quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Os Pinóquios tiram a máscara

Depois de Durão Barroso ter confessado que tinha sido enganado por Bush, por não ter coragem de confessar que mentira aos portugueses quando apoiou a invasão do Iraque, Gordon Brown veio reconhecer que afinal o Reino Unido serviu de porto de abrigo aos aviões americanos que transportavam presos de Guantanamo. Do outro lado do Atlântico, um funcionário de terceira classe veio dizer com ar compungido que sim senhor, era verdade, mas que tinha sido um erro involuntário e que o sr.Bush até nem sabia de nada.
Um a um, os Pinóquios vão tirando a máscara e assumindo as suas mentiras "piedosas". Ainda faltam alguns, mas todos vão acabar por confessar.
Será que ainda há por aí comentadores foleiros com coragem de dizer que Ana Gomes é uma lunática e perigosa esquerdalha ( sim, já vi alarvidades destas escritas por aí...), ou também vão deixar cair a máscara e fazer "mea culpa"?

Conversas com o Papalagui (21)

- Olá tuga! Sabes que o Artur foi despedido do Banco?
- Não sabia... Mas que é que ele fez?
- Parece que se desleixou com umas contas de clientes, ou não fez a tempo umas aplicações que lhe tinham pedido, não sei bem...
- Coitado do Artur!
- Sabes qual foi o azar dele?
- Sei... foi não ser administrador do Banco.
- Como dizes?
- Então, Papalagui, o BCP pagou 80 milhões de euros a cinco administradores para se ver livre deles e evitar que fizessem mais asneiras...
- Agora estou a perceber porque é que a CIP e a CCP querem maior flexibilidade nos despedimentos!

Rochedo das Memórias 13- Começa a II Guerra Mundial. "E tudo o vento levou"!

A grande novidade do ano vem da Alemanha e dá pelo nome de Volkswagen (Carro do Povo). Sucesso de vendas estrondoso, durante várias décadas, o "Carocha" desaparece nos anos 70. Virá a ser recuperado no final do século, mas o seu preço não permite veleidades. Sinal dos tempos, reaparecerá nos anos 90, aburguesado e só ao alcance de bolsas bem recheadas.
Depois de o ferro de engomar a vapor, o cobertor eléctrico e o nylon se apresentarem aos consumidores (1937), é assinado em 1938 (não se sabe se com recurso à esferográfica que acabava de fazer os primeiros gatafunhos na Hungria, fruto da imaginação de um hipnotizador -jornalista) o acordo de Paz de Munique. Tão pouco sabemos se o acordo foi fotocopiado na recém comercializada máquina de xerografia, mas sabemos que foi apenas pretexto para Hitler poder anexar parte da Checoslováquia. Quase 40 anos depois de ser inventado, o ar condicionado chega ao Senado americano e anuncia-se aos consumidores para breve. A rádio continua a fazer grande sucesso e nos Estados Unidos uma emissão dirigida por Orson Wells, põe os americanos aterrorizados. Trata-se de " A Guerra dos Mundos" e simula a invasão da Terra pelos marcianos. O seu realismo seria, já nos anos 50 ,experimentado em Portugal, numa emissão da Rádio Renascença que apanhou o País desprevenido e provocou a ira de Salazar. Lesta a apaziguar a fúria do mestre, a Assembleia Nacional atribui-lhe o título de Benemérito da Pátria!
Na vizinha Espanha, Pablo Picasso pintava Guernica, inspirada no bombardeamanto daquela cidade durante a Guerra Civil espanhola
No mesmo ano em que o DDT era utilizado como insecticida (Suiça) , a França descobria uma técnica de formação de nuvens para provocar chuva e os EUA revolucionavam a vida doméstica com a invenção da máquina de lavar loiça e o lançamento dos alimentos pré-confecionados.
E enquanto acaba a Guerra Civil em Espanha, vai iniciar-se uma à escala mundial. Hitler cantava o sucesso de Edith Piaf , “Non, je ne regrette rien”, indiferente à leitura de “A Náusea” de Jean Paul Sartre, que haveria de marcar uma geração. E como os ditadores têm sempre algo em comum, Hitler e Estaline assinam um pacto de não agressão.
No final do ano de 1939 ,"E Tudo o Vento Levou", o épico extra-longo da Guerra da Secessão americana, é estreado com grande êxito nas salas de cinema. Supõe-se que Vivien Leigh tenha usado, durante as filmagens, o último grito da moda feminina: as meias de nylon. Certo, certo, é que nunca bebeu nada em copos de plástico, que apesar de ter sido inventado nesse ano, só viria a ser comercializado mais tarde.

Silêncios e omissões

Alguns sectores da blogoesfera começaram a reagir com alguma ironia ao facto de o Tribunal de Contas ter chumbado o pedido de financiamento da Câmara de Lisboa, prenunciando mesmo o fim de António Costa. Curiosamente, são os mesmos que reagiram desabridamente quando Guilherme Oliveira Martins foi nomeado para o Tribunal de Contas, acusando o PS ( e fazendo coro com o PSD e CDS/PP) de estar a manipular aquele órgão. Agora, ou remetem-se ao silêncio, ou escrevem posts fazendo crer que o pedido de financiamento se destinava a permitir uns fogachos eleitorais a António Costa. A omissão – que na maioria dos casos não é por ignorância, mas por pura má fé- de referências às dúvidas deixadas por Carmona Rodrigues tem explicação, mas carece de razão.
Às vezes fazia jeito ter mais do que um neurónio! E, no caso de alguns jornalistas, não se perdia nada se tivessem um pouco mais de objectividade...

Incentivos?

Há um pormenor na legislação ontem aprovada sobre a função pública, que merece uma leitura atenta. Mesmo que um funcionário público obtenha classificação que lhe permita progredir na carreira, pode ver essa perspectiva anulada. Basta que o dirigente máximo do organismo onde trabalha opte por gastar o orçamento destinado às progressões e prémios de produtividade em novas contratações. Pessoa amiga, mais familiarizada com estas coisas das leis, garante-me que esse orçamento pode, inclusivé, ser aplicado em contratações “outsourcing”. É a isto que chamam incentivos?

Lisboagás: fixem este nome

Em Janeiro, a Lisboagás ameaçou-me, por carta ,com o corte de fornecimento. Na missiva, acusava-me de não ter pago uma factura de Outubro de 2007, num montante correspondente ao triplo do meu consumo médio em meses de Inverno. Cheirou-me a esturro. Vasculhei a gaveta onde guardo religiosamente os recibos e não encontrei nenhuma factura com a data indicada. Não descurei a hipótese de um extravio, embora tal não me parecesse normal. Peguei no telefone e liguei para a Lisboagás a contar o sucedido.Foram apenas necessários alguns segundos, para que a operadora me esclarecesse o que se passara:
- “Houve um erro no processamento das facturas e por isso essa factura nem sequer foi emitida”
- Então, porque é que me estão a exigir que pague uma factura que não foi emitida e ainda por cima me ameaçam com o corte de fornecimento, por não ter pago uma factura que afinal não existe?
- “Um momento...”
- (pausa para ouvir música)
- “Pronto, esteja tranquilo, foi a máquina que gerou um erro de facturação e gerou uma quantidade de facturas que nunca foram emitidas...”
- Então, se não devo nada, porque me ameaçam com um corte de fornecimento?
- “Um momento...”
- (continuo a ouvir a música de fundo)
- “Dever deve, porque o senhor não pagou a factura de Outubro, porque não lhe foi sequer enviada!”
- Desculpe, mas não devo! Só deveria, se tivesse recebido a factura e não a tivesse pago!
- “Um momento...”
- ( começo a perder a compostura. A música de fundo começa a soar-me desafinada)
- “Bem, a nova factura vai-lhe ser enviada até ao dia 12 de Fevereiro. Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?”
- “ Pode... diga-me quando é que a Lisboagás me devolve o dinheiro que me cobrou por uma semana de serviço que não me prestou, em Agosto, porque me cortou o gás para fazer reparações ..."
- “A isso não lhe posso responder, mas se teve o gás cortado, vai ter que pagar o restabelecimento do serviço...”
( Eça de Queirós fez esta pergunta há mais de um século a Pinto Coelho, Presidente da Companhia das Águas de Lisboa e nunca obteve resposta. Um século mais tarde a Lisboagás encontrou a solução. Corta o serviço e depois cobra ao cliente pelo seu restabelecimento. Nada mal visto, convenhamos )
...............
No dia 18 de Fevereiro recebi uma carta da Lisboagás, com a factura de Outubro, cujo valor era menos de metade do que inicialmente me tinha exigido. O prazo para pagamento? Dia 12 de Fevereiro! A Lisboagás funciona de forma exemplar, não acham? Agora fico a aguardar, para ver se na próxima factura me vão cobrar juros por atraso no pagamento...

A metamorfose de Cavaco

Quando era primeiro-ministro, Cavaco Silva raramente tinha dúvidas e nunca se enganava. Desde que é Presidente da República mudou bastante. Passou a ter muitas dúvidas ( nomeadamente na aprovação de algumas leis que lhe sáo remetidas pelo Executivo) e por vezes já se engana. Ao aprovar a lei do regime das carreiras da função pública, Cavaco Silva cometeu um erro grave. Não tanto pelo conteúdo do diploma, mas essencialmente pelo que lá não está . O que o PR fez ontem, foi passar um cheque em branco ao Governo. Teixeira dos Santos agradece e as empresas também, porque o recurso ao "outsourcing" ( uma banalidade hoje em dia na Administração Pública, mas ainda assim sujeita a algumas regras...) passa a ser mais fácil e menos controlado.
Pior estarão os funcionários públicos. Com as novas regras para mobilidade e reforma que hoje entraram em vigo, o Governo está a enviar-lhes uma mensagem clara: "Saiam a bem, enquanto é tempo..." É que depois de o Governo publicar as portarias que enquadram a Lei ontem aprovada pelo PR, a vida dos funcionários públicos irá, possivelmente, ser mais difícil