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quinta-feira, novembro 06, 2014

O que está por trás do que os economistas dizem

• Alexandre Abreu, Keynes e os seus herdeiros:
    «(…) O contributo de Keynes deu expressão teórica a uma evidência: que, ao contrário do que defendia a macroeconomia clássica, os mercados não estão necessariamente em equilíbrio e o desemprego generalizado existe. Avançou um mecanismo explicativo para esse facto: em economias com moeda e crédito, a procura não depende apenas da oferta, mas também da antecipação das decisões de consumo e investimento. E apontou as políticas públicas que permitem solucionar o problema identificado: a expansão da oferta de moeda e/ou do consumo e investimento públicos, conforme as circunstâncias. (…)»

segunda-feira, agosto 25, 2014

O BCE virou keynesiano?

• Rui Peres Jorge, O BCE virou keynesiano?:
    «Mario Draghi fez um discurso notável na sexta-feira. Chegou com dois anos de atraso, mas quando está em causa um desastre como o que vivemos na Zona Euro, mais vale tarde do que nunca. O aviso é claro: os políticos não se devem inebriar pelas baixas taxas de juro dos últimos meses, nem delas vender uma ilusão de sucesso. A verdade é que sete anos depois do início da crise, a recessão na Zona Euro continua e o elevado desemprego está a destruir o potencial de crescimento e a corroer perigosamente a confiança dos europeus na moeda única. Mais grave para o BCE é que até já os mercados duvidam que consiga garantir a inflação de 2% para que está mandatado. (…)»

sexta-feira, junho 27, 2014

O desemprego precisa de um remédio drástico?

• Pedro Silva Pereira, O desemprego precisa de um remédio drástico?:
    «Em Maio de 1924, bem antes do 'crash' de 1929 e da subsequente Grande Depressão, a Inglaterra estava ainda confrontada com as graves consequências económicas e sociais da Guerra. Propondo uma resposta política à altura das circunstâncias, John Maynard Keynes fez publicar no jornal The Nation um célebre artigo cujo título vinha em forma de pergunta: "O desemprego precisa de um remédio drástico?". Noventa anos depois, é a essa mesma pergunta que a União Europeia precisa de responder.

    Numa altura em que, respeitando os resultados eleitorais, se prepara a investidura de uma nova liderança para a Comissão Europeia e a sua posterior validação diante de um novo Parlamento Europeu, a questão decisiva consiste em saber se o novo programa político da União Europeia assume, com suficiente lucidez e determinação, a necessidade de dar uma resposta adequada ao descontentamento que os cidadãos expressaram nas recentes eleições europeias e que se traduziu no crescimento substancial da abstenção e das forças políticas eurocépticas (que chegaram mesmo a ganhar em países como a França e o Reino Unido). Dessa resposta depende o futuro da Europa e do projecto europeu.

    Que não haja ilusões: a questão não se resolve com meras proclamações retóricas ou com simples paliativos destinados a aliviar a dor da recessão ou da estagnação económica, seja na forma de medidas pontuais de apoio às empresas, seja na forma de sucessivos programas de estágios para jovens eternamente à procura do primeiro emprego. Como escreveu Keynes no seu texto do The Nation: "Estamos atolados numa rotina. Necessitamos de um impulso, de um safanão, de uma aceleração".

    De entre os vários desafios cruciais que estão colocados ao projecto europeu e à União Económica e Monetária, nenhum tem uma centralidade comparável ao do emprego. O facto é que meia dúzia de anos depois da crise financeira ter rebentado nos Estados Unidos da América, a economia norte-americana está de novo a crescer de forma consistente e já viu o desemprego baixar para a casa dos 6%, a ponto de a Reserva Federal considerar reunidas as condições para iniciar um programa de retirada gradual dos estímulos à economia. Em contraste, na zona euro, ao fim de três anos de política de austeridade, a economia oscila entre a recessão e a estagnação e a taxa de desemprego é o dobro da norte-americana, com toda uma série de terríveis consequências: níveis insuportáveis de desemprego jovem e de longa duração, desequilíbrio agravado nas relações laborais, quebra abrupta da natalidade, riscos de insustentabilidade da protecção social e desconfiança crescente dos cidadãos no projecto europeu e nas próprias instituições políticas democráticas. E tudo isso em nome da redução de uma dívida pública que não pára de aumentar.

    Certamente, há muito a fazer em múltiplos domínios para relançar a economia europeia e promover a sua competitividade mas uma coisa é absolutamente certa: não haverá um "remédio drástico" para o problema do desemprego se não houver investimento. O investimento produtivo é a variável-chave para operar a viragem de que a economia europeia precisa. E é também por isso que o emprego tem uma especial centralidade entre os principais desafios europeus: se for levado verdadeiramente a sério, não poderá deixar de ter profundas consequências na política orçamental e de gestão da dívida pública, na mobilização dos recursos financeiros comunitários, na coordenação da governação económica, no desenho das reformas para a competitividade da economia e na própria agenda de coesão social e territorial, contra o agravamento das assimetrias que atraiçoam o ideal europeu.

    No estado a que as coisas chegaram, a resposta à pergunta de Keynes só pode ser uma: é de um "remédio drástico" que o desemprego precisa. Antes que seja tarde demais para o projecto europeu.»

segunda-feira, junho 09, 2014

Curar uma epidemia com uma aspirina

• João Galamba, Curar uma epidemia com uma aspirina:
    «(…) O BCE podia fazer diferente? Sim, podia. Se o objetivo fosse mesmo o de tentar sair da terrível situação económica em que se encontra a zona euro, o BCE podia financiar políticas orçamentais que tivessem como objetivo reanimar a procura, promover o investimento público (e, indiretamente, o investimento privado) e combater o desemprego. É isto que propõem muitos economistas, entre os quais o insuspeito Adair Turner, ex-responsável pelo Financial Services Authority do Reino Unido. Para que tal fosse possível, era necessário uma revolução copernicana na governação europeia, isto é, que fosse reconhecido que uma arquitetura económica, orçamental, monetária e financeira feita contra Keynes e contra grande parte da experiência histórica do século XX está condenada a não funcionar. Enquanto não se reconhecer isto, nada de verdadeiramente significativo irá mudar na zona euro.»