quinta-feira, setembro 19, 2019
a culpa do padeiro na agonia da III República
Tenho tudo a favor de padeiros na política, padeiros e todas as profissões. Acho até que a corrupção generalizada do país tem muito que ver com os chamados profissionais da política, vindos das juventudes partidárias, cuja grande competência na vida é a de saberem arranjar-se, a si e aos amigos.
A administração ganharia muito em limitar drasticamente os quadros políticos que acompanham membros do governo nos gabinetes. «Sim, senhor ministro», apesar de caricatura, faz muito mais sentido do que esta feira indecorosa que minou a nossa democracia. É isto que cria os populismos, que enoja uns, lançando-os nos braços do demagogo mais habilidoso, e que espevita outros para a chicoespertice.
É preciso um grande sentimento de impunidade para passar por aquelas cabecinhas deformadas pelos esquemas em que permanentemente vivem e congeminar consultas públicas para o fornecimento de kits antifogo a empresas de bordados e de electrodomésticos. Valha-nos o Ministério Público, apesar de todas as asneiras, e, agora e sempre, a liberdade, nomeadamente a de imprensa. A verdade é que atingimos um patamar de degradação nos partidos de poder já sem remédio, a não ser com o fim da III República e a instauração de uma IVª. Uma autodissolução seria uma atitude sábia, aproveitando no dia seguinte a memória dos erros da véspera, para que nunca mais o Estado pudesse ser colonizado pelos grupos de pequenos e grandes interesses que capturaram os partidos. Mas obviamente que não vai acontecer assim; só com um susto valente. Mal comparando, é como o aeroporto dentro da cidade de Lisboa: enquanto não cair um avião em cima dos edifícios, é para expandir. Pois, o crescimento, o turismo -- mas isto já não é corrupção, mas outra coisa que para aqui não é chamada.
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vozes da biblioteca
«A lua / tropeça nos juncos» Eugénio de Andrade, «In memoriam», Primeiros Poemas (1977)
«A morte é a verdade e a verdade é a morte.» «Quasi flos», Ruy Belo, O Problema da Habitação -- Alguns Aspectos (1962)
«Mas explicai-vos ou primeiro ouvi-me, / Que a um tempo assim braceando, assim gritando, / Assim chorando não nos entendemos.» Alberto de Oliveira, «Floresta convulsa», Poesia - 3.ª série (1913) / Evatisto Pontes dos Santos, Antologia Portuguesa e Brasileira (1974)
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quarta-feira, setembro 18, 2019
terça-feira, setembro 17, 2019
segunda-feira, setembro 16, 2019
eu cá, votava lá nela

Jo Swinson ("Stop Brexit"), escocesa, líder dos Lib Dem
Corbyn a encanar a perna à rã, nem o pai morre nem a gente almoça, nem...
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vozes da biblioteca
«Espiava por entre as árvores mirradas a ver se descobria palhotas, deitava uma mirada ao trilho onde assentava os pés.» Carlos Vale Ferraz, Nó Cego (1983)
«Lembrava-se vagamente de ter visto, pelo seu casamento, um rosto comprido de menino obstinado, onde brilhavam uns olhos escuros e zombeteiros e se desenhavam uns lábios talvez demasiado grossos, de expressão desdenhosa.» João Pedro de Andrade, A Hora Secreta (1942)
«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava.» Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires (póstumo, 1900)
sábado, setembro 14, 2019
sexta-feira, setembro 13, 2019
livros que me apetecem
Agnes Grey, de Anne Brontë (Relógio d'Água)
Criminal 1 - Cobarde, de Ed Brubaker e Sean Phillips (G. Floy Studio)
Junto à Pedra, de Fernando Guimarães (Afrontamento)
O Nu na Antiguidade Clássica, de Sophia de Melo Breyner Andresen (Assírio & Alvim)
quinta-feira, setembro 12, 2019
na estante definitiva
Um livro terrível e belo sobre a condição humana, em particular a feminina. Não é ficção, mas está escrito como se fosse, tal como sucede com Se isto É um Homem, do Primo Levi. A badana da capa dá-nos a forma, de modo justíssimo:
«Alexievich criou um novo género literário de não-ficção que é inteiramente seu. Escreve "romance de vozes". Desenvolveu este género livro após livro, apurando constantemente a estética da sua prosa documental, sempre escrita a partir de centenas de entrevistas. Com uma notável concisão artística, a sua perícia permite-lhe enlaçar as vozes originais dos testemunhos numa paisagem de almas.»
Por detrás da miséria e do sofrimento surge, em todo o seu esplendor, a beleza da fragilidade, da abnegação e do heroísmo humanos.
Não gostei da tradução, infelizmente, mas o alcance do livro ultrapassa esse senão.
Data de posse: Julho de 20017.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher [1985], trad. Galina Mitrakhovich Amadora, Elsinore, 2016, 332 págs.
«Alexievich criou um novo género literário de não-ficção que é inteiramente seu. Escreve "romance de vozes". Desenvolveu este género livro após livro, apurando constantemente a estética da sua prosa documental, sempre escrita a partir de centenas de entrevistas. Com uma notável concisão artística, a sua perícia permite-lhe enlaçar as vozes originais dos testemunhos numa paisagem de almas.»
Por detrás da miséria e do sofrimento surge, em todo o seu esplendor, a beleza da fragilidade, da abnegação e do heroísmo humanos.
Não gostei da tradução, infelizmente, mas o alcance do livro ultrapassa esse senão.
Data de posse: Julho de 20017.
Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher [1985], trad. Galina Mitrakhovich Amadora, Elsinore, 2016, 332 págs.
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quarta-feira, setembro 11, 2019
terça-feira, setembro 10, 2019
segunda-feira, setembro 09, 2019
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