Em Março, decidi fazer um fim de semana prolongado em terras nortenhas, com três objectivos- para além de relaxar e fazer uma cura de desintoxicação da capital.
Para não fatigar os sentidos até terras nortenhas, nem estafar a bolsa em gasolina e portagens,optei por fazer a viagem de comboio até Braga e aí alugar um carro para fazer os meus percursos, usufruindo da parceria entre a CP e a Avis.
Pretendia, antes de mais, amaciar o palato e acalmar o estômago, carente dos paladares a que o habituei na juventude.
Das degustações que fui fazendo entre terras minhotas de Viana a Ponte de Lima, passando por Braga ou Barcelos e outras menos notáveis localidades onde se amesenda a preceito, não vos vou fazer aqui relato. Apenas vos digo que dentro do meu organismo detectei um elemento muito ingrato. Se palato e estômago agradeceram esta romagem a terras do norte, o mesmo não se pode dizer da vesícula que, após regressar a Lisboa, me atazanou durante alguns dias, queixosa por a ter obrigado a trabalhos esforçados. Resignei-me à sua fúria e apascentei-a com insípidos cozidos e grelhados mas, mesmo assim, não evitei durante uns dias as suas descargas biliosas, reflectidas em alguns posts que fui aqui escrevendo por esses dias.
No concernente à lavagem da vista, foi bem conseguida com as paisagens durienses e minhotas, onde se destacou o esplendoroso panorama do Gerês. Nem um ou outro atentado perpetrado por casas tipo maison com janelas estilo fenêtres, que ao longo de décadas os nossos emigrantes foram polvilhando na paisagem, foram suficientes para perturbar a tarefa higio sanitária a que me propus. Pena foi, que uma arreliadora avaria na máquina que deveria ter registado esses momentos, tivesse apenas deixado como testemunho a fotografia do galo barcelense que a imagem reproduz.
Já quanto à lubrificação dos neurónios, o objectivo ficou aquém das metas propostas. Se é verdade que o centro histórico de Guimarães continua a ser um palco para devaneios, o mesmo não se pode dizer da oferta cultural que a Capital da Cultura oferecia por aqueles dias.
Confesso-vos que os Fura del Baus já não são estímulo suficiente para lubrificação dos meus neurónios e, naqueles dias, essa era a única oferta feita aos visitantes que, como eu, esperavam encontrar no berço da Nação motivos bastantes para lavar o espírito.
Do mechandising da coisa, o melhor é nem falar, dada a paupérrima e pouco vaiada oferta.
Já em Braga, Capital Europeia da Juventude, foram sobejos os motivos que me permitiram lubrificar os neurónios. O primeiro, foi tentar perceber a razão de ninguém falar no evento que, pelo que me foi dado observar, anima as ruas de manhã à noite.
Depois, sentado nas esplanadas da Brasileira ou do Vianna, gozando a temperatura estival, dei por mim a pensar que Braga é, realmente, a cidade mais jovem de Portugal. Em quase todos os cafés e restaurantes os empregados são jovens, contrastando com o panorama habitual que se observa em terras lusas. Nas ruas, os jovens andam em bandos e à noite fazem sentir a sua presença de uma forma civilizada e pouco ruidosa, não perturbando os seniores mais recatados que exigem direito ao descanso.
Em termos de amesendagem descobri dois excelsos exemplos de empreendedorismo cuja memória me faz despertar o palato enquanto escrevo. Se aos seus nomes não faço aqui referência, é só para não estragar uma surpresa que ando a preparar lá para Maio e que aqui darei o devido destaque.
Por agora, fica apenas o relato de um fim de semana em que retornei a lugares quase esquecidos. Com muito prazer, apesar da frustração da capital da cultura que me deixou com um amargo de boca.