domingo, 17 de fevereiro de 2008

Bom povo português...

No dia da inauguração do túnel do Rossio, houve viagens de comboio à borla. Os portugueses - que, como diz uma amiga "desde que seja à borla até levam injecção na testa"-responderam em massa ao convite e lá foram, como sardinha em lata, usufruir dessa "benesse" na mira de um fim de semana diferente. Iam sorridentes e bem dispostos, piscando um olho às câmaras de televisão à espera de uma entrevista que lhes desse o tal minuto de fama. Uma simpática sexagenária, para evitar a fila de espera subiu as escadas rolantes em sentido inverso ao seu movimento normal , ultrapassando várias dezenas de concidadãos candidatos a viajar à borla. Quando chegou ao cimo, estava ofegante, mas sorridente como uma vencedora e não se fez rogada em dar a "entrevista". Claro que não admitiu o seu oportunismo, limitou-se a mentir,dizendo que se tinha enganado, sob o olhar atento de papalvos que se sentiam intrujados, mas sorriam.... para as câmaras.
Na segunda-feira, muitos destes borlistas vão voltar a fazer a viagem de comboio, com a diferença de que o destino é o trabalho. Aposto que se lhes puserem uma câmara ou um microfone à frente, muitos vão criticar a falta de qualidade dos transportes. Outros, optarão por continuar a envelhecer nos engarrafamentos do IC 19

Tarde de chuva

Chove lá fora. Chove em mim. Cada gota que cai é uma grilheta que me prende ao Inverno e me impede de voar nas asas da Primavera.

Kosovo

Como se esperava, o Kosovo declarou hoje a independência. A partir de amanhã, a Europa começará a escrever uma página negra da sua História, com a maioria dos países a reconhecerem a independência daquele que será o mais pobre país europeu.
Ao reconhecer o Kosovo, a UE procura aliviar a consciência dos sucessivos erros que cometeu nos Balcãs, mas fá-lo da pior maneira, cometendo um novo erro. Mais do que o efeito dominó, receio o aumento da instabilidade na região e os efeitos que possam ter na Europa. Fico expectante, igualmente, quanto à reacção de Putin que tem vindo a endurecer a sua posição face à Europa e não perdeu tempo a lançar um aviso, via Nações Unidas.
Partilho, por isso, os receios de Cavaco face a mais este "aventureirismo" dos líderes europeus, ajoelhados perante os desígnios de Bush, obnubilados pela estratégia da globalização política assente num arremedo de democracia cujos valores realmente nunca partilharam e esquecidos da História recente que aconselhava mais prudência.
O Kosovo foi um fósforo que se acendeu, esperemos que não pegue fogo ao rastilho...