Acabo de ver na TVI uma reportagem sobre jovens licenciados desempregados. Não foi para mim novidade saber que há 65 mil jovens licenciados desempregados e um número indeterminado que exerce actividades que requerem habilitações inferiores, como o caso de uma arquitecta a trabalhar como empregada de limpeza, ou de uma licenciada em comunicação a eercer funções de balconista num hipermercado. Ano passado fiz uma reportagm para a revista DIRIGIR onde entrevistei vários jovens em situações idênticas,alguns à beira do desespero. Também não fiquei espantado pelo facto de o ministro Mariano Gago ter manifestado alguma estupefacção perante os números e as situações que a jornalista lhe relatava, porque já é hábito que os ministros sejam sempre os últimos a saber o que se passa nas áreas que tutelam. Fiquei apenas ligeiramente surpreso pelo facto de as palavras do ministro terem sido suficientemente esclarecedoras, para que percebessemos que não faz a mínima ideia como dar a volta a esta situação.
Apesar de nada me ter surpreendido, não consigo deixar de me revoltar perante estas coisas, porque cada dia que passa, fica para mim mais claro, que os governantes são incapazes de esconder a sua impotência.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Rochedo das Memórias 6- Os loucos anos 20
Enquanto o mapa da Europa pós guerra era redesenhado e o Império Otomano se desmembrava, as sufragistas conheciam vitórias em Inglaterra e nos Estados Unidos (1920) e assistia-se ao surgimento de movimentos revolucionários em vários países.O êxito do Jazz estende-se à Europa, (com uma pléiade de intérpretes onde se destacaLouis Armstrong - Satchmo e as salas de baile animam-se ao som do charleston. No mundo das Artes, o surrealismo ganha um número crescente de adeptos e nas Letras surgem os nomes de Hemingway, Pirandello, T.S.Elliot, James Joyce ou Thomas Mann.
O cinema conquista cada vez mais adeptos e Greta Garbo é a sua diva.
Década de contradições, os anos 20 vêem emergir a figura pacifista de Gandhi, mas também os sinistros Mussolini (1922) e Estaline (1927).
É a década do capitalismo do bem –estar, mas também a do desencanto da classe média; da Belle Époque mas da propagação da fome; da euforia, mas também da incerteza; do equilíbrio precário de uma paz que não se adivinhava duradoura.
O primeiro ano desta década serve de berço ao secador de cabelo, ao triunfo dos detergentes e assiste ao nascimento das emissões radiofóniocas regulares nos E.U.A. A primeira emissão foi transmitida apenas para um milhar de aparelhos, mas o sucesso não tardaria. Sucesso, igualmente, foi o lançamento do primeiro livro de Agatha Christie que deu a conhecer ao mundo o inspector Poirot.
Em 1921 Coco Chanel lança a sua última criação, que será um êxito de vendas em todo o mundo- o perfume Chanel nº5- e na medicina a insulina traz uma mensagem de esperança para os diabéticos. Para os automobilistas a notícia do ano é a gasolina super. Mas, por agora, só para os americanos.
No ano em que é finalmente descoberto o túmulo de Tutankhamon e Mussolini marcha sobre Roma (1922), é descoberta a vitamina E.
No mundo da moda, o espartilho dá lugar ao soutien, a saia sobe até ao joelho, o chapéu de aba cede o seu lugar ao "cloche" e o corte de cabelo "à garçonne" faz furor. As marcas da Guerra estendem-se ao vestuário e a mulher começa a libertar-se, a pintar-se e a fumar. Mas de Chicago vem a surpresa, com a aplicação de multas de 10 dólares às mulheres que usem saias curtas.
Eu não acredito!
Chama-se Mónica , é socióloga e tem 28 anos. Criou há três anos um projecto-piloto de combate à delinquência juvenil em bairros problemáticos da Linha de Sintra. Hoje é notícia de jornal. Pelos méritos do seu trabalho, pelo êxito do projecto, mas também porque está há três anos a trabalhar sem receber um cêntimo de ordenado. O seu patrão é a PSP, ou seja, o Estado. O garante do seu sustento, a Mãe
Que país é este que permite uma situação destas? Que país é este, que explora até ao tutano o trabalho de uma jovem, sem cuidar de lhe dar a retribuição correspondente? Que país é este que catapulta os detentores de cartões rosa ( ou laranja, vai tudo dar ao mesmo...) para lugares que não têm capacidade nem competência para exercer, e ignora o trabalho de uma jovem que desenvolve um trabalho social, deixando-a na expectativa de uma retribuição salarial durante três anos? Só pode ser o mesmo país onde o Estado não tem dinheiro para comprar boquilhas para a PSP fazer testes de alcoolemia, mas tem dinheiro para atribuir subvenções aos deputados que lhe duplicam o ordenado, ou para conceder mordomias a agentes partidários.
Não faltará por aí quem me venha acusar de demagogia. Mas não é... é só REVOLTA!
Que país é este que permite uma situação destas? Que país é este, que explora até ao tutano o trabalho de uma jovem, sem cuidar de lhe dar a retribuição correspondente? Que país é este que catapulta os detentores de cartões rosa ( ou laranja, vai tudo dar ao mesmo...) para lugares que não têm capacidade nem competência para exercer, e ignora o trabalho de uma jovem que desenvolve um trabalho social, deixando-a na expectativa de uma retribuição salarial durante três anos? Só pode ser o mesmo país onde o Estado não tem dinheiro para comprar boquilhas para a PSP fazer testes de alcoolemia, mas tem dinheiro para atribuir subvenções aos deputados que lhe duplicam o ordenado, ou para conceder mordomias a agentes partidários.
Não faltará por aí quem me venha acusar de demagogia. Mas não é... é só REVOLTA!
Apocalipse Now
“Milhões de chineses ficaram bloqueados com sucessivas e violentas tempestades de neve que cortaram estradas e linhas férreas em mais de metade do país. No princípio da semana havia 1,8 milhões de desabrigados, bloqueados em estações de comboio, como em Guanzhou, quando queriam voltar às suas terras para celebrar o Ano Novo Lunar chinês. O caos provocado pelo pior Inverno dos últimos 50 anos causou pelo menos 60 mortos e prejuízos de 5 mil milhões de euros;232 mil imóveis foram derrubados pelos peso da neve e 862 mil ficaram danificados. Para manter a ordem, Pequim destacou 306 mil soldados, um milhão de milicianos e 65 mil médicos”.(in Sábado de 7 de Fevereiro)
Hoje na China, ontem nos Estados Unidos, amanhã na Índia e desde há muito na Europa e em África, a Natureza vai enviando sinais sucessivamente mais claros que está cansada de servir de albergue aos que a querem aniquilar. Um dia vai zangar-se de vez, enterrando a Humanidade nos escombros do seu progresso assente na desigualdade, no livre arbítrio, na indiferença e nessa tremenda vaidade de querer ter sempre mais e melhor.
Eu sei que já Sócrates, na velha Atenas, escarnecia dos excessos consumistas dos atenienses, dizendo para os seus dsicípulos diante de uma banca de rua: “Vejam lá a quantidade de coisas que os atenienses precisam para viver!”. Ninguém o ouviu e, ainda hoje, quem se insurge contra a excessiva industrialização, a destruição de zonas ecológicas prioritárias para dar lugar a urbanizações de lazer ou unidades industriais, ou o consumismo exacerbado, é visto como um “pé de cabra”.
É mais agradável dar ouvidos às tiradas apaziguadoras dos cépticos como Bjorn Lomborg ou Pacheco Pereira, que não vêem senão exagero e fundamentalismo nas chamadas de atenção para as alterações climáticas. É mais fácil apontar o dedo aos fumadores, do que criticar o que se passa na Arrábida. É menos incómodo pôr uma máscara de horror( ainda que fingida...) perante o que se passa no terreno do nosso vizinho, do que modoficar um pouco os nossos hábitos de vida. Afinal- pensa a maioria- quando isso acontecer já não estaremos cá para sofrer. Pois, os filhos que se amanhem com a estupidez e indiferença dos pais -e paguem a factura.
Na terra da avó torta
Um destes dias, a Fernanda Câncio pedia licença a um qualquer comentador impertinente do 5dias para o mandar "para a terra da sua avó torta". Senti-me enternecido, porque a expressão fez-me regressar aos tempos da minha infância, altura em que esse era o único insulto permitido em minha casa, sem direito a uma severa admoestação ou, em caso de reincidência, a um par de galhetas. ( Sim, leitores, confesso que fui vítima dessas atrocidades- mais na escola do que em casa- que, a serem cometidas por algum pai ou professor, nos dias de hoje, o habilitam a ser conduzido até à barra dos tribunais, acusado de infligir maus tratos a menores).
Tive pais que me deram educação recorrendo por vezes a uns tabefes para manter na ordem uma prole por vezes demasiado insuportável, mas era nos períodos de férias que os problemas se agravavam. A família reunia-se durante algumas semanas, na casa dos meus avós,provocando avassaladores engarrafamentos de primos e primas, acolitados por criadas que se esforçavam por manter na ordem duas dezenas de crianças cujas idades oscilavam entre os três e os quinze anos.
Mas voltemos ao que interessa...Como dizia, em minha casa era preciso ter muito tento na língua e mandar um primo “para a terra da avó torta” era o único insulto tolerado, talvez porque nenhum de nós tivesse uma avó torta e o insulto não representasse mais do que uma metáfora. Claro que quando entrei para o liceu enriqueci profusamente o meu vernáculo (comecei mesmo a mandar alguns colegas para locais bem mais longínquos e fedorentos), mas só o utilizava fora de casa e, mesmo assim, com grande prudência. Hoje em dia, mandar alguém para a terra da sua avó torta, foi algo que caiu tão em desuso, que já nem me lembrava da expressão. Quiçá porque me habituei a ler alguns colunistas que recorrem com inusitada frequência ao insulto, para atacar pessoas que escrevem ou dizem coisas que lhe desagradam, as expressões inofensivas, como “mandar alguém para a terra da sua avó torta” desapareceram do meu curriculo vocabular. Agradeço por isso à Fernanda Câncio ter-me devolvido à memória esta expressão, embora tenha chegado com algum atraso para dela poder fazer melhor uso. É que assenta na perfeição a um determinado colunista que emoldura as crónicas, com uma fotografia exibindo “tiques” de nobreza que podem fazer crer que se trata de um “gentleman, mas nas últimas semanas me brindou nas páginas de uma revista, com epítetos grosseiros, mais próprios de um taberneiro . Pois, caro senhor, o que lhe desejo é uma viagem em primeira classe até à terrinha da sua avó torta, onde provavelmente recebe algumas encomendas para as suas crónicas!
Tive pais que me deram educação recorrendo por vezes a uns tabefes para manter na ordem uma prole por vezes demasiado insuportável, mas era nos períodos de férias que os problemas se agravavam. A família reunia-se durante algumas semanas, na casa dos meus avós,provocando avassaladores engarrafamentos de primos e primas, acolitados por criadas que se esforçavam por manter na ordem duas dezenas de crianças cujas idades oscilavam entre os três e os quinze anos.
Mas voltemos ao que interessa...Como dizia, em minha casa era preciso ter muito tento na língua e mandar um primo “para a terra da avó torta” era o único insulto tolerado, talvez porque nenhum de nós tivesse uma avó torta e o insulto não representasse mais do que uma metáfora. Claro que quando entrei para o liceu enriqueci profusamente o meu vernáculo (comecei mesmo a mandar alguns colegas para locais bem mais longínquos e fedorentos), mas só o utilizava fora de casa e, mesmo assim, com grande prudência. Hoje em dia, mandar alguém para a terra da sua avó torta, foi algo que caiu tão em desuso, que já nem me lembrava da expressão. Quiçá porque me habituei a ler alguns colunistas que recorrem com inusitada frequência ao insulto, para atacar pessoas que escrevem ou dizem coisas que lhe desagradam, as expressões inofensivas, como “mandar alguém para a terra da sua avó torta” desapareceram do meu curriculo vocabular. Agradeço por isso à Fernanda Câncio ter-me devolvido à memória esta expressão, embora tenha chegado com algum atraso para dela poder fazer melhor uso. É que assenta na perfeição a um determinado colunista que emoldura as crónicas, com uma fotografia exibindo “tiques” de nobreza que podem fazer crer que se trata de um “gentleman, mas nas últimas semanas me brindou nas páginas de uma revista, com epítetos grosseiros, mais próprios de um taberneiro . Pois, caro senhor, o que lhe desejo é uma viagem em primeira classe até à terrinha da sua avó torta, onde provavelmente recebe algumas encomendas para as suas crónicas!
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