Se o caso Matteo Renzi é patético, mas revelador da cobardia europeia quando se fala de dinheiro, o que por estes dias se está a passar na Europa em relação aos refugiados é preocupante.
Na Dinamarca, os refugiados são espoliados dos seus bens ( só podem ficar com 1340 euros e joias pessoais, como alianças) e a reunificação da família só é possível ao fim de três anos.
Na Holanda, os refugiados têm de entregar 75% do seu salário ao governo, para pagar as despesas no sítio de acolhimento. Medida que está a ser muito bem acolhida em alguns estados alemães, apesar da posição - que já aqui enalteci- da senhora Merkel.
No País de Gales os refugiados são obrigados a usar pulseiras fluorescentes, para serem facilmente identificáveis.
Nem vale apena argumentar que estas medidas são uma clara violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Seria uma perda de tempo pôr-me aqui a fazer uma dissertação sobre a desumanidade destas medidas, ou de como são o prfenúncio de uma Europa que chegou a ser um exemplo para o mundo civilizado.
O que importa neste momento reflectir é que as medidas avulsas tomadas por cada país, só foram possíveis porque a Europa não tem liderança, os governantes da maioria dos países não têm valores, e as instituições europeias só são solidárias quando se trata de roubar e punir os pobres que lutam pela sobrevivência.
Não me revejo numa Europa vergada ao poder dos mercados e insensível à miséria, mas não é difícil prever que o final deste filme não vai ser bonito de se ver.