Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Metáforas

«O planeta 'HD 45652b', agora designado como Viriato, que liderou o povo lusitano contra o domínio do Império Romano na Península Ibérica, foi descoberto em 2008 e é constituído maioritariamente por gás, estando localizado na constelação Monoceros (Unicórnio).

A sua estrela, a 'HD 45652', batizada como Lusitânia, que era uma das três províncias romanas da Península Ibérica onde vivia o povo lusitano e que coincidia na sua maior parte com o território português atual, é uma anã laranja, que o seu planeta leva 44,1 dias a completar uma órbita.»


Fonte

Serviço Público

"O jornalismo é a arte de chegar demasiado tarde, logo que possível."

Este sarcasmo certeiro do escritor sueco Stig Dagerman sobre uma profissão que foi também a dele vem-me muitas vezes à mente. Veio, por exemplo, a propósito da tentativa que fiz de compreender o que se passou com Sara Furtado, a jovem sem-abrigo que confessou ter colocado num ecoponto o bebé que deu à luz na madrugada de 4 para 5 de novembro.

[...]

As minhas questões eram simples: que era suposto ter acontecido a esta mulher quando foi detetada na rua, e porque não aconteceu? Porque não quis, fugiu, recusou, ou porque não lhe foi proposto? E quem tem a obrigação de responder a isto?

[...]

Ora sabe-se que Sara vivia na rua desde pelo menos julho e que desde essa altura estava credenciada. E que quer isto, credenciada, dizer? Que tinha sido "entrevistada" por um técnico de apoio social de uma instituição pertencente ao NPISA, o qual escrevera uma "carta de encaminhamento" na qual se atestava o estado de necessidade de Sara e constava obrigatoriamente o seu nome e idade, assim como o tipo de serviços a que devia ter acesso: alimentação, por exemplo.

[...]

A primeira questão é pois: que instituição credenciou Sara, e o que foi feito a partir daí? Foi-lhe atribuído, como é suposto, um "gestor de processo", para tentar criar com ela uma alternativa para sair da rua? E, nesse âmbito, que lhe foi proposto, se alguma coisa? Por outro lado, se foi referenciada, como é que a Santa Casa não a encontra no sistema?

Estas perguntas deveriam ter sido feitas desde o início, desde o momento em que Sara foi detida. Mas a maioria dos jornalistas, como eu, nada sabia das regras do apoio aos sem-abrigo, de como é suposto as coisas acontecerem ou até da existência de uma coordenação.

É que quase todo o jornalismo que se faz sobre sem-abrigo se ocupa sobretudo das "histórias humanas", quer dos sem-abrigo quer das "equipas de rua", muitas vezes compostas de voluntários, e passa ao lado do resto.

[...]

Mas aqui estou, atrasada mas logo que possível, a pedir contas. Sara está detida há mais de um mês, como mais de um mês de vida tem o bebé salvo do lixo. E ainda não vi, não vimos, um comunicado, um esclarecimento, qualquer coisa - de esquerda, já agora - do NPISA e da Câmara de Lisboa sobre o assunto. Não vimos um anúncio de inquérito sobre o caso, como se fosse possível algo assim acontecer e não haver uma averiguação formal, um apuramento de responsabilidades.

Como se, à partida, se decidisse que não há nem pode haver responsáveis; que o que sucedeu é normal, que não havia nada a fazer e não vale a pena perder tempo com o que lá vai. Como se à partida o NPISA nos estivesse a dizer que não serve para nada, que isto da intervenção junto dos sem-abrigo é uma completa treta da qual não podemos esperar mais do que carrinhas a distribuir sopa.

Como se aquele bebé no lixo fosse um gesto radical performativo, espelho brutal do nosso não querer saber.


Jornalista

Lapidar

«Além de assentar num princípio sinistro e que, entre nós, tem ressonância histórica — a bufaria —, a delação premiada tem o condão de ser, ao mesmo tempo, moralmente errada e processualmente ineficaz.

Mesmo face ao entusiasmo das hordas de justicialistas que se desdobram pelos espaços de opinião, caixas de comentários e submundo justicialista das redes sociais, a verdade é que não se encontra um penalista que defenda a legalidade do princípio. O mesmo é verdade em relação a toda a jurisprudência. Por bons motivos.

Desde logo porque a promessa a um arguido (quem? em que fase? no inquérito?) de uma vantagem na sentença como contrapartida da sua colaboração na denúncia implica por definição algum tipo de coação. Perante a escolha entre incriminar alguém para aliviar a sua própria sentença e rejeitar fazê-lo, as margens de liberdade são escassas. Ora, a obtenção de prova com coação moral apresenta apenas uma diferença de grau face à obtenção de prova com coação física. Em sociedades dignas, uma e outra são uma abjeção. Na mesma medida, a aceitação de que o Estado firme um acordo com alguém que reconhecidamente praticou um crime é uma ideia moralmente corrosiva.

Depois, como é sabido, não há árvore má que dê bom fruto. Um fundamento civilizacional de reminiscências bíblicas que está convertido no direito penal. Se alguém incrimina outro para se defender ou dividir a sua responsabilidade, a probabilidade de com isso deturpar a verdade é significativa. É por isso mesmo que as provas assim obtidas são e devem permanecer nulas, até porque tendem a ser pouco credíveis.

Para alguns, a delação premiada é encarada como uma inovação exaltante, capaz de redimir todos os males da justiça. De facto, representa apenas um passo funesto no sentido de uma justiça que secundariza o papel do juiz e atribui maior centralidade a quem acusa (o Ministério Público), que poderia até passar a contratualizar a natureza da acusação com os arguidos. Sabemos como estas coisas começam e, infelizmente, também como acabam.»


O bufo, a árvore envenenada e o Estado de direito

Revolution through evolution

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Have you found meaning in life? Answer determines health and well-being
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Scientists say you can change your personality
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You create your own false information, study finds
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Justified and unjustified movie violence evokes different brain responses
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Medical Errors Remain Problem 20 Years after Critical Report on Patient Safety
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The Songwriter Is Creative – the Singer, Not So Much
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O delírio negro de Montenegro

Segundo afirmações de Luís Montenegro registadas pelos jornais, “estamos todos mais pobres” desde que a direita foi afastada do poder em 2015, altura em que, como se pode concluir, Portugal estaria mais próspero, com mais crescimento, menos desemprego e menos impostos. A “estagnação” é o que caracteriza hoje a situação do país, segundo o quadro negro que Montenegro traçou aos seus apoiantes numa festa de Natal em Ourém.

Por isso, seria necessária “uma verdadeira alternativa de governo a este comunismo e socialismo que governam o país” (sic).

A “excessiva dependência da visão comunista e bloquista da sociedade, principal orientação do PS português” (sic) é a responsável pela “situação dramática” (sic) que hoje se vive em Portugal, segundo Montenegro.

Como é evidente, Rui Rio não constitui, para ele, uma “verdadeira alternativa” à orientação comunista-bloquista do governo socialista. Na visão de Montenegro, a liderança de Rio tem contemporizado com o comunismo-bloquismo que domina o governo de Costa.

O pretendente ao trono laranja vai continuar neste registo delirante e paranóico até às directas de janeiro e ao congresso de fevereiro de 2020, altura em que se vai decidir quem toma as rédeas do que resta do PSD. Se Rui Rio vencer, Montenegro poderá exilar-se no Chega, que certamente não deixará de franquear as portas a uma alma gémea de Ventura. Mas se Montenegro derrubar Rio, o Chega já não terá razões para continuar a existir e Ventura poderá regressar triunfalmente ao partido onde se formou como político. Montenegro a caminho do Chega ou Ventura de regresso ao PSD? — eis a questão.

Chico Mota e a corrupção abençoada

«Em Portugal, o problema que se coloca não é o de saber se vamos ter a delação premiada, mas sim se vamos manter um regime de corrupção abençoada. O actual regime legal de combate ao crime de corrupção tem como objectivo dissuadir os arguidos de colaborarem com a Justiça. Será possível mudarmos esta realidade e criarmos um regime que concretize o princípio anticorrupção que é constitucionalmente estruturante? Pessoalmente, não acredito.»


Chico Mota

*_*

Em Portugal, há fulanos a ganhar dinheiro às pazadas para dizer que os partidos são corruptos, os representantes políticos são corruptos, os deputados são corruptos, os governantes são corruptos. Com tanto corrupto e tanta corrupção à solta, o argumento igualmente estabelece que os polícias são corruptos, os procuradores são corruptos, os juízes são corruptos – caso não o fossem, e conhecendo estes agentes do poder supremo ainda melhor o que os evangelistas profissionais da corrupção apocalíptica revelam, então já teriam metido no chilindró este mundo e o outro. O corolário dos sistemáticos, diários, maníacos anúncios de ser a corrupção o mal supremo a combater é este: espalhar a decadência cívica e civilizacional onde se passa a acreditar que o Estado é corrupto, que a democracia é corrupta, que não é com a liberdade que vamos conseguir matar a besta diabólica.

Quando a guerra santa contra a corrupção nacional conta com os préstimos de um advogado que representa, no jornal onde recebe dinheiro pelo que escreve, uma autoridade em Direito e seus princípios e aplicações, quando nesse mesmo jornal há um caluniador profissional exactamente com a mesma retórica que se viu elevado a condestável de um Presidente da República, e quando o director do meio em causa partilha da mesmíssima visão sobre os mesmíssimos assuntos ao ponto de lançar notícias falsas, podemos aproveitar para colocar uma singela pergunta: qual deles, nestes longos anos no activo, introduziu no espaço público algum dado objectivo sobre a corrupção em Portugal que permita aferir da sua tipologia, dimensão, gravidade e comparativo com países terceiros? Resposta: nem metade de um. A tentativa de quantificar o fenómeno da corrupção em Portugal, para além de ser metodologicamente dificílima, impediria o sensacionalismo e a calúnia de que se faz a motivação política, mais a sua lógica venal e deletéria, de quem só pretende usá-la como bandeira, tropo.

Mas sigamos o cherne. O Chico Mota escreve no Público que o PS e o PSD (pelo menos, mas aposto que igualmente consegue meter neste saco o CDS – e até o BE e o PCP, de quem nunca ouvimos alarme sequer remotamente aproximado) fazem leis cujo propósito é proteger e fomentar a corrupção. E que a não ser ele, mais os seus amigos na indústria respectiva, o resto da população fecha os olhos face ao regabofe quotidiano. Ora, essa prática de usar o Parlamento para institucionalizar o crime confunde-se com o próprio regime nascido do 25 de Abril, deixa presumido esta inteligência. Pelo que o racional assim proposto se estende para lá do plano político e, ainda com muito mais facilidade, atinge, envolve e preenche as dimensões económicas e sociais da nossa comunidade deste 1974. Se os políticos criam leis para impossibilitar o combate à corrupção, então os empresários, os funcionários e a arraia-miúda, em qualquer sector do Estado ou da actividade privada, vão dedicar-se ao crime com devoção e paixão. Daí partilhar connosco o seu desalento, coitado deste coitado que já não tem ilusões.

Sim? Se sim, o dinheiro da Sonae veio e vem da corrupção pelo simples e incontornável facto, estabelecido nas premissas anteriores, de a roleta existencial nos ter feito aparecer e permanecer num regime estruturalmente corrupto. Se sim, quem paga ao Chico Mota é inevitável e retintamente corrupto e/ou corruptor. Se sim, quem trabalha ao serviço de corruptos, quem mete no bolso dinheiro corrupto para fingir que combate a corrupção, talvez deva passar a ser visto como um colaborador da corrupção abençoada.

Jornalismo: o futuro é o negócio

«Mas talvez a resposta para toda esta onda de desinformação não seja a sua desconstrução, mas a ignorância sobre ela. Desprezar. Deixar de lado o zunzum das redes. E regressar ao jornalismo 1.0. O jornalismo sério, investigativo, a olhar de frente para o mundo. O único em que as pessoas acreditam. O jornalismo sempre foi um negócio cujo modelo se baseia na sua credibilidade: os consumidores de informação só a valorizam ao ponto de pagá-la se lhe derem verdade. Perdê-la é perder tudo. Até o negócio.»

Catarina Carvalho – 16 Novembro 2019

«Não há soluções mágicas para um problema complexo - e algures entre o otimismo de Madrid e o pessimismo do encontro de Cascais, com pedidos lancinantes para que o Estado intervenha com subsídios, estará a visão do que pode ser o jornalismo como negócio com futuro. Mas o novo contrato, mais direto, entre os consumidores e os produtores de jornalismo torna ainda mais evidente a relação de confiança: só vão pagar o que valorizarem.

As experiências mostram que o que valorizam é o mais básico: investigação, vigilância dos poderes, exclusivos, rigor e histórias bem contadas e surpreendentes.»


Catarina Carvalho – 7 Dezembro 2019

*_*

Catarina Carvalho está bem intencionada, e é só. Daí aparecer afundada nas areias movediças da ingenuidade mediológica, isso de achar que a imprensa corresponde a alguma forma de estabelecimento da “verdade” e que os consumidores de notícias são cidadãos angélicos dependentes do labor jornalístico purificado para darem sentido ao seu mundo celeste. Nada mais falso, nada mais lunático na era digital, pese ser um lugar-comum romântico. A ingenuidade acerca dos meios de comunicação social nasce da obliteração cognitiva das dimensões antropológicas, psicológicas e sociológicas onde o acto informativo semiótico ocorre – a intencional elaboração de uma informação, as condições da sua transmissão ou difusão, e as circunstâncias da sua recepção, descodificação, interpretação e assimilação. Por cima deste apagamento, o congénere acerca das dimensões culturais, históricas, económicas e políticas que geram situações diversas numa mesma sociedade, quanto mais num planeta com 193 países reconhecidos pela ONU. A complexidade em causa supera a dos fenómenos meteorológicos em ordens de grandeza talvez impossíveis de calcular.

Mesmo com a concorrência da rádio e da televisão, a era pré-Internet mostrava como os jornais em papel não correspondiam – em nenhum caso – à visão idílica e redutora que esta jornalista está a promover ao apelar à “investigação” e à “credibilidade”. A escolha por um jornal ou outro ocorria sempre num contexto que remetia para prévios factores condicionadores da construção da identidade de cada indivíduo, da sua posição na hierarquia social e do percurso existencial idiossincrático que viesse a ser o seu na travessia longitudinal pela vida. Pensando em Portugal a partir do Estado Novo, antes do 25 Abril a escolha por um dado jornal resultava da disponibilidade (era o que estava em cima da mesa do café, ou o que dava para comprar na cidade, ou o que circulava como panfleto) ou da percepção de estar mais próximo ou mais afastado do regime. Depois de 1974, os critérios foram análogos: disponibilidade e percepção ideológica e partidária. Não há registo de ter aparecido um único jornal que prometesse apenas “investigação” e “credibilidade” doesse a quem doesse. O Expresso e o Independente não o foram, bem ao contrário, o Diário de Lisboa, a República e o A Capital não o eram, longe disso. Até o Público do Vicente Jorge Silva, talvez o que mais se aproximou desse ideal na sua carta de intenções, estava irremediavelmente posicionado de acordo com as preferências ideológicas do seu director e da Redacção que seleccionou. E depois tornou-se numa aberração caluniadora e golpista da Sonae com o Zé Manel a dar a mão a Cavaco na vingança contra o alvo comum. Há lições a tirar desse desfecho mas não temos quem as tire.

Os jornais de sucesso nunca foram – nunca de nunca – apenas veículos de “notícias”, de apanhados quotidianos do devir banal ou excepcional das dimensões mais importantes das comunidades. Foram igualmente fontes de opinião, educação, entretenimento e tribalismo. Foram peças sistematicamente usadas na disputa política e na propaganda. Cada leitor estabelecia o seu pessoal modo de leitura, não sendo razoável esperar de alguém que tivesse lido o jornal todo, sequer que desse mais atenção a uma secção do que a outra dado tal ser do foro da subjectividade. Os jornais, portanto, eram também revistas, almanaques, recreio. E as capas das edições, diárias ou hebdomadárias, tinham forte poder de influência sobre as conversas dos protagonistas e seus públicos no variegado espectáculo humano. Com a Internet, a montante continuou imutável o modelo antropológico de criação de “informação”, apenas tendo de se adaptar aos novos formatos de agregação de palavras e audiovisual, mas a jusante algo radical acontecia pela primeira vez na história da imprensa: os consumidores de jornalismo deixavam de depender das edições dos jornais para captarem a “informação” sobre a actualidade. Algo similar tinha acontecido com a rádio e com a televisão face ao papel, meios muito mais rápidos e envolventes do que aquele dependente da celulose (TSF no incêndio do Chiado e CNN na 1ª Guerra do Golfo, para ilustrar com dois paradigmáticos exemplos, embora esse processo seja muito mais vasto e antigo). Porém, até com a rádio e com a televisão o ciclo das 24 horas, com os seus subciclos relativos, manteve-se operativo. O hábito de comprar, ou tão-só ler, um jornal diário justificava-se no pressuposto de continuar a produzir a “actualidade”, de existir nessa edição algo de “novo”, algo relevante para a nossa relação com os nossos grupos relacionais num ciclo de 24 horas ou 7 dias. Com a Internet, os ciclos temporais desfizeram-se perante a constante disponibilidade dos outrora leitores para serem utilizadores. Ao poderem escolher as fontes da informação sem custo financeiro e sem restrições espaciais ou logísticas, o ciclo da informação transformou-se na voragem do presente. A informação em celulose fica não só obsoleta no acto mesmo de ser impressa como as complementares funções de alimento da identidade e passatempo evaporam-se perante as infindas possibilidades gratuitas – e tão mais apelativas – ali mesmo no ecrã de casa, do emprego, na mão.

Que fazer? Olhar para as plataformas que vendem conteúdos televisivos sem grelha. A grelha deixa de fazer sentido quando se dá ao utilizador o poder de controlar as condições temporais de consumo dos produtos audiovisuais. O mesmo precisa de acontecer no jornalismo, a aceitação de que o conceito de “edição” se tornou obsoleto. Em vez de organizar o trabalho jornalístico pelas datas de publicação, cada unidade considerada como “notícia” deve ser entendida como um espaço – e uma oportunidade – de subsequente actualização. O desafio editorial seguinte passa a ser o de organizar estas mónadas de que se constitui a actualidade. Igualmente, o consumidor de jornalismo quer ter futilidade, narcisismo e tribalismo à sua disposição, genética oblige. A imprensa do futuro precisa de se reinventar como um parque de diversões cognitivo e intelectual.

Associação Sindical dos Juízes Portugueses pronuncia-se sobre o único pilar da acusação a Sócrates

«A Associação Sindical dos Juízes Portugueses não mostra qualquer objeção de princípio à aplicação da delação premiada, mas lembra que esta deve respeitar todas as partes.

Tem de haver "um julgamento em que o juiz possa verificar se a colaboração prestada foi relevante e espontânea, se os factos ocorreram conforme o delator os disse e isso tem de ser sujeito a um contraditório pleno na audiência - ou seja, a pessoa que for denunciada, tem de ter o direito de contraditar os factos, de saber em que termos é que a colaboração foi prestada, com base em que propostas", referiu Manuel Ramos Soares.

Aquilo que não pode acontecer é a substituição de "um julgamento por uma mera denúncia - um acordo, um negócio - entre o delator e o Ministério Público", defendeu.»


Fonte

Serviço público

«Numa sentença conhecida esta semana, o Tribunal Cível de Lisboa dá como provado que diretores não dirigem e que notícias, títulos e manchetes são "opinião", podendo ser "teorias da conspiração" sem por isso merecerem sanção.

"Insinuam, deixam antever, dizem saber mas, ao cabo e ao resto, não dizem o que sabem. (...) As notícias colam títulos com realidades, nomes com casos, numa quase word salad [salada de palavras], pensamentos desorganizados, pontas soltas, em que muito mais do que dizer se sugere, se dá a entender, no fundo, ao cabo e ao resto, que onde há fumo há fogo, que alguma coisa há, que umas realidades e outras estão todas conexas, que é tudo muito grave, que há muito dinheiro envolvido, que é mais do mesmo, que os políticos são corruptos, que os interesses estão todos conexos numa trama invisível e etc., etc., etc."

Destas notícias, assim, "fica apenas uma amálgama (...), uma autêntica teoria da conspiração em que o Correio da Manhã sabe, não há dúvidas. Os hiatos temporais, os saltos lógicos, são de tal ordem e feitio que não se alcança o que sabe e sobre o que é que o Correio da Manhã não tem dúvidas. Os factos aproveitáveis são desgarrados e não seguem qualquer cronologia".

É assim que uma sentença datada de 3 de dezembro, do Tribunal Cível de Lisboa, assinada pelo juiz 8, descreve várias notícias, títulos e manchetes do diário aludido, respeitantes ao Processo Vistos Gold e publicadas em 2014 e 2015.

Poucas vezes se terá lido uma caracterização tão arrasadora do que nos produtos mediáticos da Cofina passa por jornalismo, mesmo se alguém munido de literacia e decência mínimas não pode deixar de concordar. É a conclusão que o tribunal tira dessa descrição que verdadeiramente espanta.

[...]

Sim, acabaram de ler isto: um tribunal considera que notícias e títulos de notícias são "opiniões". E como opiniões que são, nos termos da jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que a sentença cita, "não se prestam a demonstração de veracidade". Dentro desta lógica, cabe perguntar por que raio a notícia "Miguel Macedo detido" não pode ser uma opinião. Lá porque é mentira, não é razão para não haver quem acredite ser verdade.»


O jornalismo como “insinuação” e “teoria da conspiração”

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Who’s That Girl?
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Cats’ faces hard to read, except for ‘cat whisperers’
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Clinical study finds eating within 10-hour window may help stave off diabetes, heart disease
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How does language emerge?
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It doesn’t matter how nicely you wrap that gift. Except when it does.
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New study hints at complex decision making in a single-cell organism
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Paying Taxes Less ‘Taxing’ When We Recognize How Those Dollars Help Others – Study
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A cultura do consultor da Cultura

João Miguel TavaresEu tenho pena do Carlos Santos Silva. A única coisa que eu retive é que ele está bem ensinado. E foi para lá, não entregou o José Sócrates... Ele está muito bem treinado, se calhar até traz as pantufas a José Sócrates. [...]

Pedro Mexia – […] as perguntas do juiz Ivo Rosa, que nós achávamos todos que iam ser mansinhas, na verdade são perguntas incisivas […]

Pedro Mexia – […] não sei se por ser um juiz que José Sócrates acolheu como sendo um juiz em que ele confiava...

João Miguel TavaresO seu possível salvador.

Pedro MexiaO seu possível salvador no sentido que podia, digamos, deixar o processo por aqui... […]

TVI

*_*

João Miguel Tavares formou a convicção de que Carlos Santos Silva deixou de ser um cidadão com direitos, desapareceu como ser humano com razão e vontade, capaz de agir livremente e de se responsabilizar pelos seus actos. Em vez disso, quando olha para ele, e quando toma conhecimento do que diz, o que lhe aparece à frente é uma outra coisa cuja imagem mais aproximada será a de um cão. Um cão domesticado cujo dono é Sócrates. Como é que se terá formado tal convicção nos neurónios do Sr. Tavares? Será que o alvo da sua desumanização lhe fez algum mal, ou terá prejudicado algum familiar, amigo, colega, vizinho seu fosse lá no que fosse e quando fosse? Muito improvável. O mais provável é que a desumanização não ocorresse calhando aparecer-lhe à frente o alvo da mesma, até o imaginamos a cumprimentar o canídeo, mas naquele contexto em que se recebe dinheiro para dizer coisas e há parceiros de espectáculo, uma plateia com notáveis e uma audiência televisiva socialmente influente, ali, então, portantos, o homem caluniador e a sua circunstância venal, narcísica e megalómana fazem com que se possa reduzir uma pessoa envolvida num processo judicial a um animal perante as gargalhadas de quem assiste sem com isso vir a perder o sono em camas de Lisboa ou de Portalegre. A família de Santos Silva, os amigos, o seu direito a não ser tratado como criminoso enquanto for considerado inocente, o facto de ainda não ter sido condenado por nada de nada e não se saber se o será ou porquê, isso não conta para quem não precisa das chatices e demoras do Estado de direito democrático para encher o bolso a representar na perfeição o papel de um pulha. Um canalha que, desde Janeiro de 2019, também se exibe em representação do actual Presidente da República que o instituiu como exemplo e símbolo nacional; única e exclusivamente por ser um caluniador profissional que ataca “inimigos” políticos comuns. Que nome podíamos dar à cultura onde uma personagem socialmente infecta como esta é promovida pela cúpula do Estado?

A seguir abriu a boca o consultor para a Cultura da Casa Civil do Presidente da República. Abriu a boca para deixar algum reparo à desumanização que acabava de ouvir? Nada disso e ao contrário. Partilhou connosco a sua Weltanschauung, na qual afiança que “todos” [sic&sick] esperavam ver o juiz Ivo Rosa a proteger os acusados com perguntas preparadas para terem respostas falsas e inocentadoras – exegese: “todos” os elementos dos grupos relacionais onde este indivíduo constrói a sua identidade partilham a mesma convicção de Ivo Rosa ser um juiz cúmplice de criminosos, ou tal percepção espalham à sua volta mesmo que não acreditem nela (quiçá, precisamente, por nela não acreditarem). Foi isto que Pedro Mexia revelou, sem surpresa no caso dos seus parceiros de espectáculo mas atingindo a população do Palácio de Belém que frequenta amiúde e intimamente. Daí o seu gozo, ou compulsão, ou ambos os fenómenos, ao deturpar as declarações de Sócrates a respeito de Ivo Rosa, as quais não foram de confiança ou preferência por este juiz devido a qualquer característica que antecipasse favorável no seu plano para fugir da Lei, como Mexia e os restantes caluniadores têm repetido e o caluniador-mor acrescentou na ocasião. Sócrates limitou-se a constatar que, pela primeira vez no processo, iria ser julgado por um juiz isento. O que remete para o histórico de Carlos Alexandre na “Operação Marquês”, matéria que daria para milhares de doutoramentos acerca da “cultura” dos magistrados portugueses, acerca da “cultura” dos nossos jornalistas e acerca da “cultura” da nossa direita política decadente.

Pedro Mexia surgiu como personalidade interessante na política nacional quando fundou com Pedro Lomba e João Pereira Coutinho o blogue Coluna Infame; há incompreensíveis 17 anos, o Blogger tinha acabado de ser comprado pela Google. Por isso, pelo seu talento intelectual, por representar uma incipiente vanguarda para o renovo da direita, e talvez pelo berço histórica e socialmente aristocrático, foi convidado para o lançamento do Eixo do Mal em 2004. Viria a sair deste programa um ano depois, ficando a ideia de não apreciar a crescente politização do mesmo e preferir o registo opinativo dedicado às artes ao de guerrilheiro ou polemista da actividade partidária e governativa. A sua imagem era a de um comentador tímido, delicado e com sólida cultura clássica e literária. Voltaria à ribalta mediática em 2008 com o lançamento do Governo Sombra na TSF, então apenas um programa de rádio – tendo sido durante vários anos, até à assunção da carreira de caluniador profissional do Tavares e até ao episódio do dinheiro do Sr. Araújo sumido no BES, um programa puxado pelo brilhantismo do cómico fedorento onde se produziu crítica política e social decente. Depois, pelo meio, nasceu o “Processo Marquês” e choveram os sistemáticos crimes de violação do segredo de justiça usados para a exploração das captações da privacidade e das situações de exposição perante agentes policiais e da Justiça de suspeitos, arguidos, testemunhas, familiares, terceiros. Pedro Mexia passou não só a aceitar ser co-estrela num espaço de decadência mediática, social e política como igualmente celebrou a caçada e se aproveitou da prepotência colectiva para mostrar que também conseguia atingir e violentar quem já estava caído no chão.

Nunca terá de responder à pergunta mas nada impede que fique feita: “Pedro, que nome darias à cultura onde se usam crimes cometidos por magistrados e jornalistas em processos judiciais para alimentar a rapacidade voyeurística e caluniadora do ódio político?”

Se chegar às 12 derrotas, chicotada nele

Ivo Rosa derrotado pela 11ª vez na Relação, desta vez por não querer considerar declarações de Salgado

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Numa altura em que se discute o presente e o futuro do jornalismo (por inerência, igualmente o seu passado), dá vontade de ir para a janela bater em tachos de modo a aliviar a fúria quando estamos mergulhados nisto que a “notícia” acima impõe e alimenta no espaço público: uma campanha mediática contra um juiz – que se limita a querer cumprir a lei com zelo pelos direitos dos arguidos e acusados – a quem foi atribuído um processo onde os poderes fácticos (no caso, da oligarquia) pretendem usar a Justiça para obter ganhos políticos (de ordem vária, da táctica à estratégica, passando pela vingança). Os mesmos poderes explícitos e implícitos que ignoram, escondem ou aplaudem os abusos do poder da Justiça desde que sejam contra aqueles que queiram assassinar politicamente.

Por que razão não vai ser possível encontrar um único jornalista capaz de explicar o que está juridicamente em causa na decisão do Tribunal da Relação de Lisboa referida acima? Por que razão não existe um único jornalista, a não ser avulsa e vagamente em espaços de opinião, capaz de expor a estratégia de amalgamento, confusão, do Ministério Público ao ter optado pela criação de um megaprocesso na “Operação Marquês” com vista, precisamente, a obter as consequências perversas que este episódio ilustra? Por que razão tem sido tão fácil fazer na “imprensa” (incluindo a da “referência”) o culto da personalidade de Carlos Alexandre, Rosário Teixeira e Joana Marques Vidal, e tão fácil diabolizar Ivo Rosa de forma sistemática e desde que se conseguiu meter Sócrates numa prisão?

É que para os mandantes e para os borregos do vale tudo não chega que Sócrates e terceiros estejam há cinco anos numa masmorra onde foram despidos do seu prestígio, credibilidade, bom nome, dignidade. Não chega que Sócrates tenha mais não se sabe quantos anos de privação de plena liberdade, podendo realmente acabar por voltar a ser preso (e por excelentes razões, se se provarem as acusações) e a ter de pagar ao Estado somas neste momento incomensuráveis. O processo de investigação, e agora o da instrução, é parte do linchamento maníaco onde os pulhas e os broncos vêem qualquer apelo à razão, à Constituição, à mínima decência como expressão de defesa do monstro que perfuram e queimam no bacanal do ódio político, o ódio tribal mais arcano e animalesco.

Não haver jornalistas, jornais, televisões, rádios, um órgão de comunicação com jornalistas encartados lá do cu do mundo onde haja coragem para defender a liberdade nas muralhas da cidade, eis a verdadeira crise que em muito ultrapassa o jornalismo.

O juiz Rui Rangel merece uma estátua

Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019. Marcelo interrompe o quotidiano da Judiciária para dizer na cara dos inspectores algo que os terá deixado chocados, instantes antes de ficarem aterrorizados. Pois parece, garantiu o Chefe do Estado com cara de nenhuns amigos, que a Judiciária tem como missão combater o crime. E que o crime se combate respeitando a Lei e as leis. Conta quem viu que alguns inspectores, apanhados de surpresa pelas novidades, chegaram a levar a mão à pistola numa reflexo automático de defesa da vida mas terão sido de imediato dissuadidos pelos colegas ainda com algum sangue-frio de reserva.

Esta ideia de ir para a Judiciária dizer à rapaziada&raparigada que não dá para apanhar uns malandros avulsos e dar abébias a outros, que existe um calhamaço chamado Constituição algures num sótão ou cave da República e que se combate o crime para protecção e benefício da comunidade é o equivalente a ir para uma cerimónia na Ordem dos Médicos explicar aos clínicos que os remédios servem para tratar os doentes e o termómetro para ver da febre ou ir para um congresso de padeiros apelar a que se meta a massa no forno pois caso contrário o papo-seco não sabe tão bem. Excluindo a hipótese de terem chegado ao Palácio de Belém informações das secretas provando que na Judiciária anda tudo a gamar, é discurso demasiado imbecil para se esgotar o seu sentido na denotação. Temos de olhar para a paisagem. Ora, nesse mesmo dia havia festa uns metros ao lado da marcelista sessão de esclarecimento, com Mário Lino a prestar declarações como testemunha na “Operação Marquês”. E no dia seguinte seria ainda melhor, muito melhor, oh tão mais melhor: Maria de Lurdes Rodrigues, António Mendonça e Vilaça Moura interrogados à pala de Sócrates, Rui Rangel expulso com fanfarra da função de juiz e, supremo encanto da merenda, Azeredo Lopes e António Costa levados em cima de um Tancos até às favolas antixuxas do superjuiz. Era isto que estava em causa no número revisteiro, portanto, tendo como finalidade gerar este espectáculo de sessões contínuas:

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e defende justiça “implacável”RTP

Marcelo pede que PJ seja implacável no combate à criminalidadeSIC

Marcelo na PJ. “Ninguém está acima da Constituição e da lei”Rádio Renascença

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e defende justiça “implacável”TVI

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e pede à justiça que seja “implacável”TSF

Em suma, a estratégia do “fim da impunidade” está bem e recomenda-se, agora sem hiperCavaco, ultraPassos, Madre Paula e Santa Joana mas com o Rex Marcelo a comandar a orquestra. No seu endógeno cinismo gozão, o homem não resistiu a rir-se para dentro à gargalhada ao declarar que estava ali apenas e só por ter sido convidado pelo director, Luís Neves. Poderia este senhor ter convidado o Presidente para outra data? Poderia o Presidente ter recusado esta para evitar a colagem aos casos da Justiça na berlinda política e sugerir outra? Poder podia, foda-se caralho, só que, lá está, não seria a mesma coisa.

Entretanto, avanço com 10 euros para uma estátua de homenagem ao juiz Rui Rangel. Consta que receberia subornos para influenciar processos judiciais que nem eram seus e depois não mexia uma palha para os influenciar nem mexia outra para devolver o carcanhol ao frustrado aprendiz de corruptor. A ser verdade, este estratagema tem uma beleza que é merecedora da mais rasgada admiração: não só se evitaram vários potenciais crimes, dado Rangel ter funcionado como uma barreira de protecção ao iludir o corruptor com uma promessa que ficaria por cumprir, como os fulanos que queriam perverter a Justiça terão aprendido uma amarga e caríssima lição. Estar agora a expulsar o mágico juiz, se for só por isto, fica como exibição da inveterada vaidade e inveja dos seus pares.

A solução para a crise do jornalismo é simples

É dar dinheiro a quem o faz – What else? No caso da imprensa escrita, face à actual oferta, jamais daria dinheiro à Cofina, à Impresa, à Sonae e quejandos, exemplos de pasquinagem que degradam e infectam o espaço público. Dou dinheiro pelo DN, sete euros e tal por mês, e assim continuarei a fazer enquanto o produto me continuar a respeitar como cidadão. É simples.

E fica quase de graça quando se contabiliza o tempo de utilização e, especialmente, a qualidade editorial numa paisagem mediática dominada por uma direita decadente, golpista, aviltante. No entanto, lastimo a demora em se entender (melhor, em compreender) que o conceito de “jornal” precisa de se renovar profundamente na correlação com os conceitos de “informação” e “inteligência”. Num ecossistema social com excesso de dados e informações confusas, indigestas, os futuros meios de comunicação social herdeiros dos jornais – leia-se, do primado da palavra escrita na construção de uma visão comunitária da realidade – deviam oferecer ao “utilizador” muito mais do que apenas ao “leitor”.

O utilizador de um meio de comunicação que lhe venda inteligência está bem menos interessado nos humores políticos e narcísicos do director e seus editoriais fogosos ou depressivos e sabe-se bem mais carente de instrumentos que organizem dados, informações e opiniões em agregados personalizáveis e criativos ao serviço da idiossincrasia de quem paga. Esta transição implicará, se for avante, alterar a formação académica e a práxis dos novos jornalistas e dos jornalistas que se façam novos. Aparecerão modelos de produção jornalística nascidos de equipas multi, inter e transdisciplinares. O ideal romântico do jornalista generalista, tarimbado nas redacções e sua etnografia, que descobre a “verdade” e que diz ao povo que o rei vai nu manter-se-á válido desde que o novo idealismo de uma imprensa pilar da democracia e da liberdade tenha a inteligência comunitária no seu horizonte – isto é: não chega “dar” notícias, importa “dar” cidadania, dar poder intelectivo ao cliente. E isso faz-se, só se faz, quando se estrutura a oferta do serviço no respeito absoluto pelo Estado de direito democrático e no sistemático respeito pelos critérios científicos de rigor metodológico e inferência.

A ser assim, ficaria ainda mais simples escolher a quem oferecer o dinheirinho que temos no bolso. A quem mente, difama, calunia, persegue, conspurca as instituições da República, comete crimes, promove o ódio tribal e atiça os piores instintos da populaça ao serviço de agendas políticas antidemocráticas ou sectárias – e que depende desse culto da estupidez de todos para manter o seu modelo de negócio e dar poder financeiro e político aos pulhas? Parece uma pergunta de resposta simples.

Lapidar

«Nós estamos sempre a ser surpreendidos, neste momento, pelo passado. Porquê? Porque chegam as pessoas e fazem uma interpretação que nunca nos tinha ocorrido, e aí está o passado a surpreender-nos. Naturalmente, daí nasce um movimento para redefinir o futuro, só que o futuro acontece antes de chegarem ao fim e vem o futuro a surpreender-nos.»

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«Neste momento, muitas vezes me ocorre um comentário do Bismarck, que disse o seguinte: uma leviandade pode conduzir a um desastre. Aconteceu com o arquiduque. Mataram um arquiduque e pagámos isso em milhões de vítimas.»

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«Tive um avô, que não conheci, que era empregado de um moinho, vejam bem, e que teve oito filhos. Naquela época, numa aldeia, todos fizeram a instrução primária. Conheci o meu avô materno. Esse já teve outra vida porque esteve no Brasil ainda muito jovem exilado, tinha tomado parte lá numas coisas políticas, e esse teve muita influência em mim. Ele costumava estar sentado numa pedra, que eu agora tenho, porque a Junta das Estradas tirou a pedra para abrir a rua e eu disse que comprava a pedra [risos]. Tenho a pedra em Lisboa. Era o assento do meu avô e eu também lá vou ler o jornal às vezes. Ficou-me este conselho que ele repetia constantemente: "Vocês digam o que pensam e depois sejam fiéis ao que tiverem dito." Nunca me esqueci disso.»

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Adriano Moreira
parte 1 + parte 2

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Nem acusada, nem arguida, nem testemunha, apenas espiada

«Maria Adelaide Monteiro, que não foi acusada no processo-crime que está agora na fase de instrução, chegou a estar sob escuta e em março de 2014, quando o processo ainda não tinha rebentado, foi apanhada pelos investigadores num conversa em código com o filho José. “Como não podia utilizar qualquer expressão ou termo que referenciasse pedido de dinheiro, utilizava sempre conversas em sentido figurado”, explica o Ministério Público.»


Fonte

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Como explicar o afastamento da mãe de Sócrates, dada na acusação como figura central nos mecanismos da alegada corrupção, do processo judicial em todas as suas fases?

Como explicar a ausência de qualquer outro membro dos dois Governos de Sócrates quando a tese da acusação implica tacitamente esses mesmos ex-governantes – numa qualquer responsabilidade nunca definida, sequer esboçada pelo Ministério Público – logo a partir de 2005?

Na resposta a estas duas singelas perguntas encontra-se a essência da “Operação Marquês”.