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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A matilha noticiosa em Bloco

Não há noticiário algum nas tv´s que não traga figuras do Bloco a comentar a situação político-económica. O Bloco e as suas excelsas figuras fossilizadas num comunismo envergonhado é uma força política que os directores de informação acham plenamente democrático.
Democrático no sentido de admitirem pluralidade político-partidária que o Bloco nunca admitiria se fosse maioria.
Democrático no sentido de permitirem liberdade de expressão como temos, uma vez que o Bloco nunca aceitaria tal liberalidade perante as ameaças à "democracia" que inventariam logo, logo se fossem poder.
Democrático, finalmente no sentido de permitirem a liberdade de reunião, como hoje existe, porque descobririam que tal permissividade poria em perigo grave a "democracia" que defendem, logo, logo se fossem poder.
O Bloco não é um chavismo disfarçado. É o comunismo puro e duro na vertente trotskista que nunca foi experimentado em lugar algum do mundo, mas consegue uma proeza, em Portugal: passar como se fosse uma ala um pouco mais à esquerda do PS... no Porta da Loja

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Não dá

Desde cerca das seis e meia da tarde (sete e meia em Paris) estive a acompanhar a primeira volta das eleições legislativas francesas através de um canal gaulês. Já aqui tinha dado nota da diferença entre um bom trabalho televisivo, de informação e comentário, e a "coisa em forma de assim" que temos por cá. Mudar para os telejornais das nossas televisões, às oito da noite, corresponde invariavelmente a uma terrível experiência traumática. Como então escrevi, «o "modelo" do debate devia ser estudado pelas nossas televisões - renovação permanente dos intervenientes, perguntas bem preparadas, "ideias fortes". Já na noite de domingo, na primeira volta [ das presidenciais ], a coisa tinha sido assim: estimulante, viva, sem cansaço ou interregnos idiotas. Por cá é quase sempre a mesma pobreza franciscana, com os mesmos de sempre a dizer as mesmas coisas de sempre. Democracia em que o debate político é medíocre é uma democracia coxa. Ora os franceses, por pouco que se aprecie, ainda hoje colocam a política pura em nobres alturas, desde os protagonistas aos jornalistas.» A gente puxa, puxa, mas de facto não dá. por João Gonçalves no portugal dos pequeninos

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Jornalismo televisivo

Hoje, durante a hora de almoço, "zappei" entre os telejornais da RTP e da SIC. Em cerca de 45 minutos deste exercício, apenas as palavras de Lula da Silva deixaram um leve registo de otimismo. Os telejornais portugueses, antes de chegar a sua hora gloriosa do desporto, são construídos em torno de uma agenda quase exclusivamente negativa, seja no plano nacional, seja no quadro internacional. Às vezes, a medo e a contra-ciclo, lá surge uma nota sobre uma iniciativa pontual positiva, quase sempre como contraponto a uma circunstância negativa.

É verdade que há cortes orçamentais, que os preços sobem, que há mais desemprego, que há empresas a encerrar, escolas e hospitais com problemas, ameaças de greve, incêndios, desastres nas estradas. E que, no estrangeiro, há bolsas a cair, bombas a explodir, guerras, inundações, cataclismos e outras maleitas, feitas pelo destino ou pelos homens. Mas não haverá, de facto, mais nada? 

Por que será que, quando observo telejornais da França, da Espanha, do Reino Unido ou dos Estados Unidos, onde também há crise, nunca encontro nada que se pareça com este obsessivo tropismo para a tragédia, para apenas sublinhar o que corre mal, para a criteriosa escolha, como comentadores, de aves agoirentas que apenas prenunciam dias piores? Num tempo em que as coisas são difíceis para os portugueses, não seria importante - eu sei que não se usa, mas arrisco: e patriótico - que a comunicação social ajudasse a "puxar" pela nossa auto-estima, por aquilo que corre bem, pelos efeitos positivos que se esperam dos esforços coletivos que estão a ser feitos, pelas empresas que estão a tentar firmar-se no mercado internacional, pelos saltos na investigação científica, pelo muito que tantos estão a fazer para que o país ande para a frente? Ou será que existe uma censura, nas redações televisivas, para evitar publicitar as coisas positivas? 

Como embaixador de Portugal, confesso a minha revolta pela imagem que as televisões portuguesas, na tabloidização medíocre em que caiu grande parte da sua informação, transmite do nosso país às nossas comunidades pelo mundo. 

Agora volto a perceber melhor aquilo que um dia, ouvi a uma criança, filha de portugueses residentes na Suíça, a quem perguntavam o que gostava mais de ver na TV: "os desastres". Com um jornalismo televisivo deste quilate, estamos a criar uma cultura geracional de depressão. por Francisco Seixas da Costa no duas ou tres coisas