terça-feira, 20 de maio de 2008

Coisas do Sebastião - 4

Provavelmente muitos não sabem, mas o imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos tem uma função social que não me parece despicienda. Com efeito, uma percentagem do imposto é canalizada para um fundo de combate aos fogos florestais. Previsto na Resolução do Conselho de Ministros nº 178/2003, de 17 de Novembro, ditada pela necessidade de proteger o património florestal, após a trágica vaga de incêndios do Verão de 2002, o Fundo Florestal Permanente (FFP) visa apoiar genericamente o sector florestal. Nos termos da Resolução, o Fundo é financiado, nomeadamente, “pelo rendimento das matas públicas e comunitárias, pelo produto de coimas aplicadas e por uma imposição fiscal, sobre o consumo dos produtos petrolíferos.”
O Decreto-Lei nº 63/2004, de 22 de Março, veio criar o FFP, destinado a promover o investimento, gestão e ordenamento florestais e contribuir para a prevenção de fogos. Uma das receitas do FFP resulta justamente “de uma percentagem do imposto que incide sobre o consumo dos produtos petrolíferos e energéticos”.
Poderá parecer um pouco bizarro que o Estado utilize gasolina para apagar fogos, mas na época dos incêndios talvez dê jeito.

"La Grande Bouffe"*


Diariamente morrem milhares de pessoas com fome, muitas das quais são crianças. A crise dos produtos alimentares e os fenómenos meteorológicos violentos ameçam fazer aumentar esse número. Instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome desdobram-se em esforços para levar ajuda aos carenciados.
Indiferente à miséria alheia, uma cadeia de televisão norte-americana acaba de criar um novo “reality show”, cujo vencedor será o concorrente que conseguir ingerir mais alimentos num mais curto espaço de tempo.
“O sonho americano” está reduzido a “La Grande Bouffe” e à memória de Michel Piccolli.

* Filme realizado por Marco Ferreri em 1973

Aqueles foram dias felizes!

Uma das coisas que eu mais gostei de fazer na vida foi isto. Adorava ver a reacção das pessoas, balançando entre a surpresa e a incredulidade. Comecei em Inglaterra nos anos 70 e durante 20 anos foi quase um "vício". Não cantava, apenas representava, mas era uma alegria imensa. A última experiência foi num autocarro em Macau, com um grupo de teatro de rua dechineses, em 1994. Obrigado ao zenuno, por me ter feito lembrar alguns episódios bem dispostos da minha vida

Rochedo das Memórias 51- A queda do Muro

Já se andava a prever há alguns anos, mas só acontece nos finais de 1989: cai o Muro de Berlim e atrás dele caem os regimes comunistas. O bloco de leste desmorona-se com estrondo mas sem surpresa, deixando um lastro de esperança no futuro. Os comunistas não souberam pactuar com a sociedade de consumo, acabaram devorados por ela!
A informação volta-se toda para leste e a televisão assenta arraiais do lado de lá da "Cortina de Ferro". Inconsciente, pérfida e gulosa apresenta ao mundo o primeiro "reality show" ao transmitir em directo a morte do ditador romeno Ceausescu. O mundo mostra-se chocado, mas no fundo não esconde a sua tendência "voyeurista", por isso, não resiste a rever a cena em diferido. A televisão inicia uma nova era.
Para contrabalançar, na Checoslováquia a poesia chega ao Poder. Vaclav Havel é eleito presidente, pondo ponto final na “Revolução de Veludo”.
Os americanos não gostam de estar quietos, por isso invadem o Panamá, no intuito de depôr Noriega e festejar, à sua maneira, o fim do comunismo. Não impedem, porém, que na América Latina, as ditaduras sejam derrubadas uma a uma.
Só no século XXI os sul-americanos poderão respirar de alívio. Vêem-se livres de Menem, Stroessner e outros papagaios dos americanos, mas Bush ( filho) manterá um fiel aliado como guardião dos interesses americanos na região. Chama-se Uribe e dirige os destinos da Colômbia. Uma espécie de “Fiel Jardineiro” de Bush, que trata de preservar o “quintal da América”.
Os jovens do mundo ocidental (ainda fará sentido a expressão?) vivem empolgados o desenrolar dos acontecimentos de 89. (Alguém, reparou que lido ao contrário é 68?) Mas os ídolos e os ícones são diferentes. Cohn Bendit é preterido em favor de Karl Popper, em vez de flores na cabeça usam cartões de crédito nos bolsos, e trocam a leitura da Salut Les Copains pelo Financial Times. Ao interesse pela evolução dos tops musicais, sucede-se uma crescente atenção às cotações da bolsa. Os jovens do final dos anos oitenta já não são hippies. São yuppies e em vez dos jeans coçados envergam gravatas de padrões psicadélicos, fatos de marca e circulam em carros topo de gama, de telemóvel em riste.
Khomeiny condena à morte Salmon Rushdie, autor de "Versículos Satânicos", mas quem morre é o ayatollah.

Petroideias(3)

O Governo recusa-se a baixar o imposto sobre os produtos petrolíferos e penso que faz bem. Não só não iria solucionar o problema, como estava a dar uma mensagem aos consumidores que a crise poderia ser ultrapassada.
Estranho que Paulo Portas, por exemplo, venha exigir ao Governo que baixe o imposto, quando esteve na linha da frente dos que acusaram António Guterres de eleitoralismo,por ter "congelado" o aumento dos preços dos combustíveis, recorrendo a uma medida que agora a oposição critica.
Os consumidores têm que se habituar à ideia de aumento constante do preço dos combustíveis e o melhor é começarem a pensar em alternativas para a utilização "abusiva" do automóvel.
Concordo, igualmente, com a sua recusa em ceder às reivindicações dos taxistas. O Governo não tem que estar a financiar uma actividade privada, como bem lembra Pedro Passos Coelho.

Petroideias(2)

O aumento constante dos combustíveis está a gerar alguma impaciência nos consumidores e alguns fazedores de opinião fazem coro, insurgindo-se pelo facto de a AdC demorar a concluir a sua investigação sobre a suspeita de cartelização de preços.
Não têm razão. A cartelização não é fácil de comprovar. Basta recordar, ue a UE demorou mais de uma década para conseguir provar que a indústia farmacêutica funcionava em cartel em relação ao preço das vitaminas