segunda-feira, 16 de junho de 2008

Rochedo das Memórias 53- Da Internacional Consumista à Globalização ( ou vice-versa)

A década começa com a libertação de Nelson Mandela. Terminava o apartheid. Bom augúrio. Mas como o mundo não sabe viver sem problemas...vai buscar um à terra das "Mil e Uma Noites". Chama-se Saddam Hussein, nome difícil de pronunciar. Quando invade o Koweit, arranjam-lhe um nome de guerra: "Carniceiro de Bagdad". Sempre dá mais jeito...
Com a queda do Muro de Berlim, a Internacional Consumista tem largo terreno para se expandir. De Mc Donalds em riste, aterra em Moscovo e depõe Lenine. Gorbatchov recebe o Nobel da Paz. Começava uma nova era, iniciada em 1989. A Internacional Consumista assentava arraiais e começava a inebriar o mundo com as suas promessas de “viver o Paraíso na Terra”.
Em Junho de 1989 o mundo assistira, em directo, aos acontecimentos de TIAN AN MEN. O regime não caiu, o ocidente lamentou-se, ameaçou exercer represálias, mas pouco tempo depois lá estava a exportar os seus produtos, porque o mercado chinês não se pode desprezar.Seis meses mais tarde caiu o muro de Berlim, Ceausescu foi assassinado perante as câmaras de televisão. O ocidente anima-se mas permanece expectante, seguindo os acontecimentos.
Agosto de 1991. O ocidente exultou. As beatas entraram em transe.Algum clero organizou vigílias. Depois dos sobressaltos, as angústias terminavam e as dúvidas dissipavam-se: a Rússia convertera-se!
Que importância têm os aspectos contraditórios do desmembramento do Império Soviético, se afinal o grande bastião do comunismo, o génio do mal que punha barreiras às exportações dos produtos ocidentais, está subjugado e não tardará a estender a mão em busca de auxílio? O delírio foi tão grande, que ate permitiu esquecer que o fundamentalismo islâmico estava prestes a triunfar numa Argélia que fica a dez braçadas da Europa e que se vivia ainda o rescaldo da guerra do Golfo.
O verdadeiramente importante para Internacional Consumista - que se preparava para assaltar o poder ao colo da democracia – é que do Atlântico aos Urales, todos os europeus possam ver, especados diante da pantalha, noticiários lidos pelo Rambo, ou seguir atentamente as peripécias de seriados protagonizados por Gorbatchev ou Imelda Marcos, enquanto bebem coca- cola e trincam amendoins.
O importante, verdadeiramente importante, é que os nossos irmãos do Leste Europeu possam, em breve, tal como nós, desfilar sob a bandeira da Internacional Consumista e desaguar, felizes, nos hipermercados do supérfluo e do desperdício, cujas portas lhes serão franqueadas por magnânimos empresários ocidentais.
O verdadeiramrente sublime é que de S.Francisco a Moscovo, passando por Lisboa, Praga ou Budapeste todos, sem excepção, possam confraternizar nos espaços standardizados dos “Pizza Hut”, “Mc Donalds” e quejandos, verdadeiros laços de comunicação entre os povos.

Expo- 2008 (4)

Praça no topo da Avenida Pablo VI, que dá acesso à entrada da Porta de Água.
Na foto, o pavilhão de Aragão. Do outro lado da praça, fica o Gabinete de Imprensa

O dia na Expo- 2008 começa às 9 horas com a abertura dos parques de estacionamento. Às 9h15m abrem as bilheteiras e às 9h30 abre o recinto para os visitantes.
Os organizadores anunciam a realização de 3400 espectáculos ao longo dos 93 dias do certame. Espectáculos, concertos, e uma parafernália de programas para crianças


Às 12 horas comemora-se o dia nacional de cada país e , meia hora mais tarde, pode assistir ao espectáculo do "Cirque du soleil". Denominado "CABALGATA", o espectáculo relata a hitória de foi concebido especialmente para a Expo e percorrerá todo o recinto.
Atendendo ao calor que se costuma fazer sentir em Zaragoza no Verão, a hora não parece ser a mais adequada, mas os organizadores é que sabem.

Mais para o fim do dia (18h00) pode deslocar-se ao Tribunal da Água, onde decorrerão diariamente conferências alusivas ao tema da Exposição: a água e o desenvolvimento sustentável.
Meia dúzia de vezes por dia, sem hora marcada, poderá também assistir a espectáculos de acrobacia de inspiração aquática
A partir das 20 realizam-se espectáculos temáticos e exposições no Palacio de Congresos e/ou no Auditorio Zaragoza.
O encerramento dos pavilhões é às 22 horas, seguindo-se animação nocturna até às 3 da manhã, hora de encerramento do recinto.
Durante o dia, cerca de meia centena de restaurantes estarão ao seu dispôr para o servir. A preços de Expo, como é de calcular...

EXPO-2008 (3)

A Avenida Pablo VI, que conduz à Torre da Água, principal entrada da EXPO, stava neste estado
À porta dos diversos pavilhões ( alguns por concluir a azáfama era grande...


Alguns dos ajardinados apresentavam este aspecto
Como antecipei aqui, a abertura da Expo 2008 foi um pequeno “flop”. Pavilhões por concluir, acessos condicionados, parte da cidade ainda esventrada. As fotos que tirei e reproduzo, dão uma pálida imagem do que pode encontrar quando chegar a Zaragoza, se decidir ser dos primeiros a fazê-lo.
Entretanto, não deixa de ser estranho que as agências de viagens se tenham alheado do evento e não apresentem programas de visita à Expo nos seus cardápios. Não pude confirmar, mas já duas ou três pessoas amigas me disseram que procuraram informações junto de duas das principais agências de viagens portuguesas e constataram o espanto dos funcionários que as atenderam. "Expo em Zaragoza? Mas que é isso?"
Estarão as agências de viagens apenas interessadas em vender férias de longo curso, estilo Brasil, Ásia e Caraíbas?

Rumo a uma nova Europa

Vislumbro, ao longe, os contornos da nova Europa. Retirada a maioria dos direitos sociais aos trabalhadores, engordadas as contas bancárias do capital à custa de horários de trabalho de 65 horas semanais, alcançada a autonomia de alguns teritórios como o Kosovo ( outros se seguirão a curto prazo)aos governantes europeus que emergiram da geração dourada de 60, resta-lhes aguardar que se cumpra o seu último desígnio: uma democracia com novo rosto. Traduzida para a nomenclatura moderna destes governantes sem passado e sem futuro ,democracia significa: hás-de votar como eu quero, nem que tenhamos que fazer eleições e referendos as vezes que for preciso.
O modelo inspira-se em Mugabe. Depois de convocar novas eleições, recusando assumir a derrota, teve esta frase lapidar: só comigo morto é que a oposição governará.
Estaremos preparados para a grande chacina dos actuais líders europeus? Não me parece...