Mostrar mensagens com a etiqueta expresso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta expresso. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de dezembro de 2012

cada cor...seu paladar III


Metade dos hotéis do Algarve fechados
Por causa da crise 48% dos hotéis algarvios decidiram fechar as portas no inverno. Os encerramentos em todo o país atingem 16%.
A crise no turismo está a obrigar os hotéis a fechar as portas na época baixa. Esta prática é generalizada a todo o país com destaque para o Algarve, a zona mais atingida pela falta de turistas no inverno.
Zonas onde este fenómeno não acontecia como o Alentejo ou a Zona Centro não escaparam à necessidade de fechar os alojamentos de um a três meses. expresso

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Notas sobre o caso Artur Baptista Silva


1. Artur Baptista Silva diz o mesmo tipo de disparates que 90% dos comentadores que aparecem na TV e comentam nos jornais.
2. No Expresso, Nicolau Santos tem propagado mais ou menos as mesmas falácias que Artur Baptista Silva semana após semana, ano após ano, sem que ninguém o acuse de ser burlão. Se perguntarem ao Artur Baptista Silva onde se inspirou, aposto que ele dirá que foi nas colunas de opinião do Nicolau.
3. Não se pode esperar que um jornal em que o Nicolau Santos é o responsável pela secção de economia consiga distinguir um discurso económico com lógica de uma aldrabice. Aldrabice é a cultura da casa.
4. Ao longo de 2012, a discussão pública em Portugal andou à volta de variações das ideias de Artur Baptista Silva. Basicamente, não somos responsáveis pela nossa dívida e os alemães/BCE/FMI é que devem pagar a conta porque nós temos o direito adquirido de continuar a viver folgadamente. Não houve um editor de economia que não tenha caído nesta lógica.
5. Ao longo deste ano a comunicação social divulgou de forma totalmente acrítica os maiores disparates. Por exemplo, há menos de uma semana todos repetiram a tese do Ricardo Cabral de que a TAP valeria 1000 milhões de euros. Era disparate, mas era o disparate que todos queriam ouvir.
6. No período que se seguiu ao anúncio do aumento da TSU os jornais escreveram todo o tipo de disparates: tabelas erradas, contas erradas, estudos mal amanhados, análises erradas, desinformação. Nenhum jornal conseguiu explicar em que é que a medida consistia e poucos jornalistas da área económica perceberam exactamente o que se pretendia. O resultado foi uma solução pior mas mais consensual.
8. A comunicação social que aceitou como legítimo o Artur Baptista da Silva é a mesma que tomou por bons todos os estudos sobre SCUTs, OTAs, TGVs e afins e que ajudou a vender a estratégia dos grandes eventos e do investimento em grandes obras públicas. É a mesma que apoiou a trajectória suicidária de Sócrates rumo à bancarrota e desculpou tudo com a crise internacional e as agências de rating.
9. Recorde-se que a comunicação social deixou de falar do Krugman no dia em que ele cá veio dizer que Portugal tem que cortar na despesa.
10. Este caso é uma espécie de caso Sokal do jornalismo económico português. A forma como estão a reagir indica que tudo continuará na mesma e que dentro de uma semana voltarão à mesma narrativa em luta contra qualquer reforma ou corte na despesa e de culpabilização da Alemanha e das agências de rating. por JoaoMiranda no Blasfémias

terça-feira, 24 de abril de 2012

Álvaro Cunhal não era um democrata


(...) A partir do seu trono parisiense, Álvaro Cunhal deu ordens para o partido ter cuidado com o movimento do MFA. Sucede que a liderança interna (Carlos Brito) resistiu a esta relutância cunhalista. A resistência foi tanta que Álvaro Cunhal, em Março de 74, tentou pôr ordem na casa através da convocação de um plenário do Comité Central a ter lugar na URSS em Setembro. Ou seja, Cunhal queria travar o 25 de Abril ou, pelo menos, queria retirar o apoio do PCP ao dito golpe (...)

(...) Em vários colóquios internacionais, Carrillo dizia que Franco cairia pacificamente e que esse dominó de transição democrática acabaria por atingir o Estado Novo. Cunhal respondia a isto com irritação, dado que encarava Carrillo como um totó. O Generalíssimo do PCP só reconhecia a linguagem da violência, só acreditava na via armada controlada pelo PCP. A ideia de uma transição pacífica e aberta a todos (e não apenas ao PCP) implicava encarar as outras forças com respeito (...) 
por Henrique Raposo  no Clube das Republicas Mortas 

Henrique Raposo tem 30 anos. Ainda não era nascido aquando do 25 de Abril e dificilmente poderá imaginar que, sem o 25 de Novembro, poderia ter escrito e publicado este texto...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Passos esclarece imposto extraordinário

Pedro Passos Coelho esclareceu esta tarde que o imposto extraordinário que anunciou na Assembleia da República não terá de se aplicar necessariamente sobre o subsídio de Natal. "Eu não disse que seria 50% do subsídio de Natal, disse que seria o equivalente em termos financeiros. Por isso reservei o detalhe da medida para as duas semanas que se aproximam", explicou o primeiro-ministro, questionado pela oposição sobre os contornos precisos do imposto extraordinário. Ou seja, o imposto extra poderá ser aplicado sobre os salários, de forma faseada, até ao final do ano.
E clarificou que o imposto recairá apenas sobre o valor que exceda o salário mínimo nacional, ou seja, o que fique acima de 485 euros. O valor apontado, disse Passos, equivale a "50% do subsídio de Natal, no que representa o excedente do salário mínimo nacional".

já percebeu? Eu ainda não!

sábado, 28 de maio de 2011

e os submarinos "emergiram"...

 A verdade é que Paulo Portas não é arguido no processo e o DCIAP recusou-se sempre a esclarecer se é suspeito. "Só posso fazer o comentário habitual: quando há eleições os submarinos emergem, quando não há submergem", disse hoje ao Expresso o líder do CDS, durante a campanha para as eleições de 5 de junho.
As respostas, às perguntas enviadas pela PJ e DCIAP que investigam um possível crime de corrupção no processo dos submarinos, chegaram na passada semana e o juiz de instrução do processo, Carlos Alexandre, fez um despacho a prolongar por mais dois anos o segredo de Justiça. "Só podemos supor que as respostas têm matéria sensível para os suspeitos", diz uma fonte judicial próxima do processo.
A noticia, por Rui Gustavo, Luísa Meireles, chegou ao expresso às 19:47 de Sexta feira, 27 de Maio de 2011, dia em que os Democratas-Cristãos voltaram a subir na sondagem publicada pelo semanário.
eu não acredito em bruxas, pero...

sábado, 12 de junho de 2010

Economia na óptica do utilizador


O governo está em negação. Faz lembrar aqueles pais que continuam a olhar para a filha como a menina inocente e mais pura do bairro mesmo depois desta ter sido namorada do quartel de Bombeiros Voluntários e ainda de algum pessoal socorrista do INEM.
O pior cego é o que não quer ver, está certo, mas este Governo parece o Stevie Wonder a abanar-se feliz em cima do piano enquanto toca o "Happier Than The Morning Sun". Enquanto isso vemos números a afundarem o país ao som da marcha fúnebre de Chopin.
Infelizmente isto já não vai lá com o livro "Economia para totós". Começa a ser um caso para tratamento do foro psiquiátrico. Quando muitos apontam para a possibilidade de nova recessão, com as medidas de austeridade implementadas a ajudarem à festa e precisamente no dia em que o EUROSTAT anunciou nova subida da taxa de desemprego em Abril para os 10,8%, o que previsivelmente irá baixar ainda mais os níveis de consumo travando o crescimento, o que acontece?
O Primeiro-Ministro aparece na televisão com o velho e estafado discurso do "Portugal campeão do crescimento". Surreal.
Este governo confunde discurso positivo e confiante com discurso obtuso e irracional. Encobrir ou menorizar a situação em que estamos não resolve. Só serve para que alguns ganhem tempo enquanto o país perde o tempo que precisa para atacar os problemas. Este Governo não tem solução. E o pior é que não tem soluções.
Enquanto continuarem a assobiar para o ar e a congratularem-se mergulhados na fantasia de números que só existem na cabeça de quem vive numa permanente fuga para a frente, nada se resolve. É que a Economia tem uma coisa tramada: não é muito fácil de enganar.
Tiago Mesquita no Expresso de 5 de Junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ricardo Rodrigues, um homem transparente


Um jornalista escreveu que Ricardo Rodrigues se envolvera "com um gangue internacional". Um tribunal disse que a acusação tinha sustentação. Outros jornalistas fizeram-lhe perguntas sobre o assunto. Roubou-lhes o gravador.
O jornalista da SIC Estevão Gago da Câmara escreveu no "Açoriano Oriental", quando o agora conhecido deputado integrou as listas do PS para o parlamento nacional, que este se envolvera "com um gangue internacional". A história de Ricardo Rodrigues está
aqui . A verdade é que o deputado a quem os socialistas deram a pasta do combate à corrupção nos debates parlamentares (José Sócrates tem queda para a ironia, o que só prova o seu refinado sentido de humor) recorreu aos tribunais para que o jornalista desse o dito por não dito.
A Justiça deu duas vezes razão a Gago da Câmara. O juiz de instrução concluiu que a acusação de que Ricardo Rodrigues se envolvera "com um gangue internacional" tinha sustentação: "Nesta conformidade, necessário será concluir, como na decisão recorrida, que a imputação feita ao assistente pelo artigo incriminado de se encontrar "envolvido com um gangue internacional" é obviamente insultuosa e indelicada, mas não deixa de estar justificada em factos, que a prova carreada nos autos permite dar, no essencial, como demonstrados." A Relação corroborou a sentença da primeira instância.





Numa entrevista à revista
"Sábado" os jornalistas fizeram o seu trabalho: perguntas sobre o assunto. Não se tratava de uma notícia difamatória (o mesmo não se pode dizer da insinuação final) ou sem direito a contraditório. Eram perguntas para Ricardo Rodrigues ter a oportunidade de se defender. O deputado preferiu não responder. Mas, não apreciando as perguntas, fez mais do que isso: roubou os gravadores dos jornalistas, coisa que ainda não tinha ocorrido a ninguém nesta República das Bananas. Para além de pouco sério, o senhor não parece primar pela inteligência. A entrevista estava a ser gravada em vídeo e para além das suas respostas o furto também ficou registado. Se era para se dedicar ao furto, ao menos que fizesse o serviço completo e levasse a câmara. Mas de uma coisa não pode ser acusado: de esconder aquilo que é.
Para se justificar, Ricardo Rodrigues disse que
foi vítima de uma "violência psicológica insuportável", "construída sobre premissas falsas" . A violência eram perguntas sobre o caso, as premissas falsas era o acórdão de um tribunal. Julgam que pediu desculpa pelo seu acto "irreflectido"? Claro que não. Ainda avançou com uma providência cautelar contra a revista e deu lições de ética aos jornalistas roubados. Diz que se tratou de uma "acção directa", coisa que, lendo o Código Civil , só poderia sair da sua cabeça inventiva.
A revista "Sábado" vai apresentar queixa por furto (o roubo foi no Parlamento) e ofensa à liberdade de imprensa. Mas cheira-me que este senhor não só continuará deputado como ainda irá dizer mais umas coisas na Assembleia sobre ética e corrupção. Uma coisa é certa: José Sócrates escolhe-os a dedo.
Daniel Oliveira no
Expresso.pt

terça-feira, 30 de março de 2010

o estranho caso dos submarinos



O consórcio industrial alemão Ferrostal, ao qual Portugal encomendou dois submarinos terá conseguido o contrato de venda no valor de 880 milhões de euros através de subornos e de negócios de consultoria falsos, avança hoje a revista alemã Der Spiegel que cita fontes da investigação.
Um membro da administração da empresa já foi detido e há mais uma dúzia de suspeitos.


A revista denuncia que a Ferrostal pagou mais um milhão de euros pelo envolvimento no negócio de um contra-almirante português e que há ainda uma firma de advogados portuguesa que terá feito lóbi para que o contrato dos submarinos lhe viesse a ser atribuído.
ler mais em Responsável da Ferrostaal preso na Alemanha

actualização 1:
Segundo um comunicado do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, o governo suspendeu hoje o cônsul honorário de Portugal em Munique, Jurgen Adolff, de «todas as funções relacionadas com o exercício do cargo», na sequência da investigação na Alemanha de suspeitas de corrupção na venda de submarinos,.
A revista alemã Der Spiegel havia noticiado que um cônsul honorário de Portugal, que não identificava, terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Man Ferrostaal para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004.
Sol
actualização 2:
Sete portugueses e dois alemães acusados de falsificação de documentos e burla qualificada no caso submarinos/contrapartidas são ouvidos dia 27 de Abril no começo da instrução no Tribunal Central de Instrução Criminal, revelou hoje à Lusa fonte judicial. dn
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Governo irá prestar "toda a colaboração" às autoridades judiciais no caso dos submarinos, notando, contudo, que o seu executivo está insatisfeito e considera "inaceitavelmente baixos os níveis de cumprimento das contrapartidas" . dn

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dr. Sócrates e os pacóvios

"José Sócrates deve achar que somos um país de pacóvios". Bagão Félix dixit. Assino por baixo. O primeiro-ministro vive dentro da propaganda. Não sabe o que é a realidade.
I. Ontem, na SIC-N, Bagão Félix desmontou, sem papas na língua, as mentiras económicas do primeiro-ministro. Em primeiro lugar, o ex-ministro disse que as eleições de Setembro foram realizadas sobre uma mentira económica. E tem toda a razão. No verão, José Sócrates escondeu a realidade ao país; pintou Portugal com tons de rosa para conseguir ganhar umas eleições. Depois, com o poder de novo no bolso, virou o bico ao prego. Em Março de 2010, Sócrates negou tudo aquilo que disse em Setembro de 2009. Mas a realidade é a mesma, não mudou. O PS é que escondeu a realidade do país.
Esta mentira económica é quase tão grave como a mentira política da TVI/PT.
II. Em segundo lugar, Bagão Félix afirmou que, mais uma vez, Sócrates faltou às suas promessas eleitorais: dizia que não aumentava impostos, mas aí estão os aumentos de impostos. E, de forma clara, citando um documento oficial de 2007, Bagão Félix provou como a mentira está instituída na cultura de governação deste PS.
Os documentos "oficiais" não são retratos exactos do país. São peças de propaganda.
III. Em terceiro lugar, Bagão Félix falou da incompetência deste PEC. Não há apenas propaganda. Há também incompetência.
Isto porque este plano, como também salienta André Macedo, não aponta para o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o crescimento. Não se vêem medidas destinadas a fomentar o investimento privado.
IV. Dr. Sócrates, escreva no quadro quarenta vezes: "investimento privado". Henrique Raposo in
Dr. Sócrates e os pacóvios no Expresso.pt

sexta-feira, 12 de junho de 2009

para memória futura...

EXPRESSO - Há dois anos fizemos-lhe uma entrevista que começava com esta pergunta: identifica-se com o secretário-geral do PS?
JOSÉ SÓCRATES - A linha política do PS está adequada às circunstâncias. É verdade que, nos últimos tempos, o PS se tem ocupado sobretudo a procurar o seu caminho na oposição, mas seria injusto não ver em grande parte dos seus resultados nas sondagens o resultado da crítica à governação económica. Neste debate, como noutras questões políticas centrais, o PS esteve no sítio certo e com o discurso adequado.
EXP. - Não tem conseguido descolar do PSD nas sondagens. Isso não o preocupa?
J.S. - Estar à frente em todas as sondagens é muito reconfortante. Esperar que, ao fim de dois anos, o PS estivesse 10 pontos à frente do PSD seria um pouco irrealista. Com certeza que o PS ainda tem um caminho de afirmação a fazer.
EXP. - Estes dois anos não foram anos perdidos pelo PS nesse trajecto?
J.S. - A oposição tem sempre dois trabalhos: avaliar o Governo e afirmar um projecto político alternativo. O primeiro foi cumprido, o PS contribuiu para um debate onde ficou clara a sua divergência do Governo quanto às grandes questões nacionais. O segundo ainda está a cumpri-lo.
EXP. - Não é sintomático de alguma indefinição do papel de oposição que os discursos críticos do Presidente, como o de domingo, acabem por ser mais marcantes do que os do PS?
J.S. - A ideia de que um discurso do Presidente escurece o PS é errada. Ao contrário, dá mais luz e mais credibilidade às suas posições. A intenção do PR não é essa, mas as suas observações críticas têm esse resultado. Grande parte do que disse o Presidente é dito pelo PS há muito tempo.
EXP. - Sem o mesmo impacto. O PS não tem um problema de comunicação com os portugueses?
J.S. - Seria infantil não reconhecer que o PS tem ainda um caminho a percorrer. Mas também seria ridículo não reconhecer que o PS enfrentou neste último ano momentos muito difíceis, que prejudicaram a sua acção política. Agora, na questão política essencial - a governação económica - o PS travou um debate com o Governo desde a primeira hora. E ao fim de dois anos, a conclusão que podemos retirar é que ganhou esse debate.
EXP. - Não se deixou enredar nesse jogo, que o Presidente qualificou como «estéril», de saber quem são as culpas?
J.S. - O debate nunca é estéril, é bom. Mas interpreto as palavras do Presidente como a mais certeira crítica à desculpabilização com a herança recebida. Isso é que é absolutamente negativo e, aliás, imaturo. É altura de cada um assumir as suas responsabilidades.
EXP. - Parece-lhe mesmo que as pessoas entenderam que o PS ganhou o debate?
J.S. - O mérito de uma política funda-se sempre nos resultados. Estes falam mais alto do que a retórica.
EXP. - Estamos a meio da legislatura. E o que o Governo diz é que até agora só esteve a compor o que estava errado.
J.S. - Uma governação económica muito centrada no défice orçamental deu os resultados que deu, em todas as áreas, e que só tem uma classificação: um falhanço. O PS sempre disse que esta política não iria resolver o problema orçamental mas acrescentar um novo problema, a crise económica. Agora chegou o momento da verdade, o debate já não é apenas a dois, é a três: nós, o Governo e o povo. E se o primeiro-ministro não quis ouvir durante estes dois anos, vai ter de ouvir agora, no momento das eleições.
EXP. - Europeias. Não legislativas.
J.S. - Todas as eleições, quaisquer que sejam, são momentos de avaliação. Todas. Seria um erro não as interpretar assim. Este é ou não um momento para dar um aviso ao Governo? É. Vai ser. E será uma cegueira não o reconhecer. Não acredito que o primeiro-ministro seja tão autista que, se for claramente derrotado nestas eleições, não tire delas consequências políticas para a condução do Governo.
EXP. - Mas se o Governo ganhar as eleições, não é de esperar que seja o PS a retirar consequências?
J.S. - Mas algum dia o PS não retirou consequências de uma derrota? Agora isso não nos deve é levar a mudar de convicções e de valores políticos.
EXP.- E de pessoas?
J.S. - Bom, isso está sempre disponível. Mas este é o momento de disputar eleições. Haverá um momento para discutir o partido que é o Congresso, no final do ano. E será um Congresso de debate político. Não será um Congresso ritualista, de mero contar de narizes. Terá substância política, contribuirá para a afirmação do projecto político do PS. Marcará o arranque para a última fase da legislatura.
EXP. - Mas o debate está antecipado: há já um candidato à liderança, há altos responsáveis que defendem um Congresso com disputa da liderança...
J.S. - Cada um sabe de si. Eu sou muito disciplinado: não faço nenhuma declaração que contribua para o enfraquecimento da posição do PS ou da sua liderança.
EXP. - Não dá nem um sinal aos que gostariam de o ver avançar para a liderança do PS?
J.S. - Não tenho nenhuma angústia de protagonismo e acho que os políticos têm o dever de poupar o país a palavras inúteis. O desafio para um político é dizer as coisas certas nos momentos adequados.
EXP. - É abusivo interpretar o seu silêncio a este respeito como uma porta que não está fechada?
J.S. - Sim. A melhor interpretação que pode ter para o meu silêncio, é o silêncio sobre essa matéria.
EXP. - Muita gente também fala de si para a Câmara de Lisboa.
J.S. - Isso é muito simpático. Deve ser consequência daqueles debates que tive com Santana Lopes, na televisão.
EXP. - A disponibilidade de Manuel Maria Carrilho é extemporânea?
J.S. - Ele é um candidato a candidato. Mas o PS vai ainda escolher os candidatos, e fazê-lo no momento adequado. O tempo é uma variável absolutamente crítica em política.
EXP. - Neste momento o PS não ganharia em ter um candidato que personificasse a oposição a Santana Lopes?
J.S. - Não. Não há nada pior que antecipar os momentos do debate e discussão políticas. Agora, o PS deve focar-se no essencial: as eleições europeias. Não há nada pior na democracia portuguesa do que a desvalorização do debate europeu, que é de enorme importância. A maioria tem boas razões para querer desvalorizar estas eleições. Não só porque as encara como difíceis mas também porque a coligação não se funda num projecto político comum mas num somatório de fraquezas. Mas tem sido chocante o seu silêncio a propósito de qualquer questão europeia.
EXP. - Na propaganda do PS, a Europa também apenas serve como referência para se fazerem críticas internas...
J.S. - Estas eleições vão ser dominadas pela economia e pela guerra. Vão ser um referendo europeu à guerra no Iraque, um tema que é de importância mundial e um grande desafio à Europa. Esta guerra foi um erro clamoroso, e um dos seus aspectos mais indignos foi ter-se baseado numa mentira: não há nada pior numa democracia do que a mentira.
EXP. - E o PS está à vontade nessa matéria? Com o Iraque deu um pouco o flanco...
J.S. - Absolutamente à vontade. Mas, voltando atrás, o projecto europeu é o grande projecto dos nossos tempos. O alargamento e a Constituição são mudanças vertiginosas. E o sucesso da União Europeia é também o sucesso de Portugal. É absolutamente irresponsável que dois partidos que estão no Governo não tenham a mínima contribuição para um debate decisivo.
EXP. - Voltando ao Iraque, pode discordar-se da intervenção mas ela aconteceu. E agora?
J.S. - A melhor forma de contribuir para a solução, agora, é reconhecer que foi tudo um erro. Acho inacreditável que o primeiro-ministro ainda o não tenha feito. O mundo ficou em situação pior.
EXP. - Se as eleições de 13 de Junho fossem legislativas e o PS as ganhasse, o que faria?
J.S. - Cumprir os compromissos assumidos com a comunidade internacional até 30 de Junho e, não havendo nenhuma mudança na condução institucional da situação no Iraque, retirar. Deve procurar-se maior legitimidade internacional, através da ONU e das organizações multilaterais. Nunca, em Portugal, tivemos uma intervenção militar que dividisse tanto como esta. O primeiro-ministro não deveria ter mais consideração pela opinião dos outros?
EXP. - Chegou a um consenso com o Presidente da República, por isso é que a GNR foi para o Iraque.
J.S. - Pois, mas essas soluções de compromisso às vezes são as piores. Naquele teatro militar, que pode ser de grande instabilidade, melhor seria ou estarem militares ou não estar ninguém. No essencial, houve duas questões centrais nestes últimos dois anos: a guerra e a governação económica. E a conclusão a que podemos chegar é que nestas duas áreas o primeiro-ministro conduziu mal o país. Errou.
EXP. - Dias depois da vitória do PSOE, Ferro Rodrigues comprometeu-se a não pedir o regresso da GNR.
J.S. - O PS nunca pediu o regresso da GNR. Sempre defendeu é que sem uma legitimidade política a presença portuguesa não adianta, pelo contrário, contribui para insistir no erro. Mas não devemos pedir para que regressem já pela simples razão de que há compromissos a respeitar.
EXP. - O que lhe pareceu o facto de ter sido Manuel Alegre a fazer o discurso do 25 de Abril? Há quem pense que foi um sinal de que é um potencial candidato à Presidência da República.
J.S. - O Manuel Alegre é um bom orador. O tema do 25 de Abril está bem entregue.
EXP. - É um bom pré-candidato à Presidência?
J.S. - Por amor de Deus, acho que o melhor candidato que o PS tem e o melhor com que podemos servir o país se chama António Guterres.
EXP. - Só há um problema: a vontade dele! Tem esperança que queira?
J.S. - Tenho. Espero que reconsidere e possa vir a candidatar-se.
EXP. - E se não quiser?
J.S. - Não teremos o melhor candidato, teremos outro.
EXP. - Quem?
J.S. - Alguém haverá. A política tem horror ao vazio.
in
Grupo Parlamentar do Partido Socialista entrevista ao Expresso - 1/5/2004