terça-feira, 22 de janeiro de 2008

E o vencedor é...

Pelo que se pôde apurar do “Prós e Contras” de ontem, a aplicação da Lei anti-tabágica vai ser um “maná” para os engenheiros. Se cada restaurante, bar ou discoteca que pretenda abrir um espaço para fumadores é obrigado a ter um estudo aprovado por um engenheiro, vai ser um “ver se te avias”.
É assim que se move a economia... à custa de uma lei qualquer que anime o mercado. Desta vez foram os engenheiros a beneficiar , outra serão os médicos , os arquitectos ou os advogados. O que é preciso é fazer de conta que as coisas estão a mexer.Esperemos é que actuação dos senhores engenheiros seja mais expedita e mais transparente do que a das empresas de gás natural...E já agora, o que é que os proprietários daqueles espaços vão fazer com a licença de funcionamento que lhes foi passada pela DGS? Emoldurá-las? É capaz de ser uma boa ideia para animar o sector da carpintaria ...

É de ir às lágrimas

Vai animada a discussão no Corta- fitas sobre a lágrima de Hillary Clinton que lhe rendeu uma vitória em New Hampshire. Sem querer meter a foice em seara alheia, parece-me evidente que a lágrima foi uma bem sucedida operação de marketing que atingiu os objectivos programados.
Vale a pena recordar, porém, que o recurso à lágrima para efeitos de melhoria da imagem, ou vitimização, não foi uma novidade, nem é exclusivo do sexo feminino.. Não é preciso sair de Portugal para recordar dois episódios lacrimejantes protagonizados por homens. Um, mais recente, teve como actor principal Santana Lopes, durante o episódio da incubadora; o outro, mais antigo, foi protagonizado por Pinto da Costa. Numa altura em que a imprensa se atirava ao Presidente do FC do Porto ( até me vêm as lágrimas aos olhos ao escrever um nome tão bonito e com tanta história!) e as coisas a nível interno também não andavam lá muito bem, as câmaras apanharam Pinto da Costa a chorar durante a comemoração da vitória da equipa azul e branca num campeonato nacional de hóquei em patins. Se é verdade que a Santana Lopes nem uma hora de choro convulsivo evitaria a derrota do PSD nas eleições de 2005, já as lágrimas de Pinto da Costa permitiram-lhe granjear inúmeras simpatias. Lembro-me, inclusivé de ter ouvido Santana Lopes afirmar, durante um programa desportivo, que a sua simpatia por Pinto da Costa aumentara, “porque um homem que chora em público, só pode ser um homem com grande sensibilidade”.
Moral da história: uma lágrima no momento certo e no cenário adequado pode fazer milagres, seja ela vertida por um homem ou por uma mulher. O que estragou o efeito da lágrima de Santana Lopes foi o cenário da incubadora...

Há Juntas e...juntos (da Opus Dei)

Paulo Teixeira Pinto não é um homem sortudo, apenas pelo facto de ter recebido do BCP uma indemnização de quase 10 milhões de euros e uma “pensão vitalícia” de meio milhão por ano.
Fiquei saber ,via zerodeconduta que o ex-administrador do BCP também foi contemplado, graças a um relatório de uma Junta Médica, com a passagem à situação de reforma. A inaptidão para o trabalho, porém, não o inibiu de arranjar um lugarzinho numa consultora financeira ( sabe-se lá com que sacrifícios, coitado!..)
Não sei se estaremos a pagar alguma pensão de invalidez a Paulo Teixeira Pinto, mas sei que esta coisa das juntas médicas em Portugal cheira mesmo muito mal! Não haverá ninguém capaz de acabar com a inimputabilidade dessa gentalha abjecta, cujo único critério para tomar decisões parece ser o de impedir que pessoas que trabalham honestamente toda a vida, possam morrer em paz e com a dignidade que merecem? Mas afinal, esta história é apenas o espelho do país que temos: mais vale andar bem encostado, do que estar bem empregado!”

Baixar o IVA para quê?

No CausaNossa , Vital Moreira sugere que , face aos bons resultados de 2007,o Governo baixe já o IVA. Para quê? O Governo baixou o IVA nos ginásios e os ginásios não baixaram os preços; o Governo prescindiu do ISP em Janeiro e as gasolineiras aproveitaram de imediato para aumentar os combustíveis num montante muito próximo ( apenas meio cêntimo de diferença).
Em Portugal, já se sabe, uma vez aumentados os impostos, não vale a pena voltar a baixá-los, porque a redução não beneficia os consumidores, mas apenas os vorazes e gananciosos agentes económicos portugueses. Alguém acredita, por exemplo, que se o Governo baixasse o IVA na restauração os preços dos restaurantes iam baixar?
A única forma de fazer reverter uma baixa de impostos em favor dos consumidores, é fazê-la incidir sobre os impostos directos e isso não me parece que esteja no horizonte próximo. Por isso, se a situação económica estiver de facto mais desafogada, proponho que o Governo reponha os benefícios fiscais aos deficientes e aumente um poucochinho as pensões mais miseráveis.