Eu reconheço a importância da concertação social mas, é preciso dizê-lo, salvo raras excepções, a concertação social tem servido melhor os interesses dos patrões e as políticas dos governos, do que os interesses dos trabalhadores.
No consulado do coelho-portismo, apesar de Silva Peneda ter tentado dar dignidade ao órgão, isso foi bem notório, pois o governo nunca ligou às recomendações que de lá emanaram e que teriam evitado dissabores aos trabalhadores portugueses e alguns chumbos do Tribunal Constitucional.
Se atentarmos à composição daquele órgão, percebe-se melhor porquê:
Os líderes da CAP são, normalmente, uns jarretas a quem caparam os neurónios que vêem a agricultura e os trabalhadores agrícolas como antes do 25 de Abril.
A UGT, cuja representatividade no mundo laboral é muito questionável, foi ali metida para fazer fretes aos patrões, fingindo que está a defender os interesses dos trabalhadores. É como aquele jarrão de família de que ninguém gosta, mas todos toleram porque é a peça preferida dos avós.
O sr Saraiva da CIP, embora muito mais civilizado que o seu antecessor, Pedro Ferraz da Costa, não consegue alterar a imagem dinossáurica do sector empresarial tuga, onde há muitos patrões, mas escasseiam os empresários. Assim que se fala de aumento do salário mínimo, o sr Saraiva serve de porta voz da maioria e vem logo com a conversa do arrefecimento da economia.
Quanto à CGTP, desempenha o papel de jarra no centro da mesa. Fica bem na fotografia mas, logo que o fotógrafo vira costas, os restante parceiros apressam-se a retirá-la da mesa, para não atrapalhar a conversa.
Diga-se, em abono da verdade, que a CGTP gosta de desempenhar este papel e até apresenta propostas irrealistas em que nem os seus dirigentes acreditam( como a de aumentar o salário mínimo para 600€ já em 2016) para poder continuar a ter o estatuto de elemento decorativo que abrilhanta as fotografias de família.