
O tema da conversa começou por girar em torno de Maradona e da sua ida ao Dragão no próximo fim de semana, mas rapidamente se centrou na discussão sobre o melhor jogador do Mundo e, como não podia deixar de ser, falou-se de Eusébio e… Cristiano Ronaldo.
Enquanto o consenso em relação a Eusébio é universal, sendo a figura do ex-internacional português respeitada em todo o mundo, o caso muda de figura quando se fala de Cristiano Ronaldo.
Não é de estranhar que os argentinos prefiram Messi, mas não são os únicos. Eu também teria votado nele, porque o considero um jogador mais completo. No entanto, foi a intervenção de Enrique que acabou por me levar a escrever este post.
Pediu a todos que o escutassem e, com voz solene, sentenciou:
“Mais importante do que discutir se Messi é melhor do que Ronaldo, é fazer a comparação entre Ronaldo e Eusébio, porque isso reflecte o modo de estar e de pensar das suas gerações. Eusébio era respeitado em todo o mundo porque para além de ser um jogador fora de série, amava o seu país. Lembro-me como ele chorou quando Portugal perdeu com a Inglaterra. Tanto quanto creio saber, era uma pessoa humilde, viveu com dificuldades depois de deixar o futebol, porque nunca enriqueceu. Foram essas circunstâncias que, em minha opinião, fizeram com que se tornasse um ídolo que ainda hoje é recordado em todo o mundo com respeito. Já Ronaldo é um bom jogador, mas está longe de ter o mesmo talento. Joga bem no Manchester, mas nunca o vi fazer um grande jogo por Portugal. No tempo de Eusébio, não poderia nunca ser eleito melhor do mundo. A sua escolha foi feita por razões de marketing. Ronaldo é uma marca que vende, é muito apreciada pela juventude, mas não tem amor ao jogo. Logo que o Real Madrid o quis contratar, só pensou no dinheiro. Hoje é um ídolo mundial, mas vão ver que dentro de uns anos já ninguém se lembra dele, porque não passa de um produto apreciado enquanto vende, que depois será jogado fora e cairá no esquecimento. Eusébio, ao contrário, será recordado por muitos anos em todo o mundo pelo jogador e pessoa que era…”
Quase todos concordámos, mas não pude deixar de lembrar que Portugal teve outro jogador que foi considerado o melhor do mundo, ainda joga, e serve de ponte para este raciocínio de Enrique: chama-se Luís Figo e também é um senhor.