terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Obrigatório proibir (1)

Sinto-memuitas vezes incomodado- seja no verão ou no Inverno- quando entro em centros comerciais, restaurantes e cinemas, porque o ar condicionado é colocado a temperaturas demasiado elevadas ( Inverno) ou demasiado baixas ( Verão).
Já tive, em tempos, de partilhar um gabinete com duas jovens que no Inverno mantinham o ar condicionado nos 35 graus! Passei todo o Inverno constipado, mas como as jovens eram bonitas e simpáticas, lá me fui aguentando , dizendo apenas de vez em quando algumas piadas para ver se elas percebiam que o ar condicionado me sufocava e era a causa da constipação que não me abandonava. Em troca recebia aqueles sorrisos simpáticos e uma expressão de espanto pelo facto de eu sentir calor (embora estivesse em mangas de camisa).
Naquele Inverno, fui um abono de família para a farmácia do meu bairro, mas nunca me passou pela cabeça solicitar ao Director que deslif«gasse o ar condicionado. Convivi com a situação até ao Verão, altura em que o ar condicionado passou a fixar-se nos 15 graus!
Felizmente, acabou por me ser atribuído um gabinete individual, onde passei a utilizar moderadamente o aparelho, mas passados vários anos, ainda não consigo perceber o que levava duas jovens a manter o ar condicionado em temperaturas extremas. Passei pela mesma situação quando vivi em Macau e na Suécia, onde procurava encontrar restaurantes e estabelecimentos comerciasi que me evitassem o confronto com temperaturas extremas.
Hoje, animado pelos clamores da cruzada anti - tabágica, levanto finalemnte a minha voz e apregoo ao Mundo: PROIBAM O AR CONDICIONADO!
Claro que não entro em exageros, apenas peço a quem de direito, que estabeleça regras para a utilização do ar condicionado, proibindo que os centros comerciais, cinemas, restaurantes e outros locais públicos ponham o ar condicionado a temperaturas tão altas que se estorrica ou gela lá dentro, consoante a estação do ano. Era uma medida de elementar bom senso. Poupava-se energia e protegia-se o ambiente, evitavam-se constipações e gripes, despesas na farmácia, baixas médicas, e a diminuição de produtividade. E além disso não me incomodavam!

Uma questão pífia


Desde o momento em que se tornou perceptível a falta de razoabilidade por parte dos não-fumadores, que percebi que a blogoesfera se iria incendiar. Não ao estilo do “politicamente correcto” "Prós e Contras", mas do seu antecessor “Gregos e Trioanos
Eu sei que a discussão em torno da lei anti-tabágica é uma questão pífia e que não conduz a lado nenhum, mas não resisti a mandar algumas "achas para a fogueira" quer aqui, quer em comentários a posts publicados noutros blogs, especialmente no 5 dias, onde a Fernanda Câncio tem assumido a liderança do movimento “Os fumadores são horrorosos! Morram os fumadores, Pim!”.Quando me apercebi que me embrenhara na discussão, cheguei a pensar que entrara na fase da menopausa intelectual, mas ao olhar em volta e ler os argumentos das posições extremadas, tranquilizei-me! Afinal, não sou só eu...
De qualquer modo, não tenciono voltar ao assunto neste local. Não deixarei no entanto de, na tentativa de me colocar no lugar dos não fumadores fundamentalistas, escrever alguns posts sobre outros produtos que me incomodam e por isso desejaria ver banidos. Como vivi o Maio de 68 e fui fiel seguidor de Cohn Bendit e da máxima “ É proibido proibir” inaugurarei, ainda hoje, uma série de posts a que darei o título de “Obrigatório Proibir”.
É, pelo menos, mais consentâneo com os tempos que vivemos.

E a escalada proibicionista continua...

Uma larvar febre proibicionista está a invadir a Europa. Agora, o alvo persecutório de Bruxelas parecem ser os publicitários. Começou por se proibir a publicidade ao tabaco – que culminou numa perseguição aos fumadores- proibiram-se uma série de produtos tradicionais com intuitos meramente proteccionistas no seio do mercado interior, agora ameaça-se proibir a publicidade dirigida às crianças e a publicidade ao “fast-food”.Não sou consumidor de “fast food”, mas considero a proibição da sua publicidade mais uma hipocrisia. Em primeiro lugar, porque não está provado que o consumo moderado desse tipo de alimentos seja muito prejudicial à saúde. Alguns nutricionistas admitem mesmo que esses produtos fazem parte – ainda que ocasionalmente- da sua dieta alimentar. Em segundo lugar, porque não é proibindo a publicidade que se combate a obesidade que tanto preocupa- e bem- as autoridades de Bruxelas.
O que deveria preocupar as autoridades comunitárias e principalmente os Comissários Kyrpianou e Kuneva era perceber por que razão os jovens europeus se sentem tão atraídos pela “fast food “ e outras modas “made in USA”. Já deveriam ter percebido, por exemplo, que a cultura americana, assente em princípios alimentares profundamente errados, é vendida a toda a hora na Europa através dos filmes e séries de origem americana que invadem as televisões e salas de cinema.
Compreendo que seja mais fácil para Bruxelas proibir a publicidade a determinados produtos, do que pôr em causa a sobrevivência de figuras sagradas da indústria e do mercado. Compreendo que seja mais fácil sugerir a proibição de venda desses alimentos nas cantinas escolares ( embora quem queira continuar a consumi-los os encontre a 100 metros da escola) do que desenvolver campanhas que permitam aos jovens fazer escolhas conscientes em termos alimentares, não se deixando seduzir pelas promessas de alguma publicidade.
Compreendo tudo isto...mas não aceito! Porque não pactuo com a prática farisaica de dar com uma mão e apunhalar pelas costas com a outra.
A UE já devia ter percebido que se a publicidade ajuda a enraizar hábitos, não pode ser responsabilizada pelos males do mundo!

O elogio da estupidez

Já fui fumador inveterado, seduzido por uma publicidade que me convencia que ser fumador era sinónimo de “sucesso”.
Hoje sou um fumador ocasional que tem respeito por quem encontra no tabaco uma forma de escape para as tensões do dia a dia.
Respeito, como sempre o fiz, os não fumadores que não querem ser obrigados a engolir o fumo dos outros. Não compreendo, por isso, a fúria anti-tabágica de alguns militantes anti-fumo, que vai atacando o “modus vivendi” de muitos ocidentais.
A Lei anti-tabágica é persecutória, fundamentalista, pidesca e um hino à estupidez. As interpretações da DGS ( esta sigla faz-me nervos e provoca-me pele de galinha!) não escapam a esta visão, talvez porque segue a linha fundamentalista do Conselho de Prevenção do Tabagismo. Que pensar quando uma técnica da DGS vem dizer publicamente que, não estando definidas claramente as regras a que devem obedecer os espaços que optem por se manter abertos a fumadores, aconselha os proprietários a manterem os espaços livres de fumo? Que estamos num País europeu, ou no Botswana? Que vivemos num regime democrático ou num ditadora tecnocrata? Se o legislador tivesse um pouco de bom senso, bastar-lhe-ia ter “copiado” o modelo espanhol em vez de esboroar os seus esforços na cópia da legislação americana ou irlandesa ( a única legislação europeia que talvez seja tão fundamentalista como a nossa).
Quando uma lei anti-tabágica padece de cegueira social, ao fixar normas rígidas para estabelecimentos comerciais como restaurantes , bares e discotecas, sem permitir aos seus proprietários ter uma palavra sobre o assunto; estabelece a possibilidade de fumar em determinados estabelecimentos, mas como não define as normas de instalação dos aparelhos de extracção de ar, está a inviabilizar que muitos espaços optem por ser abertos a fumadores; prevê multas para os fumadores que chegam a atingir o quádruplo das multas aplicadas a um consumidor de drogas; ignora a informação e prevenção; apela à delacção ( só falta atribuir uma comissãozita ao delator, para ser perfeito) só me apetece perguntar: Quem me indemniza pelo facto de o Estado ter permitido a publicidade desregrada ao tabaco - chegando mesmo a incentivar a produção de tabaco e dela ter beneficiado- contribuindo assim para que eu me tornasse um fumador?
A aprovação de uma lei fundamentalista não pode deixar de ser baseada na incoerência. Tão preocupado com o consumo do tabaco(cuja venda só será permitida a partir dos 18 anos), o Estado continua a permitir a venda de bebidas alcoólicas a crianças com 16 anos, a fingir que não sabe que existem discotecas neste País onde crianças entre os 10 e os 14 anos consomem álcool, Ecstasy e drogas leves. Porque não age o Estado sobre os infractores e os seus promotores ( proprietários dos espaços) é que ninguém percebe!
Sou a favor de uma lei anti-tabágica, mas não tolero a insensatez de legisladores encartados que pugnam arduamente por ficar na História, sem cuidar de saber ( ou pelo menos perceber) que a estupidez é adversária do progresso e a cegueira social inimiga do bom senso.