ESCRITORES

ESCRITORES

O ritmo das palavras na música de Jackson do Pandeiro

Xote, Ritmo, Baião, Coco, Samba


Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (Alagoa Grande-PB, 31 de agosto de 1919 – Brasília, 10 de julho de 1982), foi um cantor e compositor de forró e samba, assim como de seus diversos subgêneros, a citar: baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, quadrilha, marcha, frevo, dentre outros. Dono de um padrão rítmico invulgar, o maior ritmista brasileiro ficou conhecido como: O Rei do Ritmo, Rei da Embolada, Rei do Coco, enfim: artista brasileiro único no gênero, superior e incomparável, um músico que explorava o ritmo das palavras...

Saiba mais sobre o artista (biografia, músicas, fotos, discografia) em:
- [pt.wikipedia.org/wiki/Jackson_do_Pandeiro]
- [http://www.jacksondopandeiro.digi.com.br/]

MOSAICOS - A ARTE DE JACKSON DO PANDEIRO:
[Vídeo-1], [Vídeo-2], [Vídeo-3], [Vídeo-4], [Vídeo-5]




- VÍDEOS ESPECIAIS:

A revolução Rockfilosófica promovida por Raul Seixas

Rock'nRoll, Rock Filosófico, Rockfilosofia



Através de sua música, Raul conseguiu passar conceitos de filósofos, de Platão a Sartre, tendo obsessão pelo niilista alemão Arthur Schopenhauer e o hermético Crowley.
O documentário mostra um Raul que os fãs não conheceram. Seu fascínio por filosofia e a inspiração para músicas que revolucionaram o rock nacional, e a criação do "Maluco Beleza", reverenciado por antigos e novos admiradores de sua genialidade.
Próximo aos 60 anos que Raul Seixas completaria, a STV Rede SescSenac de Televisão, em co-produção com a produtora paulista We Do Comunicação, estreiou o documentário biográfico Raul Seixas O Maluco Beleza. A produção traça a carreira do compositor, com depoimentos de amigos e de sua mulher, Kika Seixas e destaca o fascínio do músico por Elvis Presley, pelo rock norte-americano e o quanto ele se diferenciou do cenário musical brasileiro da década de 70.





Raul Seixas - Por Toda a Minha Vida

Ladeiras, vielas & farrapos - Tom Correia


Tom Correia

Salvador ubíqua e nua

O livro encerra um rico mosaico de narrativas muito bem construídas. Elas se conectam de forma sutil, com uma arte caprichosa: ligam-se umas às outras na profundeza de que emergem, sem perder sua independência, o acabamento que as distingue. Cada uma delas parece refletir a estrutura do conjunto móvel, como uma sinfonia de mestre, sem sacrifício da singularidade dos diferentes movimentos. A gente pode deter-se num dos picos dessa cadeia e estudar-lhe o panorama sem que a surpresa nos abandone nunca, pois a paisagem se expande e se modifica a nossos olhos, pronta e envolver-nos a cada avanço com suas curvas inesperadas, insinuantes.
Outra imagem me ocorre, talvez mais exata para falar dessa composição: ela me sugere um labirinto de espelhos que refletem e transformam um único personagem, fazendo-o, porém reconhecível de forma inequívoca nas sucessivas metamorfoses, através das muitas máscaras que lhe empresta. O personagem onipresente que se desnuda na superfície ocelada desse abismo é a Cidade do Salvador. Ela se expõe aqui num striptease desaforado e lírico, brutal, patético, com furor carnavalesco e escandalosa sinceridade.
O espetáculo é a um tempo cruel e fascinante, rico de uma fantasia que nada oculta, antes desmascara, Uma ironia feroz anima o jogo de alegorias criativas que descobrem seu objeto ao distanciá-lo em aparência. (Falo aqui de "alegoria" no sentido em que o conceito foi renovado por Walter Benjamin; evoco o variável de que se valeram autores com Kafka, Chesterton, Cortázar, Lezama Lima). Essas alegorias multiplicam a figura única, seguidamente transformada de forma reveladora, no ritmo de uma dialética inventiva, que não hesita em face do paradoxo.
O resultado é um desnudamento. Cá está a cidade que se esforçam por ocultar seus celebrantes oficiais, seus políticos, seus publicitários e tartufos, seus exploradores, seus gigolôs. No estranho palco apocalíptico de Tom Correia ela aparece com toda crueza, exibindo farrapos e chagas, miséria e graça que nada extinguem. Na dança trôpega de suas ladeiras infernais, nos espasmos de suas vielas sórdidas, mostra-se um brilho inesperado que uma escrita ágil captura. A essa luz crua, profética e viva, revela-se a esquecida, escondida, incontrolável Salvador: a metrópole negra, pobre, torturada, trágica, fantástica, desgraçada, cômica, luminosa, suja e desvairada, uma radiante, frenética prisioneira de seus fantasmas, sempre tentando evadir-se com alucinados esplendores e sempre recaindo em feroz vertigem.
[...]
A dureza com que esculpe o retrato cruel da cidade amada não impede que Tom Correia faça uso de outros tons, não inibe a variedade de recursos expressivos, por vezes manipulados polifonicamente no extremo oposto do seu espectro poético: não estanca, por exemplo, o frescor e a ternura de que sua linguagem também é capaz, nem tolhe seu bom manejo da paleta lírica, com bem mostram os contos "Rolimãs" e "Água Brusca". Poucos ficcionistas reúnem essas habilidades.
Falta-me aqui espaço para seguir explorando toda a riqueza do livro de Tom Correia. Encerro com uma alegre constatação: temos um escritor baiano perfeitamente capaz de ombrear com os maiores nomes da literatura brasileira contemporânea. Tomara que sua terra não demore a dar-lhe esse reconhecimento. 
Por Ordep Serra - Escritor e Antropólogo

Lisístrata - O sexo usado como arma da paz

Embora o ato sexual não seja mais visto hoje como um "serviço" que as mulheres prestem a seus parceiros, o uso do corpo como arma política é uma ideia tão sugestiva que Lisístrata ou A greve do sexo, como também é chamada, inspirou a liberiana Leymah Roberta Gbowee, agraciada em 2011 com o prêmio Nobel da Paz, por seus esforços pela humanidade. Sua proeza mais famosa foi ter liderado uma vitoriosa greve de sexo em 2002, para exigir que os homens interrompessem a guerra que então sangrava o país africano. Leymah tomou sua inspiração diretamente da literatura clássica: na comédia Lisístrata de Aristófanes, as mulheres de Atenas e Esparta se unem para organizar uma greve sexual pelo fim da guerra do Peloponeso, o conflito fratricida que opôs as duas cidades entre 431 a 404 a.C.
A ativista liberiana não foi a única a ser inflamada pela obra de Aristófanes. Em fevereiro a senadora social-democrata e médica flamenga Marleen Temmerman fez referência direta à comédia grega ao sugerir que as mulheres dos negociadores da crise belga boicotassem qualquer atividade sexual com os maridos e amantes para pressioná-los a chegar a um acordo entre os partidos políticos francófonos e holandeses belgas.
Ativistas como a liberiana Leymah e a flamenga Marleen mostram na prática e real força da literatura e seu poder de transformação.
Complete a leitura em: [O retorno de Lisístrata] na Revista Metáfora, Edição-3.





Ler um trecho ou comprar o livro, acesse:  [LISÍSTRATA - A GREVE DO SEXO] da coleção L&PM POCKET.
Para saber mais, acesse: Blog Literatura Universal  [LISÍSTRATA EN LA ACTUALIDAD]

[Sargento Getúlio] - João Ubaldo Ribeiro

[Sargento Getúlio] e a critica à época da primeira edição:
["... na minha opinião, vai ficar como um marco na nossa literatura." "... Sargento Getúlio, foi dos melhores livros brasileiros que tenho lido nos últimos anos. É algo de novo. Não tem nada a ver com nenhum outro livro". Érico Veríssimo]
["Trata-se realmente de um romance excepcional. E  João Ubaldo Ribeiro será sem dúvida, se já não é, um dos melhores de nossa literatura." Fernando Sabino]
["... um dos aspectos que mais ressaltam no romance de João Ubaldo Ribeiro: ele consegue concentrar no seu protagonista o processo cultural de toda uma vasta região e suas consequências. O romance deixa de ser apenas uma história encantada para espelhar as significações mais profundas do depoimento e da pesquisa." Hélio Pólvora]
Com Sargento Getúlio, do baiano João Ubaldo Ribeiro, publicado em 1971 pela Nova Fronteira, e já traduzido para várias línguas, a ficção brasileira conquistou um novo sentido épico, em que o heroico e o picaresco se conciliam, e em que João Ubaldo vai às nossas origens mais legítimas, manipulando uma linguagem e uma técnica onde a característica maior é a transparência, a ironia fina, a espontaneidade.
Sargento Getúlio, é hoje um romance consagrado. Jorge Amado escreveu: "Agora temos em nossa frente um romance que exige os grandes adjetivos: um senhor romance. Um romance duro, dilacerante, por vezes terrível, de extrema humanidade. A figura do Sargento Getúlio se levanta com uma força de criação raras vezes alcançada no romance brasileiro." E na França, onde foi publicado pela Editora Gallimard, o mínimo que se escreveu foi: "Obra Espantosa, violenta, exacerbada, terra-a-terra, dolorosa, fantástica. Revelação, em suma, de um grande escritor."
Em Sargento Getúlio predominam a oralidade, as estruturas de linguagem arcaica encontráveis no Nordeste, barroca e lírica ao mesmo tempo, muito de memorialismo, um acurado senso de pesquisa, um diálogo constante com a tradição, que é a forma mais correta de encarnar o espírito da modernidade e revolucionar os modos de criação artística.

Saiba mais em:
- pt.wikipedia.org/wiki/Sargento_Get%C3%BAlio
- biblioteca.folha.com.br/1/29/trechos.html


Transposição da obra para o cinema:
Baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro, em 1983, recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator [Lima Duarte] e Melhor Ator Coadjuvante [Orlando Vieira] no Festival de Gramado. Melhor Ator [Lima Duarte] no Festival de Cinema de Havana.

Assista ao filme: