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terça-feira, 15 de maio de 2012

Vendem-se favores, trocam-se votos


Quando, há um ano, Pedro Passos Coelho ganhou as eleições, foram muitos os que aconselharam o actual Primeiro-ministro a evitar problemas mais do que previsíveis e a deixar de fora do seu Governo dois dos seus mais próximos no partido, que - adivinhava-se - viriam a trazer problemas num Executivo que não teria tempo para trapalhadas.
Apesar de, segundo garantem alguns, Passos Coelho ter dito que ia deixar de fora Miguel Relvas e Marco António Costa, a prática de pagar favores políticos falou mais alto e os dois acabaram por ir para o Governo.
O resultado está à vista, nem um ano depois. É certo que o envolvimento de Relvas e Marco António no processo das secretas está ainda por provar, mas a verdade é que os indícios e as cumplicidades entre os dois membros do governo e o ex-chefe das secretas, acusado de corrupção e violação de segredo de Estado, constituem um currículo negro para o Primeiro-ministro carregar às costas.
A nossa democracia tem vindo ao longo dos anos a corrigir muitas das suas imperfeições, mas está difícil corrigir aquela que é talvez a mais corrosiva para o sistema: a ideia de que o poder só se ganha através da acção de figuras que nos partidos negoceiam favores e interesses em troca de votos. Raquel Abecasis no Página 1

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Liberdade em risco

O moralismo e o paternalismo estão a dar cabo do maior valor do mundo ocidental democrático: a liberdade individual.
Em nome da saúde, do bem comum, da civilização os cidadãos entregam ao Estado o poder de decidir, tal como nos regimes autoritários, o que comemos, como comemos, em que condições nos podemos deslocar, o que fumamos, como, quando e onde.
Não faltará muito para os cidadãos começarem a ser incitados a relatar às autoridades o que se passa na casa do vizinho, tal qual acontecia na velha União Soviética e, tal como lá, a delação justifica-se em nome da sociedade perfeita.
Portugal orgulha-se de estar na vanguarda da modernidade e, por isso, o mesmo Estado que é incapaz de gerir o nosso dinheiro - para dizer o mínimo, porque, na realidade, o que faz é espatifar a riqueza nacional em negócios ruinosos como as PPP -, tem o descaramento de querer impor regras de higiene tabágica no carro de cada um. Num país em pré-bancarrota, por culpa exclusiva da inimputabilidade de um Estado irresponsável, só nos faltava agora estar a pagar a polícias para andarem a ver quem fuma e quem não fuma dentro do carro.
O ministro que avançou com tal proposta devia pensar bem onde se coloca politicamente porque acho que nem Francisco Louça seria capaz de uma proposta tão moderna.
Já agora, resta-me desejar que esta proposta não passe. Caso contrário, tenho que voltar a fumar.Raquel Abecasis

quarta-feira, 28 de março de 2012

Incompetência

A notícia que deu início a este fim-de-semana demonstra bem que, esteja quem estiver no poder, a falta de vergonha e pudor é a mesma e só pode ter explicação em entendimentos ou acordos ocultos que levam quem está no poder a dar recompensas chorudas aos que mais criticaram no passado.
A tentativa de colocar Teixeira dos Santos na administração da PT, como representante da Caixa Geral de Depósitos, com o acordo do ministro das Finanças e do governador do Banco de Portugal, escandaliza qualquer cidadão de bom senso.
Ao achar que esta é a uma solução aceitável, o Governo diz muito de si próprio e da forma como tenciona manter tudo como está na coisa pública.
Aparentemente, foi graças à coligação e à visão política de Paulo Portas que esta nomeação não se verificou, não que sem antes se tenha sublinhado que não estava em causa a competência técnica do ex-ministro das Finanças.
Mas é precisamente de incompetência que se trata: um ministro das Finanças que conduziu o país a uma situação de bancarrota como aquela em que nos encontramos no mínimo é incompetente.
O cancro da nossa elite política é, justamente, ser incapaz de dar o nome às coisas, na hora da verdade.
Façam o que fizerem, os ex-membros do Governo são sempre grandes técnicos, o que justifica uma entrada directa para a administração de grandes empresas. Naturalmente, com grandes contratos com o Estado.Raquel Abecasis

segunda-feira, 12 de março de 2012

ministro e empresário

O caso do duplo pagamento à Lusoponte revela, independentemente das questões  legais, o que é a triste realidade das empresas e dos empresários portugueses. Talvez  essa seja uma das razões maiores para hoje nos encontrarmos na situação em que estamos.
A Lusoponte é administrada, é bom lembrar, pelo engenheiro Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro das Obras Públicas do Governo de Cavaco Silva, cargo em que negociou com a Lusoponte a parceria público-privada que permite a esta empresa explorar as duas pontes: Vasco da Gama e 25 de Abril.
O engenheiro Ferreira do Amaral foi nomeado administrador da Lusoponte, pouco tempo depois de ter abandonado as suas funções governativas, o que já de si deixa grandes dúvidas éticas.
Agora, à frente da Lusoponte, o engenheiro Ferreira do Amaral demonstra um zelo e um profissionalismo na defesa dos interesses da Lusoponte que, infelizmente, não demonstrou quando defendia os interesses de todos os portugueses.
É pena. E é uma pena ainda maior porque o engenheiro Ferreira do Amaral não é, infelizmente, um caso único no país. Se não fosse o contributo destes senhores, talvez o país não estivesse agora a braços com a ruína das PPP’s, que comprometem o nosso futuro e o dos nossos filhos. Raquel Abecasis mediaserver

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brincar com o fogo

As últimas horas demonstram que, apesar de ter sido o epicentro de duas guerras mundiais, a Europa continua a querer brincar com o fogo. Por mais contas que se façam e culpas que se lancem, a verdade é que os acontecimentos de Atenas provam que o perigo de uma guerra é já uma possibilidade na Europa e o pior erro é não saber ler os sinais que aí estão. Se, no século passado, fosse evidente a eminência das guerras que vieram a ocorrer, elas talvez não tivessem tido lugar.
Colocar os povos ao serviço da economia não pode dar bom resultado e o pior de tudo é quando em nome do dinheiro se desprezam todos os outros valores, esses sim, construtores de sociedades saudáveis.
O que vemos neste momento nas ruas do velho continente são acusações de povos contra povos, estimuladas pelos seus dirigentes, e gente que começa a ter o sentimento de que já não há mais nada a perder e, por isso, por que não trazer a revolução para a rua?
Estamos sempre a tempo de emendar a mão, enquanto as coisas não se tornarem inevitáveis, mas os líderes europeus têm que perceber que já não há tempo para as hesitações e os passos mais do que lentos que a União Europeia tem vindo a dar nas últimas décadas. Raquel Abecasis rr.pt

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vírus e vícios do poder

O actual Governo ainda está longe de completar um ano de mandato e já está envolvido em todas as polémicas com que tentou derrubar José Sócrates.
Em campanha, Passos Coelho jurava isenção nas nomeações e chegou mesmo a propor uma espécie de senado para avalizar a competência dos escolhidos.
Seis meses depois, da ideia do senado nunca mais se ouviu falar e os suspeitos do costume lá estão nomeados, para a EDP, para as administrações hospitalares, para a Caixa Geral de Depósitos, etc. Razão invocada: o currículo insuspeito dos ditos nomeados.
Já quanto à tentação de mandar na comunicação social, poderíamos fazer um daqueles concursos de descubra as diferenças com os socialistas. A verdade é que assim que chegou ao poder, o PSD esqueceu-se rapidamente da chamada “asfi xia democrática”, para começar a querer armar-se em editor de programas de propaganda e censor dos críticos.
Perguntado no Parlamento sobre este e outros temas, o primeiro-ministro responde com o mesmo cinismo e falta de rigor a que já estamos habituados nos seus antecessores, mostrando, assim, que clientelismo e abuso de poder continuam a ser a doença crónica que pouco a pouco descredibiliza a nossa democracia. Raquel Abecasis no  Pagina 1

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

em quem confiar?

Ao fim de três meses de Governo, uma coisa é já certa: este é um Governo que funciona a duas velocidades - a dos políticos e a dos técnicos.
Como a situação é grave, para o cidadão comum, vale mais a pena ouvir o que têm dizer os técnicos do que os políticos, porque, em última análise, serão os técnicos a ditar as regras.

O pingue-pongue de declarações deste fim-de-semana diz tudo. Vítor Gaspar, o ministro que nos habituámos a ouvir com más notícias, disse este fim-de-semana que “o pior em Portugal ainda está para vir”.

Miguel Relvas, o ministro que, dizendo-se politico, tem como função manter o povo animado, veio, logo a seguir, dizer que não se devem ler à letra as palavras do ministro. Para Relvas, o que Gaspar quis dizer foi que “existem muitas reformas pela frente e só com essas reformas é que o país consegue criar emprego e crescer”.

Segue o conselho para quem tiver dúvidas: o melhor é fazer mais fé nas palavras do ministro Gaspar do que nas do ministro Relvas. Diz o ditado que “homem prevenido vale por dois”.
Pois bem, se quer estar prevenido, não há que hesitar: a razão está do lado do ministro das Finanças. Raquel Abecasis

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Haja respeito

O que será que os políticos portugueses ainda não perceberam sobre a situação que o país vive?
Quem ouve o discurso político dos últimos dias, desde as inenarráveis desculpas do Dr. Alberto João Jardim para nos meter numa situação ainda mais grave do que aquela que já enfrentávamos, até ao bate boca entre o líder do PS e o Primeiro-ministro, tem razões para entrar em pânico.
Jardim ensaia o discurso do Robin dos Bosques, com a diferença que em vez de roubar aos ricos para dar aos pobres, roubou os pobres para dar aos remediados.
Seguro esquece-se que, independentemente das conveniências políticas, a diabrura de Jardim só foi possível porque os seus colegas de partido, Vítor Constâncio, Guilherme de Oliveira Martins, José Sócrates e Teixeira dos Santos, foram incompetentes.
Passos Coelho não mostra nada de bom ao não chamar os bois pelos nomes, tentando assim não sofrer grandes danos políticos depois de conhecido o escândalo.
A todos estes senhores é urgente passar a mensagem de que Portugal não é uma PlayStation último modelo. Aqui há gente que trabalha honestamente para pagar as contas ao fim do mês e que merece o respeito de uma classe política que tarda em demonstrar que está à altura das responsabilidades. Raquel Abecasis Página1