
“Sábado à tarde num cinema da Avenida..."
Assim começava uma canção de Paulo de Carvalho (obrigado pelo alerta, caro Rodrigo)que retratava o principal lazer dos jovens portugueses nos anos 60. Era o tempo dos cine-clubes, o tempo de ir ao cinema em grupo, ou namorar na última fila trocando promessas de amor eterno.As salas eram grandes e em algumas, ao sábado à noite, fazia-se “toilette” para entrar.
Salas como o S. Jorge e o Monumental em Lisboa, ou o Coliseu, Trindade e Rivoli no Porto, tinham lugares cativos para o sábado à noite e estavam constantemente esgotadas. Vivia-se ainda uma época dourada do cinema, que começara nos anos 30 e se prolongara nas décadas seguintes, com filmes e actores que fizeram História.
A partir do final da década de 50- e principalmente na década seguinte- começaram a surgir, por todo o país, os “Cine-clubes” que exibiam filmes que muitas vezes não corriam no circuito comercias. Entre alguns deles existiam profundas rivalidades, mas os fins de tarde de sábado e as manhãs de domingo eram, normalmente, grandes “happenings” para os jovens ( e alguns menos jovens ) cinéfilos.
Os primórdios dos anos 70 determinaram, porém, grandes mudanças nos hábitos cinéfilos dos portugueses, familiarizados desde os finais dos anos 20 com uma indústria que fascinava o mundo inteiro e produzia os ídolos que todos admiravam.É durante esta década que se começa a perder o hábito de ir ao cinema em família, porque a televisão começa a introduzir-se nos lares e a reter os mais velhos no sofá da sala. No entanto, a sala de cinema ainda resiste durante toda a década de 70 e parte dos anos 80, altura em que aparecem em força os “Clubes de Vídeo”.
A cantora brasileira Rita Lee presta talvez uma das derradeiras homenagens musicais às salas de exibição da 7ª Arte com uma canção intitulada “FLAGRA!” que começava assim:
“No escurinho de um cinema /chupando drops de anis/ longe de qualquer problema/ perto de um final feliz"…
(Continua)