Disse hoje à minha empregada:
- Tenha cuidado, que um dia destes vão proibi-la de acender a lareira.
Ela riu-se. Eu insisti. Ela mudou de conversa. Eu voltei à carga.
- Mas quem é que me vai proibir de acender a lareira em minha casa e porquê?
- O Estado, para proteger a sua saúde.
Ela riu-se mais e depois atirou:
- O Estado? Mas que é que o Estado quer saber da minha saúde? Há dois anos o médico disse-me que tinha que ser operada aos joelhos por causa da artrose. Disse que era urgente , mas ainda estou à espera que marquem a operação...
- Pois, mas também é para proteger o ambiente...
- Então porque é que eles deixam arder tudo no verão?
Eu ri-me. Ela riu-se. Saí de casa e fui pôr o lixo no ecoponto.
Dirigi-me para a estação de Metro caminhando ao lado de uma longa fila de automóveis, movendo-se a passo de caracol. Tive que levar o lenço ao nariz para não respirar toda aquela fumarada que saía dos escapes dos automóveis que transportavam ( quase todos ) apenas uma pessoa. Esta não é uma questão que preocupe o Estado. Sorri, peguei numa pedra da calçada e arremessei-a ao ar. Na direcção do Estado, que mais uma vez se esgueirou por entre as curvas da incoerência. Corria, leve, uma brisa de demagogia!
- Tenha cuidado, que um dia destes vão proibi-la de acender a lareira.
Ela riu-se. Eu insisti. Ela mudou de conversa. Eu voltei à carga.
- Mas quem é que me vai proibir de acender a lareira em minha casa e porquê?
- O Estado, para proteger a sua saúde.
Ela riu-se mais e depois atirou:
- O Estado? Mas que é que o Estado quer saber da minha saúde? Há dois anos o médico disse-me que tinha que ser operada aos joelhos por causa da artrose. Disse que era urgente , mas ainda estou à espera que marquem a operação...
- Pois, mas também é para proteger o ambiente...
- Então porque é que eles deixam arder tudo no verão?
Eu ri-me. Ela riu-se. Saí de casa e fui pôr o lixo no ecoponto.
Dirigi-me para a estação de Metro caminhando ao lado de uma longa fila de automóveis, movendo-se a passo de caracol. Tive que levar o lenço ao nariz para não respirar toda aquela fumarada que saía dos escapes dos automóveis que transportavam ( quase todos ) apenas uma pessoa. Esta não é uma questão que preocupe o Estado. Sorri, peguei numa pedra da calçada e arremessei-a ao ar. Na direcção do Estado, que mais uma vez se esgueirou por entre as curvas da incoerência. Corria, leve, uma brisa de demagogia!