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segunda-feira, novembro 17, 2014

quinta-feira, outubro 30, 2014

Ver a fábrica de turbinas eólicas por um canudo

Hoje no Diário Económico

Coube à Miss Swaps procurar justificar a excitação com que o Governo — e, em particular, Paulo Portas — recebeu a proposta da China Three Gorges (CTG) para a aquisição da participação do Estado na EDP. A futura ministra das Finanças fez saber então que a proposta do Estado chinês era «irrecusável», não apenas pelo montante avançado como também porque traria outros benefícios para a economia portuguesa, como «a criação de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal, o que gerará exportações anuais da ordem dos 500 milhões.»

Entregue à CTG a participação do Estado na EDP, nunca mais se ouviu falar da fábrica de turbinas eólicas. Entretanto, Lu Chun, que substituiu Cao Guangjing na presidência da CTG, está de visita a Portugal, tendo tido encontros com Cavaco Silva e Passos Coelho. Das notícias plantadas sobre a visita de Lu Chun (e os encontros que manteve com Cavaco e Passos), nem uma breve alusão sobre a criação da fábrica de turbinas eólicas. Porquê?

segunda-feira, junho 30, 2014

Recusar a culpa

Curvar-se perante o marco euro alemão

• João Galamba, Recusar a culpa:
    «O acto de contrição de Cavaco perante o seu homólogo alemão, Joachim Gauck, mostra, mais uma vez, como o debate em torna da natureza da crise que vivemos não é sobre o passado. É sobre o futuro. Para Cavaco, para Passos, para Portas, e para os nossos credores, Portugal tem a crise que tem por culpa própria. A expiação é, portanto, um dever nacional.

    Seja porque não soube adaptar-se às exigências da moeda única, seja porque viveu acima das suas possibilidades, seja porque não fez as reformas que devia, seja porque foi despesista e não se preocupou com a sustentabilidade do Estado Social, seja porque não travou as PPPs - seja qual for a versão escolhida desta história, todas pressupõem que a nossa crise é, na sua origem, uma crise de finanças públicas, causada por uma certa forma de despesismo.

    Quem pensa assim nunca conseguirá verdadeiramente criticar e opor-se às políticas deste governo. Pode dizer que foram excessivas, pode dizer que foram injustas, pode lamentar os seus resultados, mas não pode dizer que são erradas. Se o problema é o despesismo, então a austeridade - em maior ou menor grau - é necessariamente a solução.

    A rejeição das políticas deste governo requer uma alternativa à narrativa que as sustenta. Sem essa alternativa, estamos condenados a jogar no terreno do adversário. E a perder.

    Desde meados dos anos 90 que Portugal tem acumulado dívida externa, sobretudo privada. Com a crise financeira internacional de 2008, o mecanismo através do qual essa dívida era financiada implodiu. Quando o Estado interveio, o que era uma crise de balança de pagamentos, transformou-se numa crise de finanças públicas. A crise de finanças públicas não é uma causa, mas sim uma consequência da crise.

    É simplista e redutor interpretar os nossos desequilíbrios externos como sendo causados por despesismo. Se olharmos para a primeira década do século como o culminar desse alegado excesso, incorremos mesmo num erro factual: entre 2002 e o início da crise, Portugal foi, juntamente com a Alemanha, o país da zona euro onde a procura interna menos cresceu. A ter havido um período despesista, ele ocorreu entre 1997 e 2001, período em a procura interna cresceu quase o dobro da média da zona euro. Depois disso, e até ao início da crise, não houve qualquer tipo de "festa".

    O que caracteriza a chamada década perdida não é o despesismo, mas sim uma fortíssima desaceleração do crescimento económico. E é sobretudo a estagnação económica que explica o aumento do peso do endividamento na economia, não o contrário.

    A estagnação económica deve-se a vários choques, todos eles negativos.

    Depois um curto mas forte crescimento na procura interna, que a adesão ao euro e a queda das taxas de juro havia tornado possível, acabou a "festa". O investimento em construção, por exemplo, está em queda desde 2002. Ao mesmo tempo, o país assistiu a uma significativa alteração das suas condições de competitividade. O alargamento a leste agravou a condição periférica do país, na medida em que desviou fluxos de investimento privados, que não foram compensados por um reforço dos fundos europeus. A entrada da China no comércio internacional, teve efeitos assimétricos nos diferentes estados-membros. A estrutura e especialização produtiva Portuguesa foram fortemente afectadas. E a apreciação do euro só agravou a situação.

    Quando a crise chegou, Portugal estava a responder a estes choques e a investir no combate aos défices estruturais da economia portuguesa, procurando requalificá-la. A chamada década perdida é, na verdade, uma década de profunda transformação estrutural. É uma década de resposta a sucessivos choques, não é uma década de despesismo e desvario. Os números, pelo menos, não o mostram.

    A crise financeira de 2008 não veio expor os pecados do país e os seus alegados excessos, mas sim as suas fragilidades e as contradições de uma união monetária incompleta e disfuncional. Para quem não se conforma com a culpa, para quem não aceita a narrativa que divide a zona euro entre países virtuosos e pecadores, esta é a primeira lição a aprender.»

terça-feira, maio 20, 2014

Primeira-dama em campanha pelo poliamor

A excursão de Cavaco e da sua vasta comitiva ao Império do Meio incluiu uma visita à Cidade Proibida. O Presidente da República não perdeu a oportunidade de confirmar o sentido de humor que se lhe reconhece: «O poder isolado do povo não é boa coisa, e ainda por cima fechado e com 55 mulheres, portanto, o Imperador tinha dificuldade em resistir.» A primeira-dama pegou na deixa e, numa galhofa desgovernada, soltou-se: «o poder era bem mais giro nessa altura eh eh eh...» Este vídeo capta a actuação do casal presidencial.

Nenhum outro chefe de Estado de um país desenvolvido teria tempo para digressões tão arrastadas. Em todo o caso, ninguém imaginaria que Xi Jinping, chegado a Portugal em visita de Estado, fosse capaz de exercitar o seu sentido de humor glosando a importância da tareia de Afonso Henriques a sua mãe. Seria uma alarvidade inaceitável.

Os povos são ciosos dos seus antepassados. Ter respeito pela história dos países que são visitados é um dos mandamentos da diplomacia.

terça-feira, maio 13, 2014

Isto anda tudo ligado


Se ficou impressionado com isto, também lhe deve interessar ler este artigo — e recordar-se do que aqui é dito.

Novas da excursão


1. Cavaco Silva reuniu-se com quadros portugueses que trabalham em Xangai e garantiu-lhes: «há uma nova esperança a nascer em Portugal». Terão os quadros portugueses conhecimento dos motivos por que o Presidente apareceu a destilar confiança por todos os poros?

2. O mínimo que se pode dizer é que Paulo Futre é um visionário. Cavaco Silva pegou na sua ideia e quer promover a criação de uma ligação aérea directa entre Portugal e a China. Uma companhia de avião chinesa agradece o empenho do Presidente da República de Portugal.

Muito embora Cavaco Silva tivesse dito que pretende, com esta excursão, «contribuir para a recuperação económica portuguesa e o combate ao flagelo do desemprego», a primeira aposta beneficia o «flagelo do desemprego» na China, estimulando neste caso o desenvolvimento da aviação comercial chinesa.

3. Não se pense que Cavaco Silva é visto com olhos mais benevolentes em Macau do que em Portugal: «O primeiro-ministro, actual Presidente, nunca foi grande simpatizante da democracia.» Há, de resto, «expectativas baixas para a visita de Cavaco Silva».

4. Entretanto, Kátia Guerreiro já deu o espectáculo da ordem em Xangai. Se Cavaco Silva nunca foi o Presidente de todos os portugueses, a verdade é que faz tudo e mais alguma coisa para transformar Kátia Guerreiro na fadista de todos os portugueses. Carminho, Ana Moura, Mafalda Arnauth, Joana Amendoeira, Cuca Roseta, etc., etc. têm muito a aprender acerca do empreendedorismo.

sexta-feira, abril 18, 2014

De novo acima do paralelo 38

Miguel Tiago (à esq.), que trocou a luta de massas pela luta individual

Em 2003, ficou famosa a declaração de Bernardino Soares: «Tenho dúvidas de que a Coreia do Norte não seja uma democracia». Hoje, o Expresso dá conta de que Miguel Tiago, outro deputado do PCP, se envolveu numa acalorada conversita no Facebook, fazendo finca-pé de que na praça de Tiananmen não ocorreu um «massacre» há 25 anos (ou, para se ser mais rigoroso, não existe «uma única prova» de que tivesse ocorrido).

O que surpreende não é a cegueira de que enfermam alguns excelsos dirigentes do PCP. O que surpreende é que o próprio PCP não se coíba de revelar que se revê no programa e na praxis de partidos como o Partido dos Trabalhadores da Coreia ou o Partido Comunista da China, considerando-os, por isso, partidos irmãos. Dá má fama ao socialismo. E creio ter efeitos bem mais perniciosos do que «a cassete dos EUA sobre a China».

quinta-feira, março 27, 2014

Um «camião de dinheiro» armadilhado

Tem sido notícia o afastamento de Cao Guangjing do cargo de chairman da China Three Gorges (CTG), na sequência de uma investigação do Partido Comunista da China (PCC), na qual foram detectadas irregularidades na gestão da empresa. Eduardo Catroga, muito reverente, atribui o abandono à sua nomeação para um cargo político: «Não foi uma surpresa. Já há bastante tempo que se pensava que o 'chairman' Cao teria uma grande carreira política». Conhecedor aparentemente profundo dos meandros do PCC, Catroga ainda acrescenta: «A ligação entre a sua saída e a investigação à CTG é abusiva. Não faz sentido e não corresponde à realidade dos factos».

Já que Eduardo Catroga, actual chairman da EDP, se mostra tão disponível para falar para os jornais, seria interessante saber o que o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva tem a dizer sobre o seguinte:
    • Sabendo-se que a República Popular da China se comprometeu a dar pela aquisição da participação do Estado português na EDP um conjunto de contrapartidas que incluíam a construção de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal, que gerará exportações anuais da ordem dos 500 milhões, e um centro de formação, em que pé estão estes investimentos?
    • É verdade que o «camião de dinheiro», como a Miss Swaps apelidou a proposta chinesa, está totalmente armadilhado, de acordo com o que é dito num artigo de Agostinho Pereira de Miranda, advogado e perito do Secretariado do Tratado da Carta da Energia, intitulado Negócio da China na EDP?

terça-feira, novembro 05, 2013

Macau fora de horas


A atribulada visita de Paulo Portas a Macau, à qual já fizera alusão aqui, é relatada pelo jornal Hoje Macau. Caro leitor, já reparou que os media nacionais nem uma palavra dizem sobre o inenarrável comportamento de Paulo Portas?

segunda-feira, novembro 04, 2013

Portas no Império do Meio:
— Tiramos-vos com uma mão e damos com a outra.


O vice Portas foi a Macau explicar ao Partido Comunista Chinês que apenas na aparência iriam ser reduzidas as rendas da EDP. Com efeito, a taxazinha sobre a energia que o Governo tão corajosamente lançou só acontece devido a uma “circunstância excepcional”, mas em contrapartida, diz Paulo Portas, ocorreu também “uma alteração a nível fiscal”, que “é boa para todas as empresas, incluindo para as empresas chinesas que operam em Portugal, que foi a descida do IRC nos próximos quatro anos”. É preciso explicar mais alguma coisa sobre a reforma do IRC?

quarta-feira, julho 03, 2013

Ele há coincidências

      Albuquerque foi despedido do Diário Económico.

      Albuquerque foi a responsável pela venda da participação de 21,35% do Estado na EDP à China.

      Albuquerque foi admitido na EDP, sem que se conheça a data e o âmbito do processo de recrutamento.

NOTA IMPORTANTE — A operação de venda aos chineses da participação do Estado na EDP está a ser investigada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), onde Maria Luís Albuquerque já foi prestar explicações sobre eventuais pressões a que poderá ter sido sujeita durante a privatização. A investigação destina-se a esclarecer suspeitas de tráfico de influências, depois de, no âmbito da operação Monte Branco, José Maria Ricciardi, presidente do BESI, ter sido escutado em conversas com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. Nesse âmbito, foram já realizadas buscas ao Caixa BI, BESI e Parpública, entidades que, a par da consultora Perella, estiveram envolvidas na privatização da EDP e da REN.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

O PCP e a convergência táctica com a direita

Augusto Santos Silva no Facebook:
    Lá segui com atenção o congresso do PCP:
      1. O filme sobre Cunhal recordou mais uma vez, e bem, o contributo decisivo do PCP para o combate à ditadura e, portanto, para a vitória da democracia. O outro lado da história é que, para a vitória da democracia, também foi preciso derrotar o PCP, em 1975 (e também antes e também depois).
      2. Basta olhar para as pessoas que estão neste congresso para perceber que o PCP representa social e politicamente grupos e setores sociais que mais ninguém representa. E é uma força essencial para a organização do trabalho e dos trabalhadores. O outro lado da história é que, se a linha de confrontação sindical advogada pelo PCP triunfasse, derrotando a concertação social, não teríamos podido construir o Estado social que erguemos a seguir ao 25 de abril: cada etapa nessa construção começou sempre por ter a oposição do PCP, que queria ir mais longe e achava que ela era uma rendição ou traição reformista.
      3. A realidade é feita sempre de vários lados, e por isso mesmo o PCP é parte integrante da sociedade e da república portuguesa. Compreendo bem os seus contributos, respeito os seus pontos de vista e procuro ter com eles um debate aberto.
      4. Mas já não consigo compreender como é que o PCP não percebe quão útil é à direita a sua obsessão com o ataque permanente ao PS. Chega a ser caricata a sanha da direção comunista com o mesmíssimo Passos Coelho que ajudaram a pôr no governo, com plena consciência do que estava a fazer.
      5. E ainda menos percebo como é que o PCP pode continuar a colocar a China no conjunto das forças anticapitalistas. Ó meus amigos, olhem para a China: aquela combinação de ditadura, negação dos mais básicos direitos dos trabalhadores, proibição do sindicalismo e exploração sem freio, é tudo aquilo que o capitalismo sempre quis - e que a luta do movimento operário e dos democratas até agora lhe negou, no Ocidente!

segunda-feira, novembro 26, 2012

O perigo amarelo entre as Berlengas e as Lajes


Não estávamos tão longe da realidade como poderia parecer. O Público dá conta que a China está interessada na Base das Lajes:
    ‘Na altura, foi interpretado como um passeio inocente. A 27 de Junho, depois de um périplo por países sul-americanos, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao aterrou na ilha Terceira e por lá andou durante quatro horas. Tomou um café numa esplanada de Angra do Heroísmo, visitou o centro histórico e foi ao Monte Brasil para apreciar a vista sobre a cidade.

    Só que Gordon G. Chang, autor do livro The Coming Collapse of China, publicou um artigo de opinião na National Review Online onde alertava para a possibilidade da "paragem técnica" da comitiva de 100 chineses nos Açores ser bem menos inocente. A China estaria interessada em ocupar a Base das Lajes caso os norte-americanos de lá saíssem. "A Base das Lajes foi certamente a razão para que Wen fizesse um desvio de percurso para ganhar amigos na Terceira", assegurava, antes de referir que "nos últimos anos, Pequim definira Portugal como a sua porta de entrada na Europa".

    Essa leitura ganha outra relevância depois do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ter afirmado que "Portugal assumirá em breve a sua posição nacional sobre" a anunciada redução da presença militar dos Estados Unidos na Base das Lajes, nos Açores.’
Agora, resta-nos estar atentos ao coelho que o Dr. Portas irá tirar da cartola.

terça-feira, novembro 13, 2012

18.º Congresso do Partido Comunista da China


Dia após dia, procuro informações sobre o 18.º Congresso do Partido Comunista da China nos sites do PCP e do Avante!. Nem uma breve referência descubro. Os dois partidos irmãos cortaram relações?

segunda-feira, agosto 20, 2012

Gu Kailai condenada a pena de morte suspensa por dois anos

"Pena de morte suspensa por dois anos": talvez na próxima “Festa do Avante!” a delegação do Partido Comunista Chinês possa explicar este intrincado conceito.