Na sexta-feira, depois da detenção de dezenas de activistas, tudo indicava que as coisas tinham serenado e a onda de protestos estava prestes a esvaziar-se. Durante o fim de semana, porém, recrudesceram os protestos e geraram-se cenas de violência, num crescendo preocupante.
Os governos de Hong-Kong e Pequim parecem estar a perder a paciência e, à distância, começo a temer o pior.
Ninguém parece querer ceder e, nestas circunstâncias, é previsível que a corda rebente para o lado do mais forte. Ninguém em HK, ou Pequim, deseja que a violência culmine num banho de sangue, porque isso fragilizaria não só o governo do Território mas, principalmente, a liderança de Pequim. As próximas horas poderão ser decisivas. Num último (?) fôlego, os activistas tentam obrigar Pequim a ceder, mas ninguém acredita que isso aconteça. Pequim não quer perder a face, porque seria dar força a outros movimentos de contestação noutras regiões do país.
As próximas horas são decisivas e espero que Washingto, Bruxelas e Berlim se mantenham à margem dos acontecimentos, pois qualquer manifestação de apoio aos activistas pode provocar a ira de Pequim e precipitar os acontecimentos de forma trágica. Pequim não hesitará em usar a força para manter a ordem em HK, mas isso trará custos incalculáveis para a economia do Território e abalará a credibilidade do governo de Pequim.