
A Semana Santa foi marcada pelas notícias de umas bebedeiras em Lloret del Mar,os escândalos de pedofilia, a euforia com a vitória do Benfica sobre o Liverpool e a decisão do CJ da FPF que diminuiu a drástica pena aplicada pelo inenarrável Ricardo Costa aos jogadores do FC do Porto Hulk e Sapunaru . Uma semana atípica, em que os escândalos políticos passaram para segundo plano, mas se manteve a tradição de os trabalhadores dos museus fazerem greve. Uma forma exemplar de auto flagelação , ou apenas pirraça aos milhares de turistas que nos visitam nesta época?
Terminada a época pascal, o país noticioso volta à normalidade. Logo a abrir a semana os
projectos urbanísticos de Sócrates e a compra dos
blindados Pandur, no tempo de Paulo Portas, fazem manchete em todos os jornais. As notícias dos escândalos envolvendo políticos poderão ter os dias contados a breve prazo. O envolvimento do Centrão nesses escândalos e uma nova liderança do PSD que parece ser mais civilizada e recusar a política suja ajudarão a acalmar esta guerra fratricida entre os partidos do poder.( Apropósito...
PPC propõe um código de ética para políticos. Acho bem, mas sugiro que comece por alguns dos seus apoiantes, cuja ética deixa muito a desejar...)
A banalização das notícias sobre escândalos envolvendo políticos deixou de despertar interesse nos leitores, pelo que é admissível que os jornais ( esgotada a telenovela das escutas e os discursos de vitimização de alguns jornalistas que se dizem perseguidos) estejam à procura de outro filão que ajude a aumentar as vendas.
A exploração da tradicional inveja dos portugueses parece ser uma tentativa condenada ao fracasso. Embora sejam quase pornográficos os salários e prémios recebidos pelos gestores das empresas públicas, os portugueses depressa se cansarão desse folhetim. Preferem os crimes passionais, as notícias xenófobas ou decisões da justiça envolvendo crianças. Viria mesmo a calhar um novo caso Maddie, ou Alexandra, para animar as vendas…
À míngua de notícias apetecíveis, os jornais poderiam aproveitar para dissecar melhor os efeitos do PEC e do orçamento de Estado na vida dos portugueses e investigar as reformas douradas auferidas por alguns políticos e quadros superiores da administração pública. Ou divulgar notícias sobre as empresas que não comunicam ao IEFP despedimentos dos seus colaboradores, nem fazem os descontos a que estão obrigadas, privando inúmeros trabalhadores de aceder ao subsídio de desemprego.
Já agora, poderiam também trazer-nos boas notícias. Daquelas que nos empolgam e ajudam a enfrentar o futuro com mais confiança. No dia em que os jornais voltarem a mandar os jornalistas para o terreno, em vez de os sentarem durante todo o dia à frente do computador a construir notícias a partir da Internet, talvez a leitura dos jornais se torne mais aprazível e aumentem as vendas. Se o receituário noticioso mantiver os padrões actuais, não auguro nada de bom. Nem para os jornais, nem para muitos dos jornalistas que lá trabalham.