quarta-feira, 16 de abril de 2008

Oh Não!!!! E o Princípio de Peter?

Tinha eu acabado de postar isto e isto, quando recebo um e-mail de uma leitora remetendo-me para um artigo do Correio da Manhã. E que leio eu? Que a escritora Carolina Salgado se refugiou no Alentejo, depois do acidente de que foi vítima, para descansar e... escrever outro livro.

Pensei com os meu botões "lá vem mais um livro de ficção científica". E, numa reacção em cadeia, os meus botões alvitraram: " mais trabalho de investigação para MJM, mais processos a serem reabertos, mais um ataque cardíaco do Pinto da Costa inventado pelo Expresso, mais trabalho para Leonor Pinhão, mais um filme para o João Botelho..."

"Párem!" - gritei para os meus botões. "Deixem-se de lucubrações parvas, que eu quero ler isto até ao fim".

Postos em sentido perante o meu ataque de mau humor, os botões amuaram, mas continuaram a ruminar entre dentes qualquer coisa acerca de encontros entre LFV e Hermínio Loureiro, PJ e Académica, cuja relação não percebi bem. Por fim calaram-se.

Continuei a minha leitura. Fiquei a saber que Carolina está feliz (depois de ter espatifado um jeep de 80 mil euros ? Tá bem, tá! Vê-se logo que o dinheiro não lhe custa a ganhar...) e que o seu livro nada tem a ver com o lado obscuro do desporto. A jornalista que escreve a notícia esclarece que "depois de ter terminado recentemente a relação com um empresário gaiense de nome Xavier, está agora concentrada em encontrar a felicidade plena" . Gostei do nome. Xavier é um nome que inspira qualquer cabeça e dá azo à imaginação em livros policiais e contos infantis.

Quanto à felicidade plena não sei o que isso é, mas se ela desprezou um empresário chamado Xavier e foi para o Alentejo inspirar-se, lá saberá o que faz...

Os sacanas dos botões leram o meu pensamento e arriscaram: " seja lá o que isso for, está provado que Carolina ainda acredita no Pai Natal e isso explica o primeiro livro".

Lancei-lhes um olhar ameaçador. Voltaram para as suas casas remetendo-se ao silêncio.

Pelo sim, pelo não, a jornalista vai avisando os leitores que Carolina está sozinha. Há sempre a hipótese de um qualquer Xavier aparecer por lá a tentar a sua oportunidade, ajudando-a a encontrar a "felicidade plena". Uns livros de cheques bem recheados são capazes de ajudar.

Fiquei mais descansado quando percebi que Carolina se refugiou em Cabeço de Vide. É uma terra com termas recomendáveis. Há poucas hipóteses de nos encontrarmos, pois ela gosta mais do Alto e eu prefiro o Baixo ( estou a falar do Alentejo, claro!). Mesmo assim imaginava melhor noutros enquadramentos paisagísticos, como o "Allgarve" ou a Madeira.

Estou muito grato ao CM por não ter perdido a oportunidade de informar os leitores acerca da vida desta personagem incontornável para a felicidade e bem estar dos portugueses. É assim mesmo que se faz bom jornalismo em Portugal. Bravo, rapazes( neste caso foi uma jornalista, mas não faz mal) continuem a trazer até nós o perfume ímpar deste jornalismo de investigação e não se esqueçam que quando Carolina diz que no novo livro "há surpresas para os leitores e fãs" está a pensar em vós, sempre na primeira fila, prontos a adulá-la, beijar-lhe os pés e praticar outros "fetiches" que tanto devem ser do seu agrado. Ela também vos estará grata pela oportunidade que lhe deram de ter uma coluna semanal no CM e assim se guindar ao estrelato das letras portuguesas, ombreando com a Margarida Rebelo Pinto.

Confesso que estou curioso. Que irá escrever agora Carolina? Que terá ela para revelar aos seus admiradores do CM e do SLB de tão importante e sublime? Por via das dúvidas, talvez fosse melhor a D. Quixote mandar alguém explicar-lhe que há uma coisa que se chama Princípio de Peter sobre o qual se devia debruçar, antes de ter a veleidade de escrever sem recurso a um "ghostwriter" ....

Eles comem tudo...

Em apenas 2 dias, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) fiscalizou 577 empresas de construção, abrangendo 1453 trabalhadores, tendo detectado 630 infracções, “muitas delas graves, relacionadas com falhas de segurança básicas” – disse o Inspector Geral do Trabalho.Um dia destes, os “patos bravos” transformam-se em vampiros.

Rochedo das Memórias 38- O mundo das crianças: entre o sonho e o terror


Kim Phuc, fugindo das bombas de napalm americanas (Vietname,1972)

Dos EUA chega a notícia de que o mundo da fantasia, criado por Walt Disney, tem um novo parque de diversões em Orlando.
Ao ganhar sete medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Munique (1972) Mark Spitz entra para a lenda olímpica e para a História da sociedade de consumo. Troca a competição por chorudos contratos publicitários.
Durante o ano é posto à venda o videogravador, e a televisão continua a fabricar ídolos. O mais recente é negro,chama-se Michael Jackson e tem apenas 14 anos. Uma série dedicada aos direitos dos animais, cujo tema musical interpreta, é a razão do sucesso. Para contabilizar os dólares que ganha, é provável que os pais lhe tenham oferecido a máquina electrónica de calcular portátil, que acaba de ser comercializada no Japão. Muitos outros pais, intrigados com a crescente popularidade de ídolos de palmo e meio, entre os seus jovens rebentos, pensam recorrer ao TAC cerebral -este ano foi usado pela primeira vez- na tentativa de descortinar as causas do fenómeno. Não será preciso, a escalada da sociedade de consumo é suficientemente esclarecedora: para vender sonhos a uns, compra os pesadelos de outros.

Na Ásia, em 1972, milhares de crianças já trabalham duramente em condições precárias, para realizarem os sonhos dos meninos ricos do Ocidente. Afinal, nem todas as crianças têm direito ao sonho... a sociedade de consumo não é perfeita. Nesse mesmo ano a imagem de uma criança nua, a arder, percorre o mundo inteiro. Trata-se de Kim Phuc, uma miúda vietnamita fugindo das bombas de napalm lançadas pelos americanos sobre uma aldeia do Vietcong.

Enquanto foge, a milhares de quilómetros de distância, em Estocolmo, os delegados dos países membros da ONU discutem os problemas do Meio Ambiente e condenam os EUA pela destruição ecológica provocada pela guerra do Vietname.