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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Oh, que pena!

Acabou-se o fim de semana prolongado, oh!!!! Foi bom, não foi? Os sortudos do Porto, Braga e mais algumas localidades a Norte, têm um igual na próxima semana.

Quanto aos lisboetas, terão de esperar até 2016 para terem outro fds assim em Junho. Pronto, agora toca a bulir, porque amanhã recomeça a batalha da produção para pagar a dívida ao FMI, BCE e UE. Animem-se, porque as férias estão à porta. As minhas começam já na próxima semana.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O lado B(om) da crise

Vejamos " a coisa" pela positiva. Só quem nada aprendeu com a crise, ainda não percebeu que a vida em 2011 ficou muito mais facilitada para toda a gente. Este ano não há necessidade de fazer planos, porque nos deitamos todos os dias com umas regras, mas não sabemos se ao acordar no dia seguinte, elas se mantêm em vigor. Digam lá se não é saborosa e rejuvenescedora esta incerteza do imprevisto... haverá coisa mais entusiasmante do que não saber como será o dia de amanhã? Há quantos anos não tinham esta sensação de aventura, que é adormecer sem ter de fazer planos para o dia seguinte?
Até os desempregados são abrangidos por esta avassaladora onda de aventureirismo. É certo que a maioria adormece com a certeza de não encontrar trabalho no dia seguinte... mas quem pode adivinhar qual o direito ou regalia que lhe será retirado ao amanhecer?
Em vez de transformar a vida num "muro das lamentações" os portugueses devem agradecer aos nossos governantes actuais e futuros, bem como aos seus congéneres franco-alemães, aos amigos do prof Cavaco no BPN e restante trupe de gananciosos e vigaristas que comandam a economia e ditam as regras das finanças mundiais, esta maravilhosa oportunidade de rejuvenescimento.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Proposta para reduzir a abstenção

Talvez em 2011 os portugueses percebam, finalmente, que não vale a pena continuar a votar nos partidos do arco do poder que nos (des) governaram nos últimos 25 anos, conduzindo-nos a esta situação. Como não se vislumbra no horizonte o aparecimento de líderes políticos entusiasmantes e a maioria dos portugueses é avesso a votar à esquerda, porque não quer correr riscos de ter um governo que mate os velhos com uma injecção atrás da orelha e coma criancinhas ao pequeno almoço, nem se pretende sujeitar à humilhação de ver os bloquistas a taxarem as suas fortunas, ou reduzir-lhes os salários, espera-se o aumento da abstenção.
Para que tal não se venha a verificar, e os portugueses voltem a votar com entusiasmo, proponho uma alternativa.
Nas próximas eleições, aproveitando a nova Lei de Financiamento dos partidos e o facto de nos ser permitido saber quais as empresas e entidades financeiras generosas que oferecem dinheiro para campanhas eleitorais aos partidos que pretendem controlar, faria todo o sentido que, em vez das siglas PS, PSD e CDS , aparecessem nos boletins de voto os nomes das empresas financiadoras.
Assim, teríamos, por exemplo, os logotipos Galp, BCP, PT, EDP, BES, SONAE, etc, em vez daqueles estafados logotipos dos partidos que são publicidade enganosa. Passaríamos a votar directamente em quem nos governa, em vez de votar em intermediários, meros executantes da política imposta pelas empresas e instituições financeiras.E como algumas destas empresas também apoiam determinados clubes, teríamos o voto 2 em 1, ou seja, votaríamos na empresa que mais nos agradasse e no clube do coração. No dia a seguir às eleições, as primeiras páginas de jornais seriam muito mais animadas. Ora vejam só este exemplo:

Galp vence eleições legislativas e povo sai à rua para festejar
Benfica/Galp ganha eleições, mas sem maioria absoluta. FC Porto/ SONAE recusa coligação. O comentador da SIC, Rui Santos/ Dicionários Porto Editora, analisa os resultados e realça o fraco resultado obtido pelo Sporting/ Herdade do Esporão, que considera o grande derrotado das eleições de ontem”.
Em chamadas de primeira página pode ainda ler-se:
"Os analistas políticos Mário Crespo/Circo Chen, Manuela Moura Guedes/ Freeport e Pacheco Pereira/Vomidrine analisam os resultados eleitorais (pg 7)
Presidente Cavaco/BPN manifesta confiança no futuro governo ( pg 8)

AVISO IMPORTANTE: No próximo sábado não perca os novos boletins de voto. Em primeira mão, aqui no CR.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Yes, we can!


2010 foi, muito provavelmente, o pior ano da minha vida. Em termos familiares fiquei reduzido à expressão mais simples do Eu. Na saúde apanhei alguns sustos - felizmente não passaram disso - suficientes para me deixarem em estado mental comatoso ao longo do ano. Cada vez que meti férias morreu um familiar ou amigo. No trabalho empenhei-me num projecto editorial novo, confiei nuns arrivistas recomendados por amigos recentes e tramei-me. A programada emigração para o hemisfério sul sofreu um acidente de percurso que me obrigou a regressar à terra.
No meio de tanto despautério, reencontrei amigos de infância que os atalhos e retalhos da vida tinham separado, entre mares montanhas e vales que traçaram os nossos percursos de vida, trilhados em continentes dispersos. Este reencontro fez-me recordar uma namorada vietnamita.
Num amanhecer tropical, entre fogosos amores suados pelo calor húmido de Vanuatu, declarei-lhe fidelidade eterna. Olhou-me com um misto de doçura e compreensão e disse-me no seu linguarejar mesclado de bislama e inglês:
"Depois dos 40 anos podemos amar, dar prazer ao corpo, mas não podemos fazer amigos. Esses são os que cresceram connosco. Eu quero voltar a My Lai, reencontrar os amigos que perdi pelo caminho, tu nunca irias comigo. E se fosses, depressa te vinhas embora, porque não pertences a My Lai, nunca perceberás as pessoas que lá vivem em constante revolta, pelo massacre e abuso de que foram vítimas. Nunca poderás confiar cegamente em pessoas que não fizeram o teu percurso".
Engoli em seco. Lembrei-me que An Mei estava ali comigo, porque na manhã em que os americanos tinham atacado My Lai tinha ido com a mãe ao mercado para comprar comida, escapando assim ao massacre. Meses depois An Mei regressou ao Vietname. Fiquei em Phukett, durante uma semana, a curtir em álcool as agruras da rejeição. Nunca esqueci aquela manhã. Gostaria de a voltar a encontrar numa dessas curvas da vida. Não por sentir desejo de voltar a amar daquela forma que só a ternura e sabedoria dos 40 alcança, mas para dizer a An Mei que nunca mais esqueci aquela frase e que hoje percebo, melhor do que nunca, que ela tinha razão.
Entramos em 2011 com a sensação, quase certeza, de que vai ser um ano mau. Porque os rendimentos vão diminuir e o custo de vida aumentar. Porque temos menos para gastar em viagens a Cancún, Varadero ou Phukett, não podemos trocar de carro, ou comprar mais um berloque. Porque vai crescer o desemprego e vão engordar os impostos, vão diminuir as reformas e os salários e minguar o Estado Social. Porque haverá gente com fome. Porque perdemos a esperança nos políticos que nos governam ou querem governar.
Pessoalmente acredito, quiçá parvamente porque sou um privilegiado, que para mim 2011 vai ser melhor do que 2010. Viver com menos dinheiro não me preocupa, desde que tenha qualidade de vida. Ou seja, saúde e trabalho. O grande drama de muitos portugueses é confundirem qualidade de vida com bens materiais. Estou mais interessado em bens imateriais como a amizade. Talvez por isso, ao fazer o balanço deste ano, seja levado a concluir que não foi um ano tão mau assim. Apesar de ter sido o pior ano da minha vida. tive a felicidade de reencontrar velhos amigos.
Reforcei a ideia de sempre, de que ter saúde e amigos é mais importante para a nossa qualidade de vida, do que ganhar o Euromilhões. Temos de aprender a relativizar as coisas. Vivemos mais de duas décadas como ricos, quando na realidade nunca o fomos. A maioria dos portugueses viveu nos últimos anos com dinheiro que lhe foi emprestado por agiotas sem escrúpulos, vendedores de ilusões resgatadas com o preço do sub-emprego precário. Viveu refém de empréstimos, cartões de crédito e da necessidade de construir uma imagem, alicerçada nos paradigmas da sociedade do consumo. Tudo se esboroou num ápice.
Em 2010 os portugueses despertaram para a realidade, depois de terem vivido 25 anos mergulhados num sonho cor de rosa. O despertar é tumultuoso e difícil, mas para isso já eu alertara em 1998 quando, indiferente às acusações de catastrofista de João Salgueiro e Vítor Constâncio, escrevi que os portugueses, mais cedo ou mais tarde, iriam despertar para uma realidade dolorosa.Não será tão dolorosa assim. Teremos é de relativizar as coisas e perguntarmo-nos: Poderemos ser mais felizes com menos dinheiro?
A resposta só pode ser: Yes, we can! ( desde que pensemos mais nos outros e demos mais importância às pessoas. Principalmente às que nos são próximas e estão a passar por dificuldades).
O importante é que reinventemos a forma de estar na vida, percebendo que o melhor que ela nos dá é a relação com as pessoas. É com elas que poderemos construir um país melhor.