quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Citações CDXVIII


Sabemos que é da natureza do génio fornecer aos idiotas algumas ideias, para 20 anos mais tarde.

Louis Aragon (1897-1982), in Treatise on Style (1928).

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Uma louvável iniciativa 55


Em boa hora o jornal Público tem vindo a publicar, às Terça-feiras e ultimamente, edições fac-similadas das impressões originais de obras de alguns escritores médicos portugueses. Hoje, acompanhando o jornal referido, saiu A Barba em Portugal (1925), de J. Leite de Vasconcellos (1858-1941). A obra é um estudo etnográfico muito interessante e ilustrado.
Na próxima semana (22/10/19) sairá O País das Uvas, de Fialho de Almeida, também ao preço módico de 6,90 euros. Aqui fica o lembrete, para quem queira aproveitar esta feliz iniciativa.

Minimalistas


Algures no Alentejo. E matinalmente.


Franz Liszt / Nelson Freire

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Memória 133


A imagem reproduz, da Revista Vértice (nº 450/1, 1982), e do volume em homenagem ao escritor Carlos de Oliveira (1921-1981), a folha do livro de curso de licenciatura (Histórico-Filosóficas) concluída em Coimbra, no ano de 1947, e correspondente ao poeta. E em que colaboraram alguns dos seus ilustres amigos e confrades da escrita.


domingo, 13 de outubro de 2019

Desabafo (50)


O que se fartaram de falar na net, aplaudindo muito, aqui há 2 anos, quando o Nobel da Literatura foi dado ao cantautor norte-americano, que até, malcriadamente, usou uma senhora para ir receber o cheque do prémio a Estocolmo!...
Agora, que é o 2 em 1, na net, quase ninguém fala de Peter Handke (1942) e da senhora Olga Tokarczuk (1962). Que diferença! Será que nenhum deles sabe cantar? Ou será que a iliteracia está a alastrar e tem vindo a tomar conta da net?

sábado, 12 de outubro de 2019

Osmose 110


Um discurso luxuriante deixa-me normalmente sem palavras. A retórica funciona, para mim, como uma espécie de vacina, sem me dar febre, porém. E lembro-me, comovido, dum administrativo das ex-colónias, com discursos pernósticos, empolados no tom de voz e muito compridos no tempo de declamação, a quem chamavam por graça, aplicada e justamente: "o garganta do Império".

Bartók / Altinoglu / Szüks

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Pinacoteca Pessoal 156


Filho natural de Carlos V e de uma jovem flamenga, de nome Barbara Blomberg, D. Juan de Áustria (1545-1578) era, por isso, meio-irmão de Filipe II de Espanha. Foi considerado herói e o grande vencedor da batalha de Lepanto (7/10/1571), ocorrida sete anos antes da sua morte, pela peste. O seu magnífico túmulo, que se conserva no Escorial (Panteão de Infantes), foi executado em mármore de Carrara por Giuseppe Galleotti, sob desenho e modelo de Ponciano Ponzano.


Do pintor espanhol Juan Pantoja de la Cruz (1708-1778) existe também um bom retrato de D. Juan de Áustria, que, para cotejo de semelhança também, aqui, se reproduz.


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Do que fui lendo por aí... 32


Por mero acaso, tornaram-se-me contíguas as leituras de W. G. Sebald (História Natural da Destruição, Quetzal) e de Julio Cortázar (Histórias de Cronópios e de Famas, Editorial Estampa). Ora, nada mais oposto pela extremidade de temas, registo e tom.
Entre o realismo dramático de Sebald (1944-2001) e o lúdico surrealismo de Cortázar (1914-1984) vão mundos. Talvez os que separam a adolescência descomprometida e ligeira, do amadurecimento responsável e comprometido. 
É evidente que estou mais próximo do escritor alemão.


Comic Relief (152)



agradecimentos a H. N..

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Glenn Gould (1932-1982)

Um CD por mês (6)


Eu creio que Glenn Gould (1932-1982), como pianista, nunca me seduziu inteiramente. Mas também quem sou eu, tão ignorante em coisas musicais, para desmerecer a qualidade de grande executante que tantos atribuem ao profissional canadiano, apesar de o suporem bipolar e o acharem extravagante. Avancemos.

Eu creio que foi à volta de 1990 que eu comprei, no supermercado da Bayer, em Leverkusen, este duplo CD da Sony Classical, por 29,90 marcos alemães, com gravações de obras de Bach, Beethoven, Liszt e outros, executadas por Glenn Gould.
Talvez para tirar teimas, ou para me convencer.
De algum modo, ajudou, sem dúvida...

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Fórmula 1


Na Net há coisas extraordinárias... e muitos cibernautas sobredotados.
Ontem, por exemplo, um brasileiro paulistano-turbo, provavelmente amante de poesia japonesa, veio ao Arpose consultar haiku, e encontrou 14. Generosa e fulminantemente, leu-os em 54 segundos. E foi-se à vida...

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Citações CDXVII


Não há nada que seja um bloco único neste mundo, tudo é um mosaico.

Honoré de Balzac (1799-1850).

domingo, 6 de outubro de 2019

Os matrecos


Voto desde 1969, há 50 anos, portanto. Apenas falhei umas Europeias, por estar doente e acamado.
Estou à vontade, por isso, para me insurgir com a enormidade percentual (44/49%) da abstenção nestas eleições portuguesas legislativas de hoje. Com 21 opções possíveis, estas criaturas que não votam não podem ser tratadas com delicadeza, mas como marginais da vida pública. Autênticos matrecos, ou na feliz expressão de alguém, que eu conheci: gentinha que anda na vida por ver andar os outros.
Embora eu não advogue o voto obrigatório, como na Bélgica, estas criaturas só me merecem desprezo.

Revivalismo Ligeiro CCXL

sábado, 5 de outubro de 2019

Apontamento 126: Achados


Curiosamente, foi numa feira dedicada ao livro, na Rua Anchieta, em Lisboa, que encontrei a caixinha reproduzida acima.

Encantei-me tanto com a embalagem como com o conteúdo. Já não se aplicará no objecto inicialmente previsto, mas estes pequenos botões fazem falta em qualquer caixa de costura.

Nas blusas e camisas deve ficar "chique a valer", como se dizia, em tempos, aqui pela zona do Chiado. Pena é que se tenham de substituir os botões todos anteriores para ficar tudo igualzinho.

Bom Domingo !

Post de HMJ

Produtos Nacionais 26


Nunca será demais louvar a qualidade das bananas madeirenses. Embora mais pequenas, normalmente, do que as suas congéneres sul-americanas, as da Ilha da Madeira têm outro aroma e sabor incomparável.
Algo ingénuo, nos termos, embora fundamentado cientificamente, este anúncio é de Julho de 1940 e apareceu numa publicação conimbricence ( O Ponney ) editada para difundir as festas locais da Rainha Santa Isabel.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Uma fotografia, de vez em quando... (132)


Nascido em Munique e de ascendência judaica, o fotógrafo Eric Schaal (1905-1994), naturalizou-se norte-americano em 1944. Trabalhou para as revistas Time e Life, mantendo porém a sua residência maioritariamente em Paris.

Cenas de interior de cafés, onde fotografou Woody Guthrie actuando, ou do Café Sacher, em Viena, em 1961, de que registou a singular atmosfera, são das suas fotografias mais conhecidas. Bem como significativos retratos de Dali, Zweig, Stravinsky...


Não esquecendo magníficos instantâneos dos poetas Robert Frost e Ezra Pound.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Mais uma capa memorável


Uma questão de pêlos, peles ou pelas?
O último TLS (nº 6078) dedica 7 páginas ao tema. Valerá mesmo a pena?
E, já agora, qual será o sexo dos anjos?


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Impromptu (47)



Dizem as más línguas que esta canção, Le Pingouin, de Carla Bruni (1967), era uma crítica indirecta a François Hollande. Não garanto o facto, mas aqui fica a canção, através do vídeo correspondente...

Regionalismos dos Arguinas (3)


Do livrinho Os Verbos dos Arguinas, dá-se sequência a regionalismos começados por d, e e f:

1. Drefo - somenos, mau, feio, ordinário.
2. Daquimes - daqui.
3. De guicho - pouco.
4. Escaldante - ferreiro e serralheiro.
5. Esfagunhir - preparar, fazer, confeccionar.
6. Farfalhar - trabalhar.
7. Farpador de chotas - pastor de ovelhas.
8. Fianhos - roupa de vestir, fato.
9. Focar - dar.
10. Fostango - pau, madeira, tábua.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Da leitura 32


Terminei a leitura do quinto livro de W. G. Sebald (1944-2001), com a profunda convicção que se trata de um grande escritor, a cujo estilo me fui habituando, assim como se entrasse em casa conhecida, ao lá voltar... Pratico uma certa usura pragmática, talvez pela idade, frequentando, ao invés de tudo que aparece e é moda, 5 ou 6 autores de minha predilecção e reconhecida qualidade. O uso que Sebald faz da fotografia, como suporte para as suas efabulações, permite-nos até dispensar de todo a suspension of desbelief, tão necessária, quase sempre, à leitura de outras ficções mais pobres e banais.
Sinto-me bem a lê-lo e isso para mim, de momento, é o mais importante.


De tarde, ontem, aproveitando este Verão residual, ou de S. Martinho, na varanda a leste, dei início ao mais recente livro, editado em Portugal, de Alberto Manguel (1948), obra que o TLS aprova, mas condicionadamente. A ver vamos, com o avançar da leitura, se estarei de acordo com Emma Smith na sua recensão muito prudente.


Adagiário CCCI


Dizem e dirão, que a pega não é gavião.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Beethoven / Liszt / Glenn Gould



Cerca de 11 minutos, de audição, é meio caminho andado para vencer a paciência da quase totalidade dos visitantes do Arpose - diz-mo a experiência... Mas não venho aqui para fazer a vontade às mariposas inefáveis.
As transcrições de Franz Liszt foram um trabalho inestimável que ele dedicou aos seus confrades, adaptando, sobretudo ao piano, o cerne mais importante ou mais belo das melodias de outros compositores: Bach, Schubert, Donizetti...
Esta transcrição do Allegretto da 7ª Sinfonia de Beethoven tem uma grande beleza. Dizem que, pouco antes de morrer, Pio XII pediu para o ouvir.

domingo, 29 de setembro de 2019

Apontamento 125: Recordar



Do meu tempo de estudante na Faculdade de Letras de Lisboa ficaram algumas, não muitas, boas recordações de Professores, com letra grande. Os que reuniam qualidades intelectuais e humanas não abundavam, mas encontrei-os tanto na área da Literatura, como em História e, igualmente, nas disciplinas de Linguística.

O Professor Ivo Castro merece o destaque, sobretudo pelo seu saber e distinção com que nos introduzira na História da Língua. Sabia-o também ligado a trabalhos científicos sobre “espólios”.

A recordação agradável das suas aulas contribuiu, pois, para adquirir o livro acima reproduzido. Recordo-me também de ouvir falar, na altura, do “legado” do Dr. Leite de Vasconcelos. Assim, para além do interesse na matéria abordada, fiquei a saber mais sobre os “papéis” do Dr. Leite na Faculdade de Letras de Lisboa.

Já conhecia o restante espólio, sobretudo alguns dos livros da sua biblioteca depositados no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém.

E assim se fecha um ciclo, ficando o livro junto da “sua”  Etnografia Portuguesa, e recordando a figura deste “velho magro e meão”, nas palavras de Vitorino Nemésio.


Post de HMJ

Memorabilia (4)


Estas vinhetas, vendidas com o objectivo de subsidiar acções profiláticas, lúdicas, de caridade ou outras, tinham normalmente vida efémera, acompanhando selos dos CTT, na correspondência.
De apoio aos tuberculosos (1943 e 1947) e para publicitar a Queima das Fitas (1961), no Porto, aqui ficam em imagem, para que constem, três tipos diferentes.

Nota pessoal: creio que a personagem maternal e régia, da segunda vinheta em imagem, representa a rainha D. Amélia (1865-1951), esposa do rei D. Carlos.

sábado, 28 de setembro de 2019

As palavras do dia (37)


Tenho vindo a pensar se não estarei de acordo com estas palavras (sublinhadas) de V. P. V....

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Livrinhos 27


Os três livrinhos, de cuidado aspecto e estado, com encadernações em pele com ferros a ouro, são já mais do que centenários, pois foram editados em 1902 e 1905, em Chicago (E. U. A.).
Edições de bolso com decorações arte nova, as obrinhas destinavam-se a uso quotidiano, para suprir qualquer falta vocabular, confirmar a pronúncia correcta de cerca de 3.500 palavras, em inglês, e ainda fornecer alguma citação apropriada, em casos de emergência.


Os pequenos volumes, de bolso, têm todos os três as dimensões de 6,3 por 13,9 centímetros.