Hugo Chavez venceu mais uma vez as eleições na Venezuela e, salvo qualquer imprevisto, será presidente até 2019.
À medida que a campanha se aproximava do fim, aumentava o número de observadores, comentadores e outros estupores que vaticinavam a vitória de Capriles, realçando antecipadamente o facto de estas serem as primeiras eleições livres na Venezuela. Tiveram azar! Tanto realçaram o facto de se tratarem de eleições livres, que agora não têm argumentos para justificar a derrota clara do candidato de direita.
Eu dou-lhes uma ajuda, recorrendo a um relatório do FMI com as previsões para a América Latina e Caraíbas, que a minha amiga Simone teve a amabilidade de partilhar comigo. Antes, porém, disse-me:
“ Começo a acreditar nas tuas previsões e qualquer dia também eu emigro. A minha avó ainda vive na Argentina. Achas que devo arriscar?”
O que ressalta de imediato da leitura do relatório, é aquilo que eu venho defendendo há muitos anos e tem merecido alguns comentários condescendentes de leitores incrédulos: nas próximas décadas, a América Latina é a região do planeta com maior perspectiva de desenvolvimento social e económico
Alguns cépticos poderão dizer que as previsões de crescimento de 3,4% e 4,% para este ano e 2013 – respectivamente- denotam algum abrandamento do crescimento em relação aos dois últimos anos. Não deixa de ser verdade, mas há duas leituras que se podem fazer. Por um lado, à medida que os países vão crescendo, vai sendo cada vez mais difícil manter as percentagens de crescimento ( Qualquer iniciado em aritmética percebe isso...)
Por outro lado, os países latino-americanos estão a ser travados no seu crescimento pela política suicidária de um bando de criminosos que dirige a Europa e está a afectar a economia mundial com a sua cegueira idiota. Obviamente, o abrandamento do crescimento económico na China, com quem os países latino-americanos têm vindo a estabelecer relações cada vez mais sólidas, também tem os seus efeitos…
Mas o relatório do FMI não se limita a salientar o crescimento económico da região. Faz questão em referir os progressos realizados na área social, no combate à fome e à pobreza e a diminuição das desigualdades.
Claro que quem vive na Europa, e nunca pôs um pé na América Latina, a não ser para dançar o samba ou o tango, confia cegamente no que a imprensa anglo-germanófila escreve e continua a acreditar que aquela região é atrasada e governada por gente louca, mas em relação a esses nada a fazer.
Qualquer viajante naquelas paragens constatará também, facilmente, que a segurança melhorou muito nas duas últimas décadas, apesar de a Venezuela ter sentido algum aumento da criminalidade.
Outro aspecto importante que merece destaque, em minha opinião, é a estabilidade política que se vive hoje em dia naquela região. Claro que não faltará na direita gongórica tuga quem continue a dizer que países como a Venezuela ou a Bolívia são governadas por ditadores que oprimem o povo, mas a esses respondo com um relatório da ONU onde se refere que a Venezuela foi o país do mundo onde as desigualdades mais diminuíram na última década.
Vou aos meus arquivos e desenterro um artigo publicado em 1992 no jornal “ Tribuna de Macau” onde defendo que o futuro está na América Latina. Bato com a cabeça na parede três vezes e pergunto-me que raio de maleita me terá passado pela cabeça, para regressar a Portugal…