuis profundas, estender-se numa pequena praia ou optar por uma piscina de água do mar localizada numa depressão na frente costeira de uma escoada lávica histórica.

Por tudo isto, não admira que o Capelo seja a freguesia que concentra o maior número de segundas residências de campo ou de zona balnear dos habitantes da cidade da Horta e que atrai um grande número de famílias estrangeiras para viverem calmamente num sítio belo e longe do bulício das grandes urbes europeias.
O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos aqui situado é uma das estruturas que qualquer visitante do Faial ou os alunos das turmas de Geologia do ensino secundário em Portugal devem visitar, não só pela sua beleza, mas, sobretudo, pela grande informação que presta a quem ali se desloque.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico

PARABÉNS

Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico, candidata às "7 Maravilhas Naturais de Portugal" na categoria de grandes relevos.

Apenas três ângulos demonstrativos da razão de ser desta beleza natural de Portugal, dos Açores e do Triângulo.

E para desejar boa sorte cá do Faial, onde observo quotidianamente esta beleza a partir deste lado do canal. BOA SORTE PICO!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vulcões de Lama (4) catástrofes e verdades científicas

Contrariamente aos Açores, uma zona de afastamento de placas e onde a crosta e as ilhas são essencialmente de origem vulcânica; nas regiões de placas convergentes, existem formações vulcânicas e fracções significativas de rochas com origem em sedimentos, viabilizando a ocorrência em locais próximos de erupções vulcânicas magmática, jazigos de hidrocarbonetos e ainda vulcões lama.
Na confluência destes ambientes geológicos, o homem pode acidentalmente provocar mesmo um vulcão de lama e foi o que aconteceu na ilha de Java.



Considerada como a ilha mais vulcânica do mundo, uma perfuração para extrair hidrocarbonetos, em Sidoarjo - Java Oriental, originou o vulcão de lama agora chamado de Lusi, cuja erupção foi sem dúvida uma das maiores catástrofes do género, onde a dimensão está bem expressa nos vídeos deste post.




Assim e para terminar esta série, despoletada pela descoberta de uma possível cratera de impacte a sul dos Açores, que alguns consideram resultar de um vulcão de lama, tenho a dizer que tenho dúvidas sobre esta possibilidade, dada as dimensões do "ovo estrelado" e características geológicas da região. A ser, algumas verdades científicas serão abaladas e este foi um dos objectivos da sequência, alertar que em ciências as certezas não são definitivas e hipóteses que nos parecem estranhas podem muitas vezes são mecanismos do avanço do conhecimento. Também era verdade que o Sol andava à volta da Terra! Não era tão evidente da observação dos factos naquela época?
As surpresas em ciências hoje ainda acontecem e os Açores têm sido fonte de várias e eu até conheço uma teoria que justificava tal hipótese, mas sempre a considerei aberrante para a aceitar... se calhar um dia lá terei de ceder.

Links
Glossário da USGS
Vulcões de lama
A erupção de Lusi
Sidoarjo Mud Volcano
Hidrato de Metano

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 3

Uma das áreas onde existe uma grande quantidade de vulcões de lama é no fundo do mar, sobretudo junto à plataforma continental.
Tal deve-se ao facto desta zona acolher muitos sedimentos, incluindo matéria orgânica, que ficam estratificados e soterrados. Estes estratos podem ter enormes quantidades de gás metano sob a forma de hidrato de gás, onde aquele fica aprisionado em moléculas de água formando uma estrutura sólida que alguns dizem ser gelo que arde, também nesta plataformas encontram-se com frequência depósitos de hidrocarbonetos, basta lembrar as muitas plataformas petrolíferas em torno de vários continentes. Daí a ligação de vulcões de lama a estes potenciais recursos energéticos.
Uma das regiões muito ricas em vulcões de lama e com hidratos de gás situa-se entre o Algarve e Marrocos, conhecida por Golfe de Cádiz, aqui biólogos portugueses, nomeadamente da Universidade de Aveiro, já identificaram também muitas novas espécies de seres vivos específicas deste tipo de ecossistema e existem igualmente investigadores de outras ciências a estudar estas estruturas geológicas.


Assim, à semelhança das chaminés hidrotermais, também os vulcões de lama, com as suas emanações de gases e outras substâncias, estão a ser considerados como locais muito importantes para a biodiversidade do planeta, mostrando ao homem estas estruturas geológicas como suporte de novas formas de vida, mesmo em condições que pareciam não permitir a sobrevivência de seres de qualquer espécie.
As ciências da natureza de facto são uma fonte de surpresas, mesmo para os cientistas de hoje, continuam a deitar por terra verdades científicas do passado e assim evolui o conhecimento do homem.

(continua a série de vulcões de lama)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA - 2


Uma erupção relativamente suave com cone

Nas regiões vulcânicas, os cones dos vulcões de lama, por norma, são de pequena dimensão, altura de 1 a 2 m. A lama resulta de reacções das rochas com a água e os gases ácidos que circulam dentro da crosta em profundidade, originando a formação de argilas.
Posteriormente, a água quente e os gases sobre pressão ascendem à superfície através de fissuras que arrastam as argilas e originam estas erupções que podem ser calmas ou relativamente explosivas e projectam lamas mais ou menos fluídas.
Por norma, as estruturas construídas pelos vulcões de lama em regiões vulcânicas são de menores dimensões e não muito ricas em determinados gases.


Período de erupção mais intensa do vulcão Macalube que tem associado uma reserva natural na Sicília

Nas regiões de origem sedimentar existem muitas vezes em profundidade estratos de materiais argilosos que se formaram anteriormente à superfície de terra ou dos mares.
Se estas camadas estiverem sujeitas a esforços tectónicos, podem então surgir fracturas nas rochas que as cobrem, por onde os gases e a água são forçados e ascendem à superfície sob a forma de lama, construindo então cones ou lagos que podem atingir grandes dimensões.
As os jazigos de hidrocarbonetos (gases e petróleo) como são muito ricos em fluídos, muitas vezes também estão associados a este tipo de vulcões.

Em próximos posts espero continuar com mais algumas curiosidades e catrástrofes sobre o tema e informações de links para saberem mais do assunto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 1

No post relativo à descoberta de uma nova estrutura submarina próxima dos Açores, alcunhada de "ovo estrelado", foram apresentadas duas hipótoses iniciais para explicar a sua formação: o impacte de um meteorito ou a existência de vulcões de lama.
Os vulcões de lama efectivamente são fenómenos pouco conhecido da população em geral e podem situar-se em zonas vulcânicas ou não, embora neste último caso, por norma, ocorram associados a regiões sísmicas e com jazidas de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural).
Os vulcões de lama, embora possam formar estruturas que se assemelham a aparelhos vulcânicos, não expelem material magmático, mas sim produtos diferentes tal como água, argila e diversos gases (nomeadamente metano) e geralmente a muito menor temperatura.

Vulcão de lama de Yagrumito, Estado Monagas, Venezuela. Foto retirada daqui e nas condições lá mencionadas

Os edifícios construídos por estas erupções podem ter pequena dimensão com diâmetros de metros a vários quilómetros e alturas de centímetros e várias centenas de metros.
Uma outra curiosidade sobre as erupções de lama é que, ao contrário das magmáticas, existem casos devidamente documentados que demonstram que as mesmas resultaram de acções do próprio homem e com efeitos bem desastrosos.

Assim, ao longo de vários posts, continuados ou não, geocrusoe irá dar a conhecer um pouco sobre este tipo de erupções que, embora não seja ainda certo estarem associadas ao "ovo estrelado", existem seguramente na plataforma continental entre a Península Ibérica e Marrocos, aqui bem perto de nós.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

TIPOS DE ERUPÇÕES VULCÂNICAS - 0

O Vulcão do Pico e o Vulcão da Caldeira do Faial, apesar de estarem muito próximos um do outro, dezenas de quilómetros e no mesmo sistema de falhas, tem aspectos muito diferentes devido apresentarem estilos eruptivos muito distintos.
O actual cone do vulcão do Pico construído sem grande explosões
Efectivamente, as erupções não são todas iguais, umas libertam lava suavemente, outras são muito explosivas e existem as situações intermédias. Assim, os geólogos atribuem tipos eruptivos diferentes e função das características com que o vulcão manifesta a sua actividade vulcânica.

O edifício do vulcão da Caldeira teve uma fase inicial pouco explosiva como a do Pico
O estilo eruptivo de um vulcão depende, essencialmente, da composição química do magma, este, armazenado na câmara magmática, tende ao longo do tempo a enriquecer-se em sílica.
A sílica que permanece líquida a menor temperatura, aumenta a viscosidade ao magma, pelo que esta evolução conduz a uma maior dificuldade de libertação dos gases vulcânicos do interior do fluido o que faz crescer o caracter explosivo das erupções.


Ao longo de próximos tempos irão ser apresentados no Geocrusoe os vários tipos eruptivos, em terra ou subaéreas, por ordem crescente de explosividade, tendo sempre em conta que, tal como foi dito aqui, grandes intensidades, magnitudes e explosividades eruptivas são coisas diferentes e as suas escalas não coincidem com as escalas sísmicas de intensidade e magnitude.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

MONITORIZAÇÃO GEOQUÍMICA E PREVISÃO VULCÂNICA

O início de uma erupção está sempre associado à subida de magma armazenado em locais de maior profundidade, na crosta ou no próprio manto, para zonas mais superficiais. Ascensão que pode alcançar a superfície ou não.

(Fotos gentilmente cedidas por F. Viveiros)

Recolha de gases de uma fumarola para análises químicas nos Açores.

A subida do magma tende a provocar um aumento da quantidade de gases que se liberta do interior do sistema vulcânico, sobretudo pela redução da pressão, o que facilita a libertação dos voláteis dissolvidos no magma.
Paralelamente, devido à redução da distância percorrida pelos gases até à superfície, tende a aumentar a proporção dos compostos estáveis dentro do magma mas que se alteram mais facilmente no caminho por reagirem muito com os materiais que atravessam.

Pormenor do tubo de armazenamento de gases recolhidos.

Assim, num sistema em dormência vulcânica, a quantidade de gases emitidos e as proporções das diferentes substâncias libertadas (dióxido de carbono, compostos de enxofre, hidrogénio, radão, entre outros) tende as sofrer poucas alterações, muitas vezes relacionadas apenas com as modificações das condições meteorológicas superficiais. Ao longo deste período, os geólogos tendem a perceber dentro que valores estas variações podem ser consideradas normais.

Diversas acções de monitorização de gases em fumarolas nos Açores.

Sempre que ocorram aumentos na quantidade de gases emitidos e variações na proporção dos compostos fora do normal, os vulcanólogos da monitorização geoquímica tentam compreender o que ocorre em profundidade que possa provocar os efeitos detectados.
Os alertas de eminência de uma erupção são lançados quando vários parâmetros dos vários tipos de monitorização coincidem com a explicação de uma progressiva subida de magma para zonas que podem futuramente atingir a superfície... mesmo assim, pode não ocorrer uma erupção.
Presentemente, verifica-se que, por norma, nos vulcões monitorizados se detectam atempadamente os sinais necessários para que os avisos à população cheguem em tempo útil de modo a se reduzirem os danos em pessoas e bens.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

PREVISÃO DE ERUPÇÕES VS MONITORIZAÇÃO VULCÂNICA

Tal como o médico pode estimar a saúde de um paciente ao pesquisar e decifrar determinados sinais obtidos com radiografias, medições de ritmos cardiovasculares e análises químicas, para prevenir e tomar medidas em prol do bem-estar humano. Também o vulcanólogo pode estimar o estado de repouso ou de perturbação de um sistema vulcânico, procurando e apreciando ao longo do tempo determinados sinais provenientes do interior da terra, para assim prever e recomendar acções em defesa das populações residentes em regiões vulcânicas.

Caldeira do Faial, um vulcão activo com um passado recente explosivo

O estudo no tempo e no espaço de determinados parâmetros para estimar o estado de actividade de um vulcão para prever eventuais erupções e prevenir ou minimizar os riscos daí resultantes, designa-se por: Monitorização Vulcânica.

A monitorização vulcânica, frequentemente, analisa três tipo de sinais:

1. Variações na forma do edifício vulcânico, evidenciadas por alterações no relevo, cujo estudo pertence ao domínio da Geodesia e por isso se chama Monitorização Geodésica.


O monte Santa Helena antes da erupção desenvolveu uma saliência bojuda durante meses numa das vertentes, que provocou um deslizamento seguido da grande explosão.

2. Movimentos vibratórios no edifício vulcânico, com análises dos diferentes tipos de ondas sísmicas, cujo estudo pertence essencialmente à Física e por isso se chama Monitorização Geofísica.

Quatro tipos de sismogramas com registo de ondas com características diferentes, o 2.º e o 4.º são normalmente gerados por vulcões. Imagem daqui

3. Alteração na quantidade e proporções das substâncias saídas do edifício vulcânico, evidenciadas nas análises da desgaseificação centrada ou difusa, cujo estudo é sobretudo Químico e por isso se chama Monitorização Geoquímica.

Recolha de gases vulcânicos no Monte Baker nos Estado de Washington, EUA. Imagem daqui

Um vulcanólogo, embora possa especializar-se num determinado tipo de monitorização vulcânica, pode cruzar parâmetros de áreas diferentes. Por exemplo, a Temperatura é um parâmetro físico, mas os geoquímicos medem a temperatura das fumarolas, os movimentos nas falhas geológicas podem ser gerados por sismos, mas os deslocamentos podem ser interpretados pelos peritos em geodesia.

Tudo isto é um trabalho moroso e nunca se sabe quando será necessário num dado local, mas tem como objectivo salvar pessoas e bens e por isso é um investimento no futuro da segurança de uma região vulcânica, contra a face perigosa que vulcões escondem atrás da sua beleza.

A montanha do Pico, um vulcão activo cujas erupções são essencialmente efusivas

No futuro conto voltar com maior pormenor à importância dos gases vulcânicos, tanto na monitorização geoquímica, como na caracterização do tipo de erupções.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

PROCESSOS E MEIOS DE DESGASEIFICAÇÃO II

Além da desgaseificação centrada em condutas preferenciais de libertação de gases vulcânicos, as restantes áreas de uma região vulcânica não são completamente impermeáveis, existem pequenas fissuras e poros nas rochas por onde os voláteis de profundidade sobem até à superfície de uma forma que se estende por quilómetros em torno de um vulcão, designando-se este tipo por desgaseificação difusa ou dos solos.

Exemplo de equipamento utilizado num levantamento para determinar a concentração de CO2 no solo: 1 – sonda (tubo oco), 2 – analisador de CO2, 3 - filtro de gases, 4 - martelo para perfuração, 5 - tubo de silicone, 6 – parafusos, 7 – livro de campo e fotografia aérea.

Consequentemente, o ar atmosférico que se encontra no solo mistura-se com os gases vindos de profundidade e nestes abunda o Dióxido de Carbono (CO2). Uma das formas de determinar a intensidade de desgaseificação difusa é calcular a concentração deste gás nas misturas gasosas situadas no solo.

Analisador utilizado na elaboração da carta de anomalias de CO2 no solo do Faial realizada em 2002

Para se estimar a concentração de CO2 no solo introduz-se uma sonda a pequena profundidade e aspira-se os gases que são conduzidos para um analisador que determina no local a percentagem desta substância, repetindo a operação por centenas ou mesmo milhares de pontos à superfície, determinam-se as variações em área de abundância de CO2. Os locais que apresentam valores acima do que seria normal face à mistura do ar e à decomposição da matéria orgânica, dizem-se que possuem anomalias de CO2.
Carta de anomalias de CO2 no solo de 2002, a vermelho anomalias mais intensas, a branco áreas não anómalas ou não levantadas na Caldeira e Península do Capelo.

Transpondo os dados para mapas e após tratamento estatístico, elaboram-se cartas de anomalias de CO2 no solo, como exposta acima, estas fornecem informações sobre a estrutura da terra em profundidade, uma espécie de radiografia da zona estudada.
Existem cartas para outros gases e parâmetros de desgaseificação, o cruzamento de informação melhora o conhecimento do interior de um vulcão. O estudo continuado no tempo destas variações pertence ao domínio da monitorização geoquímica do vulcão e pode dar indicações importantes sobre a acalmia ou instabilidade deste, utilizadas na previsão de erupções, um assunto a aprofundar noutro post.