segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Leituras nos Transportes Públicos #09.19

Setembro
3
Lolita, Vladimir Nabokov
9
O homem sem qualidades, Robert Musil
10
A amiga genial, Helena Ferrante

Tratado politico, Espinosa

O elefante evapora-se, Haruki Murakami
11
Objectos cortantes, gillian Flynn

Quando lisboa Treme, Domingos Amaral

A rapariga que inventou um sonho, Haruki murakami
12
Os templários, Dan Jones
14
Luanda Lisboa Paraíso, Djaimilia Pereira de Almeida
17
Jonas Savimbi, Emídio Fernando

A separação, Dinah Jefferies
21
Refugiados, Viet Thanh Nguyen
23
O dom da morte, M. J. Alridge

Como aproveitar ao máximo a era digital, Tom Chatfield

O outro exílio, A. R. Azzam
26
Diário de Fernão de Magalhães, José Manuel Núñez de la Fuente

Direitos das pessoas com deficiência, André Victor
27
Orações para todos os dias


Nota: Os títulos indicados neste post correspondem aos livros que vejo a ser lidos nos transportes públicos. É verdade que inclui os livros que leio, mas não é a minha lista de leituras, que se resume a uma média de 4/mês. Não sou uma leitura tão profícua. Nem sei se o quero ser. Sou assumidamente uma slow reader. Obrigada pela atenção.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Crónica da selva, Tiago Salazar

Há exactamente 4 anos, fiz a minha primeira incursão na escrita de Tiago Salazar, com a leitura de Hei-de amar-te mais, um diário íntimo em que prevalece a reflexão e a dúvida sobre a eventual pressão que duas vidas profissionais de viajantes podem exercer sobre uma relação.
Esta Crónica da Selva compila alguns dos textos publicados em periódicos aquando das suas viagens ao Brasil de pesquisa para o programa televisivo Endereço desconhecido. Nele regista, mais do que a geografia física exuberante de um país único, as inusitadas pessoas que encontra no seu percurso, sendo elas a pautar a viagem física e emocional. São sempre registos interessante, embora não dizer que me este pequeno livro me tenha cativado. No entanto, também não me desmotivou para a leitura futura da sua obra ficcional, à qual não sei quando me dedicarei. Só espero que não seja apenas daqui a outros 4 anos.
  
Editora: A.23 Edições | Edição: 1ª | Local: … | Impressão: Rainho & Neves, lda.| Ano: 2014| Págs.: 64 | Capa & Ilustrações: Luís Christello | ISBN: 978-989-97847-5-8| D.L.: 376620/14 |Localização: BLX PF 82P-992/SAL (…)

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Este verão, visite uma biblioteca pública!


A leitura é como cerejas. O problema está no começar – e no preço! Sejamos pragmáticos! Mas é para isso que existem as bibliotecas públicas: para incentivar e disponibilizar uma oferta variada de livros a um preço eclipsado (ele está lá, apenas não se vê). Por isso, este verão, no próximo inverno, no ano que vem… venha e visite uma biblioteca pública perto de si. Os livros são por nossa conta, as cerejas são por sua!


Grant Snider

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Leituras nos Transportes Públicos #07.19

Julho
1
A dieta Anti-cancro, David Khayat

Rio das Flores. Miguel Sousa Tavares
2
O mistério do infante santo, Jorge Sousa Correia
3
O pintassilgo, Donna Tart

Diz-lhe que não, Helena Magalhães
9
O retrato de Dorien Grey, Oscar Wilde
11
Raparigas como nós, Helena Magalhães
12
Anjos e demónios, Dan Brown
14
17
Eaters of the dead, Michael Crichton

Seeking wisdom, Larry Culliford
18
O Profeta, Kahlil Gibran

The Laws of human Nature, Robert Greene

Marley e Eu, John Grogan
19
Dias de Esperança, Nora Roberts

23
Ecos do Passado, Danielle Steel

Um homem com sorte, Nicholas Sparks
24
Eu fui a espia que amou o comandante, Marita Lorenz

O barão trepador, Italo Calvivo
25
26
Os diários secretos, Camilla Lackberg

Máquinas como eu, Ian McEwan
29
Musicoterapia de A a z, Pietro Leveratto
30

Origem, Dan Brown

O executor, Lars Kepler
31
A gata do Dalai Lama, David Michie

terça-feira, 30 de julho de 2019

Essa dama bate bué, Yara Monteiro


Vitória é mulher, mulata, bibliotecária, estrábica, lésbica. São muitos dos “rótulos” que juntos contribuem para a consciência de uma identidade nas franjas de uma maioria num país como Portugal. Mas, esses não são necessariamente os traços identitários de Vitória com que ela mais se debate e com os quais necessita de se pacificar. O âmago do seu conflito e falta de rumo está nas suas raízes angolanas e para tal regressa ao país natal e busca Rosa, a mãe guerrilheira que a abandonou aos cuidados dos avós paternos, para nunca mais a procurar e continuar no seu ideário de luta. É com este abandono ancestral que Vitória necessita confrontar-se. Porque “a dor do abandono nunca sara. Aprende-se a conviver com ela. É uma cicatriz que nunca deixa de dar comichão.” (p. 199)  E é por ele que espera, sabendo que este é o passo fulcral para encerrar colocar pedra sobre o passado e então delinear concretamente o seu futuro, tal como o do país que afinal escolhe como seu.
Esta foi uma leitura muito grata. Pelo tema da identidade, pelo modo como nos apresenta uma tema com os olhos de quem está num limbo e do outro lado de alguns padrões sociais. É uma escrita desempoeirada, por vezes seca pela concisão, mas que nos oferece o grão de areia suficiente para reflectir e impactar. A construção gradual da narrativa e a variedade de personagens espelham um país e uma cidade em constante mutação em que o passado e o futuro se tentam conjugar num presente em tudo é possível, desde reescrever esse mesmo passado e até o futuro. Porque nada é certo e até o mais provável não é uma certeza.
“Espera Vitória. Espera só. És de um povo que ainda está à espera, que espera. Sempre.”
Editora: Guerra & Paz| Local: LX | Edição/Ano: Set., 2018  | Impressão: Lousanense | Págs.: 206 | Capa: Ilídio Vasco | ISBN: 978-989-702-423-8 | DL: 444955/18 | Localização: BLX PF 82P-31/MON (80423546)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Propostas de Leitura para a Temporada 2019/2020 da Comunidade de Leitores da Biblioteca da Penha de França


Parece que ainda há pouco terminou a temporada 18/19 e já andamos de volta da temporada 19/20. Pois é, afinal isto não é só nas bolandas futebolísticas. E a pré-época serve para isto mesmo, para preparar físico e mente para o campeonato que se avizinha a partir de setembro. Se quiserem colocar na agenda, aqui vos deixo calendário do mata-mata e, já sabem, aguardamos por vós!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

À Espera no Centeio, J. D. Salinger


Esta não é a minha primeira incursão pela escrita deste conceituado e idolatrado autor que serviu de inspiração a um movimento de contra cultura na América do pós-Segunda Grande Guerra, tornando-se “livro de cabeceira” de alguns dos seus mais sintomáticos psicopatas, como só aquele país parece produzir, ou pelo menos rentabilizar. Este era um dos motivos que me suscitava curiosidade, perceber o porquê desta influência, mas que até ao momento não se tinha concretizado. O facto deste ano se assinalar o centenário de aniversário do autor deu-me o mote para incluir este livro nas sugestões de leitura da Comunidade de Leitores da Biblioteca da Penha de França, onde, de Setembro a Dezembro deste ano, nos vamos dedicar exactamente aos centenários de nascimento (a saber, de Jorge de Sena, Sophia e Fernando Namora).
Esta não me foi uma leitura fácil de aderir. Ao acompanhar o fim-de-semana alucinado do jovem Holden Caulfield de 17 anos antes de regressar a casa após ter sido expulso do colégio interno, só me apetecia dar estalos à personagem. Tal como a outro qualquer adolescente, ou pelo menos, à maioria. À primeira vista, esta é uma personagem inconsciente, inconstante, indecisa, imatura e outros in—que nos desgastam. Mas… e nas histórias que nos marcam há sempre um mas que nos faz vacilar. Mas… aos poucos e apesar de todas as indefinições da idade, percebemos que este jovem é muito mais do que aparenta. É um jovem a quem exigem uma definição e a conformidade com um determinado conjunto de regras e expectativas sociais, mas nas quais este não se revê, condena e, consequentemente, apesar de toda a pressão, procura encontrar, ainda que de forma atabalhoada, e demonstrada de modo intencionalmente superficial, o seu próprio rumo. Ou seja, foi já no último terço do livro que comecei a perceber o porquê do impacto deste livro junto de uma juventude à procura de um novo sentido e de novos valores numa sociedade pós-guerra em que, claramente, os antigos preceitos já não se adequam.
Penso que, para tirar melhor proveito do mesmo, este é um daqueles livros para se ler na adolescência ou no inicio da vida adulta. Embora também deva ser lido por adultos que lidam ou estão a acompanhar adolescentes. Este livro à uma demonstração de que há mais na mente de um adolescente do que conseguimos ou queremos perceber, tão instrumentalizados que estamos para agir em conformidade com as regras e exigências – muitas vezes vãs – da nossa sociedade. Este livro merece com certeza uma leitura atenta e lê-lo é compreender porque é que, quase 75 anos após a sua primeira edição, continua a vender – a nível mundial – 250 mil exemplares anualmente.

Título Original: The Catcher in the Rye (1961) | Tradução: José Lima | Revisão: Carlos Pinheiro | Colecção: Serpente emplumada | Editora: Quetzal | Local: LX | Edição/Ano: dez 2015 | Impressão: Bloco Gráfico, Lda. | Págs.: 233 | Capa: Rui Rodrigues, Quetzal | ISBN: 978-972-564-974-9 | DL: 332073/11 | Localização: BLX Mar 82-31/SAL (80371869)

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Este Oficio de Poeta, Jorge Luís borges


Este verão estou a dedicar-me a algumas leituras sobre escrita, o que parece ridículo, mas há sempre pormenores que, enquanto leitores – embrenhados na trama – nos escapam. E é tão bom ter a orientação de grandes mestres a apontar-nos detalhes preciosos que, de outra forma, nos passariam ao lado. Após a bem humorada viagem pela escrita guiada pelo grande Mário de Carvalho, o acaso, a sincronicidade, o destino, a lei da atracção (chamem-lhe o que quiserem) colocou-me nas mãos este pequeno volume do mestre dos mestres, Jorge Luis Borges.
Este não é um livro para quem quer dar os primeiros passos na escrita, mas a sua leitura não é um desperdício nos mesmos. Apenas me aprece de maior proveito a quem anda em bolandas com alguns textos e com algumas duvidas sobre o seu tratamento. É também um livro para leitores que gostam sempre de saber um pouco mais sobre isto da literatura e das grandes questões que atravessam os homens que tentam escrever histórias que permaneçam na memória colectiva da humanidade.
Este pequeno volume é o registo das conceituadas Palestras Norton proferidas pelo autor na Universidade americana de Harvard em 1967. É uma viagem serena e sempre deslumbrante orientada por uma mente brilhante com a capacidade de se relativizar e de rir de si próprio. Como tal, é uma leitura que vale a pena, seja qual for o nosso estágio leitor ou de escrita.
Título Original: This Craft Of Verse (1967) (Norton Lectures) | Tradução: Telma Costa | Revisão: José Costa | Editora: Teorema | Local: LX | Edição/Ano: Set 2010 | Impressão: Multitipo, AG | Págs.: 123 | Capa: Mª Manuel Lacerda, Oficina do Livro | ISBN: 978-972-695-936-6 | DL: 315666/10 | Localização: BLX PF 82-4/BOR (80287424)

domingo, 14 de julho de 2019

Quem disser o contrário é porque tem razão, Mário de Carvalho

Subtítulo: Letras sem tretas, Guia prático de escrita de Ficção

Haveria tanto para se dizer sobre este livro que, para não parafraseá-lo na sua quase totalidade, só posso testemunhar que cumpre a sua premissa na totalidade: sim é um guia prático de escrita de ficção; sim, são letras sem tretas – pois não advoga nem defende uma fórmula; e sim, quem disser o contrário também tem razão. Através de uma observação cuidada e um humor cativante, Mário de Carvalho dá-nos uma perspectiva lúcida sobre o labor da escrita. Sem paninhos quentes e desmistificando alguns conceitos e histórias, fica um livro onde se aprende imenso sobre a evolução da escrita e da literatura, se obtém novas indicações de leitura e reflexão sobre a mesma e também o único conselho possível: escrever, escrever, escrever. Sem isso não guia ou livro nenhum que nos ensine a ultrapassar com os obstáculos desta demanda. Há conselhos, muitos, dicas, imensas, mas só fazendo o trabalho é que se aprende e compreende os seus mecanismos e isso, lá está, só escrevendo, escrevendo, escrevendo.

Editora: Porto Editora | Local: LX | Edição/Ano: 1ª, reimp. Out2015  | Impressão: Bloco Gráfico, Lda. | Págs.: 280 | Capa: silvadesigners | ISBN: 978-972-0-14699-4| DL: 382502/15 | Localização: BLX BECCE 808.1/CAR (80374311)

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Escrita Criativa: o que é para mim? (Parte I)


Hoje em dia, a Escrita Criativa é uma tendência, para não dizer moda, e um chapéu muito grande onde cabem diversas abordagens não académicas ou curriculares da aquisição e do desenvolvimento de competências de escrita. Como sabem, há muito que tenho este interesse e me dedico ao assunto, embora não de forma tão sistemática como desejaria. Mas como não tenho qualquer objectivo académico, o ritmo não é, pois, o mais relevante. Mas, inevitavelmente, numa sessão, surgiu a questão: o que é para mim a Escrita Criativa? Passados os milésimos de segundo de pânico pela surpresa, não me foi exatamente difícil elaborar uma resposta pronta, embora talvez não correspondesse totalmente às expectativas. Então, o que é para mim a Escrita Criativa?
É uma abordagem não formal da escrita, no sentido em que se prioriza a aprendizagem de conceitos e estruturas através do aprender fazendo, da partilha de diversos modos de fazer e/ou materializar e da reflexão continua sobre esse processo. Há espaço a uma componente teórica, onde a partilha de exemplos de outros autores procura reflectir diversas abordagens e modos de fazer sobre determinado tema, situação ou técnica. Depois, e o mais relevante, estimula-se a produção de textos próprios e a reflexão sobre o próprio processo de escrita e o modo como procuram incluir aspectos dos desafios colocados. Procura-se que estes desafios sejam originais, mas, na verdade, uma vez que andamos muitos ao mesmo, já se torna difícil atingir esta originalidade. Mas, pelo menos, procura-se escapar um pouco a exercícios padrão.
O padrão não é desvalorizado ou menosprezado. É ponto contínuo de reflexão. Porque o padrão advém do refinar de estratégias de tentativa e erro ao longo de milénios na arte de contar histórias. E se o padrão é eficaz, não é para menosprezar. É para interiorizar e então sim, depois, conseguir destruturar e levar as nossas intenções narrativas a bom porto.

Isto não é tudo o que tenho para dizer sobre o assunto, mas por agora ficamos por aqui.
Stay tunned… To be continued…

segunda-feira, 1 de julho de 2019

domingo, 30 de junho de 2019

Leituras nos Transportes públicos #06.19

Junho
4
Nómada, João Luís Barreto Guimarães

O elixir da imortalidade, Gabi Gleichmann
5
O teu rosto será o último, João Ricardo Pedro

Serotonina, Michel Houellebecq
14
A mulher que perdeu o guarda-chuva, Teolinda Gersão

A Biblioteca secreta de Leonardo, Francesco Fioretti 
17
O castelo, Franz Kafka

Homo Creator, Edward O. Wilson
18
Outlander, Diana Gabaldon

Leite Derramado, Chico Buarque
19
What Kinship is…, Marshall Sahlins
24
Um postal de Detroit, João Ricardo Pedro
26
A amiga genial, Elena Ferrante
28
A ilha e os demónios, Carmen Laforet

Da europa de shuman à não Europa de Merkel, Eduardo Paz Ferreira

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Nada, Carmen Laforet (Parte II: Uma história de emancipação)


Não tenho por hábito escrever dois textos sobre o mesmo livro, o que significa que o que aqui registo deixa de fora muitas outras impressões que talvez até fossem mais interessantes. Tal deve-se ao facto que termino as minhas leituras quase sempre em vésperas ou no próprio dia em que tenho necessidade da sua utilização, o que provoca – não raras vezes – impressões superficiais, seja por incapacidade, seja por não permitir que as mesmas assentem e se solidifiquem ou até por impossibilitar que outras emerjam, sobrepostas por novas leituras.
No caso deste Nada, deu-se um hiato raro e considerável entre o momento da leitura e o da sua utilização. Não retiro nenhuma palavra ao primeiro texto, mas este hiato possibilitou a emersão de outra percepção: a de que este livro nos oferece diversas perspetivas sobre a emancipação feminina.
Recapitulando, esta história situa-se em Barcelona na década de ’40 e relata-nos o acolhimento, durante um ano, de uma jovem estudante universitária junto da sua pouco hospitalar e disponível família materna. Andrea rodeia-se assim pela avó - cujo nome nunca é desvendado, pela tia Angustias, por Glória - tia por afinidade, e por Ena, amiga de faculdade, e sua mãe.
Mas que particularidades tornam esta uma história de emancipação feminina? Vejamos, personagem a personagem:
  • Andrea, jovem órfã, e peso em qualquer economia familiar, é enviada para Barcelona para frequentar a faculdade, uma possibilidade que desde já a afasta do comum trajecto das mulheres da família, provocando estranhamento e invejas mal disfarçadas, porque a colocará num nível de opções que que nenhuma outra teve acesso. Spoiler alert: Tem a possibilidade de iniciar um namoro com casamento financeiramente estável à vista, que declina. No final, tem acesso a um trabalho que lhe dá a almejada autonomia financeira.
  • A angustiante Angústias faz jus ao nome. Sempre presa entre as convenções sociais e a responsabilidade financeira pela família, sente-se sempre desautorizada e desvalorizada entre o papel de provedora e de mulher que em prol das convenções abdica da relação que sempre desejou com o seu patrão, por sua vez casado. Como último reduto, e única opção de fazer valer a sua vontade e o seu valor, para si própria e ciente de que ninguém alguma vez o expressará, ingressa num convento, deixando a família ainda mais depauperada.
  • A inglória Glória é uma jovem mãe de uma criança doentiça. Casada com Juan, artista de pouco valor que sempre vivei à sombra do seu irmão Ramon, com quem combateu na Guerra Cívil espanhola em lados opostos. Glória é mais um elemento de discórdia entre os seus irmãos, dados os seus atributos atrativos e às ausências injustificadas, que servem para acirrar o ciume e a violência doméstica de que é vítima. Spoiler alert: descobre-se que Glória, com as suas misteriosas saídas – afinal para jogar cartas e ganhar algum dinheiro – é a mais improvável provedora da família e quem garante que a fome não se instala de vez naquela casa da Rua de Aribau. O que não a livra por completo da violência mas amaia um pouco.
  • A avó é uma figura terna e conciliadora que procura amainar os espíritos e evitar contendas. No entanto é desprezada pelas filhas, que a consideram culpada pelo caos em que a família se encontra devido ao modo diferenciado como educou rapazes e raparigas. É o exemplo de que – infelizmente – a desigualdade entre géneros começa educação que recebemos em casa e pelas mãos de quem não deveria, mas que – na melhor da hipóteses – não tem capacidade ou consciência de que está a perpetuar uma educação e diferenciação machista e paternalista. Quase em final de vida, esta senhora tenta - nas suas parcas possibilidades – minimizar qualquer atrito entre os demais.
  • Ena e sua mãe são o exemplo da autonomia e emancipação possíveis, quando a questão financeira está assegurada. São o exemplo que Andrea tem da outra face da moeda, embora ainda lhe reste assegurar as moedas para o seu sustento.
Haveria ainda tanto para dizer e, no entanto, já vai longo este texto. Quem sabe, um destes dias, ainda deixou aqui outra reflexão suscitada pelo livro ou não… nunca se sabe...