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domingo, junho 28, 2015

Peões domésticos do FMI

Soube-se agora que, nas vésperas da assinatura do memorando com a troika, jornalistas gregos se deslocaram a Washington para participar em eventos organizados pelo FMI, sendo as despesas pagas por este organismo. O porta-voz de Christine Lagarde considera que se trata da coisa mais natural do mundo, uma vez que o FMI, segundo afirmou, apoia jornalistas de mais de 90 países pobres e sob intervenção do organismo. A forma como esses jornalistas foram escolhidos é um mistério, tendo o Sindicato dos Jornalistas da Grécia aberto um inquérito.

Dado o silêncio sobre o tema em Portugal, é de presumir que o FMI não convidou jornalistas portugueses para os seus eventos em Washington.

Lagarde é que decide o futuro da Europa?

Ontem no Expresso/Economia (via Nuno Oliveira)
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sábado, junho 27, 2015

Elefantes na sala


• Pedro Silva Pereira, Elefantes na sala:
    «No início da semana, Christine Lagarde, directora-geral do FMI, disse que um acordo com a Grécia dependia de uma única coisa: que os negociadores se comportassem como "adultos na sala". O que depois se provou é que o problema na sala não era a falta de adultos, mas sim o excesso de elefantes.

    À hora a que escrevo, Bruxelas permanece ainda ensombrada pelo espesso fumo negro que sai das sucessivas rondas de negociações com a Grécia. Todavia, paradoxalmente, apesar da enorme intensidade dramática deste prolongado impasse à beira do precipício, todos sabem que é praticamente inevitável que acabe por haver acordo. Em primeiro lugar, porque ninguém quererá assumir o ónus de, com a saída da Grécia, mergulhar a zona euro numa arriscada aventura por "águas desconhecidas" que seria capaz de ressuscitar, mais tarde ou mais cedo, aquele mesmo famigerado "nervosismo dos mercados" que já uma vez arrastou a Europa, enquanto o diabo esfregava um olho, para uma gravíssima crise das dívidas soberanas. Em segundo lugar, e decisivo, porque, depois de todas as cedências feitas pelo Governo grego, já não seria possível responsabilizar o Syriza pelo falhanço nas negociações.

    Na verdade, depois da forma quase efusiva como foram recebidas e saudadas, tanto pelos parceiros europeus como pelos mercados, as recentes propostas "construtivas" do Governo de Atenas, é impensável insistir, com um mínimo de credibilidade, na tecla da indisponibilidade de Tsipras e Varoufakis para chegar a um compromisso razoável que permita assegurar a permanência da Grécia na zona euro. Bem pelo contrário, os líderes gregos revelaram-se disponíveis para correr sérios riscos políticos internos para levar ao Parlamento helénico uma proposta muito exigente, que está a léguas das suas (irrealistas) promessas eleitorais.

    Como aqui escrevi (27-2-2015) logo que foi divulgada a primeira lista de reformas apresentada pelo Governo grego, que serviu de base ao pré-acordo com o Eurogrupo e deu lugar à actual fase de negociações, "a permanência da Grécia no euro e as garantias (provisórias) de financiamento do Estado e da economia helénicos foram conseguidos à custa de uma cedência generalizada por parte do Governo grego quanto à execução de uma parte substancial do seu programa político, tal como votado pelos eleitores. E a dimensão da cedência tenderá a revelar-se ainda maior quando o Governo de Atenas for chamado a detalhar e quantificar o impacto orçamental de algumas das medidas que agora anunciou". Mesmo que o Governo grego consiga, como tudo indica face às propostas apresentadas, consagrar metas orçamentais menos estapafúrdias e evitar medidas de cortes nos salários e nas pensões, só a extrema generosidade de Daniel Oliveira (Expresso, 23-6-2015) permite a extraordinária conclusão de que o acordo que se vai desenhando "não é recessivo" e que o pacote de medidas "é de austeridade, mas não a aprofunda".

    A verdade, evidentemente, é outra: o enorme aumento de impostos já admitido e proposto pelo Governo grego, sobretudo no IVA, no IRC e nas contribuições sociais, acompanhado da redução de diversas prestações, integra um vasto pacote de novas medidas de austeridade que totalizam 1,51% do PIB apenas no segundo semestre de 2015 e 2,87% em 2016. E tudo isto, recorde-se, para um acordo meramente provisório, destinado apenas a assegurar o recebimento da última "tranche" do programa de assistência financeira em vigor (porventura com a sua extensão até ao final do ano), o que significa remeter para mais tarde uma nova e complexa negociação sobre o futuro financeiro da Grécia no euro, incluindo a questão incontornável da sua monumental dívida pública. Em suma, se o objectivo do Syriza era um acordo para a permanência no euro que passasse pela renegociação da dívida pública e pelo abandono da política de austeridade, poderá dizer-se, já nesta altura, que não conseguiu uma coisa nem outra. O que não quer dizer, note-se bem, que seja um erro aceitar aquele acordo, por uma razão simples: não há para a Grécia uma alternativa melhor. Talvez com esta dolorosa experiência a extrema-esquerda compreenda melhor o que significa a responsabilidade de governar.

    A verdade é que os termos essenciais do acordo nunca estiveram nas mãos do Governo grego, como nunca estão nas mãos do devedor. Decisivo, mesmo, é que do outro lado da mesa, com a faca e o queijo na mão, havia demasiada gente politicamente interessada no pior acordo possível para a Grécia, aquele que significasse a menor legitimação de uma alternativa política ao pensamento dominante e a menor inflexão possível na política de austeridade. Esses defensores radicais da "linha dura" foram, desde o início, os verdadeiros "elefantes" naquela sala das negociações. Infelizmente para a Grécia, e ao contrário do que disse Lagarde antes de ela própria travar um acordo que parecia eminente, não foi a falta de "adultos" que dificultou a negociação. Foi o poder de uma manada de elefantes.

    P.S. - A incontornável actualidade das negociações com a Grécia impede-me de comentar esta semana a interessante resposta de Francisco Louçã, no blogue do Público, ao meu artigo da semana passada sobre a Parceria Transatlântica (TTIP). Voltarei oportunamente ao assunto, não perde pela demora.»

sexta-feira, junho 19, 2015

Crianças pirómanas


• Fernanda Câncio, Crianças pirómanas:
    «“Diálogo mas com adultos na sala”, exigiu ontem, no fim de mais uma reunião do Eurogrupo sem acordo, a diretora-geral do FMI. O grau de maturidade de alguém costuma ser aferido em função da capacidade de não fazer birras, não tomar decisões irracionais e assumir os erros. Mas pedir desculpa não basta: é preciso tentar corrigir o mal e não voltar ao mesmo.

    Vejamos pois quem, nesta história, está a fazer birra, quem cometeu erros, quem pediu ou não pediu desculpa e procurou emendar-se. Por exemplo: que fizeram os gregos de errado? Elegeram um governo anti-austeridade, certo - que, ao contrário do eleito em 2011 em Portugal, leva a sério as promessas feitas aos eleitores. Mas antes deste braço de ferro com a troika, que sucedeu, nos cinco anos desde o primeiro resgate, em maio de 2010?

    A Grécia não cumpriu os programas que lhe foram impostos? Não cortou salários e pensões (lá, ao contrário daqui, não houve a "força de bloqueio" Tribunal Constitucional) e gastos sociais, não aumentou impostos e transportes públicos, não chegou até a fechar a TV pública (que só reabriu agora)? Não aplicou a receita austeritária que lhe foi imposta, como aos outros países resgatados - sempre a mesma? Se aplicou: ontem no DN um texto do comentador-chefe do Financial Times Martin Wolf descrevia o efeito bombástico do "ajustamento" grego - "O PIB real agregado caiu 27% (...), a taxa de desemprego chegou aos 28% em 2013, enquanto o emprego público caiu 30% entre 2009 e 2014". Leiam-se os documentos do próprio FMI sobre o cumprimento do programa grego: todos assumem que os efeitos das brutais exigências foram muito diferentes dos estimados. Do já célebre "erro dos multiplicadores" - o efeito do corte de cada euro foi calculado pela troika muito abaixo da realidade por ter usado uma fórmula errada - à ideia de que "as reformas estruturais" (termo fétiche dos troikos que estamos para perceber, ao fim destes cinco anos, que raio quer dizer, já que aquilo que assim apelidam é invariavelmente corte de qualquer coisa) iam levar a "um aumento da produtividade e a uma melhoria no investimento", passando por não terem tido em conta a "quebra da confiança" (que qualquer bebé preveria), foi um não acabar de asneiras. Mas que se pode ler num estudo de 2013 de técnicos do FMI, que assume todos estes erros? Que "de qualquer maneira uma profunda recessão era inevitável" e se a Grécia tivesse entrado em default, diz o paper, "o mais certo é que a contração fosse ainda maior". A sério, isto está escrito assim: se a troika não tivesse acudido à Grécia, era capaz de ser pior. E o melhor é que, tendo "acudido", quer, cinco anos depois, continuar a mesma brincadeira - ou deitar fogo ao brinquedo, sem cuidar de saber se com isso incendeia a casa. Está na altura de um bom par de estalos -- mas na Europa, pelos vistos, não sobra ninguém para pôr ordem na criançada.»

segunda-feira, setembro 15, 2014

Reformas estruturais -- basicamente partir a espinha
do "factor Trabalho", dos desempregados e dos envelhecidos

    «(…) # a austeridade faliu por completo nos seus propósitos e Draghi tem procurado preencher o buraco desde Nov de 2011 injectando dinheiro barato nos bancos, mas, mesmo assim, por esse "canal de transmissão", a coisa não chega à economia real; Draghi deu mais um passo em junho e agora em setembro e até prometeu comprar dívida privada a partir de outubro (a tal coisa dos ABS) e injetar mais massa a partir da próxima semana em novas linhas de refinanciamento para os bancos, na esperança de...

    # mas ele não quer ficar sozinho a lançar massa, os outros têm de começar a fazer a parte deles; e, então, resolveu chegar-se à frente, armar-se em político, e promover um compromisso: eu meto a massa nos bancos e no sistema, um bodo de mais 1 bilião de euros, o Jean-Claude Juncker dá massa a partir da Comissão (por vários canais), mas vocês metem as reformas estruturais em campo e depois a gente vê a forma de "flexibilizar" essa coisa da margem orçamental (de abrandar o cumprimento do tratado orçamental).

    # a matriz do pensamento dos banqueiros centrais como Draghi e do grupo que ainda domina o FMI, como a Madame Lagarde, bebe nessa coisa das reformas estruturais -- basicamente partir a espinha do "factor Trabalho", dos desempregados e dos envelhecidos, e obrigar a um processo acelerado de reorganização dos grandes grupos económicos e financeiros, redistribuindo as margens de rendas financeiras e os quintais de cada um; para esse grupo da elite que manda isso é mais importante do que a própria austeridade (sobretudo quando esta é um fiasco como logo Olivier Blanchard do FMI começou por mostrar com aquele coisa dos "multiplicadores", ou como politicamente se começou a ver que deu cabo da classe média e produziu um eleitorado estilhaçado em que correntes fora do 'centro' que fundou a CEE e a UE vão crescendo e ameaçam a tal de "estabilidade governativa"). (…)»

terça-feira, setembro 09, 2014

No dia em que Christine Lagarde torceu o nariz
à maquilhagem dos números do (des)emprego


• Nicolau Santos, Merkel gosta de Passos. Lagarde não:
    «(...) E o que disse a diretora-geral do FMI? Pois bem, que "O único país que progride, apesar de não ser suficiente" para absorver a bolsa de desempregados "é a Espanha", afirmou numa entrevista à emissora francesa "Radio Classique". Ora por favor! Alguém que se chegue junto dela, que lhe dê um puxãozinho no vestido «haute couture» que costuma usar e que bichane qualquer coisa do género ao ouvido: «Dra. Lagarde, olhe que não, olhe que não! A não ser que V.Exa. esteja a reduzir toda a Península Ibérica a Espanha, há um pequeno país junto ao Atlântico que está a fazer muito mais e bem melhor que Espanha em matéria de desemprego…»

    Quem já não procura emprego há mais de seis meses também é eliminado das estatísticas. E assim com menos 300 mil emigrados, mais de 170 mil a fazer cursos de formação e mais uns largos milhares que já desistiram de procurar emprego, o desemprego comprime-se, compacta-se, é combatido e esmagado.

    Seguramente que, surpreendida, Lagarde há de virar a sua informadíssima cabeça e recorrer à língua materna para exclamar, surpreendida: «Mais non!». E alguém terá de insistir: «sim, sim. É um pequeno país, não conta grande coisa, só tem 10 milhões de habitantes, mas é quem tem conseguido melhores resultados em matéria de desemprego a nível europeu…» Aí, a diretora-geral do FMI há de começar mesmo a interessar-se pelo assunto e quererá novos dados, quantitativos e qualitativos. Quanto aos quantitativos, há de ficar espantada como um Governo que esperava mais de 17% de taxa de desemprego para este ano, já reduziu a sua pessimista previsão para pouco mais de 14%. Ficará, então, interessadíssima em saber como tal foi possível, que reformas foram feitas que deram tais resultados.

    Alguém lhe terá então de explicar – ela seguramente chamará o dr. Vítor Gaspar, que é seu subordinado, para o efeito – como tudo foi feito. E Gaspar, de forma propositadamente lenta para ela perceber bem, dir-lhe-á o seguinte: em primeiro lugar, é preciso subir em 1/3 os impostos e cortar em 2/3 a despesa pública. Num segundo momento, é necessário subir os impostos em 2/3 e em cortar 1/3 na despesa. É também importante deixar disparar o desemprego: quanto mais alto estiver mais fácil será obter reduções. É igualmente importante que se diga ao povo que emigrar é uma grande oportunidade – e esperar que o bom povo perceba, emigrando de forma significativa. «O po-vo per-ce-beu», confirmará o dr. Gaspar. A cereja em cima do bolo é colocar o Instituto de Emprego e Formação Profissional a fazer imensos cursos de formação. Como se sabe (a dra. Lagarde não sabe), quem está a fazer um curso de formação profissional deixa de contar para o desemprego. Quem já não procura emprego há mais de seis meses também é eliminado das estatísticas. E assim com menos 300 mil emigrados, mais de 170 mil a fazer cursos de formação e mais uns largos milhares que já desistiram de procurar emprego, o desemprego comprime-se, compacta-se, é combatido e esmagado, pondo em causa toda a ciência económica que, em Portugal, nunca comprovou que pudesse haver criação líquida de emprego sem um crescimento económico acima de 1,5%. «Com-pre-en-deu, dou-to-ra La-gar-de?», dirá Gaspar no final da douta explicação. (…)»

domingo, maio 04, 2014

«Ir além da troika»

Hoje no DN (clique na imagem para a ampliar)

A comunicação social reproduziu de uma só golfada o spin governamental. A apresentação do DEO atrasara-se devido a um braço de ferro entre o Governo e a troika: os funcionários de Barroso, Lagarde e Draghi não queriam ver no papelucho sinais de alívio da austeridade. A SIC atribuiu esta informação a fonte do Governo. Afinal, o DN confirma hoje o que o porta-voz informal do Governo disse ontem: a troika viu-se obrigada a travar os apetites tributários de Passos & Portas.

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Carrega, FMI!

Uma oportunidade única: Christine Lagarde, directora-geral do Fundo Monetário Internacional, entreabre uma fresta para uma alteração de rota, ao admitir ser um “erro” a dose de austeridade cavalar a que Portugal está submetido.

Com o descaramento dos Marcos Antónios que se mostram dispostos a celebrar o adeus à troika, entendi fazer um compasso de espera de 24 horas para ver se o Governo se mexia — nem que fosse para mero consumo doméstico. Mas os estarolas permaneceram calados que nem ratos assustados. O mais provável é que um deles, em surdina, tenha dito ao Sr. Subir Lall:
    — Carrega, FMI!

domingo, dezembro 01, 2013

Cobranças difíceis são com a agência de Madame Lagarde


      “A ajuda do FMI será bem-vinda”.
      "Tem-se diabolizado a questão do FMI porque o primeiro-ministro [José Sócrates] a tornou uma questão de honra do Estado".

Estive a ler a entrevista de Christine Lagarde, directora-geral do FMI, publicada hoje na revista do diário El País. Extrai-se da entrevista por que os métodos da agência que dirige são tidos em tão alta consideração pelas forças de direita em todo o mundo. E, em relação a Portugal, depreende-se o motivo pelo qual a direita, representada por Passos Coelho e Paulo Portas, fez finca-pé no chumbo do PEC IV para poder “pôr em marcha as reformas” que viriam a ser conhecidas como a “refundação do Estado”.

Eis duas passagens da entrevista:
    Y en países como Grecia y Portugal, usted y la señora Merkel son vistas como enimigas del Estado de bienestar y de la democracia. ¿Qué le sugiere eso?
    El FMI ha sido utilizado como chivo expiatorio en algunos países. (…) Así que solemos llegar en el momento más duro, cuando los Gobiernos no pueden poner em marcha las reformas. Y somos los chicos malos del lugar. (…)

    Quizá el problema es que cuando el FMI interviene un país acaba devaluando la moneda, cosa que en la zona euro no puede hacer. Y a cambio devalúan ustedes los sueldos y los derechos.
    En Irlanda, Grecia y Portugal se ha hecho una devaluación interna a través de una rebaja de los costes laborales unitarios para ponerlos en un nivel más razonable y similar a la media de su región monetária. Ese es un aspecto de los programas, pero no el único. (…)

quinta-feira, outubro 03, 2013

Ilusionismo de cabaré da coxa

      Em nenhuma circunstância estamos perante um pacote de austeridade”.

Ao pacote de austeridade constante do Orçamento do Estado para 2013 (filtrado pelo Tribunal Constitucional), que se mantém em 2014, há a somar os cortes (salvo a TSU dos pensionistas) que o Governo ofereceu à troika em carta enviada, em 3 de Maio de 2013, a Durão Baroso, Mario Draghi e Christine Lagarde:

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quarta-feira, setembro 11, 2013

A dissimulação cura-se com um tratamento de choque


Passos Coelho & Miss Swaps resolveram mostrar hoje ao país que Paulo Portas é um tigre de papel — ou um farsante de meia tijela, como se preferir. E fizeram-no, para os mais distraídos, por três vezes:

1. Paulo Portas comprometeu-se a apresentar o “guião da ‘reforma’ do Estado” em Fevereiro. Após sucessivos adiamentos durante oito meses, tudo o que se sabe é que o documento já contém quatro páginas. Hoje, o alegado primeiro-ministro encostou, com um sorriso maroto, o vice-primeiro-ministro à parede [vídeo]: “Todas essas reformas estão em curso ou a ser preparadas e precisam, evidentemente, de ter uma orientação, que o Senhor Vice-primeiro-ministro, o Dr. Paulo Portas, ficou de apresentar e que, eu estou convencido, não concluiremos este mês que está em curso sem o poder debater no seio do Governo e o poder apresentar ao conjunto do país.” Nem que seja só para o enxovalhar, Passos Coelho assumiu-se, por uma vez, como comandante das tropas e meteu o dedo no nariz a Paulo Portas.

2. Entretanto, a Miss Swaps, esta manhã na Assembleia da República, pôs em evidência que o estado de alma que levou à irrevogável demissão de Paulo Portas é coisa de um passado longínquo [vídeo]: “As medidas que estão no memorando de entendimento [aprovadas pelo Governo na 7.ª avaliação da troika] são do conhecimento de todos os portugueses e têm sido amplamente discutidas. É perfeitamente enganoso dizer que estamos a discutir ‘que medidas’ e ‘medidas que os portugueses não conhecem’. Os portugueses conhecem rigorosamente essas medidas.” Paulo Portas, sentado ao lado da Miss Swaps, não tugiu nem mugiu. Portanto, o Governo quer aplicar os cortes previstos na carta enviada a Barroso, Lagarde e Draghi.

3. Como não há duas sem três, Passos Coelho, mal soube que Paulo Portas tinha sustentado no parlamento que havia margem para alterar o défice orçamental para 2014, tratou de puxar com jeitinho o tapete ao agora n.º 2 do Governo: “nenhuma decisão foi tomada sobre esta matéria”.

A vingança serve-se fria (em pequenas doses). Gaspar assiste — deleitado.