terça-feira, 15 de abril de 2008

A calma regressou ao Tibete?


É pelo menos o que parece. Depois dos distúrbios e das manifestações de histeria em Londres, Paris e S.Francisco, a chama olímpica percorreu Buenos Aires sem incidentes, e chegou à Tanzânia e a Oman sem que se ouvisse falar dela,- o que em termos de comunicação social significa que foi bem recebida.
As manifestações em defesa do Tibete já me andavam a cheirar um pouco a esturro e entendi-as como mais uma demonstração da superioridade moral com que europeus e americanos gostam de enfrentar as questões que se passam no resto do mundo.
Parece, no entanto, que é no "terceiro mundo" que podemos recolher posições de bom senso, já que por lá não se confundem, nem misturam, questões políticas com manifestações desportivas.
A utilização da chama olímpica como arma de arremesso à China por causa da questão tibetana foi mais uma prova da hipocrisia ocidental. Ninguém, nos corredores do poder, ousou criticar abertamente a China, mas as "manifestações populares" foram uitilizadas como pretexto para um aviso velado a Pequim.
A China, como se esperava, não se intimidou e terá mesmo interpretado toda esta encenação como uma certa cobardia dos governos europeus , incapazes de assumir uma posição, mas sabendo aproveitar a reacção popular para mandar recados. Em Pequim deve ter havido sonoras gargalhadas a ecoar em Tian an Men. Por lá sabe-se interpretar, muito bem e sem rodeios, o significado da atribuição do Jogos Olímpicos à capital chinesa e a oportuna retirada da China ( por decisão de Bush) da lista dos países violadores dos direitos humanos.
É provável que quando a chama olímpica chegar à Austrália se voltem a ouvir relatos de manifestações. Chega de hipocrisia e falsas demonstrações de repúdio. Pequim continuará a rir baixinho , a argumentar que os tibetanos atacaram a população chinesa e que o Dalai Lama esteve por detrás de toda a conflitualidade.
Admito, sem rebuço, que a História acabe, um dia, por dar razão a Jin Tao.

Especialidades Raianas


A convite do José Carlos Lages, fui à Casa do Concelho do Sabugal comer o Bucho Arraiano (para quem não saiba o que é esta especialidade, ler aqui).
Ia com algum receio, pois nunca tinha provado. Pois bem, meus amigos! Só vos digo que é de comer e chorar por mais ( não sabes o que perdeste, Pedro Correia! E fica a saber que agora terás que esperar por Outubro, porque de final de Abril até lá, não há Bucho Arraiano para ninguém..).
Depois de me presentear com este manjar e me acenar com um cozido arraiano ( que irei provar numa das próximas quartas-feiras), o Zé Carlos informou-me que a Casa do Concelho do Sabugal vai organizar no próximo dia 31 de Maio, pelas 17 horas, a I Capeia Arraiana no novo Campo Pequeno. Uma oportunidade para os lisboetas, especialmente os apreciadores da festa brava, verem este espectáculo típico da Raia, de características únicas, que vai certamente fazer encher o Campo Pequeno.
Se quiserem saber mais informações, dêem uma saltada até ao Capeia Arraiana , um blog onde se pode encontrar vasta informação sobre o Sabugal e toda a zona raiana. Muito recomendável, também, para quem vai viajar pela região.

Pelo país dos blogs (8)


Com o humor que lhe é habitual, João Severino publica no Pau para toda a obra esta foto de uma criança iraquiana exibindo o seu amor clubista. Mas ao contrário do que afirma o João, não está a ser torturada pela GNR mas sim a fazer pirraça a LFV.
Esperemos que MJM não veja a fotografia, caso contrário ainda pode pensar que a criança foi corrompida por Pinto da Costa.
Adenda: Se ainda não sabem, no Pau para toda a obra podem encontrar diariamente, para além de muita informação, umas boas pitadas de humor servidas pelo João Severino

Rochedo das Memórias 37- Ir a Londres com a Abreu


Os anos 70 começam com o mundo ocidental a chorar nas salas de cinema. O melodrama "Love Story" destroça os corações de jovens e adultos, homens e mulheres. Afinal, ao contrário do que os hippies proclamavam, o amor não é só felicidade. Pode fazer sofrer muitas almas.
Mas havia outra razões para chorar. Alterações de clima e inexplicáveis acontecimentos metreológicos lançam grandes preocupações na comunidade científica.
Preocupados ficam também os homens com o livro de Germaine Greer "O Eunuco Feminino" que dá início ao feminismo de "segunda vaga". A sua autora defende que as feministas dos anos 70 devem lutar pela igualdade sexual e económica. As sufragistas passavam à História.
Na moda feminina, o sector têxtil assiste com azedume ao triunfo da mini-saia, cada vez mais reduzida, e tenta impôr a maxi, para recuperar o volume de vendas de tecido. O sucesso, obviamente, é efémero.
O primeiro ano da década traz uma boa notícia para os amantes da electrónica: é inventado o microprocessador (chip).
A Meca Cultural da Europa é agitada por uma onda de contestação cristã, motivada pela estreia, em Londres, de Jesus Christ Superstar. Estamos em 1971 e a capital inglesa começa a ser descoberta também pelos portugueses.. O sonho de muitos jovens é ir a Londres “numa daquelas viagens baratas da Abreu”. Concursos de televisão, achocolatados e produtos dentífricos, materializam o sonho de alguns, através de concursos e passatempos. Senhoras rumam à capital britânica de malas vazias, para regressarem com elas a abarrotar de peças de vestuário que vendem em "boutiques”,ou mesmo em suas casas, a jovens sequiosos de envergar as novas modas. Os cursos de Verão, em Inglaterra, são também o destino de alguns jovens portugueses, que de lá regressam inebriados, a abarrotar de discos, small gifts comprados em Carnaby Street, e uma peça de roupa adquirido no Biba's. Uma curta estadia de quatro dias em Londres já dá, a um jovem português, tema para um mês de conversas com amigos e familiares.