Em miúdo vi um filme do Louis de Funés, cujo título não me ocorre, onde aprendi que as estrelas atribuídas pelo Guia Michelin ( como os títulos de “melhor do mundo” ) valem o que valem. Nunca lhes dei grande importância e nunca entrei num restaurante atraído por esse chamariz.De qualquer modo, sempre me fez alguma confusão tentar perceber a atribuição de uma estrela ao Porto de Santa Maria, no Guincho. As poucas vezes que lá fui, saí com a sensação de que a distinção se devia mais à qualidade do peixe, do que à sua confecção e não me lembro de alguma vez ter saído de lá maravilhado. Bem pelo contrário até, em virtude de alguns encontros inoportunos que lá tive.
Este ano a Michelin retirou a estrela ao Porto de Santa Maria e atribuiu uma à Casa da Calçada em Amarante.
Estive lá há pouco tempo, durante a minha estadia no Douro e comi divinalmente. Na altura lembro-me de ter pensado: se os tipos do Michelin cá viessem, talvez lhe atribuíssem uma estrelita. E não é que foram?
O engraçado é que quando comentava isto com uma amiga, ela me olhou enfastiada e disse.
“Deves estar louco. A única coisa que lá se safa é a vista!”
Pois é, esta coisa de prémios e distinções é sempre muito relativa, não acham?
Se houvesse objectividade, provavelmente Lobo Antunes já teria sido galardoado com o Prémio Nobel.
