
É pelo menos o que parece. Depois dos distúrbios e das manifestações de histeria em Londres, Paris e S.Francisco, a chama olímpica percorreu Buenos Aires sem incidentes, e chegou à Tanzânia e a Oman sem que se ouvisse falar dela,- o que em termos de comunicação social significa que foi bem recebida.
As manifestações em defesa do Tibete já me andavam a cheirar um pouco a esturro e entendi-as como mais uma demonstração da superioridade moral com que europeus e americanos gostam de enfrentar as questões que se passam no resto do mundo.
Parece, no entanto, que é no "terceiro mundo" que podemos recolher posições de bom senso, já que por lá não se confundem, nem misturam, questões políticas com manifestações desportivas.
A utilização da chama olímpica como arma de arremesso à China por causa da questão tibetana foi mais uma prova da hipocrisia ocidental. Ninguém, nos corredores do poder, ousou criticar abertamente a China, mas as "manifestações populares" foram uitilizadas como pretexto para um aviso velado a Pequim.
A China, como se esperava, não se intimidou e terá mesmo interpretado toda esta encenação como uma certa cobardia dos governos europeus , incapazes de assumir uma posição, mas sabendo aproveitar a reacção popular para mandar recados. Em Pequim deve ter havido sonoras gargalhadas a ecoar em Tian an Men. Por lá sabe-se interpretar, muito bem e sem rodeios, o significado da atribuição do Jogos Olímpicos à capital chinesa e a oportuna retirada da China ( por decisão de Bush) da lista dos países violadores dos direitos humanos.
É provável que quando a chama olímpica chegar à Austrália se voltem a ouvir relatos de manifestações. Chega de hipocrisia e falsas demonstrações de repúdio. Pequim continuará a rir baixinho , a argumentar que os tibetanos atacaram a população chinesa e que o Dalai Lama esteve por detrás de toda a conflitualidade.
Admito, sem rebuço, que a História acabe, um dia, por dar razão a Jin Tao.


